Os homens estão perdidos?

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Bloco de notas

Livros que ajudam a criar meninos

Uma seleção para entender a masculinidade moderna e criar filhos para um mundo mais justo

Livros que ajudam a criar meninos

21 de Junho de 2026

Uma seleção para entender a masculinidade moderna e criar filhos para um mundo mais justo

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    A igualdade de gênero é importante e traz liberdade para todos, homens e mulheres. A escritora Chimamanda Ngozi Adichie sugere diferentes reflexões sobre o tema em sua palestra no TEDx Euston, que atualmente conta com mais de nove milhões de visualizações. Dois anos depois, esse discurso virou o livro “Sejamos Todos Feministas” (Companhia das Letras, 2015, trad. Cristina Baum), em que a autora traz suas experiências pessoais para falar sobre o que é ser feminista no século XXI. Adichie analisa como a criação de meninos e meninas difere entre si, observação que é peça-chave na busca por mudança. Chimamanda publicou posteriormente “Para Educar Crianças Feministas” (Companhia das Letras, 2017, trad. Denise Bottmann), com conselhos para uma educação igualitária.

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    Lançado originalmente em Portugal pela editora Planeta Tangerina, “Menino, Menina” (Companhia das Letras, 2021) busca tratar questionamentos sobre os rótulos que atribuímos aos gêneros. O livro infantil parte de frases curtas e rimas, acompanhadas de muita cor, para nos mostrar o quanto nós mesmos podemos nos confundir com o que seriam atitudes ideais de um gênero ou de outro. Escrita e ilustrada por Joana Estrela, a obra fala de identidade em sua diversidade e estimula o respeito a todos, trazendo uma reflexão acerca das cores, das roupas e do comportamento “de menino” ou “de menina”. O livro é indicado para crianças a partir de três anos, mas recomendamos a leitura sem uma idade limite.

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    Em “A Vontade de Mudar: Homens, Masculinidades e Amor” (Elefante, 2025, trad. Manu Quadros & Lubi Prates), a escritora e professora bell hooks atribui a crise atual da masculinidade ao patriarcado, que é implementado por muitos, homens e mulheres, e prejudicial a todos. Uma masculinidade saudável, em que há espaço para vulnerabilidade e contato com as emoções, desafia o patriarcado e só é possível se o pensamento feminista for adotado pela sociedade. A americana, autora de mais de 30 obras sobre temas como raça, gênero, classe e amor, diz que homens não podem amar se não forem ensinados a tal, e que a quebra só ocorrerá se o medo de mudar e o anseio pela dominação forem deixados de lado.

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    Ainda que as mulheres sejam um forte e corajoso remédio contra o machismo, para a jornalista Nana Queiroz, os meninos são a cura dele. Uma criação feminista amorosa é a possibilidade de um mundo livre do machismo. O livro “Os Meninos São a Cura do Machismo” (Record, 2021) traz reflexões sobre como a próxima geração de homens pode ser educada para não oprimir. A autora propõe a prevenção como ferramenta para pôr um fim ao ciclo de violência e iniciar outro de uma masculinidade não prejudicial – inclusive aos próprios homens. Queiroz diz que o objetivo é uma criação que os ensine a lidar com as emoções de forma saudável, livre de cobranças sociais estereotipadas, e que os guie para uma maior liberdade.

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    Sonora Jha, jornalista e professora, escreve “Como Educar um Filho Feminista: Maternidade, Masculinidade e a Criação de uma Família” (Agir, 2021) a fim de compartilhar relatos pessoais e propor uma mudança na sociedade. A escritora defende a gentileza como a maior força nessa educação dos meninos, priorizando o respeito com as mulheres e posturas inclusivas, que desafiem a masculinidade tóxica e a misoginia cotidianas. Esse guia e relato, que traz não apenas entrevistas com educadores e psicólogos, mas também indicações de livros, filmes e séries, é para todos que buscam criar uma geração empática e igualitária no século XXI.

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    Gui era um menino que, um dia, percebeu que estava crescendo. E logo vem a preocupação: como iria aprender o que é ser homem? Após um dia sendo (o que ele considerava ser) homem, com comportamentos nocivos a outros e a ele mesmo, se sentia mal. E mesmo diante da tristeza, relembrava que homens não choram. O livro infantil  “Homens Choram” (Record, 2023, trad. Jordi Ribolleda), de Joan Turu, narra uma história de autodescoberta e questiona crenças tóxicas associadas ao que é ser homem. A obra demonstra a importância de os meninos darem atenção aos seus sentimentos, além de se manterem fiéis a quem são.

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    Ruth Whippman, feminista e mãe de três meninos, traz seu olhar sobre como criá-los em meio às novas discussões sobre a masculinidade. Em “Mãe de Menino” (Planeta, 2026, trad. Andresa Vidal), a autora reflete sobre os privilégios masculinos e a mudança desigual nos papéis de gênero. Whippman investiga de que forma a criação de meninos pode ser saudável e libertadora. O livro é uma reflexão acerca de saúde mental, educação, sexualidade, socialização e de uma pressão social em relação ao comportamento de homens que parece chegar de forma contraditória e confusa para eles.

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    Você gosta da cor rosa? Nina, diferentemente de sua mãe, amigas e outras meninas, não. “Ninanão” (Maralto, 2021) acompanha a ousadia da criança em seguir seus gostos e sua liberdade, que diferem do que associamos a cada gênero. Escrito e ilustrado por Daniela Galanti, o livro infantil ganhou o Selo Altamente Recomendável em 2022, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

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    A versão atualizada de “Lugar de Fala” (Record, 2026), escrita pela professora, filósofa e ativista Djamila Ribeiro, discorre sobre o conceito muito abordado na década de 2010 que dá nome ao livro. Segundo ela, a posição social de alguém frente à desigualdade e opressão histórica não deve definir sua participação ou não em um debate. Mas, para enriquecê-lo, é necessário ter consciência de como seu lugar na sociedade influencia suas falas e como elas são percebidas. A obra inaugurou, em 2017, a Coleção Feminismos Plurais, que democratizou o debate que interliga gênero, raça e classe no Brasil.

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    As histórias clássicas das princesas são recontadas no livro infantil “Lute Como uma Princesa: Contos de Fadas Para Crianças Feministas” (Boitempo, 2019, trad. Daniela Gutfreund). Ao invés de esperarem pela salvação de um príncipe encantado, as protagonistas ensinam outras possibilidades para meninas e meninos. Escrito por Vita Murrow e ilustrado por Julia Bereciartu, os 15 contos usam da independência, da autoestima e da representatividade para ressignificar o que é ser uma princesa na contemporaneidade.

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