Conteúdos sobre literatura na Gama Revista

literatura

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Uma novela que grita "Abaixo o patriarcado!"

"Todos, todos os sadios prazeres da vida, enfim, são privilégios masculinos!", escreve Ercilia Nogueira Cobra, em "Virgindade Inútil" (Carambaia, 2022), que escreveu em 1927. Ela, que foi uma voz importante da literatura do início do século 20, mistura sátira, ficção e argumentação contra a dominação patriarcal. O cenário é um país chamado Bocolândia, onde se conserva um estado de estupidez. Em alguns momentos, soa como 2022. (Isabelle Moreira Lima)
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Uma dose de erotismo de Mário de Andrade

A obra deste autor é atravessada por uma inquietação em torno do sexo – e quem não é? Conhecida por seus trabalhos na área da sexualidade, a professora e crítica literária Eliane Robert Moraes se debruçou em pesquisas e organizou o título “Seleta erótica de Mário de Andrade”, uma antologia que busca contemplar os diversos gêneros e fases do escritor e a riqueza erótica de seus textos. Editado pela Ubu e com ilustrações de Julio Lapagesse. (Manuela Stelzer)
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Nova Feira do Livro reúne 120 editoras, livrarias e bancas

Inspirada nas feiras de rua de Madri e Lisboa, Feira do Livro acontece de 8 a 12 de junho, na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu. Organizada pela revista Quatro Cinco Um, tem na programação nomes como Djamila Ribeiro, Ailton Krenak, Carla Madeira e Mia Couto. Oficinas, debates e sessão de autógrafos compõem a programação gratuita, que acontece das 15h às 21h, na quarta, e das 10h às 21h, de quinta a domingo. (Ana Mosquera)
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Revista Morel, de pessoas e universos atemporais

Se a era do papel parece cada vez mais próxima do fim, a revista Morel é um libelo de resistência. Focada em literatura, fotografia e artes visuais, traz longos ensaios fotográficos, poemas narrativos, trechos de romances, cartuns, perfis, entrevistas, ficções. Na última edição, conta com Autumn Sonnichsen, que registra todas as idades de Maria Ribeiro, colunista da Gama. Há ainda uma prosa inédita de Xico Sá. Pode ser assinada. (Manuela Stelzer)
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Festa Literária volta ao presencial e homenageia autor indígena

Após dois anos de programação virtual, a 14º Festa Literária de Santa Teresa (FLIST) volta a tomar o bairro carioca. O evento homenageia o escritor indígena Daniel Munduruku, ganhador do Jabuti. Temas como o modernismo e a representatividade de mulheres pretas e indígenas na literatura integram as mais de 50 atividades gratuitas, que incluem teatro, dança, música e gastronomia. A FLIST acontece no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, nos dias 14 e 15 de maio, das 10h às 18h. (Ana Mosquera)
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Valter Hugo Mãe fala sobre seu novo livro

Em entrevista ao jornal O Globo, o escritor português conta sobre o livro “As Doenças do Brasil” (Biblioteca Azul, 2021), que se passa na Amazônia e coloca uma indígena no centro da narrativa. No papo, também comenta sobre o futuro do Brasil, os efeitos da colonização, a carreira e os próximos projetos. “É revoltante ver como é trágica a vida das comunidades originárias hoje, em 2022, e como isso depende exclusivamente de um pensamento ainda colonialista”, afirmou. (Manuela Stelzer)
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Grandes frases no "Livro dos Amigos"

"A maior necessidade de um Estado é um governo corajoso". O inspirador aforismo de Goethe (1749-1832) e outros de nomes como Balzac, Voltaire, Kierkegaard, Schopenhauer estão em "O Livro dos Amigos", uma compilação de grandes frases feita pelo dramaturgo austríaco Hugo von Hofmannsthal e lindamente editada pela yiné (em capa dura e fitilho). Uma maravilha para ser folheado aleatoriamente e um presentaço para os amigos. (Isabelle Moreira Lima)
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A mitologia grega pelo olhar de suas mulheres

Na literatura da britânica Charlotte Higgins, a mitologia grega se torna uma longa tapeçaria tecida a muitas mãos. São elas e suas vozes correspondentes que ganham protagonismo em “Mitos Gregos” (Zahar, 2022), uma releitura de várias das histórias ancestrais sob a perspectiva das personagens femininas. Da deusa Atena à maga Circe, elas vão recriando contos de amor, aventura e magia tanto na posição de narradoras como de protagonistas. (Leonardo Neiva)
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O sabor ítalo-americano da cozinha de Stanley Tucci

Livros de memórias com receitas não são novidade, mas são (quase) sempre deliciosos. E é o que prometem os pratos que o ator Stanley Tucci, par de Meryl Streep em "Julie & Julia" e "O Diabo Veste Prada", ensina em "Sabor" (Intrínseca, 2022). Há as de família, como o ragu Tucci, com carne de boi e costela de porco cozidos lentamente; mas o mais legal é quando elas são narradas menos objetivamente, como sua versão do clássico carbonara. (Isabelle Moreira Lima)
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“Segunda Casa”, novo romance de Rachel Cusk

Finalista do Booker Prize 2021, o livro da britânico-canadense tem ares conhecidos por seus leitores: a protagonista é uma escritora de meia-idade que fala de temas como arte, literatura, beleza e maternidade. Desta vez, porém, a narrativa se dá toda dentro de uma casa, onde M, que vive com o marido e a filha, hospeda um prestigiado pintor. A história é inspirada nas memórias da escritora americana Mabel Dodge Luhan (1879-1962). (Betina Neves)
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'Baixo Araguaia’ e a entrada na adolescência

Não existe nada que se iguale à puberdade. E é esse momento tão peculiar na vida de qualquer pessoa que a escritora e produtora de cinema Maria Lutterbach decidiu retratar em “Baixo Araguaia” (Quelônio, 2022), seu romance de estreia. Na obra, a protagonista sem nome narra suas transformações como uma metamorfose em bicho, desde uma troca metafórica de pele até a percepção dos novos cheiros que tomam seu corpo. (Leonardo Neiva)
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Curso de poesia na Casa das Rosas

Até dia 4/3, ficam abertas as inscrições para a 4ª edição do curso gratuito Poesia Expandida. Por meio de aulas teóricas e práticas, aborda o universo da poesia em diferentes possibilidades: texto, som e imagem. Entre os professores estão a pesquisadora e tradutora Juliana Di Fiori Pondian, o poeta e artista Daniel Minchoni e o poeta visual e arte-educador Anderson Gomes. Duas vezes na semana, a partir de 17 de março. (Manuela Stelzer)
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Escritora francesa Annie Ernaux fala do próprio aborto em novo livro

Nesta quarta (23), a Fósforo lança “O Acontecimento”, mais uma obra da aclamada escritora francesa Annie Ernaux, autora de “Os Anos” e “O Lugar”. No livro, ela resgata sua jornada solitária na tentativa de realizar um aborto clandestino na juventude, quando a prática era proibida na França. Uma reflexão sobre as intromissões da lei sobre o corpo feminino, o livro já virou até um filme, que recebeu o prêmio máximo em Veneza em 2021. (Leonardo Neiva)
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No centenário de “Ulisses”, cartas revelam o caos financeiro de James Joyce

No momento em que o clássico de James Joyce faz cem anos, vem à luz uma série de cartas de sua editora e amiga Sylvia Beach, dona da famosa livraria parisiense Shakespeare and Company. No livro que reúne os documentos, não publicado no Brasil, há puxões de orelha da editora pelos gastos excessivos do escritor e revelações sobre a complicada história editorial da obra e a relação com amigos, como o poeta Ezra Pound. (Leonardo Neiva)
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‘Arrastados’, livro de Daniela Arbex sobre a tragédia de Brumadinho

Conhecida por outros livros-reportagem de peso, a jornalista publica agora, três anos depois do rompimento da barragem explorada pela mineradora Vale, uma reconstituição sensível e profunda das primeiras 96 horas da tragédia que matou 270 pessoas. Daniela entrevistou sobreviventes, familiares das vítimas, bombeiros, médicos-legistas, policiais e moradores das áreas atingidas e acompanhou o impacto das indenizações e contrapartidas institucionais para a reparação dos danos materiais. (Betina Neves)
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‘A Tragédia de Macbeth’, nova versão do clássico de Shakespeare

Contado e recontado quase exaustivamente no cinema por diretores como Akira Kurosawa e Orson Welles, a história clássica de Shakespeare dá as caras novamente, desta vez no streaming Apple TV+. Quem dirige a nova adaptação, elogiadíssima pela crítica, é Joel Coen, em um raro trabalho longe do irmão Ethan. Denzel Washington e Frances McDormand encabeçam o elenco como os maquiavélicos Macbeth e Lady Macbeth. (Leonardo Neiva)
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O romance de estreia do autor de ‘Mad Men’

Usar o nome da sua principal série no título já é, de certa forma, uma injustiça com Matthew Weiner que, em entrevista à Folha, falou sobre a dificuldade de vender projetos depois de “Mad Men”. Para quem procura traços da história dos Draper em “Acima de Tudo, Heather” (Ed. Planeta), talvez veja semelhanças na trajetória de uma adolescente modelo – a Heather do título –, que vive num círculo privilegiado de uma rica Nova York, e nos interesses obscuros que uma personagem feminina forte pode atrair. (Amauri Arrais)
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‘A Filha Perdida’, filme baseado em romance de Elena Ferrante

Desmistificar a ideia que se tem (e que ainda se vende) da maternidade é um dos efeitos do livro da escritora napolitana agora adaptado para o cinema. Na trama dirigida por Maggie Gyllenhaal, uma professora (Olivia Colman) tem suas férias interrompidas por uma família barulhenta. Dois integrantes a fazem rever a sua própria maternidade: Elena (Dakota Johnson) e sua filha pequena. A colunista do NYT, Jeannette Catsoulis, escreveu que o filme é "uma exploração sombria e perturbadora de algo profundo e radical: a noção de que a maternidade pode roubar identidades de maneira irreparável". (Luara Calvi Anic)
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A nova edição de ‘Quincas Borba’, com prefácio de Emicida

A história do rico pensador que, ao morrer, deixa toda sua fortuna para o amigo Rubião – desde que tome conta do seu cachorro – já ganhou diversas versões. Agora, ganha uma edição de luxo pela editora Antofágica, com capa dura, texto de apresentação de Emicida, ilustrações de Samuel de Saboia e posfácio do vencedor do Jabuti Jeferson Tenório. Uma oportunidade para ler ou reler um dos melhores romances de Machado de Assis, que soube como ninguém expor personagens em uma sociedade de interesses em transição. (Amauri Arrais)
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‘Harry Potter: De Volta a Hogwarts’, reúne elenco da saga após 20 anos

Após duas décadas do lançamento de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", o elenco da lendária história do aprendiz de bruxo se reuniu para o especial de aniversário lançado pelo HBO Max. Com quase duas horas, a produção reúne alguns dos nomes que vimos crescer entre os filmes, mas exclui a participação da autora dos livros, J.K. Rowling, após a polêmica recente de declarações transfóbicas. Antigos colegas de cena se reúnem para ver imagens de arquivo, homenagear membros que já não estão mais vivos e revisitam momentos importantes de suas carreiras. (Andressa Algave)
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Um volume com toda ficção do chileno Alejandro Zambra

Voz aclamada na literatura de língua espanhola, o autor retorna no fim do mês à Festa Literária Internacional de Paraty, da qual participou em 2012, para falar do novo ”Poeta Chileno” (Companhia das Letras). Para quem ainda não conhece sua obra, porém, vale embarcar em “Ficção 2006-2014”, reunião dos romances "Bonsai", “A Vida Privada das Árvores” e “Formas de Voltar para Casa”; além dos contos de “Meus Documentos” e outros inéditos e de “Múltipla Escolha”, seu texto mais experimental. Suas histórias cativam pela simplicidade, em livros que a gente passa a tratar como bons amigos. (Betina Neves)
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Um bate-papo com Gregório Duvivier e seus poemas

Do amor à maconha passando pela amizade, o ator, roteirista, diretor e escritor parece ter dado a volta ao mundo em seu último livro, “Sonetos de Amor e Sacanagem” (Companhia das Letras, 2021), que ele lança neste domingo (12) na livraria Megafauna, no centro de São Paulo, às 15h. Gregório autografa os livros e bate um papo com Rita Palmeira, curadora da livraria. Alguns dos sonetos serão lidos pelos atores Luciana Paes e Vinicius Calderoni. (Isabelle Moreira Lima)
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Encontros virtuais de autores na 19ª edição da Flip

A Festa Literária Internacional de Paraty acontecerá pela segunda vez de maneira remota, com 19 mesas de conversas entre os dias 27/11 e 5/12. Este ano não haverá um autor homenageado, mas um tema central: os escritores discutirão o mundo vegetal e os saberes da floresta. Entre os nomes confirmados, estão o botânico Stefano Mancuso, Margaret Atwood, David Diop, Han Kang, Ailton Krenak (foto) e Alice Walker. Todas as conversas poderão ser acompanhadas gratuitamente pelo site da Flip e ficam disponíveis no canal do Youtube. (Amauri Arrais)
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‘A arte e os segredos da biografia’, curso com o autor do livro sobre Marighella

Quais os passos para escrever uma biografia? Eis a proposta do curso com o jornalista e escritor Mário Magalhães, com início em 30 de novembro. Em quatro aulas ao vivo pelo Zoom, a ideia é estruturar as etapas de uma biografia, da escolha de personagem à montagem do livro, passando pela apuração, organização das informações coletadas e redação. Magalhães já recebeu uma série de prêmios jornalísticos e literários no Brasil e no exterior e é autor de “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo” (Companhia das Letras, 2012), recém-adaptado para o cinema por Wagner Moura. (Betina Neves)
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Debates virtuais reúnem escritoras com temas comuns

Com a ideia de colocar para conversar autores com temas em comum em suas obras, a livraria paulista Dois Pontos realiza às quintas, 19h, o mini ciclo de debates “Um assunto em dois livros”. O próximo encontro será entre Lorena Portela, de "Primeiro eu tive que morrer" e Mariana Brecht, autora de "Brazza", que falam sobre autoficção. No dia 25, Adriana Negreiros e Tatiana Salem Levy conversam sobre abuso a partir dos livros "A vida nunca mais será a mesma" e "Vista chinesa". As conversas ao vivo ficam disponíveis no Instagram da livraria. (Amauri Arrais)
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A exposição ‘Constelação Clarice’, no IMS Paulista

A obra e a vida de Clarice Lispector (1920-1977) são permeadas de interesse pelas artes visuais, seja na breve incursão da escritora na pintura, ou pela presença de personagens artistas em seus livros. A mostra que ocupa o Instituto Moreira Salles a partir de sábado (23) busca as conexões entre sua produção e a de mulheres que marcaram a arte brasileira no mesmo período, como Lygia Clark, Letícia Parente e Djanira. Além dos quadros de Clarice e suas contemporâneas, há manuscritos, fotografias e documentos da escritora, cujo centenário foi celebrado no ano passado. A entrada é gratuita, com agendamento prévio pelo site. (Amauri Arrais)
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‘By Heart e Outras Peças’, de Thiago Rodrigues

Não é exagero dizer que o português Tiago Rodrigues, ator, autor e diretor, é um dos nomes mais fortes do teatro contemporâneo, tanto que, em 70 anos, é o primeiro não-francófono à frente do Festival de Avignon, na França. Antes da pandemia, trouxe à Mostra Internacional de Teatro de SP, o texto “By Heart”, em que tira membros da plateia para encenar -- entre eles, é comum encontrar atores ávidos pela oportunidade de encenar seu texto, como foi o caso de Camila Pitanga e Martha Nowill. O volume editado pela 34 traz essa e outras peças de Rodrigues, cheias de humor e poesia, em um retrato lírico do que pode ser a vida no mundo contemporâneo. (Isabelle Moreira Lima)
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Uma mostra sobre Carolina Maria de Jesus

Organizada pelo Instituto Moreira Salles (IMS) paulista, a mostra "Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros" se dedica a celebrar a vida e a contribuição literária da catadora de papel e autora do clássico Quarto de Despejo (Francisco Alves, 1960), que narra sua rotina nas comunidades pobres de São Paulo. Além da escrita, o evento foca nas atividades de Carolina como compositora, cantora, e artista de circo. Com abertura no sábado (25), vai até o dia 1º de janeiro. (Andressa Algave)
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Debates internacionais com autores da Ubu

De 27/9 a 1º/10, a editora comemora seus cinco anos com conversas entre nomes como Christian Dunker (foto), Deivison Faustino, Djamila Ribeiro, Elsa Dorlin, Françoise Vergès, Franco Berardi, Giselle Beiguelman, Manuela Carneiro da Cunha e Vladimir Safatle. Os debates acontecem sempre das 17h às 19h, no canal do YouTube da editora. As inscrições são gratuitas, devem ser feitas no site, e dão direito a um ebook com textos dos participantes. (Isabelle Moreira Lima)
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“O século da solidão”, da inglesa Noreena Hertz

“O neoliberalismo fez com que passássemos a nos ver como competidores em vez de colaboradores, consumidores em vez de cidadãos”, diz a economista inglesa Noreena Hertz no livro, recém-lançado pela Editora Record. A autora aponta que, mesmo antes do isolamento ocasionado pela pandemia, a solidão já vinha se estabelecendo como condição definidora do século 21, com comunidades fragmentadas diante de décadas de políticas que puseram o interesse próprio acima do bem coletivo. Como antídoto, ela propõe, por exemplo, modelos inovadores de vida nas cidades. (Betina Neves)
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A nova edição de ‘Má Feminista’, clássico de Roxane Gay

Um clássico contemporâneo do ativismo de gênero, o livro “Má Feminista”, lançado em 2014 pela escritora, professora e ativista americana Roxane Gay, acaba de ser relançado com nova edição pela Globo Livros. Com tradução de Raquel Souza, o livro conta com uma série de ensaios críticos de um feminismo ainda cheio de clichês -- e a dificuldade de se encaixar em alguns critérios dentro do movimento. Roxane expõe questões de raça, gênero e identidade nas bolhas do cotidiano e na cultura moderna, tratando de música, cinema, televisão e literatura. À venda no site da editora. (Andressa Algave)
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A nova tradução de “As Ondas”, clássico de Virginia Woolf

Um dos principais romances da escritora britânica Virginia Woolf (1882-1941), “As Ondas”. de 1931, acaba de ganhar uma nova tradução brasileira pela Autêntica, nas mãos de Tomaz Tadeu. Descrito pelo marido Leonard Woolf (1880-1969) como “uma obra-prima”, o livro conta a história de seis personagens, da infância à velhice. Famoso pela falta de marcadores de tempo e espaço, o livro também tem como marca a prosa sofisticada típica da autora, cuja morte acaba de completar 80 anos. (Leonardo Neiva)
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As últimas palavras de Sérgio Sant'Anna

Só a morte foi capaz de silenciar Sergio Sant'Anna. Vítima da covid-19 em maio de 2020 e um dos maiores nomes da literatura brasileira, teve suas últimas palavras e textos eternizados em dois títulos recentes: "A Dama de Branco" (Cia das Letras, 2021), que traz, além de uma narrativa homônima, a última de autoria de Sant'Anna, outros 16 contos; e "O conto não existe" (CEPE Editora, 2021), que reúne algumas das entrevistas mais antológicas que o autor concedeu e alguns de seus textos críticos. (Manuela Stelzer)
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A assinatura de literatura feminista Clube F.

A editora independente Bazar do Tempo conduz o serviço de assinatura Clube F., que reúne múltiplas vozes e teorias feministas em um espaço de debate e colaboração. A plataforma disponibiliza para assinantes o livro do mês, debates em grupo, conteúdos extras e descontos em livrarias parceiras. Em agosto, a indicação do clube é o livro “Crítica da Colonialidade em Oito Ensaios”, da antropóloga argentina Rita Segato, que propõe uma visão afiada das relações de raça e gênero na modernidade. (Andressa Algave)
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A obra de Salinger em uma caixa

A Todavia acaba de embalar numa caixa quatro títulos do escritor norte-americano J.D. Salinger (1919-2010), tido como um dos que melhor traduziu o clima do pós-guerra, além de ser criador de personagens incríveis. “O apanhador no campo de centeio”, “Nove histórias”, “Franny & Zooey” e “Erguei bem alto a viga carpinteiros & Seymour: uma introdução” foram traduzidos por Caetano W. Galindo, e o lançamento inclui um ciclo de debates. (Isabelle Moreira Lima)
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Debates reúnem escritoras da América do Sul e Alemanha

A partir de 28 de julho, o Goethe-Institut São Paulo vai transmitir o ciclo de conversas “Agora é com elas: literatura e sociedade na América do Sul”. O primeiro encontro trará a argentina Camila Sosa Villada, autora do recém-lançado “O parque das irmãs magníficas” (Tusquets, 2021), falando da representação da violência e a relação entre as palavras e o silêncio. Nos encontros seguintes, vão participar nomes como a brasileira Cidinha da Silva, a peruana Gabriela Wiener, a chilena Lina Meruane e a alemã Zöe Beck. (Betina Neves)
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Novo livro de Olga Tokarczuk, ganhadora do Nobel

Depois de “Sobre os ossos dos mortos” (Todavia, 2019), que teve vendas expressivas no Brasil, “Correntes” (Todavia, 2021) é uma nova oportunidade de conhecer essa interessantíssima escritora polonesa, Nobel de Literatura em 2019. No livro, a autora mistura sua vida com a ficção em relatos, comentários e contos sobre viagens no tempo e no espaço, indo de causos de personagens históricos a reflexões sobre o ato de viajar. “Minha energia vem do movimento — do chacoalhar dos ônibus, do barulho dos aviões, do balançar das balsas e dos trens”, diz a narradora. (Betina Neves)
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Os livros de Philip Roth e o livro sobre ele

Quer entender por que o nome de Philip Roth não sai das manchetes mais de três anos após sua morte? Em duas reportagens, o Times analisa o legado controverso deixado pelo autor de “Pastoral Americana”. Enquanto uma delas trata da doação de Roth à biblioteca de Newark, outra aborda a polêmica envolvendo o biógrafo do escritor acusado de abuso sexual — o que despertou dúvidas sobre o tratamento que Roth reservava às mulheres. (Leonardo Neiva)
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O que pensa Zuenir Ventura aos 90

Ao completar nove décadas de vida, o jornalista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras diz que não pode reclamar: está saudável, cercado de família e amigos, mas que “não se pode ser totalmente feliz num país que é hoje um cemitério”. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Zuenir Ventura fala sobre a defesa da floresta, a CPI da pandemia, a velhice e o ano de 1968, além da importância da imprensa em tempos de desinformação. (Manuela Stelzer)
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Chimamanda e a perda do pai

Em "Notas sobre o luto" (Companhia das Letras, 2021), a autora nigeriana narra a dor, a raiva e a solidão que seguiram a morte do pai, em junho de 2020, além das dificuldades do sepultamento na pandemia, com aeroportos fechados e funerárias lotadas. “O luto é uma forma cruel de aprendizado. (...) É um tormento não apenas do espírito, mas também do corpo. Carne, músculos, órgãos, tudo fica comprometido. Nenhuma posição é confortável.” (Betina Neves)
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Memórias de um relacionamento abusivo

Carmen acredita ter encontrado a mulher perfeita. Juntas, fazem sexo, viajam, conhecem as famílias uma da outra. Só que, aos poucos, ela vai percebendo que seus limites não são respeitados e o que era felicidade se torna violência psicológica. Em “Na Casa dos Sonhos” (Companhia das Letras, 2021), a escritora americana Carmen Maria Machado traz à tona memórias de um relacionamento abusivo, de forma fragmentada e impactante para o leitor. (Leonardo Neiva)
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Uma revista epistolar

Pode ser que o formato epistolar esteja um tanto obsoleto, mas está em foco na novíssima revista Presente. Online e gratuita, a publicação trimestral, proposta pela artista Anna Maria Maiolino e o curador Paulo Miyada, dá preferência a textos de correspondência. A primeira edição traz o diálogo entre criadores e outras personalidades da arte, além de um ensaio inédito da autora de ficção norte-americana Ursula K. Le Guin (1929-2018). (Leonardo Neiva)
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Lygia Fagundes Telles em festival literário

Com participações ilustres como as de José Eduardo Agualusa, Letrux e Michel Laub, a Flima (Festa Intenacional de Literatura da Mantiqueira) acontece 100% online pela primeira vez em sua história, entre os dias 18 e 21. Homenageada da edição, a autora Lygia Fagundes Telles é tema de dois debates e terá um conto inédito lido durante o evento. Para assistir às conversas, saraus e leituras, basta acessar gratuitamente o YouTube do evento. (Leonardo Neiva)
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A amiga genial de Simone Beauvoir

Com a promessa de ser o romance mais íntimo da filósofa e escritora Simone de Beauvoir - que tem papel fundamental na luta feminista e no ativismo político - o inédito “As Inseparáveis” (2021) relata a sua forte história de amizade com Élisabeth “Zaza” Lacoin, com quem partilhou grandes momentos da vida desde os nove anos, como conta esse texto da revista Quatro Cinco Um. O livro chega ao Brasil após 34 anos da morte da autora. (Dandara Franco)
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Uma edição especialíssima de Macunaína

Ai! que preguiça! O herói sem nenhum caráter voltou em edição especial da Ubu Editora. Lançada originalmente em 2017, a versão capa dura do romance de Mário de Andrade está disponível mais uma vez em pré-venda até 5/3. Com tiragem limitada de 110 exemplares, a edição especial conta com gravuras originais do artista Luiz Zerbini, que também fez a capa. Os exemplares são numerados e assinados pela artista. (Daniel Vila Nova)
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Um papo entre amigos com Raduan Nassar

Pouco antes do aniversário de 85 anos de Raduan Nassar, em outubro de 2020, a escritora Marilene Felinto e o cineasta Luiz Fernando Carvalho (que levou “Lavoura Arcaica” para o cinema em 2001) fizeram uma visita ao amigo e gravaram a conversa. O papo, em que o veterano da literatura brasileira fala sobre velhice, política, maconha, agricultura e criação literária, está na edição de janeiro da revista Quatro Cinco Um. (Mariana Payno)
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Um conto inédito de Patricia Highsmith

No mês que marca o centenário de nascimento da norte-americana Patricia Highsmith, autora de títulos como“O Talentoso Ripley” (1955) e mestre do romance policial, o Guardian publica um conto inédito e recém-descoberto em que ela narra os desafios de uma menina para se ajustar a uma nova vida em Nova York. O jornal britânico também traz um texto da escritora e crítica Carmen Maria Machado sobre a vida e a obra de Highsmith. (Mariana Payno)
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Clássicos literários e a formação do Brasil

Contos do folclore africano, textos fundadores das culturas árabe, judaica e japonesa, histórias tradicionais da América Latina e da Europa: o projeto Literatura Livre, do Sesc São Paulo, é o paraíso dos leitores ávidos por um clássico. Com seis títulos já disponíveis, a iniciativa vai publicar, em edições inéditas e bilíngues, 14 e-books gratuitos com obras originárias dos povos que contribuíram para a formação da cultura brasileira. (Mariana Payno)
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Quando Jane Austen encontra 'Gossip Girl'

Nem só de dramas hospitalares vive Shonda Rhimes. Bridgerton (2020), a nova produção da criadora de Grey's Anatomy, estreou na Netflix no Natal e já é um hit no pódio da plataforma. Baseada na coleção literária de Julia Quinn, traz cenário e figurino da época da Regência Britânica (século 19) -- mas questões e tramas assustadoramente atuais, com mulheres imponentes, um jornal de fofocas a la "Gossip Girl" e uma corte diversa. (Manuela Stelzer)
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A poesia na voz de um tímido-espalhafatoso

Quando o surrealismo invade a vida, a poesia pode oferecer uma oportunidade de respiro. A estratégia de sobrevivência acabou virando um podcast: o escritor, editor e colunista da Gama Leandro Sarmatz lê dois poemas por semana na série Sou Tímido Espalhafatoso, batizada a partir de um verso de “Vaca Profana”, de Caetano Veloso. “Tento equilibrar entre poetas consagrados, gente nova e talentosa, homens e mulheres, poetas e cancionistas”. (Isabelle Moreira Lima)
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29 contos sobre o mundo hoje

Um grupo de pessoas se junta para, em meio a uma pandemia, contar histórias e fugir dos horrores de uma nova praga. A premissa de “Decamerão”, clássico italiano de Giovanni Boccaccio, serviu como ponto de partida para o novo projeto do New York Times, “Decameron Project”. Inspirados no livro do século XIV, o jornal americano produziu uma coletânea de contos baseados na situação atual do planeta. Ao todo, são 29 textos escritos por grandes nomes da literatura como Margaret Atwood, David Mitchell, Tommy Orange e Mia Couto, além de novos ficcionistas como Julián Fuks. Abordando temas como medo, perda, gentileza e humor, o projeto busca explorar experiências capazes de nos unir em tempos tão difíceis.
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Os poemas da vencedora do Nobel

Se para as casas de aposta especializadas o anúncio da vencedora do Nobel de Literatura já foi uma surpresa, muitos leitores brasileiros devem ter ouvido o nome de Louise Glück pela primeira vez por causa do prêmio sueco. Embora a poeta americana seja reconhecida nos EUA, colecionando outros troféus celebrados -- como o Pulitzer e o National Book Award --, ela ainda não teve livros publicados no Brasil. É possível, no entanto, ler seus poemas online, em traduções feitas pelos também escritores Pedro Gonzaga, André Caramuru Aubert e Camila Assad nas revistas literárias Estado da Arte e Rascunho e no portal G1. Para quem se aventura na leitura em inglês, o site da Academy of American Poets também reúne alguns dos versos de Glück. Nascida nos EUA em 1943 e descendente de judeus húngaros, a poeta começou a escrever ainda criança e tem 18 livros publicados. Ao abordar temas como a morte, as rejeições e os traumas, Glück levou o Nobel por “sua voz poética inconfundível que, com beleza austera, torna universal a existência individual”. Para saber mais sobre ela e sua obra, vale ler as críticas do New York Times e da The Atlantic e este texto da Revista Cult, em que o crítico Tarso de Melo a apresenta ao lado de outros bons poetas norte-americanos pouco conhecidos por aqui.
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Um relato sobre o luto -- e seus gatilhos

Muitos têm sido os sentimentos que nos unem, enquanto povo, raça, chame como quiser, ao longo deste 2020. Frustração. Inquietação. Raiva. Saudade. E para muitos, luto. Neste longo, belo, e tortuoso (com gatilhos, muitos deles) relato para a New Yorker, a escritora Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie reflete sobre a perda de seu pai, James Nwoye Adichie, falecido neste 2020 — não por Covid-19, mas por uma falência renal. Mãe e irmãos, primos, memórias íntimas, a carreira ilustre do Professor de Estatística, toda a jornada de uma vida é revivida e rememorada. A cronologia é fragmentada; memórias se sobrepõem a lições sobre a cultura nigeriana e do povo Igbo, e a banalidades burocráticas. Ler as palavras de Chimamanda traz um estranho conforto, um apaziguamento. Expor-se tanto é um ato de vulnerabilidade, mas que gera, sobretudo, empatia. É como se, ao abrir seu luto e a história dos seus familiares, ela estivesse nos ajudando a encontrar os denominadores comuns que nos tornam mais próximos uns dos outros. Menos diferentes, mais humanos, unidos em nossos sentimentos.
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Os cem anos de Clarice Lispector

“Não posso fazer horóscopo porque há dúvidas: não se sabe se nasci em 23 de novembro ou 10 de dezembro. Nem em que hora. E foi num lugar que não figura no mapa: uma aldeia na Ucrânia.” Embora a vida e a obra de Clarice Lispector tenham sido esmiuçadas por biógrafos e pesquisadores, sua data de nascimento, como relatado por ela em uma carta ao escritor espanhol Jose Luis Mora Fuentes, permaneceu sempre uma incógnita. Já que os documentos da imigração falam em 10 de dezembro de 1920, convencionou-se esse dia — o que marca seu centenário nesta semana. Entre as comemorações, que incluíram algumas reedições ao longo do ano e um volume com epístolas inéditas (como aquela à Mora Fuentes), está o lançamento de um site bilíngue dedicado à escritora pelo Instituto Moreira Salles, detentor de seu acervo. Em português e inglês, o portal traz fotos, manuscritos, áudios, vídeos e cartas, além de aulas e textos críticos, e faz parte da Hora de Clarice, evento-homenagem realizado anualmente pelo IMS desde 2011. No embalo das celebrações, o Nexo publica duas análises de especialistas sobre os enigmas que rondam o conto “O Ovo e a Galinha”, misterioso até para a própria autora. (Mariana Payno)
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O festival de Paraty pela tela

Em um ano tão esquisito quanto 2020, cheio de baldes de água fria e eventos cancelados (por uma justificativa inquestionável, que fique claro), é quase um presente de Natal ter uma edição da Flip em dezembro. A Festa Literária Internacional de Paraty tem edição excepcionalmente online (e gratuita) nesta semana. Aberta na quinta-feira (3) com a mesa que discute diásporas africanas e a participação de Bernardine Evaristo e Stephanie Borges, o festival segue com temas como florestas vivas, com Jonathan Safran Foer e Márcia Kambeba na sexta (4). No sábado (5) duas mesas chamam atenção: ancestralidades, com Chigozie Obioma e Itamar Vieira Junior, autor de “Torto Arado”, vencedor do Jabuti deste ano; e transições, com Caetano Veloso e Paul B. Preciado. No domingo, entre os destaques estão a mesa que reúne escritores que tratam temas relacionados ao racismo, com Regina Porter e Jeferson Tenório. A programação completa está no site da Flip, que também realiza sua edição sobre literatura infantil, a Flipinha. (Isabelle Moreira Lima)
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Festa do livro sem aglomeração

Depois de mais de duas décadas de vendas, leituras e descontos, a Festa do Livro da USP chega ao seu 22º ano. Desde o dia 9 de novembro, já é possível garimpar os livros participantes direto do conforto de casa, na primeira edição 100% virtual do evento, que vai até o dia 15. E o melhor: todos os volumes saem com no mínimo 50% de desconto. Apesar de terem acabado as enormes filas em frente às editoras mais concorridas, a demanda não diminuiu. Logo no primeiro dia, o site do evento recebeu tanta gente que chegou a ficar indisponível. Das 169 editoras presentes este ano, algumas são bem conhecidas, como a Martins Fontes, a Todavia, a L&PM. Outras, nem tanto — uma ótima oportunidade de conhecer livros e editoras fora da nossa zona de conforto. Para acessar as obras à venda, os leitores devem entrar no site do evento, onde serão direcionados para as listas das editoras de sua preferência. (Leonardo Neiva)
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Arte periférica tão próxima como nunca esteve

Neste fim de semana, de sexta (18) a domingo (20), uma maratona de arte e cultura permite que se conheça a efervescente produção cultural das periferias pela plataforma do Sesc. O Festival Favela em Casa SP reúne artistas independentes -- pretos e periféricos, como lembra a organização -- que estão fora da bolha do mainstream. A curadoria de Andressa Oliveira, moradora do Campo Limpo, extremo sul de São Paulo, e de Marcelo Rocha, da cidade de Mauá, no ABC Paulista, reuniu 35 atrações de música, teatro, dança, cinema, literatura e artes visuais. As transmissões revezam-se entre performances ao vivo e gravações realizadas no Estúdio Curva, na capital paulista, e incluem, além de apresentações artísticas, uma série de bate-papos com convidados; entre eles, a escritora Helena Silvestre, a curadora, poeta, escritora e ativista Abigail Santos Leal e o educador social Mestre Gildásio.
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‘A pausa é parte integrante da vida’

Gilberto Gil e Emicida são alguns dos artistas que discutirão a importância da pausa, tema que norteia os encontros, performances artísticas e experiências da 8ª edição do FLI 2020, o Festival Literário de Iguape, que tem curadoria da escritora Bianca Santana, colunista da Gama. A programação é dividida em duas partes: o prólogo, composto por conversas e apresentações que introduzem o evento ao público, entre os dias 7 e 19 de setembro; e o festival ao vivo no dia 20, que será transmitido por seis horas ininterruptas no Instagram, Facebook e Youtube do Programa Oficinas Culturais. Entre os participantes estão ainda Amara Moira, Marcelo D'Salete, Mel Duarte, Preta Rara, Roberta Estrela D’Alva, e outros nomes de peso da literatura, da música e da cultura brasileira.
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Os diários de viagem de um escritor

Embora no recém-lançado livro de poemas "Regresso a Casa" (Dublinense, 2020), produzido durante a quarentena, o português José Luís Peixoto dê protagonismo ao lar, nem todos os seus escritos estão confinados entre quatro paredes. Afinal, o autor — um dos mais relevantes da literatura lusitana contemporânea — alimenta um blog de viagens. Por lá, ele publica suas impressões sobre as cidades e lugares que visitou pelo mundo. E não são poucos: da Coreia do Sul a Porto Rico, passando por Moçambique, Istambul e Curitiba, Peixoto carimba o passaporte em destinos de quase todos os continentes. E, claro, leva junto o leitor que, embalado por detalhes e reflexões, aproveita para matar as saudades de viajar e planejar as férias futuras.
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O retorno de um dos maiores detetives do mundo

Se Holmes, Poirot e Dupin são tidos como os mais brilhantes detetives da ficção, Perry Mason não fica para trás. O investigador americano volta a ação na nova série da HBO, “Perry Mason”. Criado na década de 1930, o personagem surgiu nas páginas de ficção pulp e fez um sucesso estrondoso na década de 1960 com sua série de TV. Agora, Mason retorna a Nova York da década de 30 em uma nova versão – mais sombria – pronto para resolver o misterioso e brutal assassinato de uma criança. A primeira temporada completa já está pronta para ser maratonada na HBO GO e conta com Tatiana Maslany e Matthew Rhys nos papéis principais.
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As artimanhas do gênero literário mais brasileiro de todos

Uma crônica é uma boa conversa que pode rodar o mundo, visitar a política, versar sobre o cotidiano, voltar-se para o íntimo, às vezes tudo isso em um mesmo texto, sem perder o fio da meada. Autor de poemas, contos e crônicas (e dessa investigação sobre o bairro da Liberdade), Fabrício Corsaletti dá o curso Artes e Artimanhas da Crônica, pelo Zoom da Escrevedeira em quatro aulas de 13 de agosto a 3 de setembro. Segundo ele, o programa inclui aulas expositivas, com uma linha do tempo da crônica, desde seu surgimento no século 19 até os contemporâneos, e comentários dos textos produzidos por alunos. No programa, estão autores desde Machado de Assis, passando pelos mestres modernos – especialmente Rubem Braga e Nelson Rodrigues –, até chegar nos contemporâneos, como Tati Bernardi, Antonio Prata e Ricardo Terto. Corsaletti traça ainda paralelos entre o gênero e outros como a poesia, o conto e o ensaio. As inscrições estão abertas e o curso custa R$ 330.
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Ensaios para um país pandêmico

Uma edição especial de quarentena da revista serrote, publicação do Instituto Moreira Salles, traz reflexões sobre o momento de exceção que se vive no Brasil em meio à pandemia de Covid-19 — são seis textos inéditos sobre os impactos políticos e sociais desse momento, além de três ensaios visuais. A edição conta, ainda, com a tradução de “O vínculo da vergonha”, clássico do historiador italiano Carlo Ginzburg que fala diretamente ao Brasil de hoje. É possível fazer o download gratuito da publicação, e o canal do Youtube do IMS transmite uma conversa com autores da revista no dia 15 de julho às 17h.
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Hilda Hilst para iniciantes

Para quem quer se aventurar pela extensa produção de uma das maiores escritoras brasileiras do século 20 mas ainda não sabe por onde começar, a Companhia das Letras disponibiliza um livreto gratuito que introduz ao leitor um pouco do universo pessoal e poético de Hilda Hilst. "Três vezes Hilda" traz uma breve apresentação da vida e da obra da autora por Ana Lima Cecílio, antecipando parte da biografia que deve ser lançada em breve; três cartas lindas do amigo Caio Fernando Abreu enviadas a Hilda no começo dos anos 1970; e três poemas de amor retirados da coletânea "De amor tenho vivido" (2018), da mesma editora.
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Registros da vida pandêmica

Um espaço para extravasar todos os dias pensamentos que nos perseguem entre as quatros paredes do confinamento. Essa é a proposta da Pandemia Crítica, página dentro do site da N-1 Edições que reúne textos dos mais diversos tipos sob um denominador comum: os tempos de crise da Covid-19. Entre contos, poemas, diários, ensaios filosóficos, reflexões sobre arte, política, racismo e medo, já são mais de 90 textos publicados desde o início da quarentena — e, para não perdê-los de vista, a editora posta os links diariamente no Instagram. Vale o mergulho.
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Uma indagação de Graciliano Ramos sobre a dor

"Dizem que somos pessimistas e exibimos deformações; contudo as deformações e miséria existem fora da arte e são cultivadas pelos que nos censuram." Se os sofrimentos desaparecessem, o que seria da arte? É o que pergunta o autor de "Vidas Secas" ao pintor Candido Portinari, em correspondência de 1946. Na carta, disponível no Correio IMS, acervo online organizado pelo instituto, Graciliano Ramos reflete sobre a produção de obras que observam a miséria, e que espécie de arte surgiria numa paisagem sem deformações. "Desejamos realmente que elas desapareçam ou seremos também uns exploradores, tão perversos como os outros, quando expomos desgraças?", questiona o escritor, angustiado, a seu amigo.
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Arte brasileira no IMS digital

Crônicas de Ana Paula Maia, Cidinha da Silva, Geovani Martins e Itamar Vieira Junior; filmes da atriz e diretora Helena Ignez e do cineasta Takumã Kuikuro; vídeos dos artistas Edgar e Leona Vingativa e do fotógrafo Marcelo Rocha; e uma apresentação musical da Família Ernest Dias estão entre os primeiro trabalhos do programa IMS Convida. O Instituto Moreira Salles concebeu o programa como uma forma de dar apoio à prática artística durante a quarentena. Cerca de 60 artistas e coletivos produziram obras inéditas que levaram em conta a pluralidade e a diversidade do Brasil, que serão publicadas diariamente na plataforma. Na lista estão ainda nomes como os rappers Brô MCs, o cartunista Angeli, o cineasta Karim Aïnouz, o fotógrafo Roger Cipó e o coletivo Slam das Minas.