Como a cultura coreana encontra a brasileira

Entre livraria e artistas visuais e do cinema: as recomendações da confeiteira Veronica Kim para quem deseja explorar outras camadas da Hallyu presente no Brasil

Sarah Kelly 26 de Novembro de 2025

A cultura coreana tem se espalhado pelo globo terrestre e conquista o mundo inteiro com K-dramas, grupos de K-pop e filmes — o último sucesso estrondoso foi a animação “Guerreiras do K-pop” (2025), da Netflix. Chamada de Hallyu ou “onda coreana”, a explosão de interesse na indústria cultural da Coreia do Sul está atualmente em sua fase 4.0.

Agora, a expansão ultrapassa a música e inclui beleza, moda, gastronomia, literatura, games e outras expressões culturais. O resultado é uma afeição crescente que transforma hábitos, repertórios e até o imaginário brasileiro sobre o país asiático.

Filha de imigrantes coreanos, Veronica Kim encontrou na confeitaria seu modo único de traduzir essa identidade em sabores, unindo também técnicas francesas e referências brasileiras. À frente da By Kim Confeitaria, em São Paulo, ela é fiel à ideia de que “ser coreano não é um gênero gastronômico, mas uma expressão singular de quem cria”.

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A seguir, ela traz sugestões que revelam uma herança coreana plural e contemporânea em atuação no Brasil. “Mais do que uma tendência pop, trata-se de uma presença cultural diversa, criativa e profundamente conectada ao país que as acolhe.”

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    Ing Lee

    Ilustradora e artista visual

    Baseada em São Paulo e representada por uma agência internacional, a ilustradora é premiada no mercado editorial e transita entre literatura, quadrinhos e design gráfico. Entre seus principais trabalhos está a série “João Pé-de-Feijão”, criada em parceria com a PlayGround Brasil em 2023 e prevista para lançamento impresso pela VR Editora em 2025 — uma história que aborda cotidiano e temas ligados ao espectro autista (TEA). Desde sua estreia editorial, em 2021, com “Amor, Mentiras e Rock & Roll” (Editora Seguinte, 2021), ela assinou capas como “Amêndoas”, de Won-pyung Sohn (Editora Rocco, 2023), e produziu ilustrações para editoras como Fósforo, Gutenberg e Penguin UK. Também criou identidades visuais de grandes eventos culturais, como a Bienal do Livro Rio 2023 (Companhia das Letras) e o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte 2024. Mantém ainda projetos autorais — entre eles Geum, Karaokê Box, Minduelle e Mugunghwa, dedicada a poemas coreanos tradicionais. Finalista do Prêmio Jovens Talentos PublishNews 2024 e integrante do programa “Amigos da Embaixada da Coreia” (2022), Ing Lee ministra cursos e palestras em instituições como o Instituto Tomie Ohtake e o Sesc, além de ter cofundado selos editoriais independentes como Pólvora e O Quiabo.

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    Foto de Nathalie Artaxo

    Livraria Aigo

    O Bom Retiro literário

    Criada por Agatha Kim, Paulina Cho e Yara Hwang — filhas de imigrantes coreanos nascidas no Bom Retiro —, a Livraria Aigo é um espaço independente e multicultural no coração do bairro. Definida pelas fundadoras como uma “livraria migrante”, ela funciona não apenas como ponto de venda, mas como um lugar de diálogo sobre identidade e pertencimento. Sua curadoria privilegia literaturas das diásporas e das migrações, especialmente das comunidades que moldaram o Bom Retiro, como as leste-asiáticas, árabes, hispânicas e leste-europeias. Além de debates, lançamentos e encontros que abordam temas como tradução, design e migração, a Aigo trabalha com cerca de 2 mil títulos de mais de 30 editoras, conectando leitores tanto no espaço físico quanto de forma online, por meio de vendas digitais.

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    Foto de Beatriz Damy

    Gabriela Yoon

    atriz e voz da representatividade asiática

    Atualmente no ar na TV Globo, Gabriela Yoon é uma das poucas atrizes de ascendência coreana com papéis de destaque no audiovisual brasileiro e uma voz ativa nas discussões sobre representatividade asiática e diversidade nas telas. Entre seus principais trabalhos estão a personagem Min-Ji (Yoo-Na) na novela “Volta por Cima” (TV Globo, 2025), Kelly em “Tem Que Suar” e “Tem Que Suar 2” (Multishow, 2023–2024), Joana no filme “Mar de Dentro” (2022) e o papel de imigrante em “7 Prisioneiros” (2021). Em 2024, também deu voz à personagem Ji-Young na versão brasileira de “Vila Sésamo”.

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    Foto de Bruna Sampaio

    Ok Hee Jeon

    arte coreana com alma brasileira

    A artista Ok Hee Jeon, nascida em 1958 na Coreia do Sul, vive no Brasil há mais de 25 anos e atua entre Brasília e São Paulo. Membro da Kowin (Korean Women’s International Network) e da Associação dos Artistas Coreanos no Brasil, ela é reconhecida por obras que unem a estética coreana às paisagens brasileiras. Entre seus destaques estão a exposição “Nós Somos Um / We Are One”, realizada na Câmara Legislativa do DF com cerca de 40 obras em parceria com a Embaixada da Coreia, além de mostras em Seul, Brasília e no Centro Cultural Coreano em São Paulo. Suas pinturas, marcadas por cores vívidas, retratam mulheres baianas, crianças e cenas rurais brasileiras, e integraram as celebrações dos 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia, em 2019. Sua arte funciona como uma ponte simbólica entre as duas culturas — um olhar externo que traduz o Brasil por meio da sensibilidade coreana.

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