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Bloco de notas

Agremiações pernambucanas para conhecer

Além da Pitombeira, que ganhou destaque com o filme “O Agente Secreto”, descubra blocos históricos, troças irreverentes e manifestações culturais que explicam a pluralidade da folia em Recife e Olinda

Agremiações pernambucanas para conhecer

15 de Fevereiro de 2026
Reprodução/Instagram @homemdameianoiteoficial

Além da Pitombeira, que ganhou destaque com o filme “O Agente Secreto”, descubra blocos históricos, troças irreverentes e manifestações culturais que explicam a pluralidade da folia em Recife e Olinda

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    Reprodução/Instagram @galodamadrugada

    Você conhece o maior bloco carnavalesco do mundo? O Galo da Madrugada entrou para o livro de recordes em 1984 e vale um lugar na lista de folias para experimentar antes de morrer. Foi fundado em 1978, quando 75 foliões fantasiados de almas penadas saíram pelas ruas do bairro de São José, no centro do Recife, ainda ao amanhecer. Carregando sacos de confete e serpentina e acompanhados por uma orquestra de frevo com 22 músicos, eles criaram o Clube de Máscaras que despertava antes mesmo do comércio abrir as portas. O bloco é de Recife, mas desfila também em São Paulo.

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    Reprodução/Instagram @homemdameianoiteoficial

    Com quase 95 anos de história, o Homem da Meia Noite é símbolo de tradição, frevo e cultura. Desde 2006 reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, foi um dos primeiros blocos a utilizar o popular boneco Calunga (entidade mística do candomblé), com 4 metros de altura e pesa quase 50 quilos. A figura, que desfila por aí de fraque verde, cartola e dente de ouro, é uma criação do marceneiro Benedito Bernardino da Silva e do pintor Luciano Anacleto de Queiroz.

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    Foto de Sumaia Vilela/Agência Brasil

    Com a intenção de garantir a folia de quem trabalhava durante a folia, o Bacalhau do Batata nasceu em Olinda em 1962, quando o garçom Isaías Pereira da Silva, o Batata, colocou o bloco na rua numa quarta-feira de cinzas. Mesmo após a morte de Isaías, há mais de 30 anos, a tradição não se perdeu: familiares e amigos assumiram a organização, mantiveram o bloco na rua e preservaram símbolos como o estandarte feito com o próprio bacalhau e seus temperos.

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    Reprodução/Instagram @mulhernavara_

    Desde 1993, o Mulher na Vara desfila pelas ladeiras de Olinda com uma história que traduz o espírito do Carnaval. A ideia surgiu quando amigos improvisaram uma vara para carregar uma foliã machucada, garantindo que ela não ficasse de fora da festa. A cena chamou a atenção de uma criança, que apontou e disse: “olha lá, uma mulher na vara”. O comentário virou nome e, no ano seguinte, estandarte de uma nova troça.

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    Foto de Aurélio Velho Barreto, Reprodução/Instagram @euachoepouco

    Um grupo de amigos, formado por arquitetos, profissionais liberais, advogados e engenheiros, se reuniu em 1976, em Olinda, para curtir a folia e criticar a ditadura militar. Em meio à tentativa de tornar mais suportável a vida sob a repressão, surge o Eu Acho É Pouco, como brincadeira irreverente e uma válvula de escape para foliões politicamente ativos. Em 1982, foi criada a versão infantil, o Eu Acho é Pouquinho, também tingido de vermelho e amarelo.

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    Reprodução/Site Cariri Olindense

    O Cariri Olindense nasceu em 1921, pela reunião de Augusto Canuto de Santana, Cosmo Botão, Jacinto Martinho, Isnar Colombo e Eugênio Cravina e tradicionalmente desfila às 4h da manhã de domingo. Os símbolos da agremiação são o Velho do Cariri — figura de um antigo mascate do Sertão, de longas barbas ruivas, chapéu de couro e roupas gastas, que vendia ervas medicinais no Recife —, o burrinho em que ele desfila pelas ladeiras de Olinda e a chave, como símbolo da abertura do carnaval.

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    Foto de Marlon Diego, Reprodução/Instagram @elefantedeolinda

    Assim como a Pitombeiras, e outras agremiações do Carnaval de Pernambuco, o Elefante de Olinda despontou de uma brincadeira de amigos. Em 1952, Alrivelto Lopes, Caio Gomes, Élcio Siqueira, Walter Damasceno, Claudio Nigro, Expedito e Marcone Felizola saíram da Rua do Bonfim em direção aos Quatro Cantos, levando na bagagem a animação carnavalesca e um pequeno elefante feito de biscuit. A brincadeira fez sucesso imediato e, já no ano seguinte, a nova troça desfilava com estandarte próprio. Os primeiros uniformes vieram emprestados do Bonfim Atlético Clube, que já não existia, mas acabou cedendo suas cores ao Elefante.

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    Foto de Kakaw Souto, Reprodução/Instagram @t.c.m.johntravolta

    O que “Embalos de Sábado à Noite” e o carnaval pernambucano poderiam ter em comum? Obviamente a figura de John Travolta, que nomeia a troça criada em 1979, com direito a orquestra de frevo e um boneco gigante de 3,6 metros em homenagem ao ator todos os anos. Ele já chegou a se pronunciar ao New York Times: “Tenho orgulho e honra de ser o ícone do seu carnaval! Isso me deixa tão feliz!”.

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    Reprodução/Instagram @boidamacuca

    Sediada no Sítio Macuca, localizado na zona rural de Correntes, região agreste de Pernambuco, a entidade cultural Macuca aparece por meio do Boi da Macuca, grupo irreverente criado pelo geólogo José Oliveira Rocha, o Capitão Zé da Macuca, que trocou a profissão pelo sítio da família. Ali, entre a terra e o gado, descobriu um boi mítico que mantém tradições da região e as leva para além de Pernambuco e do Brasil. De azul, amarelo e vermelho, o Boi desfila no São João da Macuca e no Carnaval de Olinda, além de participar do Carnaval do Recife, do Festival de Inverno de Garanhuns, do Festival de Inverno de Ouro Preto e de apresentações internacionais, como na Casa das Culturas do Mundo, em Berlim, e em turnê pela Europa.

     

  • Fundado em 1996 para homenagear o cantor Chico Science, o Mangue Beat, também conhecido como Bloco da Lama, toma as ruas de Olinda coberto de barro. A tradição nasceu de uma brincadeira de um de seus criadores e acabou se transformando em marca registrada do cortejo, reunindo milhares de foliões que celebram a festa mergulhados na argila.

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