Reprodução/Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos

Camiseta Pitombeira

Usada pelo personagem de Wagner Moura e impulsionada pelo sucesso de “O Agente Secreto”, a peça tem visual retrô e já garante o orçamento de dois carnavais da agremiação de Olinda

Sarah Kelly 22 de Janeiro de 2026
Divulgação/O Agente Secreto
  • O QUE É

    Uma camiseta amarela confeccionada em malha, com estampa preta do escudo da Troça Carnavalesca Mista Pitombeira dos Quatro Cantos, agremiação carnavalesca de Olinda, em Pernambuco, e em tamanhos que vão do PP ao GG. Originalmente criada para o Carnaval de 1978, um ano depois do período em que se passa o filme (erro de continuismo?), a peça foi reeditada em 2020 e virou febre depois de vestir Marcelo, personagem de Wagner Moura, em duas cenas de “O Agente Secreto” (2025). Ambientado em cenários icônicos do Recife de 1977, o filme vai além das bilheterias ao conquistar visibilidade internacional — com dois Globos de Ouro e outros 47 prêmios em festivais no Brasil e pelo mundo —, o que também impulsiona as vendas da vestimenta da agremiação. Os estoques da camiseta Pitombeira chegaram a se esgotar e já garantem recursos para os próximos dois carnavais da troça de Olinda. Diante da alta demanda, a Pitombeira decidiu manter a produção controlada e reorganizar os planos para o Carnaval: o desfile de 2026 será inteiramente dedicado a “O Agente Secreto”. A agremiação já tinha outro tema definido, mas optou por adiar o projeto para aproveitar o momento e não deixar passar em branco a conexão com o cinema. A repercussão é tanta que até o presidente Lula já tem uma camiseta para chamar de sua, presente de Maria das Graças, presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc).

  • QUEM FEZ

    Desde 2023 reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco, a Pitombeira dos Quatro Cantos nasceu em 1947, quando um grupo de amigos resolveu sair pelas ruas de Olinda batucando em latas e pandeiros e cantando durante o Carnaval. A ideia surgiu em um bar no cruzamento dos Quatro Cantos, um dos locais mais célebres de Olinda. No cortejo, os galhos de uma pitombeira próxima viraram adereço improvisado, dando nome à troça, oficializada no ano seguinte. Foi no fim dos anos 1970, período considerado o auge da Pitombeira, que a camiseta se consolidou como símbolo — em 1978, sua venda ajudou a financiar desfiles mais elaborados e acompanhou o crescimento do Carnaval de rua em Olinda. O modelo original era branco, trazia o nome da Pitombeira e o ano de 1978 estampados em preto, além do escudo pintado de amarelo. Décadas depois, em 2020, a peça foi reeditada pela primeira vez, agora restrita ao amarelo e preto, cores tradicionais do bloco. Segundo o presidente da troça, Hermes Neto, a decisão levou em conta não só o visual, mas também razões afetivas, ligadas à memória de seu pai, ex-presidente da Pitombeira, que costumava vestir a camisa original. Esse último desenho acabou servindo de referência para o figurino de “O Agente Secreto”, que suprimiu o ano da peça, já que o filme se passa em 1977.

  • POR QUE É TÃO DESEJADA

    Porque une a nostalgia dos anos 70 e a energia da folia ao orgulho do cinema nacional do momento. Sem falar que ela lembra o carisma de Wagner Moura — quem não deseja ter o molho do baiano? —, com cultura, estilo e autenticidade. No longa de Kleber Mendonça Filho, a camiseta aparece em cenas que ajudam a situar a narrativa no Recife dos anos 1970, exaltando símbolos e tradições pernambucanas. Filmado em locações da capital, o longa incorpora essas referências à sua construção estética e política e atrai quem se identifica com a história e os símbolos locais.

  • VALE?

    Se você quer apoiar a cultura popular e curte um estilo retrô, sim. Cerca de 40% dos recursos do clube vêm da venda de artigos, então “cada camisa vendida ajuda a manter a tradição viva”, como anuncia um vídeo divulgado pela própria Pitombeira. A peça, que perdura há cinco décadas, funciona tanto no uso casual quanto para acompanhar um cortejo — os próximos da Pitombeira estão marcados para 16 e 17 de fevereiro, no Carnaval de Olinda. É também uma boa opção de look para acompanhar o Oscar, que será transmitido em um Funfest promovido pela Pitombeira, com direito a frevo e muita celebração pelo longa de Mendonça Filho. Vale também consumir outros produtos dos carnavalescos: “Eu queria que esse reconhecimento, como o que o filme nos trouxe, abraçasse todas as agremiações. Para mostrar como somos importantes na cultura popular brasileira”, disse o presidente da troça, Hermes Neto.

  • ONDE COMPRAR?

    Atualmente, a camiseta tem fila de espera, com pedidos vindos de todo o Brasil. Um novo lote está prometido para esta quinta-feira (22). Por R$ 60, é possível comprá-la no site oficial da Pitombeira ou no site do Espaço de Cultura Popular. Para quem é de Olinda e prefere evitar o frete, a peça também está à venda na sede da Pitombeira e no Espaço de Cultura Popular, no Shopping Patteo Olinda (piso L2). Outra opção é a versão oversized da camiseta, que custa R$ 182 e é vendida no site da loja colaborativa A Mulher do Padre.

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