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Como escolher uma fantasia de Carnaval que tem a ver com você

Especialista e foliões dão dicas para deixar sua marca este ano nos blocos carnavalescos

Leonardo Neiva 15 de Fevereiro de 2026

Como escolher uma fantasia de Carnaval que tem a ver com você

Leonardo Neiva 15 de Fevereiro de 2026
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Especialista e foliões dão dicas para deixar sua marca este ano nos blocos carnavalescos

Com que fantasia eu vou? Em época de festejos carnavalescos, o samba de Noel Rosa bem que poderia ganhar um novo substantivo. Afinal, todo mundo quer sair às ruas para fazer bonito no bloco. E, enquanto muita gente se contenta apenas com algum adereço colorido e cheio de glitter — ou em vestir a popular camiseta Pitombeira, de “O Agente Secreto” —, tem sempre quem queira surpreender pela criatividade, pela ousadia ou pela marca individual na criação de sua fantasia.

Arquivo pessoal/Barão di Sarno

“Minha concepção de fantasia é bem própria”, adianta o designer, músico e ativista paulista Barão di Sarno, 47, sócio-fundador da consultoria Questtonó e diretor do Bloco Bastardo, de São Paulo. “Eu gosto de fazer uma coisa que surpreenda, algo que as pessoas não estão imaginando. O barato para mim é justamente ficarem se perguntando: como assim esse cara se fantasiou disso?” Não à toa, suas fantasias ficam entre as que mais chamam a atenção ano após ano, nas ruas e nas redes.

Arquivo pessoal/Carol Perlingeiro

Para a modelo piauiense Carol Perlingeiro, 35, surpreender não é necessariamente o foco. “Eu sempre acabei me decidindo por temas com que me identifico, seja por memórias, por imagens que eu vejo ou coisas que estejam acontecendo no momento”, conta. Ela costuma sair com looks mais clean e com menos peças, evitando, por exemplo, acessórios de cabeça que podem incomodar em meio ao fervo. A artista plástica e designer de moda Juliana Cavalcanti di Siqueira, 31, por outro lado, é adepta do maximalismo. “Essa expressão de adereços grandes, fantasias muito coloridas, muito brilhosas, faz com que eu me sinta muito bem, muito bonita. Sempre levo em consideração o quanto está grande, o quanto está exagerado, o quanto está divertido”, conta.

Arquivo pessoal/Juliana Cavalcanti di Siqueira

Já deu para ver que cada tem um jeito de se fantasiar, e está tudo certo. Mas, para quem não descobriu um estilo próprio ou ainda está em dúvida sobre o que vestir este ano, resta a fatídica pergunta: por onde começar? A professora de moda Natalia Peric, especialista em estilo e armário cápsula, é favorável a criar o próprio look em casa, pois isso já revela muito da individualidade de cada um. “E este ano, o artesanal e o criativo estão em alta”, acrescenta.

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Então, se você ainda está um pouco perdido ou então desesperado atrás de uma fantasia para sair nos blocos bem em cima do período de Carnaval, Gama reúne a seguir dicas de quem entende de moda, fantasia e o principal: de cair na folia.

  • 1

    O ponto de partida ideal: seus gostos e interesses pessoais –
    Sarno, do Bloco Bastardo, brinca que, na verdade, é no dia a dia que a gente se fantasia para exercer um papel dentro da sociedade. “Coloca roupa social, paletó, vestido, coisas que não necessariamente nos definem.” Já o Carnaval, assim como o Super-Homem quando tira sua roupa de jornalista, é o momento perfeito para borrar essas limitações e nos permitirmos ser mais honestos com nós mesmos. No caso dele, bota honestidade e criatividade nisso. O designer costuma fazer sucesso há vários Carnavais com referências que vão de um grafite d’OSGEMEOS e do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” a capa de disco dos Secos & Molhados — uma de suas fantasias que mais viralizaram. Todos elementos que fazem parte dos seus interesses artísticos e culturais. Outra que considera a fantasia sua “roupa normal” é Siqueira, uma apaixonada por Carnaval: “Essa é uma forma minha de sair da rotina”, admite. Sarno considera inclusive essa época do ano uma excelente oportunidade para fazer uma investigação de si. “Eu já vi de tudo acontecer dentro do Carnaval. Quando as pessoas realmente se permitem usá-lo como essa plataforma, eu dou a dica de sair do óbvio”, sugere. Peric considera que muitos naturalmente já buscam temas com que se identificam e que têm a ver com sua personalidade. Até porque isso torna bem mais fácil o processo de compor uma fantasia, o que não ocorre quando a pessoa procura assuntos muito distantes do seu universo particular. “Mesmo se ela quiser improvisar, já vai ter várias opções em casa mesmo”, afirma.

  • 2

    Busque referências para impulsionar a criatividade, sem cair em modismos –
    Quando está um pouco perdida ou sem ideias para se fantasiar, a modelo Carol Perlingeiro costuma dar um pulo na Saara, centro comercial carioca que fica cheio de fantasias e adereços nessa época do ano. “Às vezes, eu pegava uma flor e, a partir daquilo, ia desenvolvendo, pensando em como usar aquela flor, com o que ela tinha a ver”, conta a modelo, que é presença assídua nos festejos carnavalescos. Para ela, estar num lugar que te instiga e estimula é um grande incentivo para buscar as próprias inspirações. Nesse caso, vale de tudo: podem ser memórias de infância ou de outros carnavais, imagens ou simplesmente cores… “Eu gosto de cores, então, uma vez em que fiz uma fantasia de unicórnio, eu ficava tentando replicar uma coisa colorida, com prata, transparência, em uma imagem bela.” Na internet, nas redes sociais, você também encontra uma infinidade de tendências e fantasias criativas que podem servir de inspiração. Uma possibilidade interessante é buscar usuários que tenham gostos parecidos com os seus, sugere Siqueira. “Muita gente compartilha conteúdo não só de inspiração, mas de como fazer. O Pinterest é maravilhoso para referências.” Até mesmo um filme, uma música, um objeto ou coisas do seu dia a dia podem te ajudar a criar fantasias autênticas, diz a artista plástica. Na visão de Peric, buscar referências é essencial para o trabalho criativo em qualquer área. “Naturalmente, fazer um painel de experiências e buscar coisas de que você gosta ajuda a ter novas ideias”, aponta. Muitos dos looks que chamam a atenção no Carnaval de rua vêm de memes recentes e assuntos do momento, como os foliões que este ano decidiram se vestir de Ana Paula e Tia Milena, dupla icônica do BBB26, ou até de planta, inspirados no show de Bad Bunny no Super Bowl. Só não pode deixar sua identidade se perder em meio a tantas possibilidades. Por isso, vale buscar o equilíbrio entre dentro e fora, o individual e as referências coletivas.

  • 3

    Planeje-se com antecedência, mas não precisa exagerar nos preparativos –
    Se você está pensando em comprar uma fantasia ou criar uma do zero de forma artesanal, o melhor é se dar o tempo adequado para isso. No primeiro caso, alguns dos modelos mais procurados esgotam rápido e você pode acabar tendo que escolher entre fantasias batidas como a de colombina ou presidiário. Já no segundo, pode ser que a falta de tempo cause frustrações, não te permitindo chegar ao resultado que você tinha em mente. Segundo Peric, essa necessidade é ainda maior para quem vai fazer um trabalho artesanal, pois ele demanda cuidado e planejamento — e acaba fazendo mais sentido para quem busca uma fantasia original. “Às vezes, a gente inventa uma coisa muito mirabolante, tem a ideia na cabeça, mas na hora de executar, se não planejou e nunca fez aquilo antes, existe o risco de não sair do jeito esperado”, adverte. Sarno, por exemplo, começa a pensar no Carnaval já no Réveillon e chega a gastar mais de seis horas criando uma única fantasia. “É uma espécie de ritual para mim”, confesa. Hoje, porém, admite gastar menos tempo produzindo cada look justamente porque a fantasia acaba sendo algo efêmero, que ele não usa mais do que uma vez. Dessa forma, consegue criar vários looks diferentes por ano para curtir a folia sempre de cara nova.

  • 4

    Se faltar habilidade, paciência ou dinheiro, não tem mistério: aposte no simples –
    Perlingeiro costuma criar as próprias fantasias carnavalescas. “Hoje em dia se gasta muito comprando fantasia, porque é uma coisa trabalhosa, artesanal… mas também perde um pouco da originalidade”, admite. A modelo é adepta de looks mais simples quando vai às ruas. Em um guia rápido sobre o tema nas redes, o Bloco Bastardo, de São Paulo, lembra que fantasia nem sempre precisa ser algo definido, com um nome. Unir um biquíni ou sunga a uma camiseta customizada, com um adereço bem colorido e brilhante na cabeça, já compõe um visual instigante. Afinal, “fantasia é conjunto. E atitude”, diz o post. Claro que confeccionar uma fantasia mais elaborada pode soar assustador para quem não tem lá grandes habilidades manuais, mas há alguns caminhos possíveis. A dica de Peric é buscar vídeos e indicações estilo “como fazer” na internet, que existem aos montes e costumam ser bastante detalhados. Também é importante se livrar de impulsos preciosistas, que podem te levar a gastar tempo e esforço demais numa peça sem necessidade. Sarno sugere, por exemplo, dar preferência a processos mais simples como usar cola quente e cola de tecido em vez de costurar — é uma opção menos “segura”, mas muito mais rápida. “O efeito acaba sendo mais importante do que o acabamento e os detalhes”, lembra o designer. Os materiais que não encontra em casa ele costuma comprar pela internet, onde é possível achar valores mais baixos.

  • 5

    Não ignore a praticidade e o conforto — eles fazem falta na hora da folia –
    Tudo bem que nem sempre menos é mais, mas às vezes é sim. Então, cuidado para não se deslumbrar demais com uma fantasia mirabolante e acabar se esquecendo do básico: você aguenta ficar com ela várias horas pulando Carnaval? Ou vai acabar tendo que voltar para casa mais cedo? Na visão de Peric, por um lado, trata-se de uma simples questão de conhecer as próprias limitações: “Tem gente que sustenta looks menos confortáveis, uma peça mais apertada, um salto alto… mas outras pessoas não.” Mas há questões mais fundamentais em que é preciso pensar, como peças que efetivamente machucam, são quentes demais para o verão carnavalesco ou dificultam na hora de ir ao banheiro. “Meia arrastão ou meia-calça podem machucar o pé se não colocar outra meia por baixo. É recomendável pensar nessas coisas, uma parte de baixo adequada, um tênis ou uma bota confortável etc.”, afirma a professora de moda. Fantasias em que é preciso ficar carregando algum acessório, só mesmo para quem está disposto a passar perrengue. “Conforto para mim hoje é essencial”, declara Perlingeiro. “Eu já usei muita coisa desconfortável, acessórios na cabeça… Acredito que na avenida, na Sapucaí, tem que aguentar, mas na rua não dá.” Uma coisa que Sarno evita são roupas que cobrem o corpo inteiro — “que nem aqueles caras fantasiados de Pikachu” —, dentro das quais o calor é intenso. Para ele, o ideal é o equilíbrio entre conforto e desconforto, como acontece com o salto alto e a gravata na vida não-carnavalesca. “Ali na catarse, no movimento, a coisa acaba acontecendo.” Até porque uma dificuldade ou outra é inevitável, e vira até história para contar.

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