Você conhece seu pai?

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Bloco de notas

Dez projetos musicais que reúnem pais e filhos

Dos Caymmi aos Cordeiro, Gama seleciona dez projetos em família para encher seus headphones com o ritmo de diferentes regiões do país

Dez projetos musicais que reúnem pais e filhos

09 de Agosto de 2026

Dos Caymmi aos Cordeiro, Gama seleciona dez projetos em família para encher seus headphones com o ritmo de diferentes regiões do país

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    Dorival Caymmi (1914-2008) marcou a música popular brasileira com os versos de “O Que É que a Baiana Tem?”, “Samba da Minha Terra” e “Marina”, entre tantas outras e viu os três filhos seguirem seus passos. Nana (1941-2025) iniciou sua carreira ao gravar a faixa “Acalanto” (1960), em dueto com o pai. Foi ela também quem interpretou “Saveiros” (1966), composta pelo irmão Dori, que venceu o Festival Internacional da Canção. Já o caçula, Danilo, teve a primeira experiência profissional como flautista do disco “Caymmi Visita Tom” (1964), de seu pai e Antônio Carlos Jobim. É possível acompanhar o talento deles unidos em “Família Caymmi em Montreux” (1991), registro de 17 músicas gravadas ao vivo na Noite Brasileira do Festival de Jazz de Montreux. Um tributo dos filhos para o pai também pode ser ouvido em “Para Caymmi de Nana, Dori e Danilo” (2004).

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    Ainda criança, Stephan Peixoto — hoje artisticamente conhecido como Sain — já marcava presença nos palcos com o pai, o rapper Marcelo D2. A música “Loadeando” (Rude-Boy)” (2004) traz um diálogo sobre a vida, marcado pela experiência do pai e a leveza do filho, no que parece ser uma relação mútua de ensinamentos e aprendizagens. Em 2019, pai e filho se uniram novamente em um remix de “Eu Tiro É Onda” (2019), faixa-título do primeiro álbum solo de Marcelo D2.

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    “Nossa Parceria” (2015) traduz para a música a relação familiar de Moraes Moreira (1947-2020) e seu filho Davi Moraes. O álbum de MPB reúne dez faixas, entre autorais e releituras, como “Bossa e Capoeira” (1968) e “Coração a Batucar” (2014). Membro-fundador dos Novos Baianos, Moreira teve uma carreira solo com quase 30 álbuns, sendo reconhecido pela versatilidade ao passear pelo rock, samba, baião e frevo. Após sua morte, em 2020, Davi Moraes lançou no ano seguinte uma websérie documental sobre a vida, obra e legado do cantor e compositor.

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    É com a filha Mart’nália que Martinho da Vila, um dos maiores nomes do samba, se despede dos palcos neste ano, em turnê pelo Brasil. Assim como seus sete irmãos, Mart’nália cresceu rodeada pela música — além do pai sambista, é filha da cantora Anália Mendonça —, até começar a acompanhar o pai como backing vocal ainda na adolescência. Ao longo dos anos, dividiram projetos como “Ninguém Conhece Ninguém” (2017), “Feitiço da Vila” (2022) e “O Teu Chamego” (2024). Para aqueles que não irão ouvir pai e filha em pessoa, duas faixas de “Mart’nália em Samba” (2014) reúnem os dois ao vivo.

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    A família Gil é uma árvore frondosa e frutífera nas artes, com muitos filhos e netos com carreiras consolidadas. Na música, a união entre Gilberto Gil e seus sucessores pode ser escutada em diversos projetos, como o álbum “Em Casa com os Gil” (2022) e a turnê “Nós A Gente” — documentada na série “Viajando com os Gil” (2023), que mostra uma convivência semelhante à de muitas famílias brasileiras. As músicas “Sereno” (2018) e “Refloresta” (2021) tiveram a participação de seu filho Bem, a última em conjunto com o trio Gilsons — formado por filho e netos de Gilberto. Preta Gil (1974-2025) acompanhou o pai na regravação de “Drão” (2022) e de “Pai e Mãe” (2021).

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    Em julho deste ano, Maurício Pereira, nome forte da música paulista, lançou o álbum “O Dia da Girafa”. Nele, o cantor, saxofonista e letrista continua observador, mas mais introspectivo, com letras escritas durante a reclusão da pandemia. Seu filho Tim Bernardes, integrante do trio O Terno e indicado ao Grammy Latino de 2018 por “Recomeçar” (2017), foi parceiro de composição e gravou arranjos para “Eu Trago o Coração Vazando”. Já o cantor, compositor e multi-instrumentista Chico Bernardes, filho mais novo, atuou na produção e ajudou com os violões. Em trabalhos anteriores, o coro dos três filhos, agora incluindo a atriz e dubladora Manuela Pereira, está presente no álbum “Outono no Sudeste” (2018).

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    Dinho e Jean Pereira, pai e filho, formam o duo Veraneio, que carrega o legado de uma geração anterior, a de Seu Osvaldo, o primeiro DJ do Brasil. A dupla surgiu a partir do convite do neto, que queria ter o primeiro mix ao lado da família. Suas discotecagens misturam o groove, o soul-funk e a música eletrônica, celebrando a continuidade dos bailes afro-brasileiros em São Paulo — herança do avô, que realizou sua última performance em 2024. Ouvi-los em eventos culturais e festivais é o ideal, mas, para ter um gostinho do que fazem juntos, uma de suas apresentações pode ser vista aqui.

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    A dupla Combo Cordeiro, com um álbum homônimo lançado em 2017, une duas gerações de artistas do Pará, que harmonizam ritmos eletrônicos e o pop tropical em destaque no Norte. Manoel Cordeiro é considerado um dos mestres da guitarrada, além de ser compositor e produtor musical. Felipe, seu filho, é cantor, compositor e também guitarrista, e teve a canção “Problema Seu” eleita a melhor de 2012 pela revista Rolling Stone Brasil. No ano passado, se apresentaram juntos no Tiny Desk Brasil, com um repertório que inclui “Legal e Ilegal” (2013), “Asfalto Amarelo” (2015), “Onde É que Eu Vou Parar” (2019) e “Lambada Desumana” (2019).

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    Almir Sater é símbolo da viola caipira e da cultura pantaneira. Seu filho mais velho, Gabriel Sater, tem a base de sua carreira na música raiz herdada do pai, com indicações ao Grammy Latino em 2023 e 2024. A parceria entre os dois pode ser ouvida na faixa gravada “Voa Vagalume” (2022), nas apresentações de “Milhões de Estrelas” e de “Tocando em Frente” ou ao vivo, na turnê “Pai e Filho”, que acontece neste ano por todo o Brasil e revisita os hits dos músicos.

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    “Ofertório” (2018) foi um projeto familiar e uma turnê musical de Caetano Veloso em companhia dos filhos Moreno, Zeca e Tom. O álbum nasceu da vontade do pai de não se distanciar dos filhos crescidos, todos envolvidos com a música desde muito cedo — hoje, são cantores e compositores consolidados. Com influências de samba, bossa nova e folk, tem 28 faixas, entre inéditas e regravações, como “Todo Homem” e “Canto do Povo de um Lugar”. Tom Veloso também assina com o pai “Talvez” (2020), que recebeu o prêmio de gravação do ano do Grammy Latino em 2021.

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