Visibilidade trans no Brasil

Ativista e comunicadora Neon Cunha indica conteúdos que convidam à reflexão sobre a violência e a invisibilidade que marcam vidas trans  

Amauri Terto 29 de Janeiro de 2026

As vidas, experiências e expectativas de pessoas trans ainda seguem distantes dos olhos da sociedade brasileira. A violência é constante e atinge, principalmente, quem vive sem proteção do Estado e sem acesso pleno a direitos básicos. A falta de dados e de informações oficiais faz com que muitos desses crimes sigam invisíveis e sem respostas.

Falar sobre visibilidade trans é reconhecer que essa violência não é isolada. Ela faz parte de um sistema que exclui, silencia e mata vidas. Trazer essas histórias à tona é fundamental para cobrar políticas públicas, garantir proteção e afirmar que pessoas trans têm o direito de viver com segurança e dignidade.

A partir dessas questões, a ativista e comunicadora Neon Cunha indica cinco conteúdos para reflexão. São obras jornalísticas, artísticas e audiovisuais que ampliam o debate sobre identidade, existência e cidadania.

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    Mapa dos Assassinatos Trans/ANTRA 2017

    Dossiê: Assassinatos e Violências contra pessoas trans em 2026, da (ANTRA) Associação Nacional de Travestis e Transexuais

    “As mortes de travestis e transexuais continuam subnotificadas. No Brasil, 90% das travestis e mulheres transexuais ainda vivem da prostituição que, na maioria das vezes, acontece nas ruas. Essa exposição aumenta ainda mais a vulnerabilidade diante das inúmeras violências físicas e psicológicas a que são submetidas — e que muitas vezes resultam em mortes. A maioria dos casos acontecem em regiões periféricas, estão longe de serem notificados e sequer sabemos a dimensão de assassinatos como esses no Brasil. É nesse sentido que entra a importância da ANTRA ao produzir um dossiê em que dados são coletados a partir do monitoramento e mapeamento dessas mortes, pois aponta um caminho para a construção de políticas públicas. Com elas, garantimos o direito de envelhecer, de ter saúde integral e segurança — onde vidas trans importam, onde todas as vidas importam — , produzindo, assim, uma equidade humana que garanta a vida plena e com dignidade.”

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    © Jota Mombaça

    A arte de Jota Mombaça

    “Jota Mombaça faz parte de uma geração de artistas ativistas voltados para o debate sobre a descolonização e o racismo por meio de um cruzamento com as dimensões de classe social e de identidade de gênero. Mombaça é uma revolução que amplia as possibilidades da condição humana não cis, enquanto promove um redimensionamento transgressor das artes nessa contemporaneidade de ser quem se é.”

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    (Arquipélago Editorial, 2015)

    “O Nascimento de Joicy” (Arquipélago Editorial, 2015)

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    Divulgação/ABBAS Filmes

    “O Babado de Toinha” (Sérgio Bloch, 2020)

    “O curta traz Toinha, que fabrica o dendê para o seu próprio acarajé. Ela sobe no pé, derruba o cacho, cozinha o dendê, macera-o no pilão e, quando tudo se transforma em uma pasta, separa o líquido do bagaço em um longo processo artesanal. Como ela mesma diz, orgulhosa: ‘O negócio dá muito trabalho, mas quem se importa? Meu acarajé tem que ficar perfeito. É por isso que eu faço o babado do macho e da fêmea’ [no sentido de cuidar da colheita à produção do Acarajé]. “

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    Registro Geral de Neon Cunha© Acervo Bajubá

    O podcast “Identidade ou morte”, da Rádio Novelo

    “Em 2016, a ativista Neon Cunha entrou com um pedido de morte digna assistida na Organização dos Estados Americanos, a OEA – e chegou a planejar, com detalhes, o próprio funeral. Ela não estava doente, não tinha ideações suicidas, nem desprezo pela vida. Pelo contrário. A decisão radical era, na verdade, um apelo para continuar existindo.”

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