Na contramão de muitos longas do gênero, coloridos, cheios de ação e bichos falantes, “Flow”, de Gints Zilbalodis, escolhe o caminho das cores sóbrias, da calmaria e do silêncio. Sem diálogos, a obra, indicada ao Oscar de animação e filme internacional pela Letônia, acompanha um gato que não tem nome nem destino. Ele vaga por um mundo apocalíptico inundado, onde tenta sobreviver navegando com outros animais. Lindo e triste. (Ana Elisa Faria)
Um texto cômico leve sobre a vida e a arte na época vitoriana. Assim dá para descrever “Freshwater”, de 1923, única peça da escritora Virginia Woolf, que ganha agora sua primeira tradução no Brasil pela editora Nós. Com trama baseada na fotógrafa e escultora Julia Margaret Cameron, tia-avó de Woolf, o texto foi escrito para entreter os amigos da autora. Talvez por isso, raramente figura entre os objetos de análise crítica de sua obra. (Leonardo Neiva)
Com a proposta de ser um papo de um antropólogo com outros antropólogos para não antropólogos, o podcast chega à terceira temporada, agora para explorar a relação com o corpo, sempre moldada pela cultura. Está disponível o primeiro episódio, com Ana Paula Boscatti, que fala sobre como uma parte do corpo virou ícone nacional. No Podcast da Semana, Alcoforado já falou da transformação na maneira de encarar o sexo. (Sarah Kelly)
Depois de passar pelo Havaí e pela Itália, “The White Lotus” chega à Tailândia para a terceira leva de episódios, que estreia neste domingo (16), na Max. Com personagens odiáveis novos, um hotel luxuoso diferente, dramas familiares, misticismo e outro crime, a trama, segundo o autor Mike White contou para a The New Yorker, trata da morte e deve ser a mais engraçada das três. Vale ler o texto da revista americana e assistir à obra. (Ana Elisa Faria)
O Brasil segue em campanha pelo Oscar para “Ainda Estou Aqui” e, além da presença magnética de Fernanda Torres, o mundo pode agora ouvir Walter Salles falando sobre as suas decisões de direção. Na seção “Anatomy of a Scene”, publicada pelo New York Times, ele disseca a cena em que Rubens Paiva (Selton Mello) é levado para depor e fala como o protagonismo do longa recai naquele momento sobre Eunice (Torres) com um dos únicos closes do filme. (Isabelle Moreira Lima)
Num dia de fevereiro de 2022, o escritor Andrei Kurkov foi acordado pelos estrondos de mísseis russos no seu apartamento em Kiev. Em “Ucrânia - Diário de uma Guerra” (Carambaia, 2025), ele conta como o conflito passou a determinar seu modo de vida, seu jeito de pensar e tomar decisões. A obra é um exemplo — infelizmente cada vez mais comum — do que significa tocar a vida em um cotidiano sangrento. (Leonardo Neiva)