Bloco de notas da Semana "E se faltar água?" — Gama Revista
E se faltar água?
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Carrie Vonderhaar

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Conversas

Fabien Cousteau: 'Quero que o mundo conheça o incrível universo subaquático'

Em entrevista a Gama, o aquanauta neto do famoso oceanógrafo Jacques Cousteau dá detalhes sobre seu projeto de construir a maior estação de pesquisa subaquática do mundo

Leonardo Neiva 21 de Março de 2021

Em entrevista a Gama, o aquanauta neto do famoso oceanógrafo Jacques Cousteau dá detalhes sobre seu projeto de construir a maior estação de pesquisa subaquática do mundo

“As pessoas protegem o que amam, amam o que compreendem e compreendem o que aprendem.” A frase do mundialmente conhecido oceanógrafo e documentarista Jacques-Yves Cousteau (1910-1997), cocriador do equipamento de mergulho aqualung, reverberou ao longo de toda a vida do neto, o aquanauta Fabien Cousteau, 53.

Primeiro dos filhos de seus filhos, Fabien passou boa parte da infância a bordo dos navios do avô, Calypso e Alcyone. Já aos quatro anos, aprendeu a mergulhar de forma autônoma. A paixão pelos oceanos e sua vocação profissional nasceram principalmente desses momentos. E, se Jacques quebrou um recorde mundial ao passar 30 dias dentro de um laboratório de exploração subaquática, em 1963, Fabien e sua equipe estabeleceram uma nova marca em 2014, ao permanecer 31 dias na estação submarina Aquarius, na costa da Flórida.

Durante esse tempo, o aquanauta, que já declarou ter se sentido mais confortável debaixo d’água do que em terra firme, teve uma revelação importante. Ao transmitir online algumas das descobertas que fez na Missão 31, como ficou conhecido o projeto de exploração, percebeu que ações como essa aproximam as novas gerações da vida marítima, seguindo o preceito ensinado pelo avô. Além disso, o tempo de sobra para explorar permitiu a coleta de várias informações científicas relevantes.

Essas foram algumas das principais motivações para que Fabien iniciasse uma cruzada para construir sua “estação espacial internacional”, só que debaixo d’água. O projeto Proteus pretende criar um habitat subaquático moderno, com laboratórios voltados a cientistas e acadêmicos, com as descobertas transmitidas online para o mundo todo. Ao lado do designer industrial Yves Béhar, o aquanauta hoje estuda a melhor forma de avançar com o plano e criar a maior estação subaquática do mundo, com 4 mil m², no mar do Caribe.

“Muitos de nós consideramos natural todo o bem que o oceano nos oferece. Não levamos em conta que ele é responsável por cada respiro que damos, cada copo d’água que bebemos”, afirma Fabien em entrevista a Gama. Na conversa, além de mais detalhes a respeito do projeto, ele fala sobre sua relação com os oceanos, como a pandemia pode trazer problemas graves às águas e a importância de conscientizar as novas gerações.

A saúde do oceano é a saúde humana. Estamos todos conectados e não existe ‘jogar fora’

  • G |A vida e a experiência de seu avô — o mundialmente conhecido oceanógrafo e documentarista Jacques Cousteau — inspiraram você em sua jornada?

    Fabien Cousteau |

    Com certeza. Ele me ensinou muitas coisas, especialmente o valor de compreender e apreciar a natureza. Meu avô costumava dizer que “as pessoas protegem o que amam, amam o que compreendem e compreendem o que aprendem”. Ele me mostrou que, para proteger o oceano, primeiro precisamos compreendê-lo melhor — e, finalmente, amá-lo e apreciá-lo — para só então sermos levados a praticar ações positivas.

  • G |Você considera sua missão dar continuidade ao legado da família?

    FC |

    Seguir os passos da minha família nunca foi algo imposto a mim. Porém, tendo crescido em meio às expedições de meu avô e começado a mergulhar de forma autônoma aos quatro anos, o fascinante mundo subaquático e sua importância tornaram-se muito próximos de mim. Desde muito jovem, recebi esse profundo senso de responsabilidade para tornar os outros mais conscientes da vitalidade do oceano, devido a toda essa exposição ao assunto que tive o privilégio de ter desde muito cedo.

  • G |Você viveu sobre e sob as águas durante uma boa parte de sua vida. Essas experiências causaram um impacto duradouro?

    FC |

    Depois de viver embaixo d’água durante 31 dias, na expedição Missão 31 que liderei em Aquarius, na Flórida, eu não queria mais voltar à superfície. Tudo o que conseguia pensar era como ficar lá por mais tempo… Não apenas do ponto de vista pessoal, mas também científico — ainda havia muitos experimentos que poderiam ser realizados, e por mais tempo. Aliás, a quantidade de tempo que pode ser economizada trabalhando diretamente no local, embaixo d’água, é exponencial. Mas viver nesse ambiente não é para todos, é muito desafiador. É preciso passar por um treinamento mental rigoroso antes de se enfiar por semanas num habitat subaquático. Na verdade, até os astronautas passam um tempo debaixo d’água para se preparar mentalmente antes de ir para o espaço.

  • G |Como estão avançando seus planos para a construção da estação subaquática Proteus? Tem encontrado investidores interessados ??no projeto?

    FC |

    O Proteus é o sonho de toda uma vida, então anunciar o projeto para o mundo no ano passado já foi um grande passo à frente. Ainda estamos finalizando os projetos, mas no momento estou a caminho de Curaçao, onde farei um mapeamento do local e um estudo de viabilidade. Isso ajudará a definir mais detalhes sobre a localização, profundidade e condições das águas, assim como a criar uma melhor compreensão dos recifes de coral da região e como poderemos protegê-los. Há parcerias com empresas e pesquisadores em andamento. Tenho a sorte de contar com a experiência de alguns que trabalharam e participaram da Missão 31, incluindo professores da Northeastern University [em Boston, Massachusetts]. Esperamos continuar a fazer essas parcerias com empresas e pesquisadores em nível local e global.

  • G |Qual é a próxima etapa?

    FC |

    Assim que tivermos uma noção melhor de como é a topografia, poderemos começar a preparar o metal para construir a estrutura. Antes mesmo que ela esteja oficialmente pronta e submersa, abriremos um escritório em Curaçao que nos permitirá coordenar e colaborar ainda mais de perto com a comunidade da ilha.

  • G |Quais são os objetivos para a estação subaquática? Embora seja essencialmente tecnológica, ela ajudará a reforçar o componente humano na exploração dos oceanos?

    FC |

    Minha meta é que o mundo possa vislumbrar o incrível universo subaquático. Apesar de cobrir mais de 70% da superfície da Terra, menos de 5% do oceano foram explorados até o momento. Muitos de nós consideramos natural todo o bem que o oceano nos oferece. Não levamos em conta que ele é responsável por cada respiro que damos, cada copo d’água que bebemos, além seu papel na regulação do clima, na nutrição e no sustento de milhões de empregos. Ao criar um estúdio de streaming no local, seremos capazes de tornar esse submundo acessível a qualquer pessoa do planeta que tenha acesso Wi-Fi.

  • G |As descobertas e vistas subaquáticas do Proteus estarão disponíveis online para todos? Como esse aspecto deve avançar nosso potencial de exploração e possibilidades de compreensão sobre o oceano?

    FC |

    Sim, o Proteus terá um estúdio de produção de última geração, que nos permitirá transmitir nossas descobertas para todo o mundo. O sucesso e a oportunidade de uma configuração como essa já foram demonstrados durante a Missão 31, quando pudemos nos conectar com centenas de milhares de alunos em todo o mundo via Skype. Dar a eles esse acesso tão próximo realmente representou uma mudança de vida para muitos, porque forneceu informações e inspiração relacionadas ao oceano que eles estavam perdendo em sua educação formal. Sem uma compreensão do que o oceano tem a oferecer, algo que consideramos constantemente como natural, pode ser difícil mantê-lo em mente enquanto vivemos nossas vidas todos os dias. Nossa esperança com o Proteus é continuar a disseminar a educação sobre os recursos e o potencial do oceano em todo o mundo.

  • G |Quais são as principais atividades e objetivos do seu Ocean Learning Center?

    FC |

    Proteger e educar sobre o oceano. Apoiamos uma ampla gama de programas e somos particularmente apaixonados por nossas iniciativas em torno da restauração de corais e de tartarugas marinhas na Nicarágua. E, embora a limpeza das praias seja importante, o objetivo é evitar que chegue a esse ponto, para que possamos respeitar esses ambientes e mantê-los intocados desde o início.

  • G |Nós tendemos a olhar com mais entusiasmo para a exploração espacial do que para a de nossos oceanos?

    FC |

    Embora eu seja um grande defensor da exploração espacial, precisamos concentrar mais atenção no mundo subaquático. Faz sentido ir à nossa própria fonte de vida para encontrar soluções para a humanidade – em vez de viajar centenas de milhares de quilômetros de distância para outro planeta. A empolgação ao redor do mundo subaquático continua a crescer, e Proteus felizmente está desempenhando um papel central nisso! Devemos primeiro olhar para nós mesmos e para os problemas da Terra antes de explorar outros planetas.

  • G |Você acredita que projetos como o Proteus podem criar uma tendência para a exploração subaquática, caso ele tenha sucesso?

    FC |

    Acredito que possa sim estimular uma tendência na exploração subaquática. Mas, para que isso aconteça, é preciso lembrar que o Proteus é um projeto de utilidade pública e de esperança. Os experimentos que ele nos permitirá fazer ajudarão a respeitar mais o oceano e a compreendê-lo. Se outros projetos forem começar a partir dele, meu desejo é que sigam essa mesma linha, com foco na educação.

  • G |Os oceanos e a vida marinha foram negligenciados nas últimas décadas? A pandemia complicou ainda mais a questão, considerando a quantidade de plástico que vem sendo jogada em nossas águas?

    FC |

    Devemos refletir para compreender a principal fonte do problema, seja ela a poluição ou a pesca predatória. Na verdade, têm acontecido mudanças nos dois sentidos desde o início da pandemia. A princípio, o lockdown fez com que a poluição se dissipasse, e a natureza parecia estar iniciando um processo de recuperação, algo que as pessoas notaram e apreciaram. Mas então o uso de plástico descartável começou a aumentar e, finalmente, a se acumular nos cursos d’água. Devemos entender que a saúde do oceano é a saúde humana. Estamos todos conectados e não existe “jogar fora”. Devemos estar mais atentos às nossas ações e entender que pequenos gestos, como usar uma máscara reutilizável ou uma sacola de pano no supermercado, podem realmente fazer a diferença.

  • G |As gerações recentes estão menos conectadas com a natureza e os oceanos?

    FC |

    Com as tecnologias e necessidades que existem hoje na sociedade, é muito fácil ficar menos conectado à natureza. Mas, com Proteus, estamos alavancando a tecnologia de uma maneira que tornará esse universo mais acessível, usando para isso a tecnologia de forma simbiótica.

  • G |Por que é importante transmitir o interesse pelo oceano às nossas próximas gerações?

    FC |

    O futuro do nosso planeta depende da atitude dos jovens. A fim de garantir um mundo melhor para nossos netos e bisnetos, devemos entender que estamos todos juntos nisso. E não importa quão pequenas possam parecer algumas das mudanças mais ecoconscientes que fazemos no nosso dia a dia, seu efeito cascata pode ser imenso.

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Repertório

A mecânica dos fluidos

Da dessalinização à coleta de névoa, como as cidades buscam reinventar suas relações com o ciclo da água à beira de uma crise de demanda global

Ana Pinho 21 de Março de 2021

Da dessalinização à coleta de névoa, como as cidades buscam reinventar suas relações com o ciclo da água à beira de uma crise de demanda global

A Terra é azul. Essa frase já não provoca as mesmas reações emocionadas de 1961, quando foi dita pelo cosmonauta Iuri Gagarin, a primeira pessoa a vê-la de cima. Hoje é algo bastante óbvio: é a água que se avoluma em mares, rios, cataratas, lagos, icebergs. De tão abundante, parece infinita. Mas depende do ponto de vista: cerca de 97% dela está nos oceanos e 2%, nas geleiras. Apenas 1% é água doce acessível aos humanos.

A água do planeta passa continuamente pelo ciclo hidrológico, mas o acesso a essa pequena parcela é cada vez mais afetado pelos efeitos da urbanização, crescimento populacional, consumo agrícola (que responde por 70% do uso atual), industrial (19%) e doméstico (11%) – este subiu 600% nos últimos 50 anos. Padrões de consumo com grande pegada de água (uma forma de calcular quanta água um determinado produto demanda, como um quilo de bife ou uma banana) também cresceram substancialmente, o que acirra a disputa geral.

Há ainda a questão inevitável das mudanças climáticas e do desmatamento, que tornam o comportamento da água cada vez mais errático. Sistemas que dependem de um determinado volume de chuva em reservatórios, por exemplo, já não podem contar com essa sazonalidade. Basta lembrar de São Paulo e Cidade do Cabo, que passaram por graves crises hídricas nos últimos anos e só voltaram a níveis normais quando a chuva voltou.

Não há uma única tecnologia de abastecimento. Diferentes estratégias são necessárias para todo mundo ter água limpa

Nesse ritmo, a maioria da população global sofrerá com escassez ao longo do ano a partir de 2040. Enquanto muitos esperam que avanços tecnológicos “resolvam” a questão, para Vincent Casey, especialista sênior de saneamento da ONG WaterAid, não é preciso escolher entre o futuro e o passado: existe espaço para usinas de dessalinização hightech e para técnicas empregadas desde o Egito Antigo.

“Não há uma única tecnologia de abastecimento de água ou opção de serviço que funcione em todos os contextos. Diferentes estratégias serão necessárias para que todo mundo tenha água limpa. O desafio é como conseguir isso de forma acessível, e isso é principalmente um desafio de gestão e financiamento”, explica.

Mulheres e meninas passam 200 milhões de horas por ano caminhando para coletar água mundo afora, o que as impede de trabalhar e estudar

Para quem tem água limpa em casa, é difícil entender quão diferente a vida é sem ela. Juntas, mulheres e meninas passam 200 milhões de horas por ano caminhando para coletá-la mundo afora, o que as impede de trabalhar e estudar. E, a cada dois minutos, uma criança morre vítima de doenças causadas pela água poluída e pela falta de saneamento.

É uma crise, mas não é inevitável. Devido à sua capacidade regenerativa, a água pode ser parte de soluções sustentáveis, flexíveis e equitativas – desde que seja uma verdadeira prioridade. Para Vincent, não é possível vê-la de nenhuma outra forma. “O acesso à água e ao saneamento são direitos humanos”, reforça.

Barra, Brasil: saneamento descentralizado

Em um mundo em que 4,2 bilhões não têm acesso a esgotamento sanitário adequado (incluindo 107 milhões de brasileiros), faz-se cada vez mais urgente testar soluções que não dependam apenas de grandes obras. “O esgoto ainda não entrou no wireless”, brinca Marussia Whately, diretora do Instituto Água e Saneamento (IAS). “Tiramos cada vez mais os fios de nossa comunicação e continuamos criando sistemas sanitários que dependem de redes enormes e que gastam uma energia gigantesca.”

Isso não significa que os sistemas centralizados sejam obsoletos, explica ela, mas que a resposta mais eficiente depende das condições físicas, ambientais e culturais de cada território. Um exemplo de alternativa é um projeto-piloto em Barra, na Bahia, feito em 2019 pela Associação Bem-Te-Vi Diversidade e pela Articulação do Semiárido Brasileiro com apoio do IAS. Com uma abordagem batizada de saneamento inclusivo, foram construídas 40 cisternas para armazenar água da chuva e 8 sistemas de tratamento e reúso de esgoto em escolas na zona rural, beneficiando mais de 6 mil alunos ao todo.

É no [âmbito] local que se fica sem água e onde há enchentes. E é também no local que podemos construir as soluções

Para o esgotamento, foi escolhido um tipo de fossa compartimentada escalável e de baixo custo. Construída pelos cisterneiros da região com maioria de materiais locais, a fossa se divide em compartimentos que limpam os dejetos aos poucos, com sedimentação e filtragem por camadas de solo, pedra brita e bidim. Na superfície, plantas de crescimento rápido absorvem a água resultante. Caso a população prefira, a fossa também pode ser adaptada para levar essa água para reuso em plantios.

Cisterna na comunidade de Nova União, em Barra, na Bahia /Foto: Cipó Comunicação Interativa

O lodo fecal leva entre dois e cinco anos para se acumular e pode ser retirado e gerido pela própria comunidade de forma rápida e segura, por compostagem ou secagem. “É no [âmbito] local que as pessoas ficam sem água e onde há enchentes. E é também no local que podemos começar a construir as soluções”, aponta Marussia.

Dakar, Senegal: do lodo à luz

Na capital senegalesa, é a alta tecnologia que se destaca. Mais de 1 milhão de pessoas não estão conectadas ao sistema de esgoto de Dakar e despejam seus dejetos a céu aberto ou em fossas rústicas, que são muitas vezes esvaziadas manualmente – um trabalho muito perigoso para a saúde desses trabalhadores. É aí que entra o Janicki Omni Processor, um multiprocessador financiado pela Bill & Melinda Gates Foundation e que hoje trata um terço do lodo fecal da cidade em parceria com o governo.

Desde 2015, o lodo de dezenas de milhares de residências é coletado mecanicamente por mangueiras e transportado por caminhões até a máquina, que é relativamente compacta e permite a descentralização do tratamento. Ela é capaz de tratar o esgoto com agilidade e de forma a gerar água potável, energia elétrica e cinzas, que podem ser usadas como fertilizante ou material de construção. O objetivo é fazer com que o saneamento seja acessível em países em desenvolvimento e também comercialmente atraente, já que esses subprodutos podem ser vendidos localmente.

Tel Aviv, Israel: reuso como prioridade

Devido à diversificação de fontes, Israel, um país majoritariamente desértico, tornou-se exportador de água e líder mundial em reúso e dessalinização nas últimas décadas. É também a nação com menor índice de água perdida por vazamentos, visto que prioriza a manutenção constante da infraestrutura: a perda é de menos de 8%. (No Brasil, essas perdas estão em 38%.)

Mais de 80% da água de esgoto de Israel é reutilizada e a maior de suas usinas de tratamento atende 2,5 milhões de pessoas

Mais de 80% da água de esgoto de Israel é reutilizada e a maior de suas usinas de tratamento é a Shafdan, um complexo que fica na região metropolitana de Tel Aviv, atende 2,5 milhões de pessoas e é considerado modelo pela ONU. Depois do tratamento inicial – que separa dejetos, elimina os patógenos e eventualmente gera adubo –, a água passa por aquíferos e filtragens naturais com areia. Em seguida, é transportada para irrigar plantações no deserto de Neguev. Por lá, aliás, a água ainda encontra outra inovação: a irrigação por gotejamento, uma eficaz técnica israelense para economizar recursos.

Monte Boutmezguida, Marrocos: coleta de névoa

Na mesma busca por novas fontes de água, a população de Monte Boutmezguida virou-se para uma velha conhecida: a névoa. No alto dos montes, foram instaladas enormes redes especiais, chamadas de “pescadoras de nuvens”, para captar e condensar a água que o vento sopra. As gotas escorrem para um recipiente e depois são levadas por canos a reservatórios que atendem cerca de mil pessoas. Nesse caso, a água é fresca e utilizada para consumo e cultivo.

As redes especiais instaladas no Monte Boutmezguida, no Marrocos, para coletar névoa
As redes especiais instaladas no Monte Boutmezguida, no Marrocos, para coletar névoa
Dar Si Hmad

A coleta de névoa tem potencial para aliviar a escassez em pequenas comunidades e, por isso, diferentes tipos de suportes vêm sendo estudados na América Latina e nos EUA. No instituto norte-americano de Virginia Tech, surgiu uma espécie de harpa para névoa, com fios verticais finos e próximos uns dos outros. Seus testes mostram que a solução pode ser até três vezes mais eficaz que as redes. A inspiração veio da própria natureza: no caso, das sequoias que captam água da névoa em suas folhas em forma de agulha.

Pequim, China: recarga artificial de aquíferos

Um dos efeitos colaterais do estresse hídrico é o esvaziamento de aquíferos, o que causa problemas sérios como esgotamento de reservas subterrâneas e afundamento do terreno. A explicação é simples: visto que o espaço antes preenchido pela água secou devido ao uso excessivo, ele colapsa e o que estava em cima afunda junto. Para garantir mais água e segurança estrutural, há variados experimentos no campo de recarga dos aquíferos.

Em 2016, um estudo estimou que Pequim, que depende majoritariamente de água subterrânea, estivesse afundando 11 centímetros ao ano. Três anos depois, a cidade investiu em um projeto-piloto que envolve tanto trabalho humano quanto natural para recarregar o aquífero do rio Chaobai. Às pessoas, cabe o pré-tratamento de água superficial em uma usina e seu transporte canalizado até a área de infiltração. A natureza se encarrega do processo de filtragem por meio do próprio solo e da força da gravidade. Em poucos meses, a água se adequa ao espaço, passa por um novo tratamento, volta às torneiras – e reinicia o ciclo.

Roterdã, Países Baixos: a grande praça aquática

Em dias secos, a praça de Benthemplein recebe esportistas, artistas, skatistas e outros em busca de um espaço público agradável. Mas é quando chove que ela mostra a que veio: construída de forma afundada, a praça coleta e drena até 1,7 milhão de litros de água pluvial dos arredores, que depois é infiltrada no solo debaixo do pavimento ou desemboca em um canal próximo.

A praça de Benthemplein, que coleta e drena até 1,7 milhão de litros de água pluvial
A praça de Benthemplein, que coleta e drena até 1,7 milhão de litros de água pluvial
Jeroen Musch / Pallesh+Azarfane

Durante o período chuvoso, esse procedimento alivia o sistema de esgoto da cidade e ajuda a prevenir enchentes. No resto do tempo, agrega valor à cidade. A Benthemplein foi inaugurada em 2013 e é considerada a primeira praça aquática em grande escala do mundo – um exemplo de arquitetura resiliente e de requalificação de espaços públicos que inspira urbanistas mundo afora.

Uma nova cultura de cuidado com a água é fundamental para continuarmos vivendo

Estima-se que sete em cada dez pessoas hoje tenham água na torneira. Se esse número vai subir ou baixar nos próximos anos depende justamente da criação de uma relação resiliente entre as cidades e seu elemento mais vital. “Tudo que estamos falando faz parte de qualificar uma nova cultura de cuidado com a água”, afirma Marussia Whately. “É fundamental para continuarmos vivendo.”

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Getty Images

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Comida e bebida

Essa água merece uma taça?

A bebida extraída de fontes naturais alcança status de luxo, entra em cartas de restaurantes no mundo e ganha mercado no Brasil. Saiba mais sobre seu sabor, terroir e valor

Isabelle Moreira Lima 21 de Março de 2021

Aprendemos muito cedo que água é inodora, incolor e insípida. Mas não é isso o que diz o mercado de água premium, nem os sommeliers de água. Por mais estranho que possa parecer, água tem sabor — e, sim, existe essa especialização dentro do mercado de bebidas.

Tem mais: água tem terroir, ou seja, responde ao conjunto de informações de um lugar, especialmente solo e clima, que influenciam em suas características organolépticas. Corpo e textura são as principais sensações na boca, que podem ser explicadas pela quantidade de minerais que estão presentes no líquido. No rótulo, é identificada como TDS (total de sólidos dissolvidos, em inglês).

No Brasil, as águas têm como característica a leveza e o frescor, ou seja, costumam ter baixo TDS. “Os estrangeiros se admiram quando vêm para cá, é uma água que mata a sede, diferente das que existem na Alemanha ou na França, que são ideais para se harmonizar com comida”, explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, Mário Telles Júnior, responsável pelas aulas sobre águas na instituição. “Ao fim do curso faço uma degustação com 12 águas minerais com e sem gás. E é a prova mais impactante dos três anos de curso. Os alunos entram sem esperar nada e encontram diferenças brutais entre as bebidas”, afirma.

Em 2020, foram vendidos 16 bilhões de litros de água mineral, sendo 95% sem gás e 5% com gás

Hoje é fácil montar um painel de degustação como esse no Brasil (e no mundo), uma vez que o mercado de águas cresce há cinco anos a dois dígitos, informa o presidente da Abinam (Associação Brasileira das Indústrias de Água Mineral), Carlos Alberto Lancia. Em 2020, foram vendidos 16 bilhões de litros de água mineral, sendo 95% sem gás e 5% com gás. “Ninguém segura o mercado de águas. Na pandemia, as de meio litro entraram em crise. Em compensação o consumo doméstico, de embalagens maiores, cresceu 20% no último ano”, afirma. O garrafão de 20 litros hoje detém 60% do mercado.

Hype escandinavo

Aumentou também a variedade nas prateleiras nacionais. Além das águas minerais naturais brasileiras, colhidas direto da fonte e envasadas sem adição de qualquer outro componente, há hoje italianas, francesas e de origens mais longínquas e exóticas para este país tropical, como a Noruega. Trata-se de um mercado crescente e animador para os importadores, que movimentou US$ 2,5 milhões em 2020 e trouxe 4,8 milhões de litros ao país. Entre as estrangeiras, a disputa ocorre entre as italianas Acqua Panna e San Pellegrino, a francesa Perrier e a novata norueguesa Voss, que juntas detém 84% das importações de 2020, segundo dados da consultoria Ideal fornecidos pela importadora Casa Flora.

“É um item muito importante dentro do nosso portfólio. É único. Mesmo sendo uma água, é um produto de muito prestígio dentro do mercado”, afirma Adilson Carvalhal Junior, diretor da Casa Flora, sobre a Voss, a nova queridinha gringa entre as águas premium vendidas no Brasil. Prova disso é que qualquer busca sobre água mineral na internet leva à pergunta “O que tem de diferente na água Voss?”. Curiosamente, o que há de diferente na Voss é o que é comum nas águas brasileiras: uma presença baixa de TDS, o que dá uma leveza notável na boca.

O hype talvez tenha menos a ver com sua pureza — ela é captada num aquífero “longe de qualquer forma de poluição, em plena natureza selvagem do sul da Noruega, sob uma formação rochosa subterrânea”, segundo informa a empresa — e mais pelo seu apelo visual: é embalada por uma garrafa de vidro retilínea, simples e elegante no melhor estilo escandinavo, que leva a assinatura de Neil Kraft, ex-diretor criativo da Calvin Klein.

Mesmo os especialistas dão o braço a torcer: embora as diferenças no sabor da água sejam uma realidade, muito do atual sucesso e do crescimento da água premium tem a ver com marketing. O que justifica cobrar 80 euros por uma água? A Svalbarði, que vem do ártico, custa esse valor mas com uma explicação que vai além do sabor, além do marketing: promete proteger do derretimento cerca de 100 kg das calotas polares do Polo Norte a cada garrafa vendida. Apesar do preço, as águas estão esgotadas e há fila de espera.

É como no vinho, há uma história por trás, não é custo, é valor

Aos que acham que tudo isso é uma grande balela, o sommelier de águas Rodrigo Rezende, que tem o primeiro certificado do país e cujo lema é #águanãoétudoigual, diz: “É como no vinho, pode parecer um absurdo pagar alto, mas há um processo que explica o porquê daquilo. A Svalbarði chega com garrafa safrada. Ela só pode ser coletada uma vez por ano quando blocos de gelo se soltam de um iceberg. Há uma história por trás, não é custo, é valor”, explica, dando mais pistas sobre o poder do terroir no imaginário e no mercado.

Águas chatas

Além de ter sabor, para o sommelier de águas austríaco radicado nos Estados Unidos Michael Mascha, mentor de Rezende, uma água pode ser profundamente empolgante ou inspirar o sentimento diametralmente oposto. Sua avaliação é de que Panna e Pellegrino, por exemplo, são entediantes. “Se você consegue comprar a água em qualquer lugar, num supermercado, num posto de gasolina, ela perde a graça”, afirma.

Mascha é um dos mais renomados conhecedores de água em atividade no mundo hoje e fundador do site FineWaters.com, onde é possível encontrar informações sobre bebidas minerais dos quatro cantos do planeta e suas harmonizações ideais com comida. Ele também mantém uma escola de formação da sommellerie aquática e fornece, gratuitamente no site, informações básicas sobre o que é importante saber quando se prova uma água.

Podemos esperar da água a mesma coisa que esperamos do vinho: experiência

“Podemos esperar da água a mesma coisa que esperamos do vinho: experiência”, diz Mascha, Segundo ele, foi em 2010 que as pessoas começaram a entender o valor da água e olhar para a sua profissão com menos desconfiança. Hoje, não é raro encontrar na Europa cartas de restaurantes dedicadas exclusivamente à água.

Aos céticos, todos os sommeliers ouvidos pela Gama sugerem a mesma coisa: a degustação. “A melhor maneira de entender é provar. A Cambuquira (mineira) só tem em um lugar do mundo, não conseguimos beber em outro lugar. A mesma coisa ocorre com a Caxambu, com a Água Prata”, afirma Rodrigo Rezende.

O julgamento de Lindóia

Ao coletar essas informações, ficou claro de que o próximo passo inevitavelmente seria a degustação — era chegada a hora da checagem. A prova prática tentaria responder às seguintes questões: água mineral realmente tem sabor? Que hype é esse em torno das importadas, considerando que o Brasil tem os maiores aquíferos do mundo e cerca de mil minas de água mineral no país?

Gama reuniu cinco exemplares sem gás considerados “premium”: as brasileiras Prata e Platina, ambas de Águas da Prata (SP), na região da Serra da Mantiqueira; as importadas já tradicionais no mercado brasileiro Acqua Panna (da Toscana, na Itália) e Evian (de Evian-des-Bains, na França); e a novata e badalada Voss. Todas foram provadas à temperatura ambiente, em taças de vinho Bordeaux, a universal.

Além de divertido, o resultado foi esclarecedor: Panna e Evian são pesadas, com forte presença de minerais; Platina lembra as águas chilenas e argentinas, com um quê de bicarbonato de sódio no paladar; Prata e Voss são muito semelhantes, mas a brasileira custa R$ 3 por 300 ml e a norueguesa R$ 14 a nova garrafa pet de 500 ml.

Criou-se essa ideia de água premium baseada em uma embalagem mais sofisticda, é um produto mais caro em função da sua beleza

Esse resultado levou a um ponto importante: por que falar de água premium? Os consultados são unânimes: o termo tem mais a ver com marketing do que com a qualidade da água mineral. “Lá fora é muito raro ter águas minerais. Aqui temos mil fontes, encontramos água mineral até vendida por ambulantes. Lá é premium porque o comum é beber água purificada”, explica Rodrigo Rezende.

É uma questão de embalagem também. “No Brasil, criou-se essa ideia de água premium baseada em uma embalagem mais sofisticada, é um produto mais caro em função da sua beleza. Isso foi impulsionado pelas importadas. Mas foi bom, elas têm nos ajudado a crescer”, diz Carlos Alberto Lancia, da Abinam.

Sommellerie de água

Por mais esquisita que pareça a profissão de sommelier de águas, quando se mergulha na área, encontra-se paixão. O mineiro Rodrigo Rezende é um desses apaixonados, e conta com fascinação que a água Lindoya viajou no Apollo 11 por sua imensa pureza, TDS baixíssimo. Ela era de mais fácil absorção pelo corpo, logo ideal para ir ao espaço.

O TDS é também importante para outra coisa: a harmonização. Na água, ela segue a mesma lógica do vinho. Quanto mais pesada for a bebida, mais pesados são os pratos que a acompanham. As águas brasileiras, mais leves, casam melhor com os pratos igualmente leves, peixes, entradinhas, saladas. Já Panna e Evian, cheias de minerais, encorpadas, vão bem com pratos mais complexos.

Se você tem uma vodca cara, porque vai colocar uma água ruim dentro dela?

Rezende também desaconselha que se beba água com gás com bebidas delicadas. “Com vinho branco jamais; com Pinot Noir, ele vira uma água choca; e com espumantes, que já tem pérlage delicada, a água com gás causa um atropelamento”, explica

Faz sentido usar água boa para fazer café e chá. E, mais, há a água certa para o grão certo. Isso sem falar em gelo. “Um coquetel com gelo feito com água de ártico dá a ele outros contornos. Se você tem uma vodca cara, porque vai colocar uma água ruim junto a ela?”, questiona o sommelier austríaco Michael Mascha.

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SOS Mata Atlântica

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Podcast da semana

Gustavo Veronesi, SOS Mata Atlântica: 'É preciso gritar a importância da água'

Isabelle Moreira Lima 21 de Março de 2021

Coordenador do programa Observando os Rios da SOS Mata Atlântica, o geógrafo Gustavo Veronesi, que atua na organização não-governamental há quase 20 anos, é o entrevistado do Podcast da Semana e fala sobre os desafios encontrados na preservação dos rios e bacias hidrográficas da região onde está a floresta tropical. Segundo ele, o esgoto doméstico ainda é o maior vilão para a manutenção da saúde das águas. “É inaceitável que num país como o Brasil mais da metade da população ainda não tenha acesso a tratamento de esgoto. É inaceitável que num país como o Brasil, que detém a maior quantidade de água doce do planeta, 40 milhões de brasileiros não tenham acesso a água potável”, disse em entrevista a Gama.

Ao Podcast da Semana, Veronesi falou sobre as dificuldades de diálogo com o atual governo e sobre a dependência do poder público para ter um trabalho de efeito; sobre os problemas socioambientais vividos no país em pleno século 21; sobre o que pode ser feito para ajudar na conservação dos rios — a redução do consumo num sentido amplo é a medida mais fundamental –; e sobre a importância simbólica de se comemorar o dia da Água, em 22 de março. “É um recurso fundamental para a vida, é preciso gritar sobre a importância da água”, afirma.

No Spotify, na Apple Podcast, noGoogle Podcaste no link abaixo você escuta essa conversa com Clélia Prestes.

Roteiro e apresentação: Isabelle Moreira Lima

Edição de som: Maurício Abbade

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Bloco de notas

Bloco de Notas

O acesso à água potável, a fuga da seca, os mistérios do mar em video game e como a natureza pode impactar a arte.  Confira dicas e referências da equipe Gama

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    Hosukai / Domínio Público / Metropolitan Museum of Art

    E se as águas da Ilha de Honshu se revoltassem a ponto de encobrir a montanha mais alta de todo o arquipélago japonês? Na obra do mestre japonês Katsushika Hokusai (1760 – 1849) essa ideia é possível: a xilografia conhecida como “A ONDA”  faz parte da coleção “Trinta e Seis Vistas do Monte Fuji” e virou um dos ícones da arte do país formado por quatro grandes ilhas e milhares de ilhotas.

  • Na paisagem do rio/ difícil é saber/ onde começa o rio;/ onde a lama/ começa do rio;/ onde a terra/ começa da lama;/ onde o homem,/ onde a pele/ começa da lama;/ onde começa o homem/ naquele homem.

    Trecho do poema “O CÃO SEM PLUMAS”, de 1950, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

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    Reprodução / Cândido Portinari / Museu de Arte de São Paulo

    Durante a fase de industrialização no Brasil, entre os anos 1950 e 1970, muitas famílias depositaram esperança na possibilidade da prosperidade econômica de outras regiões do país. Almejando deixar para trás as adversidades, como as CONSTANTES SECAS, a migração nordestina marcou a história e transformou o país. O fenômeno é representado por Cândido Portinari (1903-1962) em “RETIRANTES” (1944), que faz parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo.

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    Editora Malê / Divulgação

    Lavar, enxaguar e passar. Com algumas ações adicionais — como quarar as roupas — esse processo manteve a sobrevivência de diversas gerações de mulheres desde o Brasil colônia, quando o povo preto foi escravizado e explorado por senhores e sinhás. Em “ÁGUA DE BARRELA” (Malê, 2018), Eliana Alves Cruz narra como as águas são capazes de limpar muitas coisas, mas não apaga a luta, as perdas, as alegrias e, principalmente, a resiliência.

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    Deivyson Teixeira / Divulgação Cagece / Agência Brasil

    Com a nascente no interior do Brasil e sua foz no Oceano Atlântico, o Rio São Francisco, conhecido como Velho Chico, conecta estados e gera energia por meio de hidrelétricas, além de abastecer o Nordeste com água. O Açude Castanhão, no Ceará, começou a receber águas da transposição do Rio São Francisco, e hoje beneficia cerca de 4,5 milhões de cearenses com a SEGURANÇA HÍDRICANo entanto, alguns críticos pontuam que a obra seria economicamente inviável e socialmente injusta, já que não há magnitude no déficit hídrico no Nordeste Setentrional.

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    Mad Max: Estrada da Fúria

    Seja no futuro distópico de “Mad Max” (2015), na luta pelo poder da Companhia de Água e Energia de Los Angeles, em “Chinatown” (1974) ou no clássico juvenil com Sandy e Júnior “Acquária” (2003), o drama gira em torno da escassez de água. Na realidade brasileira, mesmo sendo um direito e não um privilégio, 16% ainda não têm ACESSO À ÁGUA TRATADA.


  • As constantes mudanças na legislação ambiental no Brasil deveriam preocupar não apenas os ambientalistas, mas todos os que entendem a importância fundamental das florestas para a conservação dos RECURSOS HÍDRICOS. Com direção de André D’Elia, o documentário “A LEI DA ÁGUA: NOVO CÓDIGO FLORESTAL” (2015) aponta como o debate socioambiental precisa estar cada vez mais presente na vida dos brasileiros.

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    Editora Barba Negra

    E se da necessidade de praticar alguma atividade física surgir uma paixão despretensiosa? Na HQ francesa “O GOSTO DO CLORO” (Leya, 2012), o personagem principal começa as aulas de natação — muito a contragosto — por recomendação médica, na tentativa de lidar com a escoliose. O jovem não tem muita habilidade para lidar com as águas, até que ele encontra uma nadadora nata, perfeita em cada braçada. A menina torna-se uma inspiração tão grande para o rapaz que o faz melhorar a cada dia, a ponto de competir com nadadores mais experientes, até (alerta de spoiler) a moça desaparecer das aulas.


  • Se você tem vontade mergulhar profissionalmente mas nunca conseguiu, o jogo ABZÛ pode te ajudar: o universo do game é voltado para a exploração subaquática onde o jogador precisa estar atento aos perigos que se escondem nas PROFUNDEZAS DO MAR.


  • Inspirado pela água e com contribuições da redação, o diretor de arte da Gama, Guilherme Falcão, preparou uma PLAYLIST AQUÁTICA. Da MPB, entram Maria Bethânia, Jards Macalé, Chico Buarque e Guilherme Arantes. Há também Portishead, um axé-vinheta da Timbalada, e os corais religiosos de Kanye West e seu Sunday Service Choir.