Cultura

Cinco nomes de “O Agente Secreto” para ficar de olho

Uma produtora, um diretor de elenco e três intérpretes que ajudam a explicar por que o filme de Kleber Mendonça Filho tem tanta força, dentro e fora de quadro

Ana Elisa Faria 27 de Janeiro de 2026

Um longa faz sucesso não só porque tem um grande diretor, um ator brilhante ou uma atriz que inebria, mas também porque existe uma imensa engrenagem de gente “menos óbvia” para o público — no set e fora dele —, sustentando cada escolha do roteiro, rostos em cena, detalhes de época, nuances de interpretação. São profissionais que calibram tons e sustentam o mundo de uma produção e artistas que surgem por instantes, mas deixam rastro.

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É essa junção toda que faz de “O Agente Secreto” um dos títulos da temporada. A obra do pernambucano Kleber Mendonça Filho foi indicada em quatro categorias do Oscar: melhor filme, melhor ator (Wagner Moura), melhor filme internacional e melhor direção de elenco.

O elenco, aliás, é um dos tesouros do longa-metragem. São 65 nomes, entre atores e atrizes, alguns bastante conhecidos e outros, talentos ainda fora do radar.

A seguir, Gama lista cinco pessoas que trabalharam em “O Agente Secreto”, por trás e na frente das câmeras, para ficar de olho.

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    Emilie Lesclaux, a produtora francesa que fincou raízes no Recife

    Nascida em Bordeaux, na França, e formada em ciências políticas, ela desembarcou na capital pernambucana em 2002 para trabalhar no consulado-geral francês. A mudança acabou abrindo outro caminho: Lesclaux entrou para o audiovisual, passou a produzir e, nesse percurso, conheceu Kleber Mendonça Filho, com quem é casada e tem os gêmeos Martin e Tomás. Nos últimos anos, seu nome se consolidou como sinônimo de produção forte no Brasil, somando curtas e longas premiados. Além de “O Agente Secreto”, é produtora de outras obras de Filho, como “Retratos Fantasmas”, “Bacurau”, “Aquarius”, “O Som ao Redor” e “Recife Frio” — filmes que ajudaram a redefinir o cinema brasileiro recente —, e longas de jovens cineastas como “Dormir de Olhos Abertos”, de Nele Wohlatz, e “Sem Coração”, de Nara Normande e Tião.

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    Robério Diógenes, o ator cearense que dá vida ao pitoresco delegado Euclides

    A carreira do artista, natural de Parambu, no Ceará, atravessa filmes populares e independentes, de “Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral”, de Halder Gomes, a “O Filho Único do Meu Pai”, de Dado Fernandes, além de trabalhos na televisão e uma longa carreira no teatro. Uma das principais revelações de “O Agente Secreto”, ele é um dos coadjuvantes com mais tempo de tela na produção. Diógenes interpreta o delegado Euclides Cavalcanti, um sujeito pitoresco envolvido em uma rede criminosa que é, ao mesmo tempo, assustador, còmico e bobão — como prova a cena com Hans, personagem de Udo Kier.

     

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    Mariza Moreira, a ex-BBB que interpreta uma mulher possuída

    Pernambucana, atriz, professora de artes e conhecida do grande público pela participação no BBB 15, Moreira aparece no filme em uma cena curta, mas de destaque. Ela vive a mulher que surge possuída no hall do Cinema São Luiz após a sessão de um filme de terror — também aparece em uma sequência de perseguição. Antes de “O Agente Secreto”, a artista já tinha passado por sets de obras dos cineastas Hilton Lacerda e Wislan Esmeraldo.

     

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    Gabriel Domingues, o “olheiro” que montou um elenco de sucesso e foi indicado ao Oscar

    Um diretor de elenco é daqueles profissionais quase invisíveis do cinema, mas cujo trabalho é de extrema importância para o resultado de um filme. E, no longa de Kleber Mendonça Filho, a função fez história, além de bastante sucesso. Foi Gabriel Domingues quem reuniu os 65 nomes que atuam em “O Agente Secreto”, num trabalho que mistura pesquisa, teste, repertório e intuição — algo similar ao de um olheiro de futebol. Em entrevista ao Fantástico, ele explicou a função: “É ter o discernimento do que é bom de ver, do que seduz, do que é cinematograficamente interessante”. Também no programa dominical da TV Globo, Domingues comentou sobre o impacto da criação da categoria de melhor direção de elenco no Oscar, destacando como a indústria americana se mobilizou para esse reconhecimento. O profissional contou ainda que, em eventos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, percebeu os americanos intrigados com a diversidade dos atores brasileiros. No método dele, há espaço para quem está fora do circuito: foi assim que Robério Diógenes chegou ao filme, após se inscrever numa convocatória nas redes sociais e fazer um teste on-line com o diretor da obra.

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    Geane Albuquerque, atriz do Ceará que fez uma das cenas mais cômicas na repartição pública do filme

    A cearense chegou ao radar do filme via Teatro Experimental de Fortaleza, no garimpo que Gabriel Domingues fez fora dos centros mais óbvios. Em “O Agente Secreto”, ela dá vida a Elisângela, uma funcionária pública que divide com Wagner Moura uma das cenas mais engraçadas da história, quando, na repartição em que trabalha com o personagem do ator baiano, em meio a um clima tenso, a mulher questiona: “O novato é casado e/ou aprecia a companhia de mulheres?”. O diretor de elenco comentou sobre Geane Albuquerque: “Eu trouxe ela para o Kleber. Ele ficou bem encantado com a aparência dela, porque tem algo de anos 1970”.

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