Vai fumar? Mesmo?

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Bloco de notas

Uma seleção de conteúdos para te convencer a não fumar

Podcasts, filmes, séries e textos que mostram os perigos do cigarro, do vape e dos novos sachês de nicotina

Uma seleção de conteúdos para te convencer a não fumar

24 de Maio de 2026
Ilustração de Pedro Malta

Podcasts, filmes, séries e textos que mostram os perigos do cigarro, do vape e dos novos sachês de nicotina

  • O episódio “Os riscos mortais do cigarro eletrônico”, do podcast “O Assunto”, apresentado por Natuza Nery, reúne dados alarmantes sobre o avanço do vape entre jovens e lembra que, apesar de proibido no Brasil desde 2009, o produto segue circulando com força nas redes, festas e escolas. Entre os pontos mais preocupantes abordados estão a alta concentração de nicotina, o potencial de dependência e os casos de doenças pulmonares graves associados ao uso contínuo. Com participação da sanitarista Vera Luiza Costa e Silva, o podcast ajuda a desmontar a ideia de que o vape seria uma alternativa “segura” ao cigarro tradicional, discussão cada vez mais urgente diante da popularização do produto. Disponível no Spotify.

  • A JUUL parecia ter ganhado na loteria quando lançou em 2015 um revolucionário modelo de cigarros eletrônicos mais fácil de usar, com design atraente e sabor agradável — tudo isso turbinado por uma estratégia de marketing instigante. O problema? O principal público-alvo eram os jovens. A minissérie “Big Vape (2023) narra essa história de rápida ascensão e derrocada da empresa, envolvida num enorme escândalo sobre o uso de drogas por crianças e adolescentes que acabaram sofrendo com graves problemas respiratórios. O que a marca não havia anunciado era que um único refil de seus vapes continha a mesma quantidade de nicotina de um maço de cigarros, acelerando a dependência. Hoje, a JUUL responde a processos e ações judiciais que ultrapassam 1 bilhão de dólares. Mas, por incrível que pareça, após a série, a marca deu a volta por cima: em 2025, a agência regulatória FDA liberou a venda de seus produtos nos EUA. Disponível na Netflix.

  • Drauzio Varella literalmente desenha os danos do cigarro à saúde no episódio “Qual é o impacto do cigarro nos pulmões?”, disponível em seu canal no YouTube. Em poucos minutos, o médico explica de forma visual e direta como o ato de fumar destrói estruturas essenciais da respiração, como alvéolos, brônquios e bronquíolos. O mais interessante é que o vídeo consegue transformar um tema frequentemente tratado de forma abstrata em algo concreto, quase impossível de ignorar. Em um momento em que cigarros eletrônicos e vape voltam a circular como símbolos de estilo e comportamento, conteúdos assim ajudam a lembrar que, por trás da estética “cool”, existe um impacto real no corpo. Simples, didático e necessário. 

  • Como se não bastassem o cigarros tradicionais e o boom dos vapes, a versão eletrônica que conquistou jovens transformando adolescentes em fumantes assíduos, chegam ao mercado agora os sachês de nicotina, saquinhos que contém doses altas da substância que é absorvida pelo corpo quando colocada entre a gengiva e a bochecha. Neste artigo, o médico Drauzio Varella explica os riscos e o lobby que a indústria tem feito para que o novo produto seja regulamentado pela Anvisa.

  • Apesar de proibido pela Anvisa, o uso de cigarros eletrônicos entre jovens de 16 a 24 anos cresce no Brasil, gerando níveis de nicotina no organismo equivalentes a fumar mais de 20 cigarros comuns por dia. Nesta reportagem da BBC Brasil de 2022, a cardiologista Jaqueline Scholz (InCor/USP) alerta que os dispositivos, promovidos falsamente como menos danosos, ameaçam os baixos índices históricos de tabagismo no país. O propilenoglicol, as substâncias aromáticas e o sal de nicotina facilitam o vício contínuo, elevando riscos cardíacos, lesões vasculares e inflamações pulmonares severas.

  • Já ouvimos falar muitas coisas sobre como o cigarro impacta a saúde física e mental de quem fuma. Mas uma reportagem da Agência Pública mostra que ele afeta profundamente até mesmo quem trabalha nessa indústria: mais especificamente, os produtores de tabaco. Em “Depressão, ansiedade e suicídios: a realidade dos que plantam tabaco no Brasil”, descobrimos o dia a dia de sofrimento mental e esgotamento das famílias que cultivam a planta, que acabam convivendo de forma constante com agrotóxicos e outros venenos. Para garantir seu status de maior exportador de fumo do mundo, o país expõe esses trabalhadores a doenças graves, distúrbios psiquiátricos, baixos ganhos financeiros e dívidas.

     

     

  • A série “Fôlego?“, lançada pelo Fantástico no início da década de 2000, acompanha sete voluntários que estão tentando parar de fumar. Com uma gravação meio vintage para os padrões atuais, os episódios vão mostrando todas as etapas — e também as recaídas — dos entrevistados que buscam largar o cigarro. E deixam claro os efeitos que o produto tem para nos manter dependentes. Apresentada pelo médico Drauzio Varella, que fumou por 19 anos, a série explicita os desafios, vulnerabilidades e também a resiliência dos participantes. No episódio final, após seis meses sem fumar, eles exploram as mudanças fundamentais que a distância da nicotina representou para sua saúde e rotina. Disponível no Globoplay.

  • Ainda que ficcional, “Obrigado Por Fumar” (2005) permanece assustadoramente realista num momento em que o lobby a favor dos cigarros eletrônicos tem vencido as evidências científicas negativas sobre esse tipo de produto mundo afora. O filme, prestes a se tornar um clássico sobre o assunto, trata das inúmeras mentiras contadas pela indústria do cigarro. O protagonista Nick Naylor (Aaron Eckhart) personifica esse tipo de argumento a favor dos barões do tabaco, usando pesquisas nem um pouco confiáveis para refutar a conexão entre cigarro e câncer de pulmão. Ele integra, inclusive, um trio de amigos que se autodenominam “Os Mercadores da Morte”, e inclui também um lobista do álcool e outro das armas de fogo. Primeiro longa dirigido pelo cineasta Jason Reitman, de “Juno” (2007), esta comédia pode soar um tanto indigesta, mas traça um retrato convincente do que acontece por baixo dos panos num mercado cuja última preocupação é a saúde do consumidor. Disponível no Disney+.

  • Não é só para a saúde dos humanos que o cigarro é tremendamente prejudicial, mas para a do planeta também, como mostra um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo a pesquisa, 4,5 trilhões cigarros já fumados são descartados no ambiente a cada ano, formando uma bomba química duradoura. “Uma bituca contém mais de 7 mil substâncias químicas, sendo que pelo menos 150 delas são conhecidas por serem tóxicas, incluindo nicotina, metais (como chumbo, cádmio e arsênio) e compostos cancerígenos. O texto original, publicado em inglês, está aqui.

  • “Febre do Vape”, segundo episódio da série “Desserviço ao Consumidor” (2019), discute como a falta de regras no mercado pode criar grandes crises. Com 60 minutos de duração, o documentário apresenta um alerta sobre os sais de nicotina, fórmula química que vicia muito mais rápido sem machucar a garganta. E mostra como o design moderno e o marketing focado nos jovens salvaram a indústria do tabaco, que estava em declínio. Ao contextualizar o problema, o episódio prova que um produto criado para ajudar adultos a parar de fumar foi transformado em uma armadilha que tem viciado uma nova geração de adolescentes. Disponível na Netflix.

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