Como envelhecer bem?
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Depoimento

Qual sua receita para envelhecer bem?

Gama ouve artistas, esportistas, cozinheiros e outros para saber como cuidam de si para viver bem na passagem do tempo

12 de Abril de 2026

Qual sua receita para envelhecer bem?

12 de Abril de 2026

Gama ouve artistas, esportistas, cozinheiros e outros para saber como cuidam de si para viver bem na passagem do tempo

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    Foto de Mauro Figa

    “Não perder o gosto nem o desejo de inventar, de se aventurar, de ir além dos limites imaginativos”

    Noemi Jaffe, 64, escritora

    “E quem disse que eu estou envelhecendo bem? Não é nada simples… Eu tento cuidar do meu corpo, faço muita ginástica, alongamento, yoga, estou em movimento pelo menos quatro vezes por semana. Cuido também da minha pele. Não fiz nenhum procedimento nem tenho intenção, por enquanto. Não é que eu seja veementemente contra, mas sou ‘contrazinho’. Passo cremes e óleos, uso maquiagem, pinto o cabelo, e tomo suplementos para não ter osteoporose. Não cuido só do meu corpo por fora, mas por dentro também. Tomo magnésio, cálcio, tudo o que fortalece meus ossos. Penso no colesterol e em todas as doenças que a velhice provoca, coisas que pioram com a idade.

    Uma coisa que comento com as minhas amigas é que a perimenopausa e a menopausa propriamente são fases muito exploradas pela mídia e a literatura, mas a pós-menopausa não. Não se pensa tanto nesse fenômeno, nessa crise dessa idade, na qual que também acontecem muitas coisas hormonais que transfiguram o humor, a disponibildiade, o desejo.

    Isso é uma coisa de que eu tento cuidar, o desejo, a parte erótica. Eu tenho isso aceso, um amor pela vida, mas não é todo mundo que consegue, porque às vezes a queda hormonal prejudica muito a libido. O que mantém quem está envelhecendo bem é criar. Não perder o gosto nem o desejo de criar, de inventar, de se aventurar, de ir além dos limites imaginativos. O fato de eu estar escrevendo bastante agora me mantém muito jovem. Isso me rejuvenesce o tempo todo. Me dá vontade de saber o que vou escrever amanhã. Quando eu estou criando, eu esqueço o tempo, esqueço a minha idade. Tenho interesses muito parecidos aos que eu tinha quando eu era jovem, com a vantagem de já ter muita experiência, já saber o que não me serve, o que eu não quero. Quando a gente envelhece, a gente sabe dizer não pras coisas. Não ficar aceitando tudo com medo de perder alguma coisa. Também acho importante trabalhar sem parar até a velhice.

    A coisa mais inevitável que existe é a passagem do tempo. Não adianta, por mais que você faça plástica, você está envelhecendo. E eu gosto das marcas da velhice. Claro, não as exageradas, mas não vou fingir que tenho outra idade. Agora, tem tabus, interdições, das quais não concordo: ‘velha não pode usar saia curta’. Ah, foda-se. Eu não vou usar miniblusa porque eu não tenho corpo para isso mas, se eu tivesse, usava. Eu nunca usei, nem quando tinha 20. Mas eu não gosto desses tabus. Eu quero ser uma velha de 80 anos e usar saia indiana se eu quiser, ou camiseta do Fidel, sei lá.”

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    Divulgação

    “Envelhecer bem é valorizar o agora, vivendo sem pressa, com constância e sem pausa”

    Raphael Despirite, 42, chef e cofundador do Fechado Para Jantar e da Suflex

    “Eu cheguei à meia-idade e me liguei que, de fato, comecei a envelhecer. Tem um livro do Sêneca que chama ‘Sobre a Brevidade da Vida’. O livro tem frases impactantes, e uma delas é: ‘Enquanto esperamos viver, a vida passa’.

    Quando a gente é mais novo, estamos sempre olhando para o futuro e fazendo projeções: ‘quando eu fizer aquele curso, aí sim serei feliz’, ‘quando eu tiver o corpo perfeito, aí sim…’. O problema é que, por mais que a gente chegue nesses objetivos, a gente está sempre insatisfeito.

    Envelhecer bem é conseguir viver cada dia com mais atenção e se ligar que hoje é importantíssimo.

    Tem um outro filósofo, fundador do estoicismo, o Zenão de Cítio, que fala: ‘O bem-estar é alcançado por pequenos passos, mas, na verdade, não é pouca coisa’.

    E eu acho que envelhecer bem é isso. Eu corri duas maratonas quando tinha 30 anos e achava que o bem-estar estava sempre relacionado a grandes aventuras. Agora eu quero algo que eu consiga manter sempre, algo que me mantenha saudável e que eu possa sustentar ao longo do tempo. Pode ser corrida, mas não precisa ser uma grande maratona, nem deve.

    Vale para outras coisas também. Quando eu era moleque, gostava de grandes baladas. Agora quero manter pequenos encontros com pessoas queridas.

    Enfim, envelhecer bem, para mim, é valorizar o agora, vivendo sem pressa, com constância e sem pausa.”

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    Ádima Macena e Juh Almeid

    “Faço quase tudo de que gosto, como viajar, estudar, ficar em silêncio, ler, rir com minha família, comer coisas gostosas, comprar o carro que eu quiser, ajudar quem eu quiser, e por aí vai”

    Eliane Dias, 54, advogada, empresária e CEO da produtora e plataforma de agenciamento artístico Boogie Naipe

    “O que faço hoje para envelhecer bem já vem de algum tempo. E acho que são muitas coisas. Começando pela restrição na alimentação (carne vermelha, leite e álcool): gosto? Não. Mas gosto menos ainda de ficar toda inflamada. Exercício físico: gosto? Não. Mas gosto muito menos de dor. Organizei minha vida para este momento, com relação a filhos, casa e vida pessoal, o suficiente para gostar de um dia de chuva em São Paulo, se não tiver enchente. Tomo sete vitaminas por dia. Não gosto, mas meu corpo não absorve quase nada, então complemento. Skincare todos os dias: quaisquer três potinhos de cremes manipulados não saem por menos de mil reais. Não gosto, mas a pele seca é irritante. 

    E faço quase tudo de que gosto, como viajar, estudar, ficar em silêncio, ler, rir com minha família, comer coisas gostosas, comprar o carro que eu quiser, ajudar quem eu quiser, e por aí vai. São minhas rotinas para envelhecer bem. Odeio envelhecer, mas acho bonitinho quem romantiza não ter mais tempo para muita coisa, porque a idade não permitirá terminar.”

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    Foto: Divulgação

    “O mais importante mudou dentro de mim: hoje tenho mais consciência do que preciso e sei escutar meu corpo”

    Carol Gattaz, 44, ex-jogadora de vôlei e medalhista olímpica com a seleção brasileira que acaba de se aposentar das quadras pelo Praia Clube

    “Hoje eu encaro o envelhecimento como performance de longo prazo. Constância e disciplina sempre vão fazer parte da minha rotina. Então, é sobre evoluir de forma inteligente. Cuido muito da minha base: sono, alimentação e exercício fisico. Uso weareables como o Oura ring e o WHOOP, que me ajudam a monitorar minha saúde diariamente. Também olho com atenção para o equilíbrio hormonal, saúde mental e inflamação. Exames de sangue a cada 3/4 meses, sempre monitorados pela minha médica do esporte, Dra Ana Crepaldi.

    Uso suplementação estratégica com esse objetivo de recuperar melhor, ter energia e manter qualidade de vida. Mas acho que o mais importante mudou dentro de mim: hoje eu tenho mais consciência do que preciso e sei escutar meu corpo com mais clareza.”

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    Foto: Divulgação

    “Tenho levado a sério o cuidado com a pele e também resolvi cuidar do corpo”

    Cláudia Lima, 56, jornalista, criadora de conteúdo e editora da newsletter Yabás, voltada para mulheres negras de 40 e 50+

    “Eu tenho levado a sério o cuidado com a pele. Sempre usei protetor solar, a vida inteira, e acho que isso me garantiu uma pele boa aos 56 anos. Mas, desde outubro do ano passado, comecei a dar mais atenção a isso: procurei uma dermatologista especializada em pele negra e passei a fazer um tratamento bem básico, nada fora do normal. Uso vitamina C, gel de limpeza, hidratante para a pele na menopausa, retinol à noite, uma pomada para melasma e filtro solar todos os dias. Também procuro tomar bastante água, pelo menos dois litros, mas confesso que essa é uma meta difícil para mim. Como a pele do meu corpo é extremamente seca, parei de usar sabonete e passei a usar óleo de limpeza no banho. Isso mudou completamente. Também resolvi cuidar do corpo. Na menopausa, engordei muito, e venho de uma família de cardíacos, então isso me assusta. Emagreci quase 14 quilos e faço uma reeducação alimentar sem radicalismo, além de ir para a academia — o que detesto, mas vou; tem que fazer exercício, não adianta. Quero chegar em um peso OK, com saúde.”

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    Foto: Divulgação

    “Estamos mantendo o corpo ativo, cuidando da alimentação e respeitando os limites de cada uma”

    Katia, 49, Suzete, 52, e Simone, 53, irmãs e cantoras do grupo Fat Family

    “Envelhecer bem não tem a ver com retardar os efeitos do tempo, mas com aprender a cuidar de si mesma com mais consciência. Depois de tantos anos de estrada, o corpo começa a pedir atenção, e a gente passou a olhar para a saúde de um jeito mais completo. Este ano está sendo um marco na melhora da nossa saúde. Estamos mantendo o corpo ativo, cuidando da alimentação e respeitando os limites de cada uma.

    Acho que um dos segredos também é não se cobrar tanto. E tem uma coisa que faz muita diferença: se sentir bem consigo mesma. Se olhar com carinho, se aceitar, continuar se reconhecendo bonita, produtiva, sabe? Agora a gente sente que está pronta para mais 30 anos de Fat Family.”

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    “Seguir vivendo intensamente todos os dias, sempre com atenção ao ‘outro'”

    Arnaldo Ribeiro, 54, jornalista esportivo e escritor, comentarista no UOL, TV Cultura e Bandsports

    Envelhecer bem para mim é precisamente não pensar exatamente nisso . Seguir vivendo intensamente todos os dias, sempre com atenção ao ‘outro’. Cuidando do outro, você cuida de você. Cuidando da sua força mental, você cuida do seu físico também. Não é uma receita, mas é como me sinto — sobretudo depois de ter passado dos 50. Trabalho bastante, durmo bem (inclusive os cochilos preciosos de tarde), como bem e procuro sempre dar atenção e valor aos aspectos positivos da vida . Tem dado certo.

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