Vai fumar? Mesmo?
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Ilustração de Bruno Senise

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Podcast da semana

João Paulo Becker Lotufo: adolescentes, cigarro e vape

Um dos maiores especialistas brasileiros no combate ao tabagismo, pediatra diz que novos produtos com nicotina são mais atraentes e piores que cigarro tradicional

Isabelle Moreira Lima 24 de Maio de 2026

João Paulo Becker Lotufo: adolescentes, cigarro e vape

Isabelle Moreira Lima 24 de Maio de 2026
Ilustração de Bruno Senise

Um dos maiores especialistas brasileiros no combate ao tabagismo, pediatra diz que novos produtos com nicotina são mais atraentes e piores que cigarro tradicional

Você já percebeu que o cigarro voltou com tudo na cultura? Está nos filmes, nas capas das revistas de moda? E o que isso faz com a juventude que, além do cigarro tradicional, encontra alternativas como o eletrônico e até sachês de nicotina?

“A ideia é viciar o jovem para que ele fique dependente e consuma esse produto o resto da vida, mesmo raciocínio feito com cigarro tradicional na década lá de 1950, 1960. A técnica de marketing agressivo é a mesma e o jovem entra nessa porque precisa ser igual ao artista lá do filme que ganhou o Oscar”, afirma o médico pediatra João Paulo Becker Lotufo, o convidado da edição do Podcast da Semana sobre jovens e cigarro.

Coordenador do Grupo de Trabalho sobre Drogas e Violência na Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Lotufo é doutor em pediatria pela Universidade de São Paulo e membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB). É também responsável pelo Projeto Dr Bartô e os Doutores da Saúde, que tem um programa de prevenção de drogas em escolas de ensino fundamental com aconselhamento e distribuição de leituras infantojuvenis sobre o tema.

Ao Podcast da Semana, o médico explica que hoje é mais preciso referir-se ao uso do cigarro por adolescentes como nicotinismo e não tabagismo, considerando os novos produtos que surgem como vapes e sachês de nicotina. Ele fala que é fundamental que os pais mantenham relações próximas com os filhos para serem ouvidos, e que não fumem também, e dos malefícios que o hábito de fumar cigarro eletrônico traz, incluindo a doença chamada de evali (lesão pulmonar associada ao uso de produto de cigarro eletrônico ou vaping).

“O cigarro eletrônico chega a ter de cinco a seis vezes mais nicotina do que o cigarro tradicional, então vicia muito mais rapidamente e o nível sanguíneo da nicotina em quem fuma cigarro eletrônico está cinco a seis vezes maior do que quem fuma um maço de cigarro, que é a média diária”, afirma na entrevista.

Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

No link abaixo e também no Deezer, no Spotify, no Apple Podcaste no YouTube, você escuta este episódio.

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