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O festival de Paraty pela tela

Em um ano tão esquisito quanto 2020, cheio de baldes de água fria e eventos cancelados (por uma justificativa inquestionável, que fique claro), é quase um presente de Natal ter uma edição da Flip em dezembro. A Festa Literária Internacional de Paraty tem edição excepcionalmente online (e gratuita) nesta semana. Aberta na quinta-feira (3) com a mesa que discute diásporas africanas e a participação de Bernardine Evaristo e Stephanie Borges, o festival segue com temas como florestas vivas, com Jonathan Safran Foer e Márcia Kambeba na sexta (4). No sábado (5) duas mesas chamam atenção: ancestralidades, com Chigozie Obioma e Itamar Vieira Junior, autor de “Torto Arado”, vencedor do Jabuti deste ano; e transições, com Caetano Veloso e Paul B. Preciado. No domingo, entre os destaques estão a mesa que reúne escritores que tratam temas relacionados ao racismo, com Regina Porter e Jeferson Tenório. A programação completa está no site da Flip, que também realiza sua edição sobre literatura infantil, a Flipinha. (Isabelle Moreira Lima)
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As bailarinas de Degas no Masp

Os pés e as mãos devidamente posicionados, o queixo levantado, um laço frouxo no cabelo — é assim que a jovem Marie van Goethem, filha de uma lavadeira e de um alfaiate, foi retratada por Edgar Degas (1834-1917) na icônica escultura “Bailarina de Catorze Anos” (1880). A peça é uma das centenas de obras do artista francês sobre o universo da Ópera de Paris e está na nova exposição do Masp dedicada a ele, junto a outras 72 esculturas de bronze, dois desenhos e uma pintura saídos da coleção do museu paulista. Da turma de Manet, Monet e Renoir, Degas encontrou suas maiores inspirações no ballet — não à toa, a mostra, em cartaz a partir de 4 de dezembro, encerra o ciclo de histórias da dança no Masp em 2020. A exposição traz também releituras fotográficas dos trabalhos do francês pela artista brasileira Sofia Borges e um catálogo com ensaios inéditos sobre as perspectivas sociopolíticas de sua arte. (Mariana Payno)
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O menino da Baleia e o direito à privacidade

Você lembra de um clipe em que um menino falava sobre seu amor pela praia da Baleia? Em 2012, um vídeo comemorando o Bar Mitzvah de um garoto viralizou na internet. A produção caseira, destinada apenas aos 400 convidados da festa, ganhou o Brasil e tornou a vida do aniversariante um inferno. No último episódio de “Além do Meme”, podcast do jornalista Chico Felitti que conta a história das pessoas por trás de memes brasileiros, o direito à privacidade é tema central. Felitti busca entender como um simples meme pode alterar a vida de toda uma família. Em uma investigação que durou cerca de seis meses, o podcast vai atrás de um dos memes mais populares da história da internet brasileira -- e se depara com uma busca de oito anos pelo anonimato de alguém que jamais quis ser famoso. (Daniel Vila Nova)
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Novas Frequências: X

No ano em que completa dez anos de existência, o festival de performance e música de vanguarda e experimental Novas Frequências se viu obrigado a se reinventar. Organizado pelo crítico e curador Chico Dub, e realizado anualmente no mês de dezembro no Rio de Janeiro, o Novas Frequências será realizado de forma 100% digital. O tema do ano, "X", faz referência ao número romano mas às ideias de ruptura, negação, pluralidade e feminino, ao homenagear Jocy de Oliveira, primeira mulher a ter uma ópera encenada no Theatro Municipal de São Paulo, e pioneira na música eletrônica e multimídia. Entre 1º e 13/12, o line-up do evento, que conta só com artistas brasileiros, mistura performances musicais, experimentos sonoros e mesas de conversa. (Guilherme Falcão)
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Reflexões sobre a língua entre Brasil e Portugal

Organismo vivo, uma língua carrega sempre ambiguidades, múltiplas manifestações e possibilidades de sentido — sobretudo em contextos pós-coloniais. É sobre essa ideia de fragmentação e polifonia da língua portuguesa que se constrói a exposição “Farsa. Língua, Fratura, Ficção: Brasil-Portugal”, em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo. Com trabalhos de mais de 50 artistas dos dois países e de diferentes gerações — entre eles Ana Hatherly, Ana Maria Maiolino, Grada Kilomba, Lygia Pape e Carla Filipe —, a mostra explora os usos inventivos, artísticos, poéticos e políticos da língua e da linguagem. A entrada é gratuita, mas a visita deve ser agendada pelo site do Sesc e segue os protocolos de segurança da pandemia. Quem não puder ir pode conferir a galeria virtual da exposição, com obras comentadas, depoimentos e entrevistas com artistas. (Mariana Payno)
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Ludmilla: a rainha da favela

O novo single de Ludmilla consagrou sua realeza não só nas comunidades, mas no universo da música como um todo: a carioca se tornou a primeira cantora negra da América Latina a alcançar mais de um bilhão de streams só no Spotify. No clipe de “Rainha da Favela”, ela presta homenagem a suas maiores inspirações no funk: Tati Quebra-Barraco, Valesca Popozuda, MC Kátia A Fiel e MC Carol de Niterói; na letra, pede respeito ao trabalhador negro. Na ocasião do lançamento, a artista, casada com a dançarina Brunna Gonçalves desde 2019 e dona da própria carreira, diz ao Uol Universa que é “representatividade por onde quer que passe” e que serve de inspiração e referência para os jovens das periferias, algo que lhe faltou no passado. Na entrevista, Ludmilla fala sobre vida profissional, religião, racismo, amor e até filhos — já que ela e a companheira planejam ser mães em breve. (Manuela Stelzer)
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Histórias de crimes reais

O podcast Modus Operandi é feito para quem não deixa passar uma investigação criminal misteriosa ou narrativa de serial killer sequer. Com dois episódios por semana, as apresentadoras Mabê e Carol Moreira revisitam crimes emblemáticos no Brasil e no mundo e trazem para os ouvintes, além das histórias detalhadas, materiais de referência para quem quer se aprofundar nos temas: séries documentais já realizadas, reportagens e livros, entrevistas com profissionais que investigaram ou produziram conteúdos relacionados aos casos. Entre as histórias brasileiras já remontadas pela dupla estão o assassinato de Isabella Nardoni; o Caso Evandro, que deu origem ao podcast homônimo do jornalista Ivan Mizanzuk; e a história do Vampiro de Niterói, o assassino em série Marcelo Costa. (Laura Capelhuchnik)