Você é próximo dos seus avós?

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Bloco de notas

Livros que têm as avós e os avôs no centro da história

Da literatura infantil à adulta, da ficção à não ficção, obras escritas por autores consagrados, como Teresa Cárdenas e Valter Hugo Mãe, que falam com delicadeza sobre a beleza da relação intergeracional

Livros que têm as avós e os avôs no centro da história

26 de Julho de 2026

Da literatura infantil à adulta, da ficção à não ficção, obras escritas por autores consagrados, como Teresa Cárdenas e Valter Hugo Mãe, que falam com delicadeza sobre a beleza da relação intergeracional

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    Memórias familiares e cartas do avô Fúlvio Abramo, incluindo as lacunas nelas presentes, servem de inspiração para “Fiat Lux” (Editora 34, 2026, trad. Gustavo Pacheco), da poeta e tradutora mexicana Paula Abramo. O livro se desenvolve a partir dos exílios do avô e do pai, em fuga da polícia de Vargas em 1938 e da Ditadura Militar a partir de 1964, respectivamente. A obra tira da escuridão histórias esquecidas e reconstrói a narrativa de vozes, lugares e destinos, sentenciados na ação política em combate ao fascismo. Com parte do enredo no Brasil — que inclui passagens como a batalha na Praça da Sé em outubro de 1934 —, a história mostra o cotidiano banal de uma família sempre atravessado pela política.

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    Apolinária, de apelido Polu, partiu rumo a São Paulo sozinha em 1946, deixando para trás, no interior da Bahia, um marido que nunca amou. Na capital paulista, morou na periferia, trabalhou como empregada doméstica e criou dois filhos. A história da personagem, inspirada na avó da jornalista e escritora Bianca Santana, é contada em “Apolinária” (Fósforo, 2025), primeiro romance da autora. A obra traz temas como racismo, identidade negra e ascensão social, discutidos por duas vozes intercaladas: a da avó e a da neta. Ao unir memórias familiares com uma profunda pesquisa histórica, Santana faz da trajetória individual da mulher negra nordestina um espelho de uma realidade tão comum no Brasil.

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    Rugas são como um mapa para navegar pela história de nossas vidas. Em “As Linhas no Rosto de Nana” (Editora FDT, 2020, trad. Alice Ruiz), cada uma delas guarda uma memória. O livro infantil é narrado pela neta, que, ao notar as linhas no rosto da avó, a questiona se elas a incomodavam. A autora e ilustradora italiana Simona Ciraolo usa do otimismo e da diversão para trabalhar as lembranças, o valor das marcas detalhadas e a beleza da velhice.

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    Em encontros e conversas com sua mãe, a historiadora e professora Ana Lucia Duarte Lanna percebeu a forte conexão entre sua pesquisa sobre fluxos migratórios e o patrimônio histórico no Brasil e a história de seu avô, Mario Pace. Ele foi relojoeiro, lutou na Primeira Guerra Mundial, deixou a Itália e se estabeleceu em Belo Horizonte, atuando como empreiteiro na construção da capital mineira. O ensaio “Histórias do Meu Avô” (Edusp, 2024), semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2025, mescla a trajetória do imigrante com o contexto histórico do Brasil na virada do século 20, a partir de entrevistas e investigações documentais.

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    Em meio a voos, roubos em um asilo de idosos e muita magia, o que permanece no livro infantil “Meu Avô Tatanene” (Editora de Cultura, 2023, trad. Caio Riter) é a relação de afeto entre Reglita e seu avô quilombola Gregório. A menina de 12 anos nos conta sobre o homem, já naos anos de velhice, que sonha em ir à África e conhecer a terra de onde seu próprio avô viera. Sem subestimar os pequenos leitores, a escritora afro-cubana Teresa Cárdenas fala de ancestralidade, memória, resistência, descoberta, morte e alcoolismo.

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    Em “Bento Vento Tempo” (Companhia das Letrinhas, 2024), Bento percebe que seu avô Cacá mudou com o passar dos anos, está cada vez mais calado e recluso. Em uma tentativa de recuperar as memórias do avô, apagadas pelo Alzheimer, o menino tem uma ideia: levá-lo à feira da cidade de garupa em uma bicicleta amarela. Ao longo da história, os papéis se invertem e, enquanto cria novas memórias, o menino é levado pelo avô durante os breves momentos que recorda de suas lembranças. A narrativa em formato de cordel, ilustrada pelo artista visual Nelson Cruz, marca a estreia de Stênio Gardel na literatura infantil. Ao ler o livro, ganhador do Prêmio Jabuti no ano passado, entramos no caminho percorrido junto com os personagens, cheio de encanto, coragem e sonhos.

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    Uma avó que trocou o coração por um eletrodoméstico, mas que continua acreditando que amar é sinônimo de melhorar. Do outro lado, um avô, homem de oficina, que vê o mundo em poucas cores. Pela perspectiva do neto, os laços afetivos que os unem são narrados e ilustrados por Valter Hugo Mãe, na obra “Serei Sempre o Teu Abrigo” (Biblioteca Azul, 2021), que comenta os desafios e os heroísmos da velhice.

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    Durante um dia na praia, a neta conta ao seu avô todas as curiosidades que ficou sabendo sobre o pai da sua mãe – sem perceber que o pai da sua mãe era exatamente com quem estava conversando. O idoso ouve atentamente as características que já não condizem com o presente: ter cabelo marrom, se irritar ao não ser o primeiro a ler as notícias do jornal e nadar onde não dá pé. “O Pai da Mamãe” (Caixote, 2020), segundo livro da escritora e professora infantil Cristiana Gomes, com ilustrações de Odilon Moraes, narra a trajetória de descoberta da criança sobre as mudanças e a graça que só o tempo é capaz de trazer.

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    “Nihonjin” (Fósforo, 2025), de Oscar Nakasato, é uma saga familiar que segue Hideo Inabata, um japonês – tradução do título do livro – que vem para o Brasil na onda de imigração nipônica no início do século 20. Sua trajetória é marcada por sonhos e sacrifícios e, para não se entregar ao fracasso, o protagonista se apoia na ideia de honra e no nacionalismo japonês. O romance de estreia e vencedor do Prêmio Jabuti é narrado por Noboru, seu neto, que tece a história e entrelaça as três gerações da família, do trabalho nas lavouras de café ao comércio na Liberdade, e explora a identidade, o orgulho e os dilemas na díade de hospitalidade e hostilidade. Originalmente lançado em 2011, o livro foi adaptado para as telas em “Eu e Meu Avô Nihonjin” (2025), dirigido por Celia Catunda, e está disponível no Prime Video.

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    O livro infantil “O Anjo da Guarda do Vovô” (Companhia das Letrinhas, 2024, trad. Sofia Mariutti) apresenta o avô, deitado na cama de um hospital, contando ao neto todas as suas peripécias do passado. O que o senhor não sabia é que, desde as aventuras da infância aos desafios da vida adulta, um anjo estava sempre disposto a ajudá-lo. Nós, leitores, somos cúmplices desse misterioso encargo, sem folgas ou horas de descanso, que é apenas revelado nas ilustrações da própria autora Jutta Bauer. A premiada artista alemã trata com humor diferentes instantes da história do avô e retrata a experiência da vida com intensidade.

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