Vamos falar de trauma?

5

Bloco de notas

Livros sobre traumas coletivos

Obras que investigam as perdas, as resistências e as maneiras pelas quais construímos memória após e durante a tragédia

Livros sobre traumas coletivos

30 de Novembro de 2025

Obras que investigam as perdas, as resistências e as maneiras pelas quais construímos memória após e durante a tragédia

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Publicado originalmente em uma edição inteira da revista The New Yorker de 1946, “Hiroshima” (Companhia das Letras, 2002) reconstitui a explosão da bomba que matou 100 mil pessoas na cidade japonesa. Seis sobreviventes contaram suas memórias para o jornalista John Hersey: o Kiyoshi Tanimoto (pastor), Hatsuyo Nakamura (viúva e mãe de três filhos), Terufumi Sasaki (cirurgião), Sra. Toshiko Sasaki (funcionária de fábrica), Padre Wilhelm Kleinsorge (missionário jesuíta alemão) e Hiroko Nakamura (telefonista). O depoimento de cada um deles escancara como o evento traumático foi capaz de redefinir valores pessoais e comunitários.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    A vencedora do Nobel de 2024, Han Kang, aparece novamente nas listas de melhores livros do ano com “Sem Despedidas” (Todavia, 2025), um delicado manifesto contra o esquecimento. Como no título anterior “A Vegetariana” (idem, 2018), a autora mescla a memória e a realidade contemporânea da Coreia do Sul. Dessa vez, acompanha uma escritora que viaja de última hora de Seul à ilha de Jeju, a pedido de uma velha amiga hospitalizada. Com o objetivo de cuidar do pássaro de estimação da conhecida, a protagonista se depara também com a história de uma família cujas memórias se entrelaçam com os vestígios de um massacre real — ocorrido na ilha entre 1948 e 1949, às vésperas da Guerra da Coreia — que deixou dezenas de milhares de mortes. Leia um trecho da obra aqui.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “Arrastados: os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho” (Intrínseca, 2022) é um esforço para a construção da nossa memória coletiva do que foi o maior desastre humanitário do Brasil. A partir de entrevistas com sobreviventes, familiares das vítimas, bombeiros, médicos-legistas, policiais e moradores das áreas atingidas, a jornalista Daniela Arbex reconstitui as primeiras 96 horas da tragédia que matou 270 pessoas em 2019. Ela também acompanhou o impacto das indenizações e contrapartidas institucionais para a reparação dos danos materiais. “Apesar de todo o dinheiro gasto até agora, a multinacional não conseguiu dar resposta para a questão mais pungente gerada pelo rompimento da B1: a perda de vidas humanas. Não existe reparação para a morte”, escreve.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Em “Noturno do Chile” (Companhia das Letras, 2004), Roberto Bolaño (1953-2003) constrói um monólogo febril no qual o padre e crítico literário Sebastián Urrutia Lacroix revisita sua trajetória às portas da morte, tentando compreender sua própria cumplicidade durante a ditadura chilena. Entre memórias literárias, encontros marcantes e episódios de silêncio conveniente, o narrador expõe as contradições de uma geração que coexistiu com a violência política enquanto buscava preservar a própria imagem.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    A romancista Marjane Satrapi revisita sua infância e adolescência durante a Revolução Islâmica de 1979 no Irã em “Persépolis” (Quadrinhos na Cia, 2007). Com traços simples e narrativa direta, a autora mostra como a a violência estatal, as perdas familiares e a pressão religiosa moldaram gerações inteiras — especialmente mulheres e jovens — com sentimentos de medo, não-pertencimento e conflito identitário.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “Diários de Gaza: a memória é uma casa indestrutível” (Editora Tabla, 2024) reúne relatos de artistas, professores e escritores que viveram os primeiros meses da ofensiva israelense iniciada em 7 de outubro de 2023. Neste primeiro volume da série idealizada por Atef Abu Saif, catorze autores registram perdas, rotinas interrompidas, medo e resistência, compondo um mosaico de testemunhos que se cruzam para formar a memória coletiva de uma guerra ainda em curso. Organizada no Brasil por Rafael Domingos Oliveira e traduzida do árabe por Rima Awada Zahra, a edição apresenta textos que funcionam ao mesmo tempo como denúncia, arquivo e tentativa de preservar aquilo que permanece quando tudo ao redor é destruído.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Um garoto introspectivo cresce na São Paulo do início dos anos 1990, aprendendo a viver em meio aos dois “continentes” que são as vidas distintas de seus pais divorciados. Acompanhamos o amadurecimento e a perda da inocência de Rodrigo em “O Hipopótamo” (Todavia, 2025), do escritor, roteirista e tradutor Chico Mattoso. Pouco a pouco, o protagonista percebe suas memórias de infância se misturando ao trauma da família que viveu a ditadura militar — seja pelo comportamento inconstante dos pais, pelo afeto que vem de lugares inesperados ou pelas misteriosas marcas no braço da mãe. Na Gama, você confere um trecho do livro.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “Jacarandá” (Editora 34, 2025) de Gaël Faye, segue Milan, jovem francês de mãe ruandesa que, ao assistir às imagens do genocídio de 1994, percebe o quanto desconhece a própria origem. Anos depois, ele viaja a Ruanda para decifrar os silêncios de Venancia, sua mãe, e acaba conhecendo Stella, filha de uma sobrevivente. É por meio desses laços que Milan entra em contato com um luto coletivo ainda presente e com as cicatrizes visíveis e invisíveis que moldam o país desde então.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Um dos relatos mais contundentes sobre a experiência da desumanização nos campos de concentração nazistas, “É isto um homem?” (Rocco, 2013), de Primo Levi (1919-1987), revisita a passagem do escritor e químico por Auschwitz. Enviado para Auschwitz em 1944 ao lado de outros 650 judeus italianos, Levi integra o pequeno grupo que sobreviveu e pôde voltar à Itália em 1945. Sua obra expõe o processo de destruição física, moral e psíquica imposto aos prisioneiros.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Entre os livros mais influentes do século no Brasil, “Um Defeito de Cor” (Record, 2006) recria, com fôlego épico, a trajetória de Kehinde, personagem inspirada na figura histórica de Luísa Mahin, que teria sido mãe do poeta e abolicionista Luís Gama. Na obra de Ana Maria Gonçalves, a protagonista é sequestrada no Reino de Daomé e escravizada na Bahia. Mais tarde, conquista a alforria e retorna à África antes de, já idosa e cega, empreender a busca do filho perdido no Brasil. Uma importante leitura para resgatar a memória da escravidão no nosso país. Na Gama, você pode conferir sete curiosidades sobre o romance.

Um assunto a cada sete dias