Como vai sua vida sexual?
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Cultura

Leia trechos apimentados de livros recentes

Das aventuras de uma jovem nos EUA de 1970 a ensaios quentes de Camila Sosa Villada, veja obras que retratam as muitas formas da sexualidade

Leonardo Neiva 02 de Agosto de 2026

Leia trechos apimentados de livros recentes

Leonardo Neiva 02 de Agosto de 2026

Das aventuras de uma jovem nos EUA de 1970 a ensaios quentes de Camila Sosa Villada, veja obras que retratam as muitas formas da sexualidade

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    “Foto no Privado” (Ercolano, 2026, trad. Alexandre Rabelo), de Simon Chevrier

    Vencedor do Prêmio Goncourt de Primeiro Romance em 2025, o livro retrata o cotidiano de um jovem que trabalha como garoto de programa para pagar as contas

    Louis e eu, deitados. O pau dele é grande, o prepúcio é um pouco apertado. Não chupo. Não chupo, mas não sei muito bem o porquê. Eu pego. Pego, mas por alguns minutos apenas, sua próstata baba um pouco. Eu gozo, mas ele não. Ele demora muito pra gozar, muito mesmo. Digo que gosto do cheiro dele e ele me elogia falando da forma do meu pau, nunca viu um tão bonito. Ele não tem muita experiência com homens, o primeiro não faz muito tempo. Ele tinha ficado com uma menina antes. Achava que a amava, achava que fosse dar certo. Sempre se sentiu atraído por garotos e chegou a ter algumas experiências no fim da puberdade. Acreditava que podia ser bi. Pensava que poderia amar uma mulher, ter filhos com ela, entrar na linha. Demorou para entender que não era necessário ser pai para ser homem.

    Com as janelas abertas e o ventilador ligado, o ar circula. Louis encaixa a mão atrás da minha cabeça e a minha desliza sobre o corpo dele, desenhando pequenos círculos, no sentido dos ponteiros do relógio. Sobre a mesa de cabeceira, o tubo de lubrificante está meio aberto. O despertador indica que estamos ali há algum tempo. Penso nas horas que antecederam aquele momento, na impaciência que senti para estar junto dele outra vez. Aos pés da cama, nossas roupas estão espalhadas. Na mesa da sala, dois copos de suco quase intocados. No chão, meus tênis surrados e descosturados nas laterais.

    *

    Ao acordar, meu primeiro pensamento é em Louis. Penso nele tomando o café que preparei, ou ainda tomando banho, com músicas dos Bee Gees ao fundo. Quando fecho o chuveiro, cruzo com meu reflexo no espelho e acho que estou diferente, como se tivesse uma leveza no meu rosto. Enquanto me seco, penso na melhor forma de sugerir que a gente se veja de novo. Fico pensando se é melhor esperar o fim do dia ou ser direto, simplificar as coisas. Com a decisão tomada, pego o celular para escrever pra ele e vejo uma mensagem não lida. O nome dele aparece.

    — Muito calor?

    — Demais!

    — Eu te faria de novo.

    — Eu também!

    — Vamos de novo amanhã? No fim da tarde?

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    “Histórias de uma Garota Malcomportada” (Fósforo, 2025, trad. Nina Rizzi), de Nettie Jones

    Publicado em 1984 nos EUA por Toni Morrison, o livro de estreia de Jones escandalizou leitores da época ao narrar as aventuras sexuais de uma jovem negra nos anos 1970

    Caminhei bem devagar até minha cama e para eles, imaginando o que faria em seguida. Ciarra era a diretora esta noite.

    “Lewis, fuma um pouquinho comigo e meu amigo Guy. É tão gostoso”, ela disse enquanto puxava as cobertas para mim. “Guy”, ela ordenou com muita preguiça, “pega minha caixa ali no chão.”

    Era uma caixa antiga de chapéu de palha que Sage encontrou no depósito de Thee em uma ou outra de suas casas. Era de um azul e amarelo desbotados. A caixa de chapéu de Thee se tornou a caixa dos sonhos de Ciarra. Lá dentro tinha um pot-pourri de drogas e afins. Palitos tailandeses, haxixe, oxicodona, diazepam, quaalude, dexedrine, pedra de cocaína e o vidro preto que ela precisava.

    Ciarra parecia uma boneca oriental. Boneca vietnamita, ela dizia. A única coisa que de fato a perturbava era quando alguém pensava que ela era japonesa. Ela odiava os japoneses.

    “O melhor para a melhor”, ela sussurrou. Quando falava inglês, sempre parecia como se estivesse dando ordens. Calma e com muita cautela, puxou o ópio para o topo da pilha. Desembrulhando o papel-alumínio que o cobria, raspou alguns pedacinhos. Então levantou uma pequena bandeja coberta com alumínio e entregou a Guy. Assim que encontrou seu isqueiro de ébano, acendeu o ópio, esquentou até soltar fumaça e aí passou para mim.

    “Depressa. Não desperdiça. Vem com a gente”, convidou, descendo lentamente de volta para os meus travesseiros.

    Enquanto eu inalava aquela fumaça densa com cheiro de lavanda, me concentrei em nossa plateia. Um homem de trinta e quatro anos nunca tocado por uma mulher está ali em cima assistindo, pensei. Talvez ele se junte a nós desta vez. Ciarra já tinha tentado seduzi-lo. Eu nunca. Me abaixando até o chão, coloquei a pequena bandeja coberta de papel-alumínio no carpete. Será que parecemos tão irreais para ele quanto ele parece para mim?, pensei.

    “E se a gente deixasse ele escolher entre comer e assistir?”, sussurrei para eles.

    “Vamos deixá-lo comer primeiro. Aí nunca precisaremos saber se ele prefere a gente ou só ficar vendo. Seria meio humilhante ele mastigando aqui no meio da nossa brincadeira”, Ciarra cochichou de volta.

    “É, poderia me causar uns problemas técnicos”, Guy acrescentou calmamente.

    Sage tirou as cobertas de cima de nós quando desceu da escada para colocar a bandeja vazia no chão. Enquanto subia de volta, ele parecia um espectador de teatro atrasado. Aqueles que a gente vê tentando chegar ao assento depois que a cortina já subiu. Ciarra começou abrindo um pouco as pernas. Depois começou a se tocar devagarinho, olhando para Sage o tempo todo. Ela se acariciou; todos nós assistimos. Sage nos observava. Nós o observamos. A boca dele estava só um pouquinho aberta. Ele estava com as mãos cruzadas no peito. Sage não iria arriscar tocar nela. Ele era muito feminino para exibicionismo.

    “Se tem uma coisa que eu tenho certeza que sou…”, Ciarra disse, ronronando, “é que sou s-e-x-y. Eu sou muito sexy.” Ela estava massageando sua fenda, puxando seus pelos pubianos, deslizando o dedo para dentro e para fora, para cima e para baixo.

    Guy se esforçava para não improvisar. Eu me abri e comecei a segui-la. E então Guy me seguiu também. Eu observei Sage, todos nós observamos. Eu me senti leve e bastante sensual, para variar. Exibições geralmente me entediavam. Ciarra se virou e começou a beijar Guy. E ele começou a me beijar. De repente todo mundo estava se beijando do pescoço para cima. O cabelo dela, grosso e oriental, parecia pesado. Ela começou a gemer enquanto me beijava. Guy estava perdido nas pequenas coxas oliva dela. Pelos sons de sucção e da língua dela rígida em mim, posso dizer que estava gozando. Descansou só o tempo de chegar até mim e nos levou para a próxima cena, sua porta dos fundos e a minha da frente. Eu me deitei e observei os outros três. De vez em quando eu me acariciava. Ela soltou um “aaai” alto. Fiquei em silêncio. Eu sempre ficava em silêncio nesses shows.

    Quando acordei, restava apenas o cheiro de ópio e a luz do sol no meu quarto. Eu ouvia o som do koto vindo do quarto de Sage.

    Me levantei, peguei meu robe e fui até o quarto de Ciarra. Ela estava deitada numa esteira de palha em um canto, enrolada em um edredom amarelo de plumas. Ciarra era pintora. Seu quarto também era seu estúdio. Prateleiras de materiais de pintura cobriam as paredes e uma lona cobria o piso de madeira. Logo abaixo da claraboia, ela colocou o cavalete. A obra no cavalete naquele momento começava a ganhar a forma de uma orquídea. É o que parecia pelo miolo da flor, por onde ela começou.

    “O que algumas pessoas vestem, algumas usam, algumas abusam e algumas querem?”, ela disse, tentando fazer uma charada quando quis que confirmasse o que eu tinha imaginado.

    “É uma…”, eu disse fingindo ficar envergonhada.

    “Isso mesmo”, ela disse, piscando para mim.

    Fui até a esteira e dei um beijo na nuca dela. “Senhorita Saigon, sabe de uma coisa? Você é muito sexy. Cadê seu amigo?”

    “Você não tá ouvindo a música? Ele tá com a música”, ela disse suavemente, moldando a bunda na minha barriga. “Você e eu? Caímos no sono. Eles não”, ela disse, dando várias e longas lambidas no meu rosto.

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    “É Quase Como Voltar Pra Casa” (Companhia das Letras, reedição 2026), de Janaina Abílio

    Durante uma sessão de sexo intenso, a protagonista deste primeiro romance de Abílio se vê frente a dois fantasmas: o da namorada morta e o do pai desaparecido

    ninguém sabe o que tá fazendo
    é o que gosto de pensar quando eu mesma não sei
    meu salvo-conduto
    segundos antes de mandar Wilson vir aqui em casa mais uma vez

    na verdade, enquanto chupo o pau de Wilson
    quase sei o que estou fazendo
    quase esqueço Elaine também

    Wilson é belo
    aquele corpo construído com disciplina nas folgas da escala
    12 × 36 no serviço de segurança
    na academia baixa renda, sem ar-condicionado, aquelas anilhas
    meio enferrujadas
    e homens se inebriando com os feromônios uns dos outros
    gominhos na barriga
    aquela marca que sai do ilíaco delineando a virilha
    desembocando num pau lindíssimo e enorme
    Wilson é um homem preto
    um tiquinho mais claro que meu pai

    nunca gostei muito de paus
    mas o de Wilson é muito bonito
    não me pergunte como isso é possível
    é claro que nunca imaginei que diria isso um dia

    eu gosto de colocar aquela cabeçona bem no fundo
    quero que Wilson suma
    suma completamente
    e é irônico que ele goze tão rápido
    aquela ideia que eu insisto em não corroborar
    mas enfim
    o que é bom dura
    dura pouco

    Wilson não é nem muito inteligente
    nem tão estúpido a um ponto insuportável
    é certamente um pequeno homem de muitos traumas
    distribuídos em um metro e noventa
    sempre me pede permissão para beber água depois de gozar
    é dócil
    e facilmente invisível

    na primeira vez que ele gozou na minha boca
    um jato que bateu nas amígdalas que já não tenho
    aquela cena horrorosa, o engasgo, a tosse
    eu devolvi-lhe o esporro
    que aquilo era violento, que ele não tinha o direito
    o direito de gozar assim, não, não tinha
    era preciso colocá-lo de volta no lugar que escolheu

    ele nem sequer suportaria se sentir com algum tipo de poder
    mas a porra de Wilson forçando a minha garganta
    desceu tão reconfortante
    uma paz que invadiu o meu estômago
    aquela falta de controle escorregadia
    de repente me encheu de paz
    como se o vento de um tufão
    arrancasse
    o que já nem pode ser enterrado mais

    ninguém sabe o que tá fazendo mesmo

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    “A Traição da Minha Língua” (Fósforo, 2026, trad. Silvia Massimini Felix), de Camila Sosa Villada

    Um ensaio em fragmentos curtos, a obra da escritora argentina mergulha na arte do que não se diz, abordando de lembranças de família a uma sexualidade vibrante

    Com frequência, vejo meus amantes lavarem a vida, para tirá-la de cima de si.

    A vida que acabamos de fazer na cama ou na bancada da cozinha, uma vida de quadris bem azeitados e investidas furiosas, em que nunca está claro o que é o bem e o que é o mal.

    Constroem castelos de cartas para se protegerem da sujeira do sexo. Amantes que correm para se lavar imediatamente depois de gozar.

    Desconectam-se dessa matriz da qual nos alimentamos com avidez, apagam o fogo com um gesto preciso. Afastam-se de si mesmos atrás de um véu de boas maneiras, protocolos e repressões.

    Amantes que fogem ou agridem. Amantes que recolhem suas roupas, se vestem e se retiram. Há amantes que não dizem uma única palavra. Nenhuma palavra! Eles não sabem dizer o que é preciso para saciar minha fome.

    Sou dona de um harém onde dançam homens melancólicos, devastados, homens que carregam nos braços o cadáver do menino que foram. Meu harém não se parece com a plenitude, mas com um campo de extermínio.

    Só resta o óleo do meu perfume e a promessa de que você e eu, não hoje nem amanhã, mas nesta vida ou noutra, voltaremos à rua onde não temos nome. E vamos trepar debaixo de uma árvore com a boca cheia de espuma.

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    “Homens Apaixonados” (Rocco, 2026, trad. Tiago Lyra), de Irvine Welsh

    No novo romance da série “Trainspotting”, Welsh retrata as experiências sobre o amor e o sexo de uma geração que busca finalmente assumir as rédeas do mundo

    No metrô, Monique explica que o clube costuma mudar de lugar. No momento, ele fica em uma parte sem graça da cidade, o conjunto habitacional Bijlmer. Quando chegamos perto, vindo da estação local e sob uma chuva fina, o bloco para onde estamos indo não tem nada de especial.

    Por dentro, porém, uma cena ao mesmo tempo maluca e estranhamente banal se desenrola. Uma música ambiente suave toca enquanto somos recebidos por um casal vestido com roupas fetichistas pretas. O cara é barbudo e bastante gordo. A mulher, com um sorriso malicioso, tem cabelos longos, brilhantes e escuros. Parecem mais góticos do que tarados. A pedido da Monique, tiramos as roupas no saguão e deixamos em cima de um banco comprido. As roupas empilhadas indicam que já tem outras pessoas ali. Monique se despe bruscamente, ficando só de meia arrastão com elástico na cintura. Eu faço o mesmo, tentando evitar olhar meus pentelhos ruivos enquanto fico pelado.

    Quando entramos na sala mal iluminada, meus pés afundam no tapete de borracha de academia que cobre o chão. Há vários pufes, alguns sofás e colchões. Para minha surpresa, tem uma coruja fora da gaiola, em cima de um poleiro, girando a cabeça enquanto observa tudo que acontece. Oito pessoas estão presentes, incluindo o casal que deixou a gente entrar, que vem logo depois e tira o figurino. Os peitos da gótica ficam à mostra enquanto ela cantarola uma música e tira a calcinha. Todos os outros já estão nus ou, no caso de algumas garotas, usando uma ou outra peça de lingerie. Um dos homens ali é o Ralf. Ele me cumprimenta com um aceno lento e malicioso, que eu retribuo, mesmo com o estômago revirado e o coração acelerado.

    Eu achava que não ia conseguir ficar excitado num ambiente assim. Meu coração bate forte antecipando a humilhação social, e estou surpreso de verdade ao perceber que estou excitadíssimo. Parte dessa confiança vem do prazer de ver que o pau do Ralf parece menor que o meu. Ele tá beijando uma garota de cabelo preto curto, peitinhos pequenos, mas com uns mamilos enormes, que são bastante atraentes. Estou ficando descontrolado. Eu não queria compartilhar Monique com ninguém, mas esse impulso foi atropelado por um desejo ardente de transar com praticamente todas as garotas do lugar. Monique tinha explicado que em geral você começa com o seu parceiro e só depois se envolve com alguém com quem primeiro troca olhares e recebe um sinal de pode vir.

    Então, enquanto eu beijo ela, reparo numa loira que está me encarando. Mais uma vez, fico um pouco constrangido por causa dos meus pentelhos ruivos. Eles parecem muito mais vermelhos do que o meu cabelo, e são bem encaracolados. Pensei em raspar, mas Monique me dissuadiu. Quando a gente para de se beijar, cruzo o olhar com a garota dourada e ela sorri. Monique faz um aceno encorajador, e a guria se aproxima. Deixo ela pegar minha mão e me levar até uma pilha de pufes bege. Ela não é nem de longe tão bonita quanto Monique, mas tem um carisma peculiar, sexy, com um maxilar forte e masculino, o que devo admitir que me deixa um pouco apreensivo, até que percebo sua boceta raspada, e aí vira um tesão gigante. A sensação me lembra o medo que senti quando eu era criança e fui pela primeira vez na piscina pública Victoria com meu pai e meu irmão mais velho, Billy. Mas, depois de mergulhar na parte funda, isso passa. Apesar das declarações de Monique, não parece haver muita sensualidade aqui. A gente literalmente passa por cima de um casal trepando de forma agressiva; um sujeito enorme, musculoso, fode com força uma garota magra, que guincha como um brinquedo a cada estocada. Olho de relance para a coruja, os olhos grandes em sua cabeça giratória observando os diferentes casais se acariciando e copulando, enquanto a garota de queixo forte e eu nos jogamos nos pufes e começamos a nos beijar. Logo eu estou entre as pernas dela, chupando sua boceta. É ótimo esse negócio de boceta raspada que as gurias estão curtindo agora, e eu lambo que nem um gato louco enquanto olho praquele queixo afiado e angular…

    Depois que ela goza, num orgasmo tão atlético que parece uma dança minimalista controlada, os olhos bem fechados de prazer, ela começa a brincar com meu pau. No começo, acho que ela vai tirar um sarro, mas ela diz:

    — Você tem um pau bonito. Tem um formato bom. Me fode com ele. — E ela me entrega uma camisinha das várias que estão espalhadas numa mesa de centro grande.

    São praticamente as únicas palavras que ouvi alguém dizer a noite inteira! Olho pro lado e vejo Monique sendo comida por trás pelo Ralf em uma chaise longue. Atendo ao pedido da minha parceira de queixo prismático, coloco a camisinha e meto nela com a excitação de um ladrão arrombador meio que antecipando a mão do policial ou do dono da casa no meu ombro. Quando tento beijar, ela vira o rosto e diz:

    — Não, só me fode… Eu só beijo o Jens… — E aponta pro fisiculturista, que ainda tá metendo na mulher que guincha.

    Eu obedeço, mas logo tiro e viro ela de costas, pra meter nela de novo por trás. Se não posso babar nos dentes de uma guria, especialmente uma com um queixo tão excitante, quero ver a carne das nádegas firmes levando à cintura fina, se espalhando por costas fortes e ondulantes, fluindo até o pescoço elegante… Fico muito excitado.

    Enquanto fodo, continuo olhando pra coruja. A gótica, agora nua, está do lado do poleiro, acariciando com delicadeza a cabeça da ave, sob a supervisão do cara barbudo e nu, com a barriga distendida, que toca de leve nos mamilos dela… Estou metendo num ritmo constante enquanto ouço os espasmos na forma de guinchos curtinhos, mas eles podem vir da guria ao lado que ainda está sendo comida pelo namorado musculoso da mulher da mandíbula…

    O corpo da minha parceira se arqueia, desaba e ela cai no pufe, virando a cabeça e expondo aquela mandíbula que teria apavorado até o Roy Scheider, provocando uma explosão de gritos enquanto eu gozo bem lá no fundo…

    UM, DOIS, TRÊS… VAMO MOSTRAR PRA VOCÊS… SOMOS OS DOIDOS DA GANGUE DE LEITH… AHHH… FILHA DA PUTA…

    Eu despejo um balde de porra na camisinha que envolve o meu pau dentro dessa desconhecida do maxilar bestial… Pensamentos vêm num lampejo e me levam até Eddie Reece e o Marksman Bar na Duke Street, me causando um leve arrepio.

    Imagino que Sick Boy tenha aprendido mais com Eddie do que eu. O que será que ele anda fazendo agora?

Colaborou Mariana Pontes

Um assunto a cada sete dias