@gdilaccio

Reconhecida na música e pela defesa da igualdade de gênero, a cantora lírica gaúcha Gabriella Di Laccio receberá honraria da coroa britânica

Sarah Kelly 23 de Setembro de 2025

A soprano brasileira Gabriella Di Laccio está prestes a se tornar integrante da Most Excellent Order of the British Empire (MBE, a Ordem Mais Excelente do Império Britânico, em tradução livre), honraria oficial concedida pelo Reino Unido desde 1917 a personalidades que se destacaram por serviços relevantes à nação em suas áreas de atuação. Os Beatles, a atriz Emilia Clark, o chef Jamie Oliver, a cantora Adele e o jogador de futebol Harry Kane são alguns dos que já receberam a condecoração. No caso da artista brasileira radicada em Londres, a homenagem chega por suas contribuições à música e à igualdade de gênero.

A emoção foi tanta ao receber a carta do Palácio de Buckingham pela primeira vez que ela acabou rasgando o envelope, conta no vídeo.

O título reconhece o trabalho de Gabriella Di Laccio na Donne, organização fundada por ela para criar oportunidades iguais para mulheres na indústria da música, com foco especial em compositoras de música clássica que não tiveram o devido reconhecimento ao longo da história.

Entre as atividades da Donne, está a “BIG LIST of Women Composers”, uma lista em constante expansão que reúne mais de 5 mil compositoras — desde autoras pré-medievais a cantoras e compositoras do século 21. No Instagram e no YouTube, Di Laccio desenvolveu uma série de vídeos falando da invisibilidade das mulheres na música. 

Em 2024, a ONG realizou o Let Her Music Play, concerto de 26 horas com 96 musicistas interpretando obras de 140 mulheres e pessoas não-binárias. Com a presença de Adriana Calcanhotto, a transmissão entrou para o Guinness como a mais longa apresentação acústica ao vivo pela internet.

Di Laccio atua como solista em diversos grupos, com repertório que vai do barroco ao contemporâneo. Interpretou obras de Bach, Handel, Mozart, Haydn e Orff, além de óperas como “As Bodas de Fígaro”, “La Bohème” e “Don Giovanni”. Também se destaca pela dedicação à música latino-americana: aqui ela aparece cantando Chiquinha Gonzaga.

Hoje com mais de 25 anos de carreira, a artista começou sua trajetória ainda na infância em Canoas (RS), sua cidade natal, quando estudava em um piano de papel e cantava no coral da escola. Graduada em canto lírico pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), recebeu uma bolsa de estudos para aperfeiçoar seu canto no Royal College of Music of London, onde concluiu sua pós-graduação com duas qualificações. Ela ainda volta para apresentações no Brasil e sempre se emociona nos palcos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

Recentemente, voltou para o mundo acadêmico com uma bolsa no doutorado da York St. John University. No post, ela conta que está pesquisando como o ativismo em performance, o uso de dados e a criação de comunidades podem transformar a indústria da música em nível global.

Além de fundadora da Donne, palestrante, pesquisadora e cantora, Di Laccio também escreve uma newsletter. Em “Lessons from the Stage” (Lições do Palco), ela compartilha revelações de sua trajetória profissional. “Não se trata apenas de música. Trata-se de presença. Coragem. E de criar algo real, mesmo quando é difícil.”

Os seguidores de seu perfil no Instagram podem acompanhar pílulas de suas reflexões, como neste post sobre a busca pela perfeição como artista. “Minhas apresentações mais memoráveis? Definitivamente não foram perfeitas! Mas ver sorrisos no rosto das pessoas vale mais que a perfeição a qualquer momento!” 

Quer mais dicas como essas no seu email?

Inscreva-se nas nossas newsletters

  • Todas as newsletters
  • Semana
  • A mais lida
  • Nossas escolhas
  • Achamos que vale
  • Life hacks
  • Obrigada pelo interesse!

    Encaminhamos um e-mail de confirmação