Todo mundo quer ser latino?

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Bloco de notas

O que a redação está ouvindo de música da América Latina?

Do reggaeton ao trap, uma seleção de músicos que tocam no país nos próximos meses, que acabam de lançar discos e que não saem dos nossos headphones

O que a redação está ouvindo de música da América Latina?

Mariana Pontes 31 de Maio de 2026

Do reggaeton ao trap, uma seleção de músicos que tocam no país nos próximos meses, que acabam de lançar discos e que não saem dos nossos headphones

  • Nomeada para Melhor Álbum Latino de Rock ou Alternativo no Grammy Awards em 2022 com seu álbum de estreia “Calambre” (2020), e novamente em 2025 com o sucesso “GRASA” (2024), Nathy Peluso é uma cantora e compositora argentina conhecida pela sua mistura de gêneros musicais. Entre hip-hop, soul, trap, rap e salsa, a artista, ganhadora de cinco Grammys Latinos e com 16 indicações ao longo de seis edições do prêmio, atrai um público cada vez maior dentro e fora da América Latina. Em fevereiro deste ano, lançou o single “Como en el Idilio” em colaboração com o norte-americano Marc Anthony, que atingiu o primeiro lugar na Airplay Latina da Billboard (músicas mais tocadas entre estações de rádio latinas nos Estados Unidos) em sua nona semana. Em 2026, lançou “CLUB GRASA”, uma extensão com remixes das músicas do seu aclamado álbum de dois anos antes, que conta com uma faixa junto à cantora brasileira Lua de Santana.

  • Catriel Guerreiro e Ulises Guerriero formam a dupla musical CA7RIEL & Paco Amoroso, como são mais conhecidos. Ainda que tenham surgido em 2018, os músicos só tiveram uma explosão de reconhecimento após sua apresentação no “Tiny Desk”, em 2024. Dois anos depois, seu álbum “PAPOTA”, que é acompanhado de um curta-metragem de mesmo nome, ganhou o Grammy de Melhor Álbum Latino de Rock ou Alternativo. Os artistas chegam a São Paulo e ao Rio de Janeiro em novembro para uma turnê do álbum “FREE SPIRITS”. Lançado em março de 2026 e com colaborações com Sting e Jack Black, entre outros, as letras falam sobre a indústria da música, a fama e seus problemas, o envelhecimento, desejos excessivos, vícios — tudo envolto em humor e caos.

  • Karol G é um dos fenômenos mundiais da música latina, principalmente no estilo reggaeton. Quase dez anos depois da estreia de seu primeiro álbum “Unstoppable”, que trazia seu primeiro grande hit “Ahora Me Llama” em colaboração com Bad Bunny, ela acumula nove vitórias e 31 indicações entre o Grammy Awards e o Grammy Latino, além de ser a 58° artista mais ouvida no Spotify mundialmente, com mais de 50 milhões de ouvintes mensais. Com músicas que exploram empoderamento, relacionamento e outras experiências, a cantora colombiana foi a primeira mulher a estrear em primeiro lugar na Billboard Global 200 com um álbum em espanhol, o “MAÑANA SERÁ BONITO”. Em toda sua carreira, já vendeu mais de um milhão de ingressos pela América Latina e, em 2027, ela estará no Brasil com sua turnê “Viajando por el Mundo”.

  • Três irmãos: dois cantores e um produtor. O vocal da banda mexicana Latin Mafia é formado por Milton e Emilio de la Rosa, enquanto Mike atua como produtor. Passeando por diversos estilos, como R&B, trap e pop latino, suas músicas falam sobre relações e a  complexidade humana. Durante a pandemia, no TikTok, os irmãos compartilhavam seus trabalhos e, com o aumento de visualizações, decidiram lançar “Ciudad de las luces”, em 2021. A canção fala sobre a lembrança de um encontro breve com uma mulher  e o desejo de encontrá-la novamente. Dois anos depois, esgotaram os ingressos para o show da banda no Velódromo Olímpico da Cidade do México e, em 2024, apresentaram-se no Coachella. Neste ano, lançaram o single “Como Es Que Se Hace”, em parceria com Yandel, e participaram do álbum “OMAKASE” do Alvaro Diaz, na faixa “MALASNOTICIAS.”.

  • Aos 19 anos, Camilo Joaquín Villarruel, conhecido como Milo j, é uma das principais vozes latino-americanas da nova geração e já coleciona uma indicação ao Grammy Latino para Melhor Canção de Rap/Hip-Hop. Acompanhado de músicos e do Agarrate Catalina (grupo de murga, gênero musical e teatral do Uruguai), o argentino participou do Tiny Desk Concert em abril deste ano, levando suas canções, o folclore e a identidade cultural de seu país para uma audiência global. Com experiência em batalhas de rap, Milo j subiu suas músicas no Youtube em 2021, mas começou a ganhar mais atenção em 2022, com “Milagrosa”. Já em 2023, sua participação no volume 57 das Bzrp Music Sessions, uma série de faixas colaborativas entre o convidado e o DJ Bizarrap, chegou a alcançar a primeira posição da Billboard Argentina e a 31ª colocação na Billboard Global 200. O artista discute temas atuais com sensibilidade e vulnerabilidade, assim como mistura o tradicional com o moderno em suas músicas.

  • São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Ribeirão Preto receberam, em março, Silvana Estrada na turnê de seu álbum “Vendrán Suaves Lluvias” – com o público cantando em coro as suas letras. Nascida no México, a cantora e compositora de músicas que mesclam o indie-folk, jazz e ritmos latino-americanos ganhou o prêmio de Artista Revelação do Grammy Latino em um empate com a cubana Angela Alvarez, após o lançamento de seu segundo álbum “Marchita” (2022). Em maio deste ano, lançou o single “Antes de Ti” com o artista espanhol pablopablo, que reuniu 260 mil visualizações do videoclipe no Youtube em duas semanas.

  • J Noa, apelidada de “a filha do rap” (título também adotado pela artista), une um rápido jogo de palavras e críticas políticas em suas produções. Aos 17 anos, foi indicada para Melhor Música de Rap/Hip-Hop no Grammy Latino com “Autodidacta” (2023) e, nos dois anos seguintes, recebeu uma indicação de Melhor Música Alternativa e outra na mesma categoria da de 2023. Nascida e criada na República Dominicana, J Noa aborda assuntos com maturidade e coragem. A artista ganhou popularidade após uma sessão de freestyle com o DJ Scuff no Youtube, em 2021 e, no ano seguinte, lançou seu EP “Mi Barrio” com quatro faixas. Neste ano, a cantora já tem seis singles novos, cinco dos quais foram feitos em colaboração com outros músicos e produtores.

  • Rapper, cantor e compositor Mateo Palacios Corazzina, de nome artístico Trueno, conta com uma indicação a Melhor Música de Álbum Urbano e duas vitórias do Grammy Latino: Melhor Música de Rap/Hip-Hop com “Fresh” e Melhor Fusão/Interpretação Urbana com “Tranky Funky”. Filho do rapper de referência Pedro Peligro, que teve grande influência na participação do filho em batalhas de freestyle no início de sua carreira, Trueno já teve quatro músicas na Billboard Global 200, a mais recente sendo “Real Gangsta Love” (2024). Seu álbum mais recente, intitulado “TURR4ZO”, saiu em abril de 2026 e conta com 14 faixas que possuem uma forte conexão com suas raízes na Argentina, tratando também de questões identitárias e culturais.

  • O mês de maio de 2026 foi repleto de novidades para RaiNao. A cantora participou do Tiny Desk Concert, trabalhando com ritmos porto-riquenhos e diferentes da sua mistura usual de reggaeton e batidas eletrônicas. Cinco dias depois, lançou “Marcriá”, seu segundo álbum de estúdio. Tudo começou em 2020, quando subiu no Youtube um cover da música “He Tratado”, de Víctor Manuelle, para em seguida publicar músicas autorais, com estilo de trap e R&B. Seu EP de estreia “ahora A.K.A. NAO” chamou a atenção do cantor Bad Bunny, que a chamou para participar de sua turnê “Un Verano Sin Ti” e, três anos depois, a música “PERFuMITO NUEVO” de ambos chega à primeira posição da Airplay Latina da Billboard em janeiro deste ano — a primeira número um da artista.

  • No final da década de 1990, Ana Tijoux era membro do grupo de hip-hop Makiza, mas seu sucesso foi maior com a música “Eres Para Mí”, feita em colaboração com a mexicana Julieta Venegas. Com três indicações para o Grammy Awards e cinco no Grammy Latino, a cantora franco-chilena ganhou a Gravação do Ano com Jorge Drexler, pela faixa “Universos Paralelos” (2014). Filha de um casal de exilados na França durante o regime militar no Chile, sua música tem papel de protesto e trata de assuntos como injustiça social, opressão e feminismo. Ela frequentemente participa de campanhas contra a desigualdade e entrou para a lista da BBC de 100 mulheres inspiradoras e influentes do mundo de 2020. A artista tem três músicas que já passaram pela lista de Principais Músicas Latinas da Billboard. Uma delas foi “1977”, em 2011, que também foi usada no quarto episódio da série “Breaking Bad” no mesmo ano.

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