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Bloco de notas

Filmes para refletir sobre a sociedade do consumo

Uma seleção de dez obras que discutem o consumo desenfreado e os seus efeitos para a sociedade e para o meio ambiente

Filmes para refletir sobre a sociedade do consumo

23 de Novembro de 2025

Uma seleção de dez obras que discutem o consumo desenfreado e os seus efeitos para a sociedade e para o meio ambiente

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    O documentário britânico “A Conspiração Consumista” (2024) mostra como as marcas se utilizam de estratégias bem construídas para manipular os consumidores e fazer com que comprem cada vez mais rápido e mesmo sem necessidade. O longa destaca a lógica de que a reposição dos objetos é extremamente necessária sempre que há o lançamento de um novo modelo. Amazon, Adidas e Apple são alguns dos exemplos mostrados em uma hora e 30 minutos do filme escrito e dirigido por Nic Stacey. Uma ótima obra para refletir sobre o consumo excessivo atual. Na Netflix.

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    Como a publicidade atinge as crianças é o tema central do documentário brasileiro “Criança, a Alma do Negócio” (2011), escrito por Estela Rener, que também o dirige, e Renata Ursaia. Os dados são impressionantes: as crianças do país são as que mais assistem à televisão, quase 5h por dia, e têm também alto poder de influência nas compras da família. Com entrevistas com crianças, pais e especialistas, o documentário discute como a televisão induz a um desejo de consumo que, por sua vez, antecipa experiências de outras fases da vida, como o uso de maquiagens ou mesmo a idealização de um namoro. Disponível no Youtube.

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    Em vários aspectos, “Feriado Sangrento” (2023) é um slasher tradicional, que narra com muita ironia tudo que gira em torno do Dia de Ação de Graças, data tão cara aos norte-americanos. Mas o evento que coloca as engrenagens para funcionar no longa de Eli Roth é na verdade uma paródia tão sangrenta quanto hilária da Black Friday. Tudo se passa nos corredores apinhados de um supermercado, que logo se transforma em um templo caótico dedicado ao consumismo. Enquanto clientes alucinados lutam, se pisoteiam e se atacam usando máquinas de waffle em oferta, dá até para refletir sobre o quanto descontos agressivos podem nos reverter a seres igualmente violentos e motivados pelo impulso de comprar mais e mais. Disponível no Prime Video.

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    Em “Psicopata Americano” (2000), a qualidade do papel de um cartão de visitas é motivo para matar com requintes de crueldade. Aqui, ser vale muito menos do que ter, enquanto o protagonista Patrick Bateman tortura e mata como forma de extravasar sua ambição, sua inveja e seus impulsos sexuais. O consumismo está tão impregnado neste universo que coisas como valor pessoal e identidade só se manifestam por meio de roupas luxuosas e posses supérfluas: um aparelho de som de última geração, por exemplo. E olha que o filme até suaviza o retrato mordaz e ultraviolento que o escritor Bret Easton Ellis traça no livro original, sobre jovens investidores de Wall Street nos anos 1980. Dirigido por Mary Harron, o longa foi um dos responsáveis pelo estrelato do ator Christian Bale, perfeito no papel do serial killer cuja psicopatia se esconde no completo vazio das relações pessoais. Disponível na Globoplay.

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    No documentário “Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar” (2019), do cineasta recifense Marcelo Gomes (diretor de filmes como “Cinema, Aspirinas e Urubus” e “Paloma”), a cidade de Toritama, no agreste de Pernambuco, é retratada como um exemplo cruel do capitalismo. Ali, mais de 20 milhões de peças de jeans são produzidas anualmente em pequenas fábricas improvisadas em quintais e garagens. Os moradores trabalham sem parar, mas sentem-se orgulhosos de serem donos do próprio tempo. A única folga do ano é no Carnaval, quando eles vendem tudo o que acumularam em 12 meses, como liquidificadores e bicicletas, e partem para as praias, em busca de alguns dias de felicidade. Na Quarta-Feira de Cinzas, começa tudo outra vez. Disponível para alugar na Apple TV+.

     

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    “O Preço do Amanhã” (2011) retrata uma sociedade em que o tempo é, literalmente, dinheiro. Nesse futuro distópico, as pessoas param de envelhecer aos 25 anos, quando começam a negociar o restante de seus dias. Enquanto os ricos acumulam tempo quase indefinidamente, vivendo virtualmente para sempre, os pobres precisam negociar, roubar ou mendigar tempo apenas para sobreviver o dia a dia. Dirigido por Andrew Niccol, o longa acompanha o jovem trabalhdor Will Salas (Justin Timberlake) e a filha de um magnata Sylvia Weis (Amanda Seyfried) em uma luta contra o sistema. Disponível na Disney+.

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    Dois amigos de longa data, Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, criaram nos Estados Unidos o movimento minimalista, que incentiva as pessoas a consumirem menos para ter uma vida melhor apenas com o necessário. Em “Minimalismo Já” (2021), dirigido por Matt D’Avella, a dupla questiona o consumismo excessivo e mostra como o acúmulo de bens materiais, muitos sem função utilitária, pode estar ligado a insatisfações pessoais diversas. Assim, eles apresentam o minimalismo como uma alternativa para viver com mais propósito e menos estresse. Disponível na Netflix.

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    Em “Surplus” (2003), o diretor Erik Gandini transforma imagens de oito países — da China aos Estados Unidos, passando por Cuba e Índia — em uma crítica pulsante ao consumismo global. Com edição frenética de Johan Söderberg, o documentário mistura discursos de líderes políticos a cenas de protesto e rotinas de trabalho exaustivas, criando uma espécie de videoclipe distorcido sobre o próprio sistema que satiriza. A montagem hipnótica desmonta a lógica da “felicidade instantânea”, expondo como diferentes regimes, do socialismo cubano ao capitalismo ocidental, recorrem a narrativas que nos empurram para o papel de consumidores. Premiado no IDFA e no FICA, o filme é uma reflexão urgente sobre excesso, produção e a inquietante linha que separa necessidade de desejo. Disponível no YouTube.

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    Quanto custa, de fato, a roupa que a gente veste? Em “The True Cost” (2015), Andrew Morgan investiga o lado oculto do fast fashion ao acompanhar trabalhadores, ativistas e especialistas que revelam os impactos sociais e ambientais por trás de roupas vendidas a preços irrisórios. Uma ideia que surgiu após o colapso de uma fábrica de roupas no Bangladesh, em 24 de abril de 2013, o documentário expõe a lógica de um sistema que transforma vidas e recursos naturais em mercadoria barata. Disponível no Plex, Youtube e Vimeo (para aluguel)

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    A influência da psicanálise na formação da sociedade de consumo ganha contornos surpreendentes na série “O Século do Ego” (2002), de Adam Curtis. Combinando arquivos históricos e análise crítica, o diretor mostra como as ideias da família Freud foram adaptadas para moldar desejos, orientar decisões políticas e reforçar a lógica do auto-consumo. O resultado é um retrato de como os conceitos freudianos são transportados para a propaganda, ajudando a criar um “consumidor emocional”, compra não por necessidade, mas por identificação e desejo. Disponível no YouTube.

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