Você anda deprimido?

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Bloco de notas

Dez conteúdos da Gama sobre depressão

Uma seleção de reportagens e conversas publicadas pela revista para entender como a depressão se manifesta e como pode ser tratada em diferentes fases da vida

Dez conteúdos da Gama sobre depressão

Amauri Terto 13 de Setembro de 2026

Uma seleção de reportagens e conversas publicadas pela revista para entender como a depressão se manifesta e como pode ser tratada em diferentes fases da vida

  • Bianca Solléro: “A depressão pode ser invisível”

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    A pressão e a velocidade do mercado de trabalho de hoje fazem o ambiente perfeito para problemas de saúde mental como o burnout e a depressão. E, mais, para que não sejam notados. “Às vezes a depressão é invisível. Ela fica num estado interno em que a pessoa que tem o problema o recusa”, afirma a psicóloga Bianca Solléro, que trabalha com foco no mercado de trabalho. Nesta entrevista ao Podcast da Semana, ela fala sobre o impacto devastador dos problemas de saúde mental para a produtividade e o que é preciso saber e fazer para cuidar melhor da saúde mental

  • Christian Dunker: “Cada época tem uma visão do que é o sofrimento”

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    A depressão é um nome muito pequeno para as tantas formas e cores que podem ser usadas para defini-la. E, para complicar, características que em determinadas épocas e culturas podem ser vistas como disfuncionais, em outras pode não ser bem assim. É o que escreve o psicanalista Christian Dunker em “Uma Biografia da Depressão” (Paidós, 240 págs, R$ 46,90), lançado em 2021. Nesta entrevista, o psicanalista reflete sobre como o significado de depressão foi se transformando ao longo da história e com o advento dos antidepressivos.

  • Como oferecer apoio a quem está com depressão

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    Estamos mais depressivos. Na América Latina, o Brasil ocupa o posto de país com a maior prevalência da depressão no continente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados divulgados em novembro de 2023 apontam que 5,8% da população brasileira sofre com a patologia, o equivalente a 11,7 milhões de brasileiros. Diante desse cenário, Gama consultou especialistas da psiquiatria e da psicologia, que dão caminhos para auxiliar na identificação da doença e listam as melhores formas de apoiar parceiros e parceiras durante o tratamento.

  • Anna Lembke: “Temos acesso instantâneo a substâncias e comportamentos altamente compulsórios”

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    O excesso da busca por prazer, seja com o uso das redes sociais, a pornografia ou até o problema recente das apostas online, é uma das principais fontes do aumento da depressão e do sofrimento psíquico, argumenta a psiquiatra norte-americana Anna Lembke, autora de “Nação Dopamina” (Vestígio, 2022). Nesta conversa, ela indica como fazer um “jejum de dopamina” para escapar da armadilha dos prazeres constantes, fala da medicalização como estratégia para ignorar os problemas sociais e aborda a importância e os riscos dos medicamentos psiquiátricos.

  • Rodrigo Martins Leite: “As pessoas conferem um poder às medicações psiquiátricas que no fundo elas não têm”

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    Coordenador de telemedicina e relações institucionais no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, o psiquiatra Rodrigo Martins Leite vem acompanhando um crescimento notável na procura e consumo de medicamentos psiquiátricos entre os pacientes que atende. As medicações entram num contexto de sustentação de um padrão de trabalho e de excelência de desempenho. O problema, segundo o médico, é que as pessoas tendem a exagerar no poder que dão à medicação, que, em casos mais graves, precisa vir associada a outros tipos de intervenção. Nesta conversa, ele aborda a medicalização de jovens e adolescentes e o preconceito que distúrbios de saúde mental ainda despertam.

  • Por que ansiedade e depressão crescem entre adolescentes?

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    Nestes tempos em que a saúde mental das crianças e adolescentes está vulnerável à ação das redes e da vida online, de que maneira pais e cuidados podem se manter atentos e presentes? “A gente tem adiado demais essa relação com os filhos, a relação parental, porque ela é densa e está todo mundo muito cansado”, diz o professor Hugo Monteiro Ferreira, especialista em neuropsicologia e psicologia cognitivo-comportamental. Nesta conversa, ele explica razões dos altos números de ansiedade e depressão nos adolescentes e a influência da família nesse quadro, dá caminhos para que essa fase seja vivida de maneira mais leve e interessante e explica o que significa “a geração do quarto” nos dias de hoje.

  • Quem precisa de terapia: as crianças ou os pais?

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    A terapia de crianças e adolescentes frequentemente exige também a participação dos pais. Especialistas ouvidos pela Gama destacam que conflitos familiares e dificuldades dos próprios responsáveis podem influenciar o sofrimento dos filhos. Por isso, além do acompanhamento dos jovens, a orientação e, em alguns casos, a terapia dos pais podem ajudar a melhorar a comunicação e o modo de lidar com os transtornos. Esta reportagem também destaca a importância da identificação precoce e da escuta ativa, além do cuidado para não transformar os pais em únicos culpados pelos problemas dos filhos.

  • Lucy Jones: “A ideia de alguém criar um filho sozinha vai contra a nossa evolução”

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    Nesta conversa, a jornalista britânica Lucy Jones fala sobre seu livro “Matrescência” (Fósforo, 2026), no qual discute a desconexão entre a narrativa idealizada da maternidade e a realidade vivida pelas mães. Ela destaca que a falta de apoio social e a solidão do cuidado, somadas à pressão por corresponder a um ideal inatingível, contribuem diretamente para o adoecimento psíquico materno. Segundo dados citados pela escritora, a depressão é duas vezes mais provável no primeiro ano após o parto, podendo chegar até ao suicídio. Para a autora, a culpa não deve recair sobre as mães, mas sobre uma sociedade que não oferece rede de apoio adequada.

  • O que são as doenças mentais?

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    Neste artigo, o psicólogo Kristopher Nielsen, aluno de PhD em psicologia na Victoria University of Wellington na nova Zelândia, propõe repensar o conceito de doença mental a partir do “enativismo corporificado”, abordagem que entende a mente como resultado da relação entre cérebro, corpo e ambiente. Nessa perspectiva, transtornos como a depressão não são causados por um único desequilíbrio químico, mas funcionam como “tendências pegajosas”: padrões de pensamento e comportamento nos quais o sistema humano tende a cair e permanecer preso, mesmo sendo pouco adaptativos. Entender essa rede de fatores, explica o autor, é essencial para desenvolver tratamentos mais eficazes.

  • Elton Corbanezi: “No capitalismo, cada um é responsável pela própria saúde mental”

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    Nesta conversa, o sociólogo Elton Corbanezi, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e autor do livro “Saúde Mental, Depressão e Capitalismo” (Unesp, 2021), analisa como o discurso sobre saúde mental se entrelaça com a lógica do capitalismo neoliberal, que responsabiliza o indivíduo tanto pelo próprio sucesso quanto pelo cuidado com sua saúde psíquica. Segundo o pesquisador, os critérios diagnósticos da depressão vêm se flexibilizando desde os anos 1980, capturando experiências cada vez mais brandas de sofrimento, num movimento que converge com as exigências de desempenho e produtividade constantes. Para ele, práticas como ioga e terapia individual aliviam sintomas, mas não resolvem as causas estruturais do problema.

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