Planos para o verão?

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Bloco de notas

10 livros curtos para ler em um dia na praia II

Alguns dos principais lançamentos do ano que cabem com folga na sua bolsa de praia, na segunda edição da nossa lista de leituras de verão

10 livros curtos para ler em um dia na praia II

Leonardo Neiva 04 de Janeiro de 2026

Alguns dos principais lançamentos do ano que cabem com folga na sua bolsa de praia, na segunda edição da nossa lista de leituras de verão

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    Após vencer os prêmios Camões e Machado de Assis em 2024, dois dos mais importantes da língua portuguesa, a poeta e professora mineira Adélia Prado lançou em 2025 “O Jardim das Oliveiras” (Record, 2025), seu primeiro livro original em 12 anos, e ainda acabou entrando para a lista de cotados ao Nobel de Literatura — tudo isso pouco antes de completar 90 anos de idade.  O livro reúne 105 poemas inéditos de uma das maiores escritoras da nossa literatura, que apresenta aqui uma maturidade ainda maior em sua escrita. Ao mesmo tempo síntese e reinvenção de sua obra, ele evoca temáticas presentes ao longo da trajetória da autora: a comunhão entre sagrado e cotidiano, o conflito entre luz e sombra, fé e dúvida, poesia e silêncio.

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    Se tem uma autora que bate ponto em listas de grandes pequenos livros, é a francesa vencedora do Nobel Annie Ernaux. E olha que “Memória de Menina” (Fósforo, 2025) nem é uma das suas obras mais curtas. No entanto, assim como em seus melhores momentos, a escritora apresenta de forma magistral o fio enganosamente simples da memória, desta vez ao recontar uma experiência vivida ao final da adolescência. Foi aos 17 anos que a jovem Annie precisou deixar a cidade natal para trabalhar como monitora numa colônia de férias da Normandia, onde viveu uma primeira experiência sexual violenta e traumática. Mais de 50 anos depois, ela reconstrói com caquinhos da memória um período que preferia ter esquecido, mas que está na origem de quem se tornou.

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    Ela, lavadora de carros, se vale das águas da Fonte da Preguiça como ferramenta para ganhar a vida. Ele vasculha as ruas de Salvador atrás de materiais para vender no ferro velho. A vida do casal central da novela “Ladeira da Preguiça” (Todavia, 2025), do escritor baiano Evanilton Gonçaves, não é diferente da de muitos brasileiros das grandes capitais, que são sumariamente excluídos de sua suposta grandeza. Apesar de bastante realista, o primeiro livro do autor, que publicou contos e crônicas em jornais e antologias, também faz uma celebração do povo brasileiro. Um retrato delicado e por vezes cômico do cotidiano de um casal que sobrevive de trabalhos informais numa cidade paradisíaca, mas que tem muito pouco a lhes oferecer.

     

     

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    Um novo livro do escritor sul-africano J.M. Coetzee é sempre um evento a celebrar. Ainda assim, ninguém está preparado para O Polonês” (Companhia das Letras, 2025), um romance breve mas extremamente impactante sobre o enigma dos relacionamentos e como encontros ao acaso podem definir nosso destino. A história é a de Witold Walczykiewicz, um pianista controverso conhecido por suas interpretações únicas da obra de Chopin. Após um romance breve com uma patrona das artes, o artista deixa para ela uma série de 84 poemas, nos quais a mulher tenta encontrar um sentido em relação à experiência que acreditava ter vivido ao lado de Witold. O autor vencedor do Nobel desfia por trás das páginas uma reflexão sobre os dilemas das palavras, da arte e da comunicação, numa investigação ficcional da incompreensão humana.

     

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    Apenas cinco anos após a publicação de seu livro de estreia, “A Mulher Submersa” (Urutau, 2020), finalista do Jabuti, a escritora gaúcha Mar Becker já é uma das maiores vozes da poesia brasileira contemporânea. E sua obra mais recente, “Noite Devorada” (Círculo de Poemas, 2025), a ajuda a firmar sua reputação dentro da literatura nacional. O tema aqui é o amor. O amor que é dito pela boca, que é sentido e expresso pelo corpo. E desse corpo também fazem parte sentimentos como medos e saudades, desejos e enganos. Um convite para “amar como a estrada ama os que se perdem”, nas palavras da própria autora, este livro breve prova que a dimensão de um sentimento infinito pode estar contida em algumas poucas páginas.

     

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    Ela criava codornas na garagem improvisada de um edifício da Cohab. Mantinha em casa uma verdadeira floresta amazônica, que dificultava dar alguns poucos passos pela lavanderia. Essas são algumas das primeiras memórias que a escritora e jornalista paulistana Bianca Santana, que foi colunista da Gama, evoca sobre a avó no romance “Apolinária” (Fósforo, 2025). Nele, lembranças de família, ancestralidade e pesquisa histórica ajudam a narrar a trajetória de Apolinária, mais conhecida como Polu, entrelaçando-a à formação da identidade negra no Brasil. Ela também aborda temas como o racismo cotidiano e a ascensão social ocasionada pelo trabalho no contexto brasileiro. Uma viagem de autoconhecimento que navega paralela à de tantas outras famílias do país. Leia um trecho aqui.

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    A poesia que dá título a “Pote de Mel e Outros Poemas” (Editora 34, 2025), do escritor e crítico literário carioca Leonardo Gandolfi, foi escrita em parceria com a filha Rosa, enquanto os dois liam a história do ursinho Pooh e seus amigos. É um exemplo de como o autor aprecia trazer figuras queridas do público para dentro da sua arte. Algo que acontece em outras poesias do livro, como aquela em que homenageia músicos como Paulinho da Viola. Aqui, a técnica é tão radical que, em certo ponto, fica difícil saber se quem está falando é o poeta ou a figura retratada. Mas, no fundo, será que importa? O que fica mesmo é que, na simplicidade desconcertante dos versos de Gandolfi, as frases se equilibram como fábulas, entre a inocência e o enigma.

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    A obra da escritora norte-americana Ursula K. Le Guin (1929-2018) vem encantando gerações de leitores, sejam eles fãs de ficção científica ou não. “A Teoria da Bolsa de Ficção” (Cobogó, 2025) representa, portanto, uma oportunidade única de mergulhar na mente da autora de clássicos como “A Mão Esquerda da Escuridão” (Aleph, 2019), “Os Despossúidos” (idem, 2019) e a série “O Ciclo Terramar” (Morro Branco, 2022-2026). Em um breve mas poderoso ensaio, a autora contesta nossa forma de contar histórias ao longo da trajetória humana. Em vez das espadas e lanças com que ataca e se defende o herói tradicional dos livros, cuja figura Le Guin compara à de um caçador de mamutes, por que não ouvimos mais narrativas centradas em objetos como as bolsas usadas na antiguidade para guardar e partilhar alimento?

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    Lançado só agora no Brasil, “Recitatif” (Companhia das Letras, 2025) traz o único conto publicado pela escritora norte-americana Toni Morrison (1931-2019) ao longo de uma prolífica carreira literária. Primeira autora negra a receber um Nobel de Literatura, Morrison esconde aqui um desafio para o leitor: desvendar os códigos raciais das duas protagonistas da história. Iniciada com um forte laço entre duas garotas que se conhecem num abrigo para crianças, a história mostra outros três encontros casuais entre elas ao longo da vida. A grande jogada da autora é que ela suprime do conto uma informação crucial — qual personagem é negra e qual é branca —, deixando para o leitor  navegar entre as ambiguidades de raça e classe social que acabam se tornando centrais para o conto. Leia um trecho aqui.

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    A frase que abre “Fogo nos Olhos” (Todavia, 2025), livro de crônicas do escritor argentino Pedro Mairal, pode servir como aviso ao leitor: “O amor é um equívoco.” Mas, em seguida, ele faz uma concessão: “esse equívoco é a única coisa que existe.” O fantasma desse sentimento meio contraditório perpassa as narrativas presentes na obra, a qual reúne crônicas sobre amor, sexo e relacionamentos que Mairal escreveu para a Folha de S.Paulo ao longo de dois anos. Originalmente publicados na coluna “Nosso estranho amor”, ao lado de nomes como Chico Felitti e Anna Virginia Balloussier, os textos formam uma coletânea em que o escritor aborda as diferentes facetas dos encontros e desencontros nas relações contemporâneas. Leia aqui nossa entrevista com o autor.

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