Como envelhecer bem? Segundo especialistas — Gama Revista
Velho, eu?
Isabela Durão / Getty Images

Como envelhecer bem?

Uma física, uma atriz, o presidente de uma empresa. Pessoas de diferentes idades e realidades dão suas dicas de como lidam e se preparam para o envelhecimento

Manuela Stelzer 18 de Outubro de 2020
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    Rosana Hermann, física e jornalista, 63 anos

    Entender as mudanças, as perdas e olhar para o envelhecimento com carinho
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    “Quando a gente envelhece, começa um interesse por aqueles bucket lists, sabe? Tudo o que eu quero fazer antes de morrer. Antes da pandemia eu estava meio nessa, de querer viajar muito, conhecer lugares. Mas como a gente teve que desacelerar, ficar em casa, eu comecei a entender que não era exatamente assim. Que, na verdade, você pode estar sentado lendo um livro durante horas numa pracinha que você gosta, debaixo de uma árvore, e aquilo é a melhor coisa que você pode fazer naquele momento. O tempo é relativo, e depende da velocidade que você imprime para as coisas.

    Eu adoro correr, corro há muito tempo, mas recentemente eu fui correr na rua, caí e me machuquei feio. Tive que parar de correr por um tempo. Claro que eu fiquei chateada, mas eu não vou negar a realidade. Fui ao médico, tenho me cuidado. É preciso lidar com a realidade mesmo que ela não seja o que você gostaria que fosse.

    Envelhecer é isso: é um processo de perda. Uma hora você vai perder a vida. Mas antes disso, você vai perder muitas outras coisas: cabelo, colágeno, energia, pigmento. É um processo lento de recolhimento, mas que você não precisa sofrer todo dia por isso. Você não deve sofrer todo dia por isso. É preciso assumir o envelhecimento, seja deixando os cabelos brancos como eu, ou de qualquer forma. É preciso entender as mudanças, as perdas. Olhar para si mesmo com mais carinho, condescendência.

    Eu acho que algumas pessoas mais jovens têm tanto medo de envelhecer e de morrer, que nutrem um pavor irracional pelo velho, porque o velho é um lembrete ambulante de que isso vai acontecer com ela. Essa cultura de não conviver com pessoas mais velhas atrapalha muito. A televisão tem muito culpa disso também, porque não tem ninguém de cabelo branco por exemplo, e se você não vê, é como se não existisse, não reafirma como sendo normal, como parte do jogo.

    Precisamos, hoje em dia, de exemplos de outras possibilidades. Quem disse que velho não é esportista? Não pode correr maratonas? Ser ativo? Estar bem? É preciso entrar em contato com esses exemplos. As pessoas tem um conceito muito velho do velho, sabe? Associar a velhinha com cadeira de balanço e crochê é é um estereótipo tão ultrapassado. Por isso que é tão legal ver pessoas mais velhas fazendo coisas que todo mundo faz.”

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    Vinicius Calderoni, artista, 35 anos

    Ser seletivo e cultivar momentos
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    Carolina Vianna

    “Eu acabei de completar 35 anos, uma idade que, pelo menos para mim, coloca a pessoa em um outro lugar: há 15 anos eu tinha 20, e em 15 anos faço 50. É um meio de caminho curioso. E às vezes um pouco chocante.

    Os últimos anos vieram para mim com muitas questões, sobretudo profissionais. Como exercer minha potência, como expandir minhas áreas de atuação. Eu comecei na música, mas passei para o teatro aos 25, agora tenho caminhado para o cinema, enfim. Acho que esse sempre foi o meu projeto, de estar em várias artes, podendo transitar entre elas.

    Com isso, acho que me exigi muito. Foi um período de muito trabalho, desgaste. Olho agora e sinto vontade de fazer menos e melhores coisas. Me fragmentar menos. Isso tem a ver com essa seletividade que ganhamos à medida que envelhecemos, de perceber que o tempo não é infinito, que a gente quer muito e quer tudo, mas existe um limite. Tenho, então, refinado as minhas escolhas, criado um mecanismo de triagem para selecionar projetos, feito uma avaliação mais cuidadosa.

    Envelhecer traz essa questão de cultivar melhor de cada um dos momentos, porque por ter vivido mais, os momentos ficam mais especiais, valem a pena, o tempo fica precioso e a gente vai reconhecendo na própria pele a importância de ser seletivo, de escolher bem cada uma das coisas. De estar em lugares e fazer trabalhos e estar na companhia de pessoas que sempre façam sentido. É sobre selecionar com sabedoria e cultivar momentos.”

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    Ivo Yonamine, professor, 41 anos

    Reconhecer as pressões sociais para uma juventude eterna (e impossível)
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    “Eu sou um homem gay amarelo, do leste asiático. Sempre recebi uma cobrança grande de aparência de juventude. Nunca esqueço que, quando fiz 20 anos, ouvi muito que eu tinha ‘perdido valor de mercado’, pois tinha deixado de ser ‘teen’. Então, desde o início da minha vida adulta, eu vivo sob uma bomba relógio.

    Acredito que, acima dos gays, só mulheres sofrem esse tipo de pressão. Sempre insisto: só ver as expressões bem recorrentes como ‘bicha velha’, ‘velha louca’ e por aí vai. Homens héteros cis não recebem esse tipo de investida. Em vista disso, eu sempre me cuidei quase que excessivamente. Faço skincare antes dessa palavra se disseminar e se tornar um hábito para a maioria das pessoas. Estou com 41 anos, mas tenho consciência de que pareço bem mais jovem. Tudo por conta de sofrer, desde cedo, as pressões sociais.

    Eu me preparo para o envelhecimento com base numa cobrança social violenta. Eu valorizo, e muito, o bem-estar físico, muito mais que ‘só’ a aparência. Mas existe uma cobrança de aparência e juventude eterna para grupos específicos na sociedade. Por isso, uso protetor solar desde sempre e não tenho vergonha de assumir que já fiz alguns procedimentos estéticos: meti ácido e agulhas na cara, sim.

    Isso custa dinheiro, custa tempo, e me pego muitas vezes com raiva do sistema e de mim mesmo por ceder tanto a ele. Já menti minha idade, sobretudo em redes sociais. Mas decidi não fazer mais isso. Agora, evito referir a mim mesmo como jovem. Sou um homem cis gay amarelo de 41 anos.”

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    Renata Gaspar, atriz, 34 anos

    Envelhecer bem é largar mão das certezas
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    “O que eu vivo hoje é o que quero viver no futuro. Eu sempre fui das piras de autoconhecimento, sempre me questionei muito sobre o que é estar no mundo, para o que eu sirvo, qual é minha utilidade aqui e o que faz sentido.

    O que treino hoje é prestar atenção no que estou fazendo enquanto estou fazendo, e o que eu quero com isso. É ajustar o propósito de estar no mundo. Cada vez mais percebo que o meu propósito em ser atriz é alcançar as pessoas, é o que me deixa feliz e me completa. Eu quero entregar uma mensagem por meio da arte, uma mensagem de vida, de esperança. A arte faz essa ponte, esse contato com a vida, com a existência. E eu quero ser essa ponte.

    Já faço isso antes de entrar em cena. Ajusto meu propósito, porque senão eu sinto que estou fazendo algo para mim, para eu ser aceita. Quando vai para esse lugar do ‘eu’ é terrível. Tem muita frustração, você espera do outro alguma coisa. E percebi que dá para ajustar o propósito com a minha entrega: eu que vou levar, e não espero alguém me dar. Vou usar minha profissão para levar.

    Isso me leva a um estado de mais presença, sem interferir com as coisas que eu penso. Quando desencano de aprovação ou de querer emplacar uma opinião isso me deixa mais jovem. Envelhecer não é sobre tempo, é sobre a manutenção de uma crença, de uma personalidade. É muito recorrente ver as pessoas mais velhas ficando mais rígidas nas suas manias e nos seus jeitos. E o meu treino é para evitar exatamente isso.

    Envelhecer bem é não se enrijecer, é estar aberto ao contato com as coisas que aparecem. É não negar, rejeitar o que aparece. É soltar um pouco a mão das certezas. Eu prefiro ser a pessoa que não tem opinião e observa o contexto. Da festa eu sou o garçom, sabe? Eu estou aqui para servir. Uso meu trabalho para servir o outro, é isso que me alimenta.

    Quero envelhecer jovem, sem rabo preso com o mundo, sem querer nada. Largar com as minhas certezas, silenciar a mente, entrar em contato com o que vejo e sentir gratidão por isso. É trocar a rejeição por gratidão. Eu espero envelhecer cuidando das pessoas, servindo. Espero envelhecer iluminada. Eu quero iluminar.”

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    Lisiane Lemos, especialista em transformação digital e co-fundadora do Conselheira 101, 31 anos

    Plantar bons frutos para colhê-los mais tarde
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    “A construção da minha jornada se divide em três pilares: família, trabalho e liderança. Uma família feliz, um ambiente que me propicie estar sempre aprendendo e uma jornada para o cargo de liderança que eu desejo.

    Primeiro, sobre ter uma família e ser uma pessoa feliz, é no sentido de autocuidado, de fazer terapia, entrar em contato com a minha ancestralidade, de ser eu mesma. Quando a gente fala de liderança, é construir o ambiente corporativo que eu quero fazer parte, e sempre que encontrar um problema, algo que deve e pode ser mudado, que eu bote a mão no projeto e faça. E o terceiro pilar, de estar sempre aprendendo, é sobre uma jornada de inovação, tentando entender como o conhecimento pode ser transmitido.

    Cresci num ambiente altamente individualista e mesmo assim consegui construir colaboração, projetos conjuntos. E esse é o segredo para um futuro feliz. Uma vez, escutei da Luiza Trajano a frase: ‘A gente é do tamanho do que a gente compartilha’. Posso ser pequena na altura, mas do tanto que compartilho com as pessoas, do tanto que quero vê-las crescer, eu me engrandeço — e é esse futuro que eu quero construir.

    Claro que eu vejo aí um cenário difícil, de desigualdade social, racial, de gênero, e fico pensando como é que vou colocar filhos nesse mundo. Como eu vou construir um lugar melhor para essas pessoas? É preciso empoderá-los para que eles possam escolher, para que eles tenham autonomia, voz e para que possam ser agentes de transformação por meio do exemplo.

    Na minha família as pessoas não envelhecem, elas morrem antes. Eu não venho de uma família longeva. Então, me preparar para o envelhecimento significa não honrar esse legado, e sim desde muito cedo fazer os meus exames, cuidar da minha saúde mental. Aprender com as piores práticas da minha família para fazer melhores práticas e construir uma história mais longa e feliz.

    Tenho tentado entrar em contato com as minhas histórias de patrimônio, conversado com as pessoas da minha família para saber de onde eu vim. Estou num momento de construir novas culturas, meu legado, meu próprio impacto e cuidar de quem está aqui. Planejamento, para mim, é essencial. Sempre me preocupei em garantir uma previdência, uma casa, as coisas mínimas de conforto para eu ter paz, liberdade de mover, crescer, envelhecer. Tenho um marido que eu quero envelhecer ao lado, encontrá-lo em outras vidas também. A gente se complementa.

    Quero plantar bons hábitos no presente, ter uma boa alimentação, ir ao médico regularmente, equilibrar as coisas, escutar meus amigos, aproveitar o momento para que isso se reproduza até a minha velhice e eu colha os frutos lá na frente.”

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    Monica de Bolle, economista

    O importante é ser livre, ativo e independente (e fazer o que dá prazer)
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    “Daqui pra frente, eu quero fazer o que me dá prazer. Por muito tempo fiz coisas que não gostava, que envolviam lugares que eu não gostava de estar. Isso faz parte do trabalho, claro, mas pro futuro, quero cada vez menos me envolver com o que eu não gosto.

    Nesse sentido, tenho estudado sobre temas que gostaria de ter estudado antes, mas que por razões diversas não pude. Imunologia, genética, virologia são alguns exemplos. Quero ter cada vez mais tempo para isso. E sempre por conta própria, sem que alguém me diga o que eu devo ou não fazer. Quero, cada vez mais, ser independente e livre para ir adiante com as tarefas que me dão prazer.

    Meus filhos são adolescentes, em breve irão sair de casa, mas eu fico bem com isso. Eu gosto muito da visão da filosofia budista, e por isso sou muito desprendida das coisas. Não que eu não vá sentir falta deles, óbvio que vou, mas eles vão entrar em outra fase da vida e eles tem que fazer isso. E nós aqui, que vamos ficar, também teremos uma nova fase para descobrir, quando eles já não estiverem mais em casa. É uma transição como outras transições, e vai ser bem-vinda quando chegar.

    Eu sempre fui uma pessoa que olha muito para o futuro. Antes de começar a graduação em economia, eu já tinha quase uns 10 anos de vida planejados. Queria fazer mestrado, doutorado, trabalhar no FMI. Eu sempre tive essa cabeça de pensar além, e que nem foi a minha área que trouxe como ensinamento. Isso foi a vida que me preparou.

    Meu pai morreu muito cedo, eu ainda era adolescente, e por causa disso precisei começar a trabalhar para ajudar em casa, cuidar da questão financeira para a minha mãe. Essa circunstância da minha vida marcou muito minha visão sobre ter cautela, e sobre se preparar porque você nunca sabe o que pode acontecer. Foi naquele momento eu entendi a importância do planejamento, para que eu não dependesse de ninguém além de mim, até mesmo na velhice.

    Para envelhecer bem, atividade física é fundamental. Manter a cabeça funcionando e fazer exercício. Eu tenho duas histórias de família surreais: minha tia avó, que aos 95 anos fez um mestrado e doutorado em história, e morreu com 103; e minha avó, que morreu com 101, mas que aos 90 parecia ter 70, e se movimentava com muita agilidade. Uma vez, elas estavam no supermercado, na fila do caixa. Na frente tinha um senhor, provavelmente muito mais novo que elas, e minha avó cutucou minha tia e disse: ‘deixa o senhor passar, coitado’ — isso ela, que era pelo menos 30 anos mais velha do que ele. Eu quero envelhecer assim, corpo ativo e mente ativa, sempre.”

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    Renato Bernhoeft, fundador e presidente da höft consultoria, 78 anos

    Criar um projeto de vida que faça sentido até na velhice
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    “O que eu digo sempre é que um dos grandes desafios do envelhecimento é você ter um projeto que continue dando sentido à sua vida nessa etapa, até porque ela tem se alongado cada vez mais. E o segundo aspecto é de que isso preserve a sua autoestima.

    É preciso se manter com alguma atividade que, digamos, a pessoa se sinta útil, visível. Porque o que ocorre com pessoas que tem um certo grau de exposição, pode ser um jogador de futebol, um político, um artista, é o despreparo para o ostracismo. E é exatamente isso que tenho trabalhado para envelhecer melhor.

    Eu me mantenho ativo, não mais no mesmo grau de intensidade de antes, mas escrevendo, dando palestras, atividades dessa natureza. Me mantenho ativo como dá e com o que suponho que sejam as minhas habilidades. E claro, desfruto também. Viajar é uma coisa que eu gosto muito e tenho me entregado para elas nos últimos tempos.

    Essa maneira de olhar para o envelhecimento veio de uma demanda pessoal, mas também por ter percebido que o mercado estava receptivo, até necessitando disso. Na medida em que aumenta o envelhecimento, você vê muitas pessoas despreparadas para essa etapa da vida, com o agravante que ela está cada vez mais longa.

    É muito comum que a pessoa diga que só vai ficar “à toa” quando ficar mais velha, mas eu me lembro, muitos anos atrás, de ver um anúncio que dizia “troco a tranquilidade do meu sítio pelos problemas da sua empresa”, uma história real de alguém que queria ficar à toa, e simplesmente cansou.

    Para mim, criar um projeto de vida que te mantenha útil depois da carreira, e que preserve a autoestima, é o melhor que se pode fazer pela velhice. Buscar um sentido para a vida, preencher o seu tempo com atividades que trazem significado e prazer. Claro, sempre com atividades adequadas com aquilo que a idade permite.”

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    Alan Soares, fundador do Boletinhos, 24 anos

    Planejar uma aposentadoria segura
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    “Eu fui me tocar que eu precisava pensar na velhice só alguns anos atrás. A gente pensa que pode viver até os 100 anos, mas não pensa que não vai conseguir trabalhar com 100 anos. Então eu comecei a calcular, e percebi que é muita grana, são muitos anos de aposentadoria.

    Eu sou autônomo, e eu comecei a me preocupar mais com isso, para ter a chance de uma aposentadoria tranquila. Eu adoro trabalhar e eu não pretendo me aposentar com 60 anos, mas eu quero ter essa possibilidade caso por qualquer razão que seja. Uma das seguranças que eu tenho é do próprio INSS, que tendo um CNPJ, já me dá um direito à aposentadoria. É uma coisa que eu não sabia e por isso reitero a importância se regularizar enquanto autônomo, e não ficar na informalidade para sempre.

    Fora isso, eu sempre guardo uma parte do meu dinheiro, literalmente escondo de mim mesmo, não toco o dedo: uma reserva para emergências, e outra reserva para o plano de aposentadoria. É importante colocar esse dinheiro em algum lugar, seja em um investimento de renda fixa ou algum outro de maior risco, dependendo da economia da pessoa. A questão é não deixá-lo embaixo do colchão, ou parado na conta corrente, porque esse dinheiro vai desvalorizar e quando eu tiver 60 anos isso não vai valer mais nada. É importante que o dinheiro acompanhe a economia.

    A gente nunca sabe como vai estar a aposentadoria daqui a alguns anos, o que vai mudar nas leis. É algo muito instável ainda, então é importante, se a gente puder, já ir se precavendo quanto à isso. Eu comecei a pensar nesse futuro de uns 3 anos para cá, porque antes eu economizava para coisas de curto a médio prazo, uma viagem, um celular novo. Mas eu nunca pensava a longo prazo, porque é uma coisa muito abstrata, esse futuro de décadas para frente. A gente quase não consegue imaginar a nossa própria vida tão longe. É difícil fazer esse exercício. Mas acho que não é uma questão de adivinhar ou querer já planejar a vida 40 anos para frente. É sobre mais de ter uma segurança, e chegar lá com mais tranquilidade e opções.”

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    Gisela Savioli, nutricionista

    Comer bastante verde, dormir bem e andar 10 mil passos por dia
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    “O verde é o alimento que a gente mais deveria comer. Uma molécula de clorofila, ao lado da nossa molécula de hemoglobina, do nosso sangue, são idênticas, só muda a cor. Uma é vermelha, por conta do ferro, e a outra é verde, pelo magnésio.

    Bioquimicamente falando, não existe uma rota metabólica no organismo que não dependa do magnésio. E aí você vê como as pessoas comem pouco verde. Eu costumo dizer que vitaminas e minerais compõem uma grande orquestra, você tem que ter harmonia entre eles, mas não pode faltar um maestro. E o maestro é o magnésio. Sem essa sinfonia, não tem como envelhecer bem.

    O envelhecimento requer um olhar cuidadoso para as coisas mais simples da vida: a alimentação, a atividade física, e o sono. Essa é a chave. Nosso organismo foi feito para comer alimentos que vem da natureza, e não de embalagens de plástico. A atividade física é o oxigênio das suas células, e sempre indico aos meus pacientes pelo menos 10 mil passos por dia.

    Dar uma volta pelo bairro, sair de casa (sem aglomeração) para tomar sol enquanto se exercita. Aí vem o combo: junto do exercício, a vitamina D, responsável por milhares de funções no nosso organismo, inclusive imunológico. E por fim, o sono. À noite a gente precisa dormir, porque existe um monte de hormônios e outras substâncias superimportantes que seu corpo produz, independentemente de você querer ou não, enquanto você dorme. Consolidação de memória, restauração do seu cérebro, tudo isso só acontece enquanto dormimos — e claro que, para o envelhecimento saudável e feliz, isso não deve ser subestimado.

    O que eu quero para a minha velhice e o que faço para me preparar para essa fase é, simplesmente, descomplicar. Resgatar hábitos lá de trás, que sempre fizeram sentido e são imprescindíveis para a nossa evolução e futuro.”