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Foto de Michelly Matos/Wikimedia Commons

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Repertório

Festas populares nada óbvias para conhecer destinos incríveis no Brasil

Destinos em diversas regiões do país em que dá para aproveitar floresta, mar, cachoeira e ainda curtir uma festa muita tradição

Tereza Novaes 28 de Junho de 2026

Festas populares nada óbvias para conhecer destinos incríveis no Brasil

Tereza Novaes 28 de Junho de 2026
Foto de Michelly Matos/Wikimedia Commons

Destinos em diversas regiões do país em que dá para aproveitar floresta, mar, cachoeira e ainda curtir uma festa muita tradição

Festa da Boa Morte — Cachoeira (BA)

Foto de Elias Rosal (esq.) e Everton Costa (dir.). Via Wikimedia Commons.

Em AGOSTO, um grupo de mulheres vestidas de branco toma as ruas da cidade no Recôncavo Baiano, carregando velas e entoando cânticos. Elas fazem parte da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, confraria fundada em 1820 por africanas escravizadas e libertas. A festa tem seu ápice no Dia da Glória, quando a cidade acorda com fogos de artifício, marcando a ressurreição da Virgem. Nos dois dias seguintes, rola muita comida e samba de roda. A 110 km de Salvador, Cachoeira se destaca por sua arquitetura colonial preservada, a efervescência de suas tradições afro-brasileiras e por seu papel na independência da Bahia.

Marujada de Bragança — Bragança (PA)

Foto: Almeida Neto/Iphan

Reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como patrimônio nacional, as Marujadas celebram São Benedito, o “santo negro” e padroeiro dos escravizados, e acontecem em outras cidades paraenses. A festa em Bragança se repete há mais de 220 anos e é a mais tradicional delas. Durante nove dias, em DEZEMBRO, missas, procissões, danças e shows fazem parte dos festejos. A 210 km de Belém, a cidade tem praias oceânicas, de água clara e areia fina e branca, dunas, além da orla do rio Caeté.

Cavalhadas de Pirenópolis — Pirenópolis (GO)

Foto: Reprodução/Pirenópolis Turismo (esq.) e Michelly Matos (dir.)

Parte do calendário da Festa do Divino Espírito Santo, muito celebrada no interior do país, as Cavalhadas recriam batalhas medievais com cavaleiros mascarados, em luxuosas vestimentas azuis (representando cristãos) e vermelha (os mouros). Eles realizam coreografias e corridas que transportam o público para outra época. Tradição de 200 anos, ela se repete todos os anos sete semanas após a Páscoa, entre MAIO e JUNHO, e também é patrimônio reconhecido pelo Iphan. A cidade é uma das principais atrações turísticas do centro oeste, com casario colonial e cachoeiras em seu entorno.

Fandango Caiçara — Paranaguá (PR)

Fotos: José Carlos Muniz (esq.) e Ivan Ivanovik (dir.). Via Iphan.

O fandango caiçara, tradição com raízes no século 18, é celebrado anualmente no litoral do Paraná. A manifestação tem como marcas a rabeca e a viola, além de danças em pares e rodas nas quais os homens usam tamancos que ressoam no tablado. Recentemente, a tradição foi reconhecida como patrimônio cultural. A festa costuma acontecer em NOVEMBRO, na cidade de Paranaguá. Pertencente ao município, a Ilha do Mel é um dos destinos turísticos mais singulares da região: sem circulação de veículos, com 95% do território protegido como reserva ecológica e praias praticamente desertas, acessíveis apenas por trilhas. A ilha também guarda dois marcos históricos: a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres, do século 18, e o Farol das Conchas, construído no século 19.

Bumba Meu Boi de São Luís — São Luís (MA)

Foto: Roberto Castro/Iphan

Em JUNHO e JULHO, dezenas de grupos tomam os bairros de São Luís com tambores, bordados e toadas. A festa tem origem em uma lenda: o escravizado Pai Francisco mata o boi mais bonito da fazenda para atender ao desejo da esposa grávida, que queria comer a língua do animal. Descoberto pelo fazendeiro, ele convoca pajés e curandeiros para ressuscitar o boi e quando o animal volta a urrar, a celebração começa. A festa chegou a ser proibida pela polícia entre 1861 e 1868, mas resistiu. Em 2019, a Unesco reconheceu a festa como patrimônio da humanidade, já os casarões revestidos com azulejos do centro histórico da capital maranhense são Patrimônio Cultural Mundial da Unesco, desde 1997.

Boi de Mamão — Florianópolis (SC)

Fotos: Acervo Fundação Franklin Cascaes (esq.) e Igor Cardoso/O Fatual UFSC (dir.)

É uma manifestação folclórica em roda, com personagens que desempenham um papel na história da morte e ressurreição do boi, com muita música e dança. A origem da tradição é disputada, alguns pesquisadores acreditam que foi inspirada no bumba meu boi nordestino, enquanto outros defendem a origem açoriana, no século 18. Em 2019, o folguedo foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial de Florianópolis, e a cidade instituiu o Dia Municipal do Boi de Mamão, celebrado em 20 de AGOSTO. No ano passado, nos dias 16 e 17 de agosto, a capital catarinense realizou um festival com grupos que preservam a tradição.

Festa do Bode Rei — Cabaceiras (PB)

Fotos: Reprodução/Prefeitura Municipal de Cabaceiras

No Cariri paraibano, a cidade é conhecida como Roliúde Nordestina e já foi cenário de pelo menos 30 produções audiovisuais, entre elas, as séries “Cangaço Novo” e “Onde Nascem os Fortes”. É lá que, no mês de JUNHO, um animal sobe ao trono, na Festa do Bode Rei, que já teve 27 edições. O bichinho mais bem cuidado da região é coroado e recebe a chave da cidade. O evento nasceu como estratégia para valorizar a caprinocultura, principal atividade econômica da região, e hoje reúne até 250 mil visitantes com shows e gastronomia.

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