Comida e bebida

Cozinha 100% de mulheres e ingredientes brasileiros: conheça as brasileiras consideradas as melhores chefs da América Latina

Tássia Magalhães, do Nelita, foi premiada como a melhor chef mulher da região e Bianca Mirabili é a melhor confeiteira pelo Evvai, prêmio inédito para o Brasil

Isabelle Moreira Lima 03 de Dezembro de 2025
Foto: Juliana Primon (Bianca) e Samuel Hideki (Tássia)

Duas brasileiras levaram os prêmios de destaque do ano no raking do 50 Best Latin América, um dos mais importantes para a região e “filhote” do 50 World Best Restaurants, tradicional lista que começou com a revista inglesa Restaurant e hoje funciona como um raio-x da alta gastronomia feita mundialmente. A premiação aconteceu na noite da terça-feira (2), em Antigua, na Guatemala.

Tássia Magalhães, que comanda o restaurante Nelita, a confeitaria Mag Market e acaba de abrir o bar de vinhos Lita, todos em São Paulo, levou o prêmio de melhor chef mulher. A categoria é um reconhecimento importante, embora também soe anacrônica quando as mulheres buscam igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, renda e salário. Acaba refletindo a realidade das cozinhas ao redor do mundo, chefiadas majoritariamente por homens.

Para Magalhães, a premiação reflete o trabalho de uma cozinha 100% feminina. No Nelita, apenas elas trabalham no preparo dos pratos, delicados e bem pensados.

Equipe da cozinha do Nelita
Equipe da cozinha do Nelita
Foto: Estúdio Mió

O prêmio de melhor confeitaria foi para Bianca Mirabili, que é chef-patissière do Evvai, também em São Paulo. É a primeira vez que alguém do Brasil leva o prêmio. Aos 29 anos, Mirabili estudou com Francisco Sant’Anna, da Escola do Sorvete, e entrou no Evvai como estagiária. A princípio, ela não queria ir para essa área porque achava que poderia tolir sua criatividade. Mas hoje vê suas criações cheias de texturas, camadas e ingredientes brasileros, estamparem publicações como o jornal francês Le Monde, vide o exemplo de “mandioca”, da foto abaixo, que une referências da doçaria brasileira à arte japonesa do kintsugi: um semifreddo inspirado no bolo pernambucano Souza Leão (puba, leite de coco, açúcar e gemas), com toffee de tucupi preto (ácido, salgado, umami), e baunilha do cerrado, que costura todos os elementos. Para ela, sua geração não tem medo de desafiar os limites da confeitaria, respeitando a técnica, mas cruzando referências.

Foto: Tadeu Brunelli

Gama fez três perguntas para as chefs. Você lê as entrevistas abaixo:

O mundo está cada vez mais atento ao que fazemos aqui

 

Tássia Magalhães, chef do Nelita, da confeiaria Mag Market e do winebar Lita

  • G |O que muda com esse prêmio no seu trabalho de cozinheira?

    Tássia Magalhães |

    Sempre acreditei que prêmios são consequência, do que eu e minha equipe construímos ao longo desses anos. Continuo dedicada ao dia a dia da cozinha, às pessoas que fazem parte dela e ao compromisso de entregar uma gastronomia honesta, cuidadosa e cheia de propósito. Mas sem dúvidas, esse prêmio é muito importante, pois ele reflete exatamente sobre o trabalho de uma cozinha 100% feminina.

  • G |⁠E o que acha que esse reconhecimento significa para o país?

    TM |

    Significa muito. É um sinal importante de que o mundo está cada vez mais atento ao que fazemos aqui, à riqueza da gastronomia brasileira e ao quanto ela vem crescendo e se afirmando. O Brasil é diverso, criativo e cheio de talentos, e ver essa visibilidade aumentar é extremamente valioso, não só para mim, mas para todo o setor gastronômico do país.

  • G |⁠Você acaba de abrir um novo bar, já tem um restaurante reconhecido e uma confeitaria. Tem planos de expandir ainda mais?

    TM |

    Temos, sim, mas nada para um futuro imediato. Acabamos de abrir o Lita, que é um projeto muito especial, e queremos dedicar toda a nossa energia a ele agora. É importante respeitar o tempo de cada casa crescer, amadurecer e se firmar. O foco, por enquanto, é fazer o Lita se consolidar do jeito que imaginamos.

Ser a primeira brasileira a receber esse prêmio me emociona

Bianca Mirabili, confeiteira do Evvai, em São Paulo, melhor chef de confeitaria da América Latina

  • G |Você é superjovem e começou como estagiária no Evvai. E o reconhecimento veio muito rápido. O que espera depois desse prêmio tão grande? Quais os planos pros próximos anos?

    Bianca Mirabili |

    Esse prêmio realmente é um marco na minha carreira. O Evvai sempre foi uma escola pra mim, e continua sendo até hoje. Então ser reconhecida agora é emocionante, mas também uma responsabilidade. Tem um trabalho de muitas mãos envolvidas, não faço nada sozinha. Quero continuar aprendendo e evoluindo como profissional, desenvolver novos projetos, tenho um sonho de abrir uma confeitaria pequena pra mim, então acredito que tem muita coisa pra acontecer ainda.

  • G |Como define a confeitaria feita por sua geração e como vc se encontra dentro desse cenário?

    BM |

    acho que a minha geração não tem medo de desafiar sabe? Olhamos e respeitamos as técnicas mas ao mesmo tempo, brincamos e cruzamos referências. Estamos nos conhecendo cada vez mais, conhecendo nossas frutas, nossas especiarias, nossos meles, nosso produtos colocando cada vez mais nossa identidade nos pratos.

  • G |Além de jovem, é mulher e brasileira. Queria te ouvir sobre esse reconhecimento para o país. Como acha que o Brasil se impõe na confeitaria da região?

    BM |

    O Brasil ainda é pouco visto internacionalmente pela confeitaria. Ganhar esse prêmio é falar: “oi, a gente tá aqui e viemos pra ficar.” Nós estamos vivendo um momento muito forte, criativo, diverso e cada vez mais seguro. E eu fico muito feliz em poder fazer parte desse movimento. Ser a primeira brasileira a receber esse prêmio me emociona, porque sei que inspira inúmeros profissionais da confeitaria e mostra que o Brasil tem sim o seu espaço.

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