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Ilustração de Isabela Durão

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5 dicas

Black Friday: como aproveitar as promoções de forma consciente

Estabelecer um teto financeiro e não ter medo de abandonar uma promoção “imperdível” são algumas das sugestões de especialistas para não gastar demais na data

Leonardo Neiva 23 de Novembro de 2025

Black Friday: como aproveitar as promoções de forma consciente

Leonardo Neiva 23 de Novembro de 2025
Ilustração de Isabela Durão

Estabelecer um teto financeiro e não ter medo de abandonar uma promoção “imperdível” são algumas das sugestões de especialistas para não gastar demais na data

O paraíso dos consumistas. Com essas poucas palavras dá para descrever o que significa para muita gente a sexta-feira de promoções da Black Friday — que geralmente se estende por vários dias e até semanas. Promoções relâmpago, ofertas absurdas, carrinhos cheios e também uma série de armadilhas. Até porque, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. Recentemente, aliás o país alcançou um número recorde de 78,2 milhões de negativados, segundo dados da Serasa. Com os juros ainda em alta, comprar demais no período pode significar, em vez do tão aguardado momento de economizar, uma senha para se enroscar financeiramente.

Mas como, então, vivenciar a Black Friday de forma eficiente, sem ceder aos impulsos e a toda promoção “imperdível” que pipoca nas telas a cada segundo? “Comprar com consciência, entender o próprio orçamento e fazer as escolhas alinhadas às suas prioridades. Esses são alguns dos principais cuidados que o consumidor deve ter”, aponta a analista de experiência do cliente da Serasa, Mônica Seabra.

Segundo a especialista, são poucos os brasileiros que verificam seu status de dívidas — e muitos acabam tendo uma surpresa chocante quando descobrem que seu nome está negativado. Por isso, Seabra sugere uma ação bastante simples antes de planejar sua Black Friday: fazer esse acompanhamento de forma periódica nas plataformas da Serasa e SPC. Outra é evitar embarcar em loucuras financeiras que mais para frente tornem difícil até mesmo arcar com as contas básicas do dia a dia.

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Esse pode ser sim um momento de grandes oportunidades, desde que vivido com consciência. Senão, vira mais um período de gastos excessivos e compras desnecessárias. “Você realmente precisa daquilo? Isso vai resolver um problema ou apenas trazer uma felicidade momentânea? Tem condições de arcar com essa despesa ou isso vai prejudicar de alguma forma suas finanças?” Esses são os questionamentos que todo consumidor deve se fazer antes de comprar, diz o assessor de investimentos Fernando Zetune Marrocco, da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro). “Se a pessoa refletir durante alguns dias, dificilmente vai se deixar levar por modismos e impulsos.”

A seguir, leia as dicas que Gama reuniu com especialistas no tema para esta Black Friday.

  • 1

    Quanto antes você se planejar melhor. Mas, assim como na prática de exercícios, nunca é tarde demais para começar –
    A pressa continua sendo inimiga da perfeição e, por mais relâmpago que sejam os descontos este ano, a Black Friday não é exceção. Acompanhar aqueles produtos essenciais para você desde vários meses antes permite aproveitar as promoções sem ficar se perguntando se elas são verdadeiras ou se você não vai acabar pagando “a metade do dobro”. “Aqui existe aquela prática de aumentar os preços um pouco antes para, no dia do Black Friday, parecer que tem um baita desconto”, adverte o planejador financeiro Fernando Zetune Marrocco. Portanto, eleja marcas e linhas de produtos em que você confia para acompanhar as variações de preços em sites comparativos, como Zoom e Buscapé. O próprio Google também permite monitorar algumas das suas mercadorias de interesse. Só assim dá para saber o que vale a pena comprar de verdade. E, se você ainda não começou, vá atrás o quanto antes. Para não acabar esquecendo essa verificação periódica em meio ao dia a dia corrido, vale acionar alertas digitais e deixar lembretes em lugares de fácil visualização, seja no ambiente online ou nos espaços ao seu redor. “Marca num papel e deixa na geladeira, onde todo dia você passa e olha para aquilo”, sugere a representante da Serasa, Mônica Seabra.

  • 2

    Deixe muito claras suas prioridades. Não tenha medo de largar coisas supérfluas no carrinho ou de perder uma promoção que talvez não seja tão imperdível assim –
    Perambular por sites ou lojas físicas nos dias em torno da Black Friday é como tentar encontrar o caminho certo num mapa com inúmeras indicações contraditórias. Fica muito fácil se perder. Por isso, você precisa ter o trajeto muito bem desenhado desde o começo. Significa definir prioridades, aquilo que você não pode deixar de comprar de jeito nenhum. “Se eu não tiver cuidado com as minhas prioridades, isso pode virar uma bola de neve no futuro”, adverte Seabra. Os riscos são vários, como o de acabar cedendo a ofertas muito chamativas ou colocando na frente produtos que você só vai perceber tarde demais que eram secundários. Especialistas indicam como solução fazer uma lista onde você pode separar os itens essenciais; outros não tão cruciais mas ainda assim importantes; e deixar um espacinho para coisas que podem até ser supérfluas, mas também constituem seus objetos de desejo — afinal, se couber no orçamento, por que não? “É um absurdo imaginar que as pessoas não possam desejar aquilo que não seja estritamente necessário”, defende o professor de Direito da FGV Gustavo Kloh. Esta dica, aliás, deve andar de mãos dadas com a próxima, que fala sobre orçamento. Quando perceber que corre o risco de gastar demais ou se endividar, não pense duas vezes para abandonar itens menos centrais do carrinho. “Um produto que não atende a nenhuma necessidade nem desejo não cumpre os requisitos básicos para a compra”, resume Kloh.

  • 3

    Defina previamente os limites de orçamento, de gastos com cada item e de parcelamento –
    Todo mundo conhece aquele sentimento de culpa que vem quando você acaba comprando mais do que o orçamento comporta. Além das prioridades, definir o quanto pode gastar é outra sugestão para evitar consumir por puro impulso nesta Black Friday, afirma Marrocco. “Se qualquer um dos dois estourar [a lista de prioridades ou o teto de gastos], é hora de parar.” O ideal é chegar à sexta-feira de promoções já com um controle do seu extrato bancário, dos gastos cotidianos e de quanto você quer e pode comprar na data. E é melhor ter em mente números muito bem definido, para não acabar flexibilizando demais seus limites financeiros. Caso esteja planejando um volume considerável de compras, outra dica dos especialistas consultados por Gama é estabelecer um teto específico para cada item. Assim fica muito mais fácil controlar seu consumo geral. Também nunca é demais alertar para os riscos de usar de maneira indiscriminada o cartão de crédito, em que a facilidade da compra se une aos juros altos e ao endividamente. “Se for possível, pague no Pix ou à vista no cartão, para que o parcelamento não te comprometa”, diz Seabra. Marrocco também aponta que parcelar é um risco sorrateiro. “A gente sempre pensa que uma parcela de R$100 é fácil de absorver. O problema é quando a soma delas passa a ocupar boa parte das suas receitas.” Para controlar melhor esses gastos a médio e longo prazo, verifique antes o quanto você paga por mês na fatura e estabeleça um limite de parcelamentos que te permita tocar o dia a dia sem aperto. “Se estiver encostando nesse teto, infelizmente você não pode comprar mais nada parcelado, sob o risco de comprometer o orçamento.”

  • 4

    Pesquise, pergunte a conhecidos e desconhecidos, e desconfie sempre –
    O que seria da vida sob o capitalismo se não pudéssemos comparar preços, condições e a qualidade de tudo que queremos comprar? Não importa se você quer adquirir uma nova air fryer ou uma mala para usar na próxima viagem, o feedback dos outros será sempre essencial para evitar enfrentar uma dor de cabeça daquelas. Em primeiro lugar, não tenha vergonha de recorrer à técnica milenar do diálogo com amigos e familiares. Pergunte àquele expert  nas receitas para fritadeira sem óleo qual modelo ele mais aprecia, ou então verifique com seu parente que não perde uma ponte aérea os prós e contras de comprar uma mala rígida ou uma de tecido. Também vale a pena navegar pelas avaliações e fotos publicadas por clientes em grandes sites de varejo, para entender se aquele produto atende aos seus requisitos básicos ou pode se mostrar uma cilada. Na hora de comprar, sempre dê preferência a plataformas bem estabelecidas e sites oficiais das marcas. E, caso uma oferta pareça atraente demais mas você nunca ouviu falar daquela loja, não custa dar uma espiada nos comentários e demandas dos consumidores no Reclame Aqui. “Veja se o pessoal reclama muito e evite comprar em anúncios que aparecem do nada, porque muitas vezes são eles que levam a sites fake”, esclarece Marrocco.

  • 5

    Conheça seus direitos de cabo a rabo — e não hesite em correr atrás deles quando necessário –
    A gente deve fazer tudo para evitar, mas, quando a compra acontece online, nem sempre é possível escapar dos atrasos, de pedidos não entregues e produtos que chegam diferentes do anunciado. Para não perder dinheiro, procure se informar primeiro sobre os seus direitos, como o prazo de até sete dias para desistir ou se arrepender da compra. Na Black Friday, com a explosão no volume de vendas, as reclamações também costumam se multiplicar. O professor de Direito da FGV Gustavo Kloh, membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/RJ, orienta o comprador a sempre buscar esses direitos. Para não perder de vista os prazos de entrega, mantenha um registro de tudo que você comprou e das datas limite. Se fizer alguma assinatura promocional, também vale ativar lembretes para o vencimento da oferta. Segundo o especialista, há uma sequência ideal de ações que o consumidor pode seguir quando se sentir lesado, especialmente no comércio online. “Primeiro, faça contato para tentar resolver o problema diretamente com a empresa. Depois, recorra à internet [nas redes sociais da marca e sites como o Reclame Aqui]”, explica o docente. Se nada disso resolver, você só deve buscar o Procon caso ainda queira concluir a compra. “Não é um lugar para desfazer negócios. O objetivo ali é que o negócio aconteça”, afirma. Já quando você não acredita mais na empresa, quer pedir seu dinheiro de volta ou reivindicar danos morais, Kloh orienta a acionar o Judiciário. Ele também aponta alguns erros evitáveis, como ignorar o preço do frete ou do imposto, se for uma compra internacional, o que pode acabar elevando o valor final sem que você perceba. “Daqui a pouco, o que era uma preocupação da Black Friday vira preocupação sobre o endividamento”, alerta.

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