Qual o jogo por trás das bets?

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Bloco de notas

Conteúdos para entender por que as bets estão dominando o Brasil

De pesquisas a campanhas como o Block no Tigrinho, uma seleção que relembra o crescimento das apostas online e debate sua regulamentação

Conteúdos para entender por que as bets estão dominando o Brasil

05 de Julho de 2026

De pesquisas a campanhas como o Block no Tigrinho, uma seleção que relembra o crescimento das apostas online e debate sua regulamentação

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    Estrelado pelo ator e comediante Gregório Duvivier, o programa “Greg News” (2017-2023) já aplicou às bets sua tradicional fórmula, tratando temas sérios com humor e fina ironia. O décimo episódio da sétima e última temporada apresenta um panorama das apostas ligadas ao esporte no Brasil, desde seus primórdios no país até os impactos financeiros e psicológicos, concluindo com uma reflexão sobre sua regulamentação. Originalmente transmitido há três anos, o programa e a “enxurrada de bets” que o apresentador menciona continuam cada vez mais atuais, presentes seja em propagandas de influenciadores seja nas transmissões de jogos. E o humor ácido dos comentários também segue pertinente — e tristemente engraçado. Disponível no YouTube, na HBO Max e na Apple TV.

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    Gastos em tratamentos médicos, perda de qualidade de vida, casos de suicídio: o deprimente mapa dos danos sociais, psicológicos e financeiros causados pelas apostas online já gera um custo anual de ao menos R$ 38,8 bilhões no Brasil. A conclusão é do dossiê “A Saúde dos Brasileiros em Jogo”, elaborado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em parceria com a Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental e a associação Umane, que analisa os efeitos sanitários, econômicos e sociais das bets por aqui. Por outro lado, a lei atual determina que somente 1% da receita bruta das empresas de apostas retorne ao Ministério da Saúde. O documento traça, com base em dados, pesquisas e informações inéditas obtidas junto ao governo, uma explicação clara do cenário atual, evidenciando a pouca contribuição do setor para o mercado de trabalho formal, além dos inúmeros prejuízos que ele vem acumulando até aqui. Disponível para download gratuito.

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    Só nos quatro primeiros meses deste ano a receita das empresas de apostas online legalizadas dobrou em relação a 2025, com um faturamento de R$ 2,2 bilhões. Hoje os impostos arrecadados já se aproximam das gigantescas indústrias do tabaco e da agricultura. É o que revela a reportagem da Folha de S.Paulo, que, com a ajuda de recursos visuais, traça um raio-X das principais bets no Brasil, apresenta palpites de especialistas acerca do futuro do setor e comenta a atuação das plataformas clandestinas a partir das pressões sofridas pelo governo. O texto também traz um dado central: ao contrário de outros mercados, o sucesso das bets esportivas não mostra uma progressão contínua, pois está muito atrelado a campeonatos. E a Copa do Mundo, o mais famoso deles, deve representar um adicional de R$ 20 a R$ 25 bilhões em valores apostados, numa previsão da consultoria H2 Gambling Capital.

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    Como princípio, as apostas em jogos de azar nutrem a eterna esperança de ganhar dinheiro — ou então de recuperá-lo, quando as perdas começam a se acumular. É por isso que, em vez do passatempo inofensivo que muitas empresas tentam vender, a atividade pode evoluir para um impulso incontrolável, uma questão patológica conhecida como ludopatia. Essa é a faceta sombria das bets revelada por Carlos Lopes, subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas do Espírito Santo, em conversa com o médico Drauzio Varella em episódio do DrauzioCast. Os sintomas do transtorno incluem uma interferência notável no cotidiano, ansiedade, depressão e, claro, prejuízos financeiros recorrentes. Segundo Lopes, a desestruturação familiar, os desafios no mercado de trabalho e o suicídio estão entre as consequências mais frequentes. Mas, como em todos os transtornos adquiridos, a recuperação da ludopatia é possível e depende de tratamento psicológico. Disponível em Spotify, Apple Podcasts, Deezer e YouTube.

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    “De que lado da influência você está?”. O slogan da campanha Block no Tigrinho, criada este ano pelo coletivo cultural 342 Artes, instiga a reflexão sobre uma transformação profunda no papel dos influenciadores, desta vez como figuras importantes na luta contra a epidemia das apostas online. A ação busca informar a população dos perigos dos jogos de azar e convidou artistas e personalidades a se juntar à causa, unindo nomes como Caetano Veloso, Alice Carvalho e Camila Fremder, entre dezenas de outros. Com a produção de conteúdos no Instagram, o projeto disponibiliza uma diversidade materiais para serem compartilhados nas redes de quem também se interessa em espalhar essa mensagem.

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    Numa edição inteira voltada ao universo dos jogos, a Gama traz conteúdos essenciais para entender a crise das bets, encabeçados por uma questão: Tá jogando muito? Evocando já em 2024 uma epidemia dos transtornos ligados às apostas, o fundador e coordenador do Programa Ambulatorial do Jogo (PRO-AMJO) do Hospital das Clínicas, Hermano Tavares, afirma em entrevista a Isabelle Moreira Lima que, com as bets e os cassinos online, já estamos vivendo o maior boom de casos de compulsão desde os anos 1990 — e esse cenário só tem piorado. Se tem presenciado uma realidade que une sintomas como gastos financeiros, ansiedade, depressão e uma perda generalizada de controle, você pode estar frente a um caso de dependência de jogos online. Nesta reportagem de Ana Elisa Faria, você encontra dicas de especialistas para identificar esse quadro e agir da forma mais adequada.

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    Hoje, as apostas já ultrapassam as quatro linhas dos jogos esportivos. Em entrevista ao podcast Café da Manhã, da Folha, o codiretor da Data Privacy Brasil Rafael Zanatta discute “Como e por que se aposta sobre tudo” com os jornalistas Gabriela Mayer e Gustavo Simon. É o que acontece com sites como o Kalshi e o Polymarket, que se dizem plataformas de previsões, mas permitem que usuários negociem “ações” até sobre eventos futuros no mundo real. Na verdade, tratam-se de apostas que englobam diversos âmbitos da vida, como política, economia, cultura e também esportes. Um dos grandes exemplos são as tensões geopolíticas como o conflito entre Irã e Estados Unidos, que movimenta cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) em palpites relacionados a operações militares.  O episódio explica o que são esses mercados e debate seus impactos na democracia e em questões como o vício. Disponível no Spotify e na Deezer.

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    Sabia que, em pouquíssimo tempo, o Brasil se tornou o quinto maior mercado de bets no mundo? Nesta reportagem da BBC News Brasil, a jornalista Camilla Veras Mota destrincha o caminho que levou o país a assumir a liderança na presença das plataformas de apostas online na América Latina. Se até 2018 todos os jogos de azar eram ilegais por aqui, a Lei 13.756 legalizou as apostas esportivas, que passaram a se enquadrar como loteria — considerada um serviço público no país. Ao desenhar um panorama geral da ascensão das bets em solo brasileiro, ela revela a importância central do Pix para facilitar as apostas e até mesmo a publicidade do setor em todos os cantos.

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    No episódio “Por que o brasileiro está apaixonado pelas bets?” do podcast Mamilos, lançado em 2024, as jornalistas Juliana Wallauer e Cris Bartis respondem as múltiplas facetas dessa pergunta ao lado das especialistas Ligia Mello, sócia e CSO da agência de pesquisas Hibou, e Vera Rita de Mello Ferreira, presidente da Associação Internacional de Pesquisa em Psicologia Econômica. As discussões sobre a ilusão do talvez ganhar, as tecnologias que facilitam a atividade e os desafios da fiscalização no ambiente digital tornam o episódio obrigatório para entender como tudo isso é, sim, da nossa conta, quer apostemos ou não. Disponível no Spotify, na Apple Podcasts e na Deezer.

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    Uma das principais reportagens a abordar o vínculo de influenciadores com plataformas ilegais de jogos de azar, “O Bonde do Tigrinho”, escrita por Alessandra Medina e João Batista Jr., saiu na revista piauí em dezembro de 2024, mas segue relevante até hoje. A investigação revela que os criadores de conteúdo não colocam apenas as casas de apostas em seus perfis, mas vendem a imagem falsa de alguém que integra essas apostas na sua rotina e, como uma espécie de amigo íntimo, as indica aos seus seguidores. No texto, também há dados palpáveis e casos conhecidos, como o de Virginia, que ilustram o funcionamento das bets no Brasil e seu sistema exploratório de propaganda. O recente uso de ídolos do esporte para vender o “jogo responsável” mostra que, desde então, pouca coisa de fato melhorou.

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