Os filmes favoritos da redação da Gama, lançados em 2025

Obras de Kleber Mendonça Filho, Esmir Filho e Paul Thomas Anderson estão entre os melhores do ano para os jornalistas da revista

19 de Dezembro de 2025
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    “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson

    aluguel ou compra no Youtube, Apple TV e Prime Video

    “Um filme que fica por dias na cabeça e uma grande alegoria dos nossos tempos. Um grupo de extrema direita é perigosíssimo, mas também ridículo, vide o nome do grupo clandestino ‘aventureiros do Natal’. Um militar raivoso e conservador é perigosíssimo, mas também ridículo, dado os maneirismos, corte de cabelo e roupas apertadíssimas do personagem de Sean Penn, sempre brilhante. No mundo, há uma sensação de salve-se quem puder, mas há gente boa, trabalhando como dá, como nos mostra o sensei de Benício Del Toro. As mulheres são subjugadas, mas o futuro pode ser feminino, nos mostram Teyana Taylor e Chase Infiniti. E, não menos importante, o filme também prova que Leonardo diCaprio é o grande ator de sua geração e traz cenas nauseantes, como a da perseguição no deserto.” (Isabelle Moreira Lima, editora executiva)

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    “Os Roses: Até que a Morte os Separe”, de Jay Roach

    Disney+

    “Basicamente um ‘Sr. e Sra. Smith’ para ingleses, como define um comentário perspicaz no Letterbox, o longa é uma releitura da versão lançada em 1989, dirigida por Danny de Vitto — ambas baseadas no romance ‘A Guerra dos Roses’ (1981, reeditado pela Intrínseca em 2025), de Warren Adler. Dessa vez, acompanhamos os brilhantes Olivia Colman e Benedict Cumberbatch como Ivy e Theo Rose. Ele, arquiteto de sucesso; ela, chef à frente de um restaurante à beira-mar ainda engatinhando. Juntos com os dois filhos, vivem algo parecido com um comercial de margarina até que uma tempestade vira tudo de cabeça para baixo. O temporal destrói um projeto importante de Theo, que surta em vídeo, viraliza e acaba desempregado, enquanto leva para o restaurante de Ivy uma leva de clientes presos na estrada, entre eles um crítico gastronômico que impulsiona a carreira dela. Você já pode imaginar que acontece uma típica inversão de papéis e a fragilização do ego masculino. Mas o roteiro de Tony McNamara surpreende pela sutileza com que constrói o caos matrimonial: uma escalada de ressentimentos não ditos se transforma em insultos irônicos e ataques hilários.” (Sarah Kelly, estagiária de texto)

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    “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho

    em cartaz

    “Acho que não é porque tenho La Ursa tatuada na pele ou porque cresci ouvindo meu pai contar as histórias de uma tal perna cabeluda que andava matando gente Recife afora. Nem porque guardo as lembranças mais alegres da infância na praia de Boa Viagem ou porque, para mim, o São Luiz é o cinema mais bonito do mundo. Não é só porque a Banda de Pífanos de Caruaru foi a trilha sonora do meu trabalho de conclusão de curso da faculdade de jornalismo ou porque Tânia Maria é uma das figuras mais simpáticas do audiovisual brasileiro hoje. Ou ainda porque Wagner Moura está impecável e Alice Carvalho, sublime. Por que gostei tanto, afinal? Talvez sejam os tipos picaretas pitorescos, universais e muito brasileiros, que Kleber Mendonça Filho coloca em cena — que o diga o delegado Euclides (Robério Diógenes). Pode ser também porque a ditadura está ali, mas como um personagem quase fantasmagórico. Ou por tratar de memória e esquecimento de forma simples, mas tocante. Será pelo humor que se mistura à tensão e ao fantástico, ou pelo final anticlimático? Vai ver, é por tudo isso junto que ‘O Agente Secreto’ é o meu filme do ano.” (Ana Elisa Faria, repórter)

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    “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi

    Globoplay e Telecine

    “Esse foi um ano tão incrível para o cinema brasileiro que esta pérola pode acabar esquecida — o que seria um pecado. Estrelado por Ângelo Antônio, Antônio Pitanga e Babu Santana, o faroeste de Érico Rassi é habitado apenas por homens ressentidos, violentos e que preferem afogar seus sentimentos na bebida do que — deus me livre! — comunicá-los para alguém. Ao retratar indivíduos preocupados em se vingar e que, no processo, acabam esquecendo a existência da mulher pela qual estão se vingando, o longa apresenta uma parábola tristemente realista da masculinidade autodestrutiva.” (Leonardo Neiva, repórter)

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    “Homem com H”, de Esmir Filho

    Netflix

    “Intenso, não há outra palavra para descrever esta cinebiografia. Nela, o diretor Esmir Filho não tenta fazer de Ney um santo ou um símbolo de resistência. Ele o filma como um ser humano complexo, contraditório, livre, e é justamente essa liberdade que emociona. Por meio da belíssima e apaixonante atuação de Jesuíta Barbosa, conseguimos sentir Ney em sua intensidade e na força de existir. No fim, ‘Homem com H’ é um filme que nos abraça com a mesma vontade com que Ney abraçou sua própria ‘estranheza de bicho’ e a transformou em arte. Foi impossível não sair fascinada do cinema.” (Luana Silva, estagiária de arte)

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    “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro

    em cartaz

    “O filme conta a história de Tereza, de 77 anos, que recebe uma ordem oficial do governo para se mudar para uma espécie de ‘colônia’ para idosos, que funciona como uma ‘limpeza geracional’ para não atrapalhar a produtividade econômica dos mais jovens. O longa surpreende por ser muito mais do que um filme político sobre o etarismo: ao destacar as aventuras de Tereza tentando fugir do ‘cata-velho’ para realizar um último sonho, entendemos que, em vez de distopia política, trata-se de um filme de aventura, uma fantasia latino-americana, quase um ‘coming of age’ da terceira idade, um road movie de barco pela Amazônia. O diretor Gabriel Mascaro foge do esperado e se permite brincar, invocando um realismo mágico para trazer, com a ajuda dos cenários amazônicos, uma belíssima e poética fotografia, além de momentos inesperados de puro surrealismo e contemplação. Lindo.” (Isabela Durão, editora de arte)

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    “Ritas”, de Karen Harley e Oswaldo Santana

    Globoplay

    ‘Ritas’ é um mergulho delicioso na carreira e na mente de Rita Lee (1947–2023), nome indispensável na história da música brasileira. O documentário costura seis anos de pesquisa em uma colagem audiovisual vibrante, narrada exclusivamente pela própria artista — aqui, nada de entrevistas com familiares, amigos ou colegas de trabalho. Do pioneirismo no rock brasileiro à longa e frutífera parceria de vida e arte com Roberto de Carvalho, o filme percorre momentos luminosos da trajetória daquela que cantou o amor e o sexo de maneira inédita, fazendo da audácia, irreverência e autenticidade algumas de suas principais marcas. Ao longo do filme, o espectador acompanha cerca de 30 canções apresentadas quase que na íntegra, além de belas animações, parcerias icônicas na TV — como ‘Jou Jou Balangandans’, com João Gilberto, e ‘Doce de Pimenta’, com Elis Regina — e registros raros, entre eles uma entrevista para a RTP (Rádio e Televisão Portuguesa), em 1969, além de sua última conversa, gravada antes da pandemia. Um deleite para fãs e também para quem ainda não foi iniciado na arte singular de Rita Lee.” (Amauri Terto, coordenador de mídias sociais)

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    “Amazônia, a Nova Minamata?”, de Jorge Bodanzky

    Amazon Prime

    “A luta do povo Munduruku para conter o impacto do garimpo do ouro e a descoberta da alta contaminação por mercúrio de rios, dos indígenas e da população do Pará estão no documentário de Jorge Bodanzky, de 82 anos. O longa retrata ainda a rotina dos médicos que vão até as aldeias para examinar indígenas contaminados e relaciona essa fato a uma das maiores tragédias ambientais do Japão: o Desastre de Minamata. Entre 1932 e 1968  centenas de pessoas foram afetadas por se alimentares de peixes de uma bacia que recebeu metil mercúrio da indústria. Esse tipo de contaminação é silenciosa e capaz de causar alterações neurológicas profundas, especialmente em crianças. Com imagens de uma Amazônia lamacenta, entrevistas e uma pesquisa de arquivo substanciosa, acompanhamos a relação e o anúncio de uma tragédia difícil de ser revertida e que já vem mostrando suas consequências.” (Luara Calvi Anic, editora-chefe)

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