Por que é tão difícil se separar?

5

Bloco de notas

Livros recentes sobre relações amorosas

Lançamentos, novas traduções e reedições que discutem o amor em suas tensões, formatos e diferentes manifestações

Livros recentes sobre relações amorosas

Leonardo Neiva 01 de Fevereiro de 2026

Lançamentos, novas traduções e reedições que discutem o amor em suas tensões, formatos e diferentes manifestações

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Amor, zelo, desejo, intimidade, vaidade… Esses e muitos outros termos que rodeiam o universo das relações amorosas estão contemplados no “ABC do Amor” (Oficina Raquel, 2025) de Renato Noguera, autor de “Por Que Amamos” (Harper Collins, 2020). O novo livro do escritor, doutor em filosofia e professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro traz de fato um abecedário dos afetos, repleto de conceitos filosóficos, poéticos, mitológicos e ancestrais para ajudar o leitor a definir e compreender melhor seus relacionamentos amorosos. Nas mais de 100 palavras abordadas por Noguera, conceitos complexos se transformam em experiências íntimas e acessíveis, aproximando o leitor das sutilezas das relações amorosas, do erotismo e da ética dos afetos.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Poucos períodos se mostraram tão desafiadores para os relacionamentos quanto a pandemia. A jornalista esportiva Milly Lacombe explora essas dificuldades em “Eu Te Amo, Cretino” (Seja Breve, 2025) através da história de Marina e Otavio, casal heterossexual que se vê obrigado a passar seus dias na companhia exclusiva um do outro. Se eles refletem as histórias de muitos casamentos pandêmicos, período que viveu um boom de separações no mundo todo, também têm de único aquela pequena parcela de afeto que ainda não se extinguiu. Assim, se veem às voltas com tarefas cotidianas e discussões intermináveis sobre a relação enquanto buscam formas de escapar de dentro de si mesmos, na esperança de encontrar a tábua de salvação para uma relação em frangalhos — e é essa esperança que ainda os mantém juntos.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Há muito daquilo de mágico que existe nas relações amorosas contido nas crônicas do psicanalista e educador Rubem Alves (1933-2014). O volume “Cantos do Pássaro Encantado” (Planeta, 2025), que acaba de sair em nova edição, reúne esses textos que falam de alegrias e também de perdas, mas que encontram até no fim definitivo as raízes para um novo começo. Num diálogo entre filosofia, literatura e música, o autor, que foi também teólogo e pastor, acessa por meio de histórias as experiências mais íntimas dos leitores. Uma obra sobre relacionamentos amorosos e a eterna capacidade humana de se encantar, como na esperança remanescente na voz e no voo de um pássaro.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    O luto se mistura ao surgimento de um novo relacionamento. Essa é a premissa básica de “A Solidão das Aranhas” (Companhia das Letras, 2026), romance do jornalista e escritor Diogo Bercito, autor de “Brimos à Mesa” (Fósforo, 2025) e “Vou Sumir Quando a Vela Se Apagar” (Intrínseca, 2022). Dentro dela, há uma teia sensível de relações, que se inicia com a notícia que Gabriel temia desde criança: seus pais estão mortos. A tragédia o leva a visitar a cidade natal, onde encontra, em vez da casa de família que habita suas memórias, ruínas ocupadas por aranhas, pacas, lagartixas e criaturas misteriosas. Uma das mais insondáveis é Domingos, jovem cientista de passagem pela cidade, na missão de colecionar aranhas em caixas de fósforo. É junto a esse estranho companheiro que Gabriel descobre mais sobre sua história e desenvolve uma nova relação de amor e cumplicidade.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    O amor carrega em cada uma das mãos o poder de construir e destruir. E é sobre a segunda dessas capacidades que versa “Sylvia” (Âyiné, 2025), romance autobiográfico do norte-americano Leonard Michaels (1933-2003). Pouco conhecido no Brasil mas um dos autores mais admirados do séculos passado nos EUA, Michaels mergulha na intimidade de um casal que se encerra numa sombria obsessão amorosa. O cenário é o bairro novaiorquino de Greenwich Village na década de 1960, dividido entre a geração beat e o movimento hippie. Mas o mundo para lá da janela praticamente inexiste na realidade do casal de protagonistas, cuja loucura apaixonada acelera de forma inevitável rumo a um desfecho devastador. Publicado originalmente em 1992, a obra só chega agora por aqui, com tradução de Daniella Domingues.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Como é ter um relacionamento saudável? Qual o estilo de apego de cada um? E como romper ciclos negativos dentro de uma relação? Em “Amor Seguro” (Fontanar, 2025), a terapeuta de família Julie Menanno, criadora do perfil @TheSecureRelationship, responde a muitas perguntas como essas, cruciais para cultivar um relacionamento são e duradouro. Também traz questões reconhecíveis para muitos casais: por que brigamos sempre pelos mesmos motivos; como manter a comunicação durante os conflitos; por que um apego inseguro costuma afetar a vida sexual etc. Uma aula sobre se conectar e reencontrar a segurança no outro, a obra, traduzida por Lígia Azevedo, traz sugestões de como evitar mágoas e ressentimentos até nas situações mais sensíveis.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Contrariando o título desta lista, “Maurice” (Ercolano, 2025), do romancista britânico E.M. Forster (1879-1970), não é nada recente. Mas, escrito em 1913 e publicado só em 1971, o livro permaneceu muitos anos esgotado no Brasil. Esta edição da Ercolano, com tradução de Antonio Farinaci, é a mais recente oportunidade de novos públicos entrarem em contato com o romance do autor de clássicos como “Howards End” (Globo, 2013) e “Uma Passagem Para a Índia” (Globo, 2005). O livro, aliás, atravessou o tempo com sua narrativa lírica e ousada, que ousou imaginar um desfecho feliz para uma relação homossexual, numa época em que estas eram criminalizadas e condenadas ao silêncio. Em vez do clichê trágico, “Maurice” usa a felicidade concreta como símbolo de resistência, escrito pelo autor já pensando “nas futuras gerações” — tanto que ficou quase seis décadas engavetado, saindo apenas de forma póstuma.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    “Histórias de Amor no Novo Milênio” (Fósforo, 2025), é apenas o primeiro livro da autora chinesa Can Xue a desembarcar por aqui. Seu romance mais celebrado, com tradução de Verena Veludo Papacidero, a obra acompanha de forma onírica a jornada de várias mulheres em busca do prazer, do amor e da felicidade numa cidade industrial de condições precárias. Seguimos a narrativa de Wei Bo, um homem casado, e a relação com sua amante, uma viúva independente cujo hobby é oferecer “serviços especiais” numa estância termal. Mas também descobrimos mais sobre uma amiga da viúva e a respeito das andanças da esposa de Bo, que se apaixona por um doutor especializado na medicina tradicional chinesa. É nessa corda bamba entre realismo e fantasia, entre a modernidade e as tradições milenares da China que se equilibra este romance impressionante.

     

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Nossos corpos e mentes se desenvolveram ao longo do tempo como verdadeiras máquinas de amar. Agora, o médico neurocirurgião e neurocientista Fernando Gomes analisa algumas dessas engrenagens por trás das nossas paixões e casos amorosos em  “Tratado Sobre o Amor” (Academia, 2025). O que hormônios como a dopamina e a serotonina têm a ver com as nossas relações? A obra aponta o que gera a libido e explica a nossa necessidade de flertar, assim como a importância do beijo como um marco para o contato íntimo. E mostra ainda que o amor não é só uma emoção, mas um sistema motivacional importante para o ser humano. A proposta central é que entender como o cérebro funciona quando você está apaixonado pode te levar a tomar decisões melhores nos seus relacionamentos.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Autora de “Comer, Rezar, Amar” (Objetiva, 2016), livro com mais de 12 milhões de exemplares vendidos e uma adaptação de sucesso para o cinema, Elizabeth Gilbert desconstrói sua imagem de aventureira e sábia em “Todo o Caminho Até o Rio” (Objetiva, 2025). Na obra, a escritora revela detalhes do relacionamento com Rayya Elias, cabeleireira que se tornou sua namorada e companheira de vida. Traduzido por Regiane Winarski e Ana Guadalupe, é um livro sobre cuidado e luto, mas também sobre vício, dependência e codependência. Gilbert escreve a respeito do amor em zonas bastante sombrias, chegando ao precipício da destruição quando planeja o assassinato da companheira, que acabou morrendo devido a um câncer agressivo.

Um assunto a cada sete dias