Essa imagem é real?

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Bloco de notas

Leituras para pensar sobre imagem hoje

Editor da revista de fotografia ZUM e fundador da editora {Lp} press, Rony Maltz indica livros, ensaios e textos que dão um panorama da cultura visual contemporânea

Leituras para pensar sobre imagem hoje

Amauri Terto 12 de Julho de 2026

Editor da revista de fotografia ZUM e fundador da editora {Lp} press, Rony Maltz indica livros, ensaios e textos que dão um panorama da cultura visual contemporânea

  • “Imagem, Ícone, Economia”

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    (Contramponto, 2013, trad. Vera Ribeiro), de Marie-josé Mondzain

    “Para entender como o nosso olhar se transforma com as novas tecnologias de imagem – como a fotografia digital, os algoritmos das redes sociais e o boom das IA –, precisamos antes entender o que é imagem. Marie-José Mondzain identifica nas pinturas rupestres e na Paixão de Cristo as origens das disputas que vemos hoje entre a liberdade do gesto criativo e o exercício de poder sobre o espectador. Para a filósofa, mais do que uma questão de visibilidade, imagem é aquilo que faz pensar.”

  • “24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono”

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    (Ubu, 2016, trad. Joaquim Toledo Junior), de Jonathan Crary

    “A imagem ensinaria a entender coisas distantes, logo, ela remete ao outro. No entanto, de acordo com Jonathan Crary, a atual temporalidade ’24/7′ compreende um modelo de vida calcado na produção ininterrupta e estruturado em torno de objetivos pessoais, acabando com qualquer promessa de futuro compartilhado. Para entender quais são as condições de percepção da imagem num presente em que nossa cognição se encontra sob ataque, Crary rastreia os deslocamentos históricos da ideia de visão que condiciona o surgimento da imagem técnica, como a fotografia e o cinema.”

  • “História Potencial: Desaprender o imperialismo”

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    (Ubu, 2024), de Ariella Aïsha Azoulay

    “Não deveríamos então nos perguntar, simplesmente, o que vemos hoje, mas como vemos hoje. Seguindo essa pista da transformação dos modos de olhar, mais do que o surgimento de novos objetos ou terminologias, Ariella Aïsha Azoulay propõe um desaprendizado das origens históricas da fotografia. Para Azoulay, a fotografia moderna, cuja tecnologia surge no século 19, remete a práticas de apropriação e pilhagem inauguradas pelo projeto colonial já a partir do fim do século 15. Para a mesma autora, contudo, a fotografia, que foi instrumento colonial, também pode servir como um modelo ético de cidadania, inspirado na relação horizontal entre fotógrafo, fotografado e o público.”

     

  • O ensaio “Em defesa da imagem pobre”

    (Revista Serrote 19, 2015), de Hito Steyerl

    “Essa ambivalência entre liberdade e controle está no cerne das questões sobre os usos da fotografia e outras tecnologias de imagem hoje. Para Hito Steyerl, uma imagem digital não é só composta pelos pixels, mas pelo sistema de poder que permite sua distribuição. Ela opõe a precariedade e a alta disponibilidade das “imagens pobres” – como os memes – às exigências técnicas e materiais da alta cultura – obras para os olhos (e bolsos) de poucos. Steyerl enxerga nesse desequilíbrio o emblema de um conflito político e de representatividade.”

  • Ensaio “Vênus em Dois Atos”, de Saidiya Hartman, no livro ⁠”Pensamento Negro Radical”

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    (Crocodilo/n-1, 2021), de Hortense J. Spillers, Sylvia Wynter, Saidiya Hartman, Fred Moten e Denise Ferreira da Silva

    Também passa por uma questão de poder e representação a recusa de Saidiya Hartman, ao refletir sobre as imagens da escravidão, em produzir romances históricos baseados nos arquivos do colonizador. Diante da tarefa de construir um novo arquivo, uma nova temporalidade que rompa com o sentido linear da História moderna, a escritora propõe escrever uma contra-História. Seu método de escrita é a fabulação crítica:  uma ‘narrativa recombinante’, que ‘enlaça os fios’ de relatos incomensuráveis e que tece presente, passado e futuro […] narrando o tempo da escravidão como o nosso presente’.”

  • “Filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma filosofia da fotografia”

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    (É Realizações, 2018), de Vilém Flusser

    “A imagem de cada tempo revela, mais que tudo, o que pode e o que não pode ser visto, o que nos é permitido pensar, lembrar e imaginar. Um dos mais visionários pensadores da era da informação e do mundo digital, Vilém Flusser sempre enxergou na fotografia, para além de reflexo do mundo, a face visível de um sistema de poder. Resta ao artista, para criar o novo, lutar contra os desígnios do aparelho; resistir em reproduzir o que está previsto no programa.”

  • “Dez Proposições Acerca do Futuro da Fotografia e dos Fotógrafos do Futuro”

    (Acaso Cultural, 2026), de Mauricio Lissovsky

    “De maneira semelhante, em suas teses sobre o futuro da fotografia, Mauricio Lissovsky sugere que é o trabalho de fotógrafos e editores na era digital impor ao fluxo ininterrupto das imagens um certo atrito, uma opacidade que permita-nos reter o olhar.”

     

  • “A Imagem Sobrevivente”

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    (Contraponto, 2013), de Georges Didi-huberman 

    “Em sua reconfiguração da história da arte a partir da anacronia e dos não-saberes, Georges Didi-Huberman propõe enxergar as imagens a partir de seus sintomas. Toda imagem acumula vestígios dos tempos em uma superfície visível, como a casca das árvores. Apesar de tudo, algo sobrevive. ‘O importante é como nosso olhar põe esse algo em movimento’.”

  • Colunas da Giselle Beiguelman e Ronaldo Entler no site da revista ZUM (IMS)

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    “Os textos e as colunas de Giselle Beiguelman no site e na revista ZUM impressa tratam das diversas maneiras como as deepfakes, a inteligência artificial e os algoritmos influenciam nossos modos de ver e de nos relacionar, com profundas consequências estéticas e políticas. No mesmo espaço, em suas colunas na ZUM, Ronaldo Entler reflete sobre a barafunda da imagem contemporânea e ressalta a potência do fotolivro como forma de circulação da fotografia hoje.”

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