Qual o lugar das mulheres na política?

5

Bloco de notas

Livros de autoras mulheres sobre política em diferentes frentes

Em tempos de questionamento sobre o voto feminino e diante da ausência de mulheres nas chapas presidenciais deste ano, Gama reúne livros recentes escritos por elas

Livros de autoras mulheres sobre política em diferentes frentes

16 de Agosto de 2026

Em tempos de questionamento sobre o voto feminino e diante da ausência de mulheres nas chapas presidenciais deste ano, Gama reúne livros recentes escritos por elas

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Entender as nuances de lideranças femininas que apoiam e fortalecem a extrema direita não é tarefa fácil. Em um momento de maior visibilidade de muitas dessas figuras, as professoras Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira investigam as trajetórias de algumas delas, cujas atuações políticas se escoram numa ética da colaboração, da autoridade moral e da família como aspecto central. Agora em pré-venda, “Mulheres e Extrema Direita no Brasil” (Elefante, 2026, 150 págs., R$ 59,99) chega às livrarias em setembro, com um olhar que tira essas personagens do plano de coadjuvantes — no qual partidos e representantes ainda insistem em encaixá-las. O livro traz uma ultradireita que não é mais apenas um campo ideológico, mas um espaço de surgimento de uma feminilidade específica, que traz um inimigo em comum: o feminismo.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Poucos dias antes do segundo turno das eleições de 2018, Patrícia Campos Mello denunciou a campanha de disseminação de notícias falsas, principalmente em benefício de Jair Bolsonaro. Após isso, a jornalista virou alvo de difamação e intimidação nos meios digitais. Essa experiência é o ponto de partida para um quadro mais amplo de ataques contra a liberdade de imprensa no Brasil, apresentado em “A Máquina do Ódio” (Companhia das Letras, 2020). A repórter especial do jornal Folha de S. Paulo, explica como líderes populistas utilizam as redes sociais a seu favor e como os linchamentos acontecem nesse ambiente. O livro, pessoal e investigativo, abre caminhos para entender os novos tipos de ameaça à democracia brasileira e atua também como manifesto em defesa da informação.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Duas plantas ligadas à África no imaginário popular, mas cujos saberes medicinais e mágico-religiosos foram construídos na troca entre os povos brasileiros, dão nome ao livro “Arruda e Guiné: Resistência Negra no Brasil Contemporâneo” (Fósforo, 2022). Escrito por Bianca Santana, apresenta as plantas como resistência histórica, atualizando o projeto de resistência negra e reinterpretando a democracia atual. A jornalista e professora escreveu os textos reunidos na obra entre 2017 e 2022 para diferentes veículos — as revistas Gama e Cult, o site Ecoa-UOL e o jornal Folha de S.Paulo —, mas que, quando lidos em conjunto, oferecem um retrato reflexivo do Brasil contemporâneo. Neles, estão presentes os temas que não saíam dos noticiários nesse período, como a crise sanitária da Covid-19, as ameaças às terras dos povos tradicionais e a disputa da PEC das Domésticas.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Carlos Eduardo Benevides Gomes, o Cabo Bené, passou de policial militar a chefe de milícia em Itaguaí, na Baixada Fluminense, até ser executado com outros 11 homens numa operação militar às vésperas das eleições de 2020. A partir dessa trajetória, “Como Nasce um Miliciano” (Bazar do Tempo, 2025) apresenta um panorama sobre a rede criminosa do Rio de Janeiro, que se alastra pelas estruturas estatais de poder. Para a jornalista investigativa Cecília Olliveira, a segurança pública é marcada por uma lógica militarizada e pela crescente presença das milícias, sustentadas por uma complexa aliança entre polícia, crime organizado e política.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “Quando dizemos ajeum, em iorubá, ou mi’u, no idioma sateré-mawé, não estamos apenas falando de comida; estamos demarcando territórios de conhecimento a partir de nossas línguas, e isso é um gesto de contracolonização.” Inara Nascimento e Rute Costa explicam nessa frase como o alimento vai além do prato, sendo também vida em movimento. O livro “Ajeum Mi’u: Confluências Negras e Indígenas em Torno da Alimentação no Brasil” (Elefante, 2026) apresenta uma histórica falta de acesso à terra e novas mudanças dos sistemas alimentares, em que as populações afrodescendentes e indígenas são mais expostas à insegurança alimentar. As autoras usam saberes ancestrais para pensar a alimentação no Brasil frente às lacunas de conhecimento desse cenário, dialogando com ciência, cultura e política.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    O livro-reportagem da jornalista Marina Rossi aborda a destruição da maior floresta tropical pelo agronegócio, em um ciclo previsível: o desmatamento, a venda ilegal da madeira, a queima e a terra grilada transformada em pasto. Em “O Cerco: a Amazônia Invadida pelo Gado” (Todavia, 2025), a repórter da BBC News Brasil aproxima o tema do leitor o convidando a questionar esse sistema destrutivo — e ainda tolerado — a partir do que está em seu prato. Ela traça uma investigação desde os primeiros bois que chegaram ao Brasil, passando pela ocupação compelida da Amazônia durante a Ditadura Militar e chegando aos atuais conflitos da região. O estudo revela a íntima relação da crise climática com a pecuária, que se mantém econômica, política e culturalmente ativa.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “Coreografia da Escolha” (Fósforo, 2026), de Angela Boldrini e Carolina Moraes, trata da história brasileira em relação ao aborto nos últimos anos. O livro tem como base, entre outros episódios, o maior processo penal por aborto no Brasil, que se deu em Campo Grande no ano de 2007, conhecido como Caso das 10 Mil — também contado em podcast pela Folha de S.Paulo. As jornalistas falam do tema pelas frentes políticas, sociais, médicas e jurídicas, e tentam afastar o tabu que o cerca, instigando um olhar não pela moral, mas pela saúde pública.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    O maior país católico do mundo caminha para uma conversão à fé evangélica. Durante as últimas três décadas, a comunidade crente cresceu no Brasil, já compondo um terço da população. O livro “O Púlpito: Fé, Poder e o Brasil dos Evangélicos” (Todavia, 2024), de Anna Virginia Balloussier, analisa as mudanças que esse cenário provoca na sociedade, a exemplo de aspectos econômicos e ideológicos. No debate público, novos sentidos do aborto, do casamento, da sexualidade e da prosperidade questionam as concepções já enraizadas. A obra também narra a história do evangelismo no nosso país e, ao entrevistar líderes e fiéis desse movimento, analisa suas convicções e relações com o poder político. Leia um trecho aqui.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    As histórias de quase uma centena de mulheres que ingressaram e continuaram na política brasileira são contadas em “Candidatas: os Primeiros Passos das Mulheres na Política no Brasil” (FGV Editora, 2024). As cientistas políticas Malu A. C. Gatto e Débora Thomé realizaram um trabalho de fôlego de quase 200 entrevistas e um alto volume de dados eleitorais investigados. Elas nos apresentam muitos perfis — distintos em raça, faixa etária, região e filiação partidária —, mas que, em comum, têm uma forte resiliência no enfrentamento da violência de gênero. Neste ano, recebeu o prêmio Victor Nunes de melhor livro, pela Associação Brasileira de Ciência Política.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “O Que o Congresso Pensa Sobre as Mulheres?: Produção Legislativa e Gênero no Brasil” (Jandaíra, 2025) investiga as leis que dizem respeito às mulheres no Congresso Nacional — produzidas, muitas vezes, por homens brancos, heterossexuais e conservadores. Resultado da dissertação de mestrado em Direito na USP de Marina Ganzarolli, o livro analisa mais de mil projetos de lei e normas aprovadas desde a Constituição de 1988. A obra denuncia a apropriação que grupos conservadores fazem de discursos feministas e de direitos humanos, escondendo por trás deles projetos de rigor penal e retrocessos em políticas públicas.

Um assunto a cada sete dias