Será que é amor?

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Bloco de notas

Livros sobre relacionamentos que chegaram ao fim

Menos frequentes que os romances sobre o início de relações amorosas, estas obras refletem sobre as razões que levam ao rompimento e o que resta após o término

Livros sobre relacionamentos que chegaram ao fim

Leonardo Neiva 14 de Setembro de 2025

Menos frequentes que os romances sobre o início de relações amorosas, estas obras refletem sobre as razões que levam ao rompimento e o que resta após o término

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    Poucos autores poderiam abrir tão bem esta lista quanto a italiana Elena Ferrante. Assim como na Tetralogia Napolitana e em “A Filha Perdida” (Intrínseca, 2016), conflitos familiares e internos tomam a frente no romance “Dias de Abandono” (Biblioteca Azul, 2016). Desta vez, trata-se da história de Olga, uma mulher traída e deixada pelo marido após uma relação de 15 anos com altos e baixos, mas sem indícios claros de rompimento. A escritora intercala entre o passado turbulento do casal e o presente desolado vivido pela protagonista, que precisa cuidar de dois filhos enquanto lida com a raiva pelas mentiras do marido e as urgências do amor. A questão é como encontrar novos sentidos frente à realidade desconhecida do futuro e ao vazio deixado pelo fim da relação.

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    A história de “Agora Veja Então” (Alfaguara, 2021) tem um início inevitavelmente clichê: o marido deixa a esposa por uma mulher mais jovem. Mas o romance de Jamaica Kincaid, escritora antiguana radicada nos Estados Unidos, está menos interessado na superfície do que naquilo que se esconde sob o verniz de um casamento perfeito. Antes do fim, o sr. e a sra. Sweet pareciam viver num estado de profunda felicidade, com o marido compondo em seu estúdio, a esposa escrevendo na cozinha e os filhos correndo dias inteiros pela casa que um dia havia pertencido à escritora Shirley Jackson. Explorando o fluxo de consciência de diversos personagens, a autora mostra como o tempo pode afetar uma relação e descortina os vários ângulos de uma realidade familiar que é tudo menos simples e direta.

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    Geralmente associados às mulheres e vistos com uma certa desconfiança e preconceito, os diários pessoais podem ser também uma porta que se abre para os pensamentos íntimos, os amores e a obra de grandes escritoras. Foi com essa premissa em mente que a jornalista, professora de literatura e escritora Ingrid Fagundez se lançou ao projeto que deu origem a seu primeiro livro, “Diário do Fim do Amor” (Fósforo, 2025). Num texto que mescla uma profunda pesquisa histórica a trechos de diários de autoras como Sylvia Plath, Susan Sontag, Virginia Woolf e até da própria Fagundez, ela nos convida a repensar o lugar desse gênero literário e da escrita sobre amor na arte, oferecendo uma nova perspectiva sobre a chamada literatura feminina.

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    Um relacionamento é capaz de resistir aos segredos mais obscuros de cada membro do casal? Em “Segredos” (Todavia, 2020), do italiano Domenico Starnone, a resposta é um retumbante não. Ao menos é o que demonstra o exemplo dos protagonistas: o professor de uma escola na periferia de Roma e uma ex-aluna brilhante, e dez anos mais nova. A partir dos anos 1970, quando o romance se dissolve de forma abrupta, passamos a acompanhar a vida e a carreira em ascensão de ambos, num estudo devastador sobre o que é dito e o que é silenciado numa relação, assim como a face que decidimos mostrar ao mundo — e também aquela que preferimos ocultar.

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    Após o divórcio, a narradora do romance “Uma Separação” (Companhia das Letras, 2021) é confrontada com um pedido inusitado do ex-marido: o de manter a decisão em segredo. Mas a história da escritora norte-americana Katie Kitamuraveja entrevista dela para Gama —, que entrou para a lista de melhores do ano de Barack Obama, ainda vai dar muitas outras curvas insólitas pelo caminho. Coisas como o misterioso desaparecimento do ex, uma viagem desoladora a uma ilha grega, o contato desconfortável com familiares desavisados sobre a separação e a busca intensa por alguém que a protagonista nem sabe se ainda quer encontrar.

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    Um dos maiores clássicos do escritor britânico Graham Greene, “Fim de Caso” (Biblioteca Azul, 2024) já diz a que veio desde o título. O romance narra o desenlace da relação extraconjugal intensa e conflitante que o escritor Maurice vive com Sarah. Acreditando-se finalmente livre do relacionamento, que o levava a questionar seu talento, crenças e valores morais, um encontro casual com o marido da ex-amante traz à tona sentimentos então adormecidos: a paixão, os ciúmes e a insegurança. Um estudo instigante sobre as contradições humanas, o livro segue atual mais de 70 anos após a publicação original, e conta ainda com uma adaptação para o cinema, com Ralph Fiennes e Julianne Moore nos papéis principais.

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    Para seguir na mesma toada, por que não outra obra sobre o fim de uma relação extraconjugal? A diferença é que “O Meu Amante de Domingo”, da jornalista e escritora portuguesa Alexandra Lucas Coelho, é também uma história de vingança — leia um trecho do livro aqui. Sim, porque a protagonista, uma mulher de 50 anos abandonada por um ex-amante, a quem chama simplesmente de caubói, planeja responder de forma sangrenta ao abandono que sofreu. Aqui, a autora chama a atenção desde as primeiras frases tanto pela originalidade e humor de suas descrições quanto pelo caráter psicológico singular da protagonista, às voltas com a revisão de uma edição portuguesa da biografia de Nelson Rodrigues e que logo passa a viver novas e tórridas aventuras sexuais.

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    Tudo parecia ir bem na relação entre um jovem dentista e uma aluna de cinema quando a garota finalmente consegue arrastá-lo para uma sonhada viagem a Havana, após concluir a faculdade. Mas, em “Nunca Vai Embora” (Companhia das Letras, 2011), o que prometia ser uma temporada caliente se traduz numa série de desencontros — e termina no maior de todos: um desaparecimento sem explicações. No vertiginoso livro do escritor, tradutor e roteirista Chico Mattoso, um jovem busca não apenas o paradeiro da namorada, mas também o amor, o sexo e algum sentido para um mundo incontrolável. Um retrato da paixão obsessiva em meio a um país que vive eternamente à deriva entre a nostalgia e a esperança.

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    “Copo Vazio” (Todavia, 2021), da escritora e psiquiatra Natalia Timerman, ecoa com um twist contemporâneo as dimensões trágicas que permeiam a literatura a respeito de mulheres abandonadas — leia aqui um trecho do livro. A personagem principal, uma mulher inteligente e bem-sucedida, é vítima de ghosting: a tendência de cortar todo e qualquer tipo de contato numa relação, que se popularizou nas redes sociais. Até então profundamente envolvida no relacionamento, ela precisa lidar com as próprias vulnerabilidades. O romance mergulha sem constrangimento no sofrimento da protagonista, uma figura solitária mesmo cercada de família e amigos, que reflete a dor ancestral do abandono sofrida por tantas mulheres ao longo da história e da literatura.

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    Em seu romance de estreia, a autora norte-americana Torrey Peters envereda por uma narrativa ainda pouco comum na literatura. “Destransição, Baby” (Tordesilhas, 2021) — leia um trecho aqui — tem como foco a relação entre Reese e Amy, que acaba desmoronando de uma hora para outra quando a segunda decide destransicionar de gênero. A separação joga ambos num ciclo infeliz e autodestrutivo, mas que pode ter um final diferente a partir de uma notícia inesperada. Sem oferecer respostas ou saídas fáceis para as complexas questões que aborda, a obra convida o leitor a uma reflexão mais profunda sobre gênero, desejo, relacionamentos e parentalidade.

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