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Depoimento

Como começar a correr?

Corredores compartilham dicas práticas e aprendizados para quem quer dar os primeiros passos no esporte

25 de Janeiro de 2026

Como começar a correr?

25 de Janeiro de 2026

Corredores compartilham dicas práticas e aprendizados para quem quer dar os primeiros passos no esporte

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    “Uma musculatura forte é a sua melhor tecnologia para absorver o impacto”

    Hugo Farias, 46, palestrante, escritor e recordista mundial de maratonas consecutivas pelo Guinness World Records

    “Comece devagar, respeite o processo e vá aprendendo ao longo do caminho. Mas, antes de dar o primeiro passo nas ruas é fundamental fazer um check-up para entender como está o seu coração e a sua saúde geral. Depois de receber o aval médico, é fundamental incluir o treino para preparar a musculatura. Corredores iniciantes muitas vezes se preocupam com qual tênis comprar, qual marca, modelo, mas a verdade é que uma musculatura forte é a sua melhor tecnologia para absorver o impacto. No início, não se preocupe com distância ou ritmo. O importante é ser constante para consolidar o hábito e ganhar resistência, e isso exige disciplina e acordar cedo — é importante não só para a questão física, mas principalmente para a saúde mental, porque te dá confiança para encarar os outros desafios do trabalho e da vida. A minha recomendação principal é se divertir com todo esse processo. Há muitos grupos de pessoas que também estão iniciando na corrida, e essa é uma boa estratégia para se manter motivado.”

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    “Qual o seu motivo para, em vez de estar numa praia, ir se superar? Porque corrida de rua é superação”

    Júlio Mamute, 35, corredor e influenciador

    O homem nasceu para correr. Essa frase sempre me impactou muito porque, quando atingi 310 quilos no meio da pandemia, eu já não podia mais nem andar tranquilamente. Então, o primeiro ponto é você ter um motivo para fazer isso. O meu motivo é me manter vivo e fugir desse pântano escuro chamado obesidade. Qual o seu motivo para, em vez de estar numa praia, ir se superar? Porque corrida de rua é superação, é você contra você mesmo ao longo daquele percurso. 99,9% das pessoas não disputam pelo primeiro lugar, disputam para vencer a si mesmas. É essa a minha disputa. Foi com essa filosofia que eu me apaixonei pela corrida de rua. Fiz a São Silvestre com mais de 200 quilos e me apaixonei perdidamente. E pretendo continuar andando, porque gordo não corre, gordo anda. Se perminta e não deixe que o sedentarismo roube aquilo que o homem nasceu para fazer, que é andar e correr. Essa frase me fez entender que eu não merecia, como ser humano, estar preso ao meu próprio corpo a ponto de não conseguir mais nem caminhar. Meu motivo é fazer as coisas simples que todas as pessoas fazem. Eu não sei qual é o seu, mas espero que você encontre, porque só tendo um motivo claro é que fará sentido e fará com que você se movimente.

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    “Não se compare. Se permita ser iniciante”

    Nathalia Guarienti, 31, criadora de conteúdo sobre corrida

    “A principal dica que eu dou para começar a correr é: não se compare. Se permita ser iniciante. Começar alternando correr e andar é o ideal, porque você vai treinando o corpo e a respiração, sem se machucar. Existem vários apps e planilhas online para quem quer correr os primeiros 5 km. Eu mesma usei um app e levei oito semanas para correr meus primeiros 5 km sem parar para andar. Desde então venho evoluindo — lentamente — porque hoje não tenho mais pressa, quero correr até ficar velhinha. Agora, se a ideia é se manter CONSTANTE na corrida, minha maior dica é: procure uma comunidade. Um run club, clube de corrida… ou, se estiver a fim de investir, uma assessoria. Correr com gente deixa a experiência muito mais divertida, te motiva a evoluir e te faz querer voltar. Quando você marca de correr com um grupo ou até com um amigo no fim de semana, já vira um compromisso, você tem alguém para compartilhar, e isso muda tudo.”

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    “Você vai encontrar a sua maneira de correr, até que a corrida entre na rotina e atravesse o seu corpo”

    Renata Corrêa, 43, escritora e roteirista

    “Seja gentil com você. A corrida é exigente, mas ela dá um retorno muito grande. Não se comparar com os outros também é importante. Não pense que você vai correr rápido e de forma constante nos primeiros treinos. Se a corrida for para sempre — como é para muitos corredores e como eu acho que é para mim —, o processo é longo. Outra coisa é não achar que você vai ser o melhor corredor do mundo ou que é um fracasso correr por um minuto, ficar esbaforido e sentar no meio-fio. Isso é correr também. Correr dez quilômetros sem parar, num pace incrível, é correr. Correr um pouquinho, trotar e caminhar, também é correr. Tudo isso é correr. E você vai encontrar a sua maneira de correr, até que a corrida entre na rotina e atravesse o seu corpo, do seu jeito, e não do jeito dos outros. Isso faz a corrida ficar mais leve.”

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    “Metas menores, pelo menos no primeiro mês, ajudam a aderir ao treinamento e a ter constância”

    Pedro Paulo, 34, educador físico, treinador e corredor

    “A primeira dica que eu dou para quem está começando a correr é pensar o mínimo possível em equipamentos. Muita gente diz: ‘Meu tênis não é legal, minha meia não é legal, meu short não é legal, não tenho relógio, não tenho viseira, não tenho óculos’. Isso só gera travas para a pessoa, de fato, nunca começar. E o início pode ser o mais simples possível, com o tênis que tem, com a roupa que tem, sem se deslocar para um lugar longe. Vai o mais próximo possível da sua casa. A segunda dica é: tenha metas o mais humildes possíveis. Vai pra rua fazer dez minutos de corrida, e você não vai querer correr esses dez minutos de uma vez. Faz dois minutos correndo, um minuto caminhando. Ou dois minutos caminhando, um minuto correndo, ou só 30 segundos. Faz o tempo que for correndo e caminha até se recuperar. Recuperou, corre de novo. Uns 10, 15 minutos, no máximo. Essas metas menores, pelo menos no primeiro mês, ajudam muito a conseguir aderir ao treinamento e a ter constância. Porque, às vezes, no primeiro treino, você já quer fazer meia hora. Aí você vai se frustrar, porque você não vai conseguir correr meia hora. No dia seguinte você vai estar muito dolorido. No outro dia, você já não vai querer fazer, porque vai se lembrar da dor anterior. Os treinos têm que ser bem leves no início.”

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    “Corra com propósito. Quando você sabe o porquê de estar correndo, é mais fácil continuar nos dias difíceis”

    Yeltsin Jacques, 34, bicampeão paralímpico

    “Minha história com a corrida começou de forma bem simples, sem grandes estruturas ou recursos. Eu comecei porque gostava de me desafiar e de me sentir vivo em movimento. No início, o que mais me ajudou foi a constância, não a intensidade. Eu não corria rápido, nem por muito tempo, mas corria sempre. Aprendi cedo que evolução vem com o tempo e com paciência. Para quem está começando a correr, minha principal dica é: respeite o seu corpo. Comece devagar, intercale corrida com caminhada, cuide do descanso e não tenha pressa de comparar seu ritmo com o de outras pessoas. Cada corpo tem sua história e seu tempo. Procurar orientação profissional, quando possível, também faz muita diferença. Evite exageros no começo, ignorar dores e achar que resultado rápido é sinônimo de sucesso. Muitas lesões acontecem por ansiedade. A corrida é uma construção diária, não um atalho. Outra coisa importante é correr com propósito. Pode ser saúde, bem-estar, superação ou simplesmente prazer. Quando você sabe o porquê de estar correndo, fica mais fácil continuar nos dias difíceis.”

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    “Os acessórios ajudam e facilitam, mas não são imprescindíveis”

    Thaissa Santana, 29, nutricionista esportiva

    “Atualmente a corrida está muito em voga, então você tem acesso a conteúdos de corrida muito facilmente na internet. Uma coisa que acontece rápido é a gente seguir várias personalidades e acabar comparando a nossa jornada com a de outras pessoas. Então, se você quer começar a correr, não compare o seu pace nem a sua evolução com a de ninguém, porque isso é muito individual. Cada pessoa cresce num ritmo e tem uma predisposição diferente para a corrida. Tem gente que já começa correndo mais rápido, enquanto outras vão ter mais dificuldade, porque isso varia muito de acordo com genética, peso corporal, alimentação e sono. Outra coisa importante é entender que a gente não precisa de todos os equipamentos e acessórios. Se pensar que precisa de um tênis de placa, um relógio específico ou uma roupa supertecnológica, a gente não corre. O que realmente precisamos é de um tênis e uma roupa confortáveis. Os acessórios ajudam, facilitam, mas não são imprescindíveis. E uma dica da Nutri: tente se alimentar bem, minimamente de forma variada, para conseguir sustentar essa corrida.”

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