Como ajudar os filhos na escola? Veja 5 dicas — Gama Revista
Saudade da escola?
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Isabela Durão

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5 dicas

Como apoiar os filhos na escola?

Especialistas em psicologia e pedagogia dão dicas para pais, mães e responsáveis auxiliarem as crianças no universo escolar, em temas como bullying e tarefas de casa

Ana Elisa Faria 28 de Janeiro de 2024

Como apoiar os filhos na escola?

Ana Elisa Faria 28 de Janeiro de 2024
Isabela Durão

Especialistas em psicologia e pedagogia dão dicas para pais, mães e responsáveis auxiliarem as crianças no universo escolar, em temas como bullying e tarefas de casa

A volta às aulas é um momento repleto de expectativas e ansiedades — tanto para pais e mães quanto para os filhos. Seja na primeira ida à escola, no retorno para um novo ano letivo ou em uma mudança de ambiente escolar, a adaptação é um processo desafiador para todos.

Pensando nisso, Gama ouviu especialistas em educação que deram dicas para que pais e responsáveis consigam auxiliar as crianças em situações comuns relacionadas ao dia a dia estudantil, como bullying, as tarefas para fazer em casa e o compartilhamento de vivências.

  • 1

    Espere a hora certa para perguntar sobre a escola –
    Muitas vezes, na ânsia de querer saber em detalhes como foi o dia dos filhos, os pais mal esperam a criança atravessar o portão da escola para um bombardeio de questionamentos. Ana Laura Godinho Lima, professora de psicologia da educação na Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), recorre ao pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott para explicar que a criança passa por um período de transição, de assimilação entre estar na escola, voltar ao convívio familiar e chegar em casa. “É preciso um tempo para restabelecer um vínculo com os pais e com a família. A criança acabou de viver um conjunto de experiências novas e elaborá-las em pouco tempo é difícil”, destaca. Lima salienta que esse comportamento não é má vontade ou significa que o filho esteja escondendo algo do pai e da mãe, mas ocorre “porque, de fato, a criança ainda não conseguiu elaborar e transformar aquelas vivências num discurso verbal organizado que possa ser comunicado e faça sentido para os pais”. “Enfim, ela tem esse tempo e precisa ser respeitada”, afirma.

  • 2

    Não interrogue a criança! Converse, troque, desenhe –
    Estabelecida a relação familiar depois das horas passadas na escola, aceitando com sensibilidade o tempo do seu filho ou da sua filha, é hora de querer saber como foi o dia da cria ao lado de colegas e docentes. A dica aqui é não fazer perguntas com ares inquisitoriais, como: “O que você comeu hoje?”, “Gostou da professora?”, “Brigou com os amiguinhos?” e “O fulaninho sentou ao seu lado?”. Angela Carbonari, psicóloga da Escola Tarsila do Amaral, na zona norte da capital paulista, sugere perguntas para estimular o compartilhamento de experiências. “Em vez de questões genéricas, do tipo ‘O que você fez na escola?’, que pode ser muito ampla e a criança não sabe nem como responder, os pais podem abordar situações específicas, como pedir para o filho contar o que mais gostou na escola naquele dia ou se houve algo que o fez sorrir”, ensina. Isso ajuda a criar um ambiente favorável para a criança se expressar sem se sentir pressionada. Para Neide de Aquino Noffs, professora e doutora em educação, com especialização em psicopedagogia, que atua na pós-graduação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), perguntas e respostas não fazem tanto sentido para a maioria das crianças e, portanto, os pais devem incentivar descrições narrativas. “Não devemos perguntar o que a criança não gostou, mas o que ela mais gostou. E aí, por meio dessas narrativas, das descrições, os pais vão aprendendo e identificando algumas informações básicas sobre a escola“. Noffs reforça também que considera a alegria importante para o fortalecimento do processo educacional. “Por isso, é preferível que os pais conversem com os filhos num tom alegre, não num tom de tribunal, inquisidor.” Carbonari recomenda uma outra atividade para o momento de conversar com a criança sobre o dia na escola: desenhar. Uma ideia é propor à criança que faça um desenho sobre algo que ela fez na escola e, enquanto isso, o pai ou a mãe (ou os dois, se for possível) desenha sobre o dia no trabalho. “Na verdade, são formas de abrir um canal com a criança para que ela se sinta confortável para falar e vá num crescente. Então, hoje ela conta um pouquinho, talvez amanhã ela conte outro pouquinho. É um caminho”, resume.

  • 3

    Seja bom ouvinte do seu filho –
    Em algumas situações, ocorre justamente o contrário do que foi descrito na primeira dica, e a criança sai da escola falando sem parar, contando sobre algo que aconteceu e foi importante para ela. Nesse caso, respeite o momento de falatório, mesmo que desordenado, confuso, dê um tempo em qualquer outra atividade que esteja fazendo e escute o filhote com atenção, ativamente. Ser um bom ouvinte do filho é essencial para a construção de uma relação saudável e de confiança mútua. “Não adianta fazer as perguntas certas, se os pais não ouvem a resposta, se ficam no celular, se estão preocupados com uma tarefa doméstica, se não há aquele olho no olho com a criança”, observa a psicóloga escolar Angela Carbonari. A professora Ana Laura Godinho Lima enfatiza que se alguma coisa deixou a criança “muito tomada” e ela precisa falar daquilo imediatamente, nesse momento, na medida do possível, é bom que alguém a escute. “E é importante deixar que ela fale tudo antes de o adulto [pai, mãe ou responsável] começar a já querer resolver o problema. Basta escutar, escutar, escutar. Às vezes, acontece, por exemplo, de os pais estarem distraídos com seus próprios problemas, suas questões, fazendo qualquer demanda, e, num certo sentido, essa oportunidade é desperdiçada.” Segundo Lima, é fundamental ouvir a história inteira com paciência, entender os detalhes, sem “tentar resolvê-la imediatamente, já dando uma resposta ou entregando uma solução”.

  • 4

    Jamais faça a tarefa de casa pelo seu filho –
    Pais e mães devem apoiar os pequenos nas atividades de casa, oferecendo um ambiente propício e tranquilo para o momento de estudar, com o estabelecimento de um horário fixo diário para a realização das tarefas e auxiliando com dúvidas pontuais, mas nunca, em hipótese alguma, fazer o trabalho pelo filho. “Tudo o que os pais puderem fazer para propiciar uma experiência mais positiva com o estudo e a escola, melhor. Nesse sentido, é função dos pais assegurar que a criança tenha um lugar para fazer a lição, seja uma escrivaninha ou mesmo a mesa onde se fazem as refeições, desde que o espaço esteja organizado”, diz a professora da USP Ana Laura Godinho Lima. A psicóloga Angela Carbonari fala que é um apoio importante preparar um local adequado, sem barulho, longe “daquele turbilhão doméstico de televisão ligada e do irmãozinho correndo para todos os lados”. Ela conta ainda que a hora da tarefa pode acabar se tornando um momento afetivo entre pais e filhos, e ressalta que não há nenhum problema de os genitores falarem que não se lembram de certas questões e recomendarem que o rebento sane a dúvida com o professor, no dia seguinte. “Acho que esse é um exemplo para a criança perceber que ninguém sabe de tudo o tempo inteiro, mas que é importante buscar, pesquisar”, comenta. Uma outra estratégia válida nesse tema, de acordo com as especialistas, é assistir a vídeos no YouTube — de canais educativos confiáveis, claro — com os filhos para, juntos, descobrirem algumas respostas. Não a resposta que conclui um exercício, por exemplo, mas uma explicação que ajude a chegar na solução de um problema. Ana Laura Godinho Lima frisa que é uma atitude comportamental inteligente perguntar e pedir ajuda. “Faz parte das nossas estratégias consultar alguém que saiba mais. Assim, não deveríamos inibir isso nas crianças dizendo: ‘Você tem que se virar sozinho’. Se a criança está elaborando uma redação e não sabe como se escreve tal palavra. Eu não vejo o menor problema em ensiná-la a escrever a palavra. É um jeito de apoiar a criança sem impedi-la de realizar a tarefa”, finaliza.

  • 5

    Atente-se aos possíveis sinais de bullying –
    Normalmente, em casa, a criança vítima de bullying dá indícios de sofrimento. Conforme aponta Ana Laura Godinho Lima, os pais devem atentar-se aos sinais, como ficar triste por dias, não querer mais ir à escola, uma irritabilidade excessiva, passar a ter dificuldade para dormir, acordar no meio da noite com pesadelos recorrentes e ter falta de apetite. A professora da USP, no entanto, faz um alerta, dizendo que tudo depende de um contexto mais amplo e de comportamentos prévios da criança, que pode sentir tristeza por estar com dificuldades de aprendizagem ou não ter fome por outros motivos. Dessa forma, é preciso analisar o todo, com serenidade e diálogo. Mas, se essas manifestações forem contínuas, um papo com a escola é interessante. Uma conversa com o filho para tentar entender o que está acontecendo é bem-vinda também. “Acho que, sobretudo, acompanhar o bem-estar da criança é importante“, comenta. “Porque uma série de coisas relacionadas ao ambiente escolar podem causar preocupação nas crianças. Coisas que para nós, adultos, não seriam importantes.” Angela Carbonari concorda que a solução é uma observação diária. “É vital entender a individualidade de cada criança, pois nem todas expressam seus sentimentos da mesma maneira. Então, a escola tem que estar atenta e a família também.”