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Arquivo pessoal

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Reportagem

Mais de 30 horas de navegação: a trajetória de uma ribeirinha até Manaus

Reportagem refaz, pelo rio, o caminho percorrido por Raimunda Aragão de Souza para investigar como o modelo industrial de Manaus reorganizou corpos, territórios e modos de vida

Tainá Rionegro 05 de Setembro de 2026

Mais de 30 horas de navegação: a trajetória de uma ribeirinha até Manaus

Tainá Rionegro 05 de Setembro de 2026
Arquivo pessoal

Reportagem refaz, pelo rio, o caminho percorrido por Raimunda Aragão de Souza para investigar como o modelo industrial de Manaus reorganizou corpos, territórios e modos de vida

Esta reportagem contou com o apoio da organização Repórteres sem Fronteiras

ANTES DA VIAGEM | A mulher da fotografia

Esta é a única fotografia conhecida de Raimunda Aragão de Souza jovem, antes de se tornar operária. Nascida em 1945, no Baixo das Araras, uma pequena comunidade ribeirinha de Fonte Boa, no Alto Solimões, Raimunda fazia parte de uma Amazônia que ainda não havia sido reorganizada compulsoriamente pelo projeto industrial que transformaria Manaus a partir da década de 1960, a Zona Franca de Manaus (ZFM). Hoje, Fonte Boa é uma cidade do interior com pouco mais de 25 mil habitantes espalhados por um território de baixa densidade populacional, apenas 2,13 moradores por quilômetro quadrado, segundo o Censo de 2022, e é conhecida nacionalmente pela experiência de manejo sustentável do pirarucu, maior peixe do Brasil.

Foi desse lugar que Raimunda saiu em 1969, aos 24 anos, rumo a Manaus, deixando o território em Fonte Boa para perseguir uma promessa repetida por gerações de amazonenses: “Ir embora para melhorar de vida”. Em 28 de fevereiro de 1967, o Decreto-Lei nº 288 havia reformulado a Zona Franca, criada anteriormente em 1957 como um porto livre, com base no modelo econômico que transformaria a capital em um grande polo industrial, projeto assinado por Castello Branco — um dos principais líderes e articuladores do golpe que, posteriormente, tornou-se o primeiro presidente do regime militar de 1964, assumindo a presidência de forma indireta.

Mas o projeto do Estado era um e o desejo de quem migrava era outro. O desejo de Raimunda e de milhares de ribeirinhos que migraram para Manaus não era simplesmente tornar-se mão de obra industrial. Era fazer uma casa, dar estudo aos filhos e acessar uma cidade que parecia concentrar aquilo que o interior não oferecia.

“Eu não tinha profissão quando saí de Fonte Boa. Eu fazia roça, pescava, caçava e tirava seringa. A gente mesmo construía nossas casas e pescava. A gente fazia tudo no meio do mato. Mas eu vim para Manaus para ser trabalhador e virar cidadão”, contou Valmir de Souza, ex-marido de Raimunda, pouco antes de morrer. Depois de cerca de quatro décadas de casamento, Valmir não soube responder ao certo. Disse apenas que “Raimunda era do mato, de algum interior na beira do Alto Solimões” e que nunca mais havia voltado.

Raimunda não conseguiu ser inserida por muito tempo na indústria, ela foi descartada cedo da linha de montagem, pois como os seus filhos relatam: “Mamãe era muito caboca, tinha pessoas que não entendiam o que ela falava, eu tinha que ir no comércio com ela para ajudar a traduzir, ela falava caboco. Ela falava como gente que saiu do interior ontem, era engraçado”, disse Elizangela Aragão, sua filha do meio, que me deu a foto de quando Raimunda era mais nova.

Na realidade, Raimunda conseguiu ingressar no setor industrial apenas uma vez, onde permaneceu por três anos, aos 32 anos, na empresa Gillette, fabricante mundial de produtos para o lar e cuidados pessoais estadunidense que fincou no Brasil e se tornou líder do mercado de sistema de barbear. Mas seus filhos, Tânia, Rocine, Michelle, Linda e Junior, integraram a segunda geração de trabalhadores da Zona Franca, e seus netos, Paula, Vera e Daniel, a terceira geração operária dessa mesma família.

O polo industrial abriga cerca de 600 fábricas, concentradas principalmente no Distrito Industrial, nas zonas Sul e Leste de Manaus, sob administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e faturou mais de R$ 220 bilhões em 2025, segundo o próprio órgão. Ainda assim, 55,8% da população vive em favelas e comunidades urbanas, tornando Manaus a segunda capital mais favelizada do país, atrás apenas de Belém, um dado que tensiona o discurso de sucesso econômico associado à industrialização. Raimunda é uma síntese de Manaus em teimosia à Zona Franca.

Trabalhadores no Porto de Manaus (AM), onde o fluxo de cargas e passageiros acompanha o ritmo das embarcações que conectam a capital ao interior do Amazonas
Trabalhadores no Porto de Manaus (AM), onde o fluxo de cargas e passageiros acompanha o ritmo das embarcações que conectam a capital ao interior do Amazonas
Luiz André Nascimento

1º DE MAIO DE 2026| De Santarém a Manaus

Saí de Santarém, onde moro, no dia 1º de maio de 2026, Dia do Trabalhador. Embarquei numa lancha rápida rumo a Manaus, num percurso de aproximadamente vinte horas. Nesta parte da Amazônia, as embarcações também organizam a geografia e o tempo: bajara, catraia, canoa, recreio, catamarã, lancha rápida. De Santarém até Manaus, a lancha aporta em Óbidos, Juruti, Parintins e Itacoatiara. São cidades integradas por uma circulação de pessoas que não aparecem quando o Brasil olha para a Amazônia.

Manaus, entretanto, exerce uma força gravitacional sobre o restante do Amazonas há décadas. Em 1960, antes da reformulação da Zona Franca, a cidade tinha cerca de 175 mil habitantes. Em 1970, já sob os primeiros efeitos do novo modelo econômico, havia ultrapassado 300 mil. No Censo de 2022, chegou a 2.063.689 moradores. A mudança produzida pela indústria também não foi apenas econômica. Ela chegou ao corpo. “No rio a gente trabalhava muito, mas era outro cansaço. Aqui é um cansaço preso dentro da fábrica”, me disse Elizangela Aragão, filha de Raimunda. O tempo do rio admite cheia e vazante, chuva e sol, pesca, roça, espera e adaptação. O tempo da fábrica exige repetição, horário e continuidade. O corpo que antes respondia também aos ciclos da natureza passa a responder à máquina.

Doze horas depois de sair de Santarém, cheguei a Manaus, era noite. Vista do rio Negro, as águas escuras refletem prédios, postes, pontes e luzes, quase confundindo os limites entre cidade e rio, uma linha esfumaçada. É uma imagem curiosa para uma capital narrada há quase sessenta anos como fabril: vista de fora, Manaus ainda precisa da água para aparecer inteira.

2 DE MAIO DE 2026 | Manaus, longe do rio

A cidade que encontrei do porto não era exatamente a mesma cidade dos cartões-postais. No São José Operário, na Zona Leste, bairro onde Raimunda conseguiu construir sua casa, o rio parece distante. Foi somente aos 1989, já aos 44 anos, que conquistou sua casa no São José Operário, bairro conhecido como de “galeroso”, de marginal, é um dos bairros mais populosos da cidade e estigmatizado pela violência. A casa de Raimunda demorou quase 30 anos para ser construída e nunca foi concluída, Tânia Aragão, sua filha mais velha me explicou o porquê:

“Essa casa é toda retalhada porque ela foi construída por todos os filhos de Raimunda. Cada um construiu uma parte da casa em tempos e condições diferentes. A gente foi fazendo do jeito que dava, a partir dos empregos que tínhamos”, relata.

A casa de Raimunda foi de todos por muito tempo, somente Wanderley de Aragão, seu penúltimo dos seis filhos, conseguiu comprar uma casa para si. A primeira versão era de madeira e ela permaneceu sendo a central da fanília por 20 anos. Junior, filho mais novo de Raimunda, que nasceu em Manaus,, lembra das experiências vividas e trocadas com sua mãe. “Eu aprendi vendo mamãe plantar em casa, o feijão dela, as ervas dela. A gente tinha uma horta lá atrás a gente tinha carambola, pé de amora, ela gostava muito de plantar”, lembrou Junior olhando o quintal da casa que cresceu, em São José Operário, que hoje já está quase todo coberto de concreto, restando apenas uma bananeira que Raimunda plantou antes de morrer.

Pude entrevistar Júnior antes que ele morresse aos 43 anos, em 2025 (assassinado por facão na esquina da sua casa). Havia herdado a depressão de sua mãe e sofria por não achar mais emprego e pela insegurança alimentar que enfrentava junto aos filhos. O último emprego formal de Júnior em Manaus foi exatamente o primeiro emprego que teve seu pai, Valmir, quando chegou nesta cidade: carregador de caixa. Segundo ele, o melhor trabalho que existia era no interior das fábricas, pelo Vale Alimentação.

“Na empresa é melhor porque você tem Vale Alimentação, convênio, tudo particular, ajudava demais. O que está pegando agora é minha idade, na Honda eu não posso entrar mais porque contrata até os 35 anos, a Samsung também não me aceitou”, relata Júnior diante da tentativa de ser aceito nas fábricas da cidade e da obsolência programada que seu corpo foi sujeito.

Entre os seis filhos de Raimunda, somente os dois homens permanecem empregados, Wanderley e o mais velho, Rocine. Dois netos, por conta da idade, ainda trabalham na linha de montagem, mas as mulheres também já não conseguiram mais inserção e migraram para outras áreas da informalidade.

Após quase seis décadas, a Zona Franca de Manaus mantém incentivos fiscais garantidos até 2073. Em 2025, a renúncia tributária federal chegou a R$ 29,89 bilhões, segundo o Tribunal de Contas da União, enquanto o Amazonas registrou 8,4% de desemprego, contra 5,6% no Brasil. A Reforma Tributária preservou os mecanismos de proteção do modelo, contudo, o próprio Tribunal avaliou a sua ineficiência:

“Falhas estruturais graves, resultados negativos e ausência de avaliações pelo gestor. Contudo, sua extinção [da Zona Franca] é inviável devido a barreiras constitucionais e políticas, tornando a recomendação de ALTERAÇÃO PROFUNDA a via mais pragmática”, segundo Relatório analítico sobre os gastos tributários no Brasil. Ainda assim, o governo anunciou, em agosto de 2026, a articulação para a implantação do Polo Industrial nº 4, na zona Leste de Manaus, onde também fica a casa de Raimunda.

3 DE MAIO DE 2026 | De Manaus a Fonte Boa

De Manaus a Fonte Boa eram aproximadamente vinte e três horas de lancha, além do percurso posterior até Baixo das Araras. Fonte Boa fica no Alto Solimões, a 680 km de Manaus. A cidade é cercada por mais de 140 comunidades, entre indígenas e ribeirinhas, somente com a Fonte Boa sendo urbana. Sua maior atração é o boi bumbá, sendo o azul, o boi Corajoso e o vermelho, o Tira-Prosa. A economia local é marcada pela pesca manejada do pirarucu, pela agricultura familiar e pelos pequenos negócios. Segundo o DataSebrae, Fonte Boa reúne cerca de 3,2 mil pequenos negócios ativos e 2.616 produtores rurais com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento que reconhece a condição de agricultor familiar e possibilita o acesso às políticas públicas destinadas ao setor rural.

Cheguei até Willyane Soares Gomes, 44 anos, filha de uma das primas mais próximas de Raimunda, a Ideuzalina Dario Gomes, conhecida Ideuza, 72 anos. Sua mãe havia vivido alguns anos em Manaus, mas, diferentemente de Raimunda, decidiu voltar para Fonte Boa. A existência desse retorno me intrigava porque desmontava a ideia de que a passagem entre interior e capital fosse necessariamente uma viagem de mão única.

Travessia do Baixo ao Alto Amazonas. De lancha rápida, o percurso pode levar cerca de três dias. Em embarcações convencionais, a viagem pode se estender por até duas semanas, seguindo o tempo e o curso dos rios.
Travessia do Baixo ao Alto Amazonas. De lancha rápida, o percurso pode levar cerca de três dias. Em embarcações convencionais, a viagem pode se estender por até duas semanas, seguindo o tempo e o curso dos rios.

Tainá Rionegro

Cheguei a Fonte Boa já na madrugada de 4 de maio de 2026. Eram cerca de três horas da manhã quando desci no porto. Havia apenas um homem esperando na beira. Era Antônio Soares Gomes, Antônio Zuada, 70 anos, esposo de Ideuza. Ele me abraçou e disse: “Bem-vinda à sua terra”. Eu me hospedei na casa Keila [filha mais velha de Ideuza], e ela só me disse: “Amanhã vamos acordar de madrugada, Antônio conseguiu a Bajara (embarcação média de madeira, geralmente usada para deslocamentos locais em rios, lagos, furos e igarapés) da igreja e vai te levar até a sua terra, lá em Baixo das Araras”.

4 DE MAIO DE 2026| Baixo das Araras

Na manhã de 4 de maio, acordei com uma chuva forte, dessas do inverno amazônico.

Mas o Zuada foi me buscar e disse: “Vamos mesmo assim”.

Antes de chegarmos ao porto, passamos na casa de Ideuza e, assim que me viu, começou a chorar. “Você é a Raimunda todinha. Olha aqui a nossa parenta. Ela veio conhecer a família”. Você vai conhecer sua família, minha filha. Pense num povo bom do Baixo das Araras. Eu ia com a Raimunda pra lá todas as férias. Ela me levava. Vivi muito ali.”, disse Ideuza.

Quando cheguei ao porto, já estava cercada por várias pessoas que poucas horas antes eram desconhecidas e agora me chamavam de parenta. São cerca de 3 horas de Fonte Boa até Baixo das Araras, éramos 5 pessoas no barco, além de Willyane e seu pai, tinha eu e dois outros vizinhos que também ficaram animados para ir com a gente. Bom, passamos por mais quatro comunidades antes de chegar em Baixo das Araras.

A bajara aportou lentamente ao lado de muitas canoas de madeira, de diferentes tamanhos, as casas estavam pintadas e lindas por dentro, poucos móveis e com redes suspensas ao ar. As casas eram de palafitas, muito verde atrás, não havia fronteira entre rio, pessoas e floresta. Havia um lago atrás de todas as casas, que mais tarde fui entender que essa comunidade era guardiã.

Quem nos recepcionou foi o mais velho do local, Jonázio Paes Veloso. Ele tinha 55 anos e, entre as 18 famílias dali, era ele quem coordenava a comunidade. “Eu sei quem é, sim, minha mãe me contou essa história, essa história todo mundo conhece aqui. Ela teve filhos lá para Manaus e nunca mais voltou, prima de Ideuza. Sim, eu conheço”, disse Jonázio.

Ele gritou alto: Macaco, o apelido do seu vizinho, tu tens aquele açaí lá? Baixa pra cá, tem parente para comer hoje. O macaco estava numa pequena canoa, a menor que tinha naquela beira e trouxe uma panela de açaí de mais de 20 litros. “Parenta, aqui a gente cultiva tudo isso, eu trabalho com pirarucu, castanha e melancia. Tenho um pequeno comércio aqui na frente também e vendo muito peixe aqui. Mas você quer conhecer mais? Fala com a minha mãe, ela conhece a Raimunda e tudo aqui. Elas são primas e minha mãe está em Fonte Boa”, me orientou Jonázio.

Panela de açaí colhido e preparado na comunidade de Baixo das Araras, em Fonte Boa (AM), para receber os parentes que chegavam ao território
Panela de açaí colhido e preparado na comunidade de Baixo das Araras, em Fonte Boa (AM), para receber os parentes que chegavam ao território
Tainá Rionegro

Eu tinha atravessado dois estados, cerca de trinta horas de navegação e diferentes trechos dos rios Amazonas e Solimões para responder a uma pergunta: o que faltava ali? No dia seguinte, fui atrás de Guiomar Aquino, mãe de Jonázio. “Eu cresci com Raimunda em Baixo das Araras, a gente brincava muito no rio, pescava junta, a gente plantava, cozinhava junta”, disse ela.

Guiomar ficou entre Baixo das Araras e Fonte Boa e se orgulhava disso: “Nunca fui operária”, se orgulhava. Ela me falou: “Eu vou te mostrar o tamanho da família de Raimunda aqui”, me levou para três casas, andando, pulando de casa em casa. Eu me espantei: apesar de nenhum filho, esposo ou neto de Raimunda saber de onde ela veio, da sua vida no interior, ali todo mundo sabia sobre a história de Raimunda em Manaus, os parentes sabiam de sua existência na cidade. A síntese que escutei foi:

Para estudar no ensino médio todos deveriam ir a Fonte Boa, essa era a primeira migração forçada que quem quisesse estudar enfrentava. Guiomar me contou que Raimunda saiu de Baixo das Araras para estudar: “Minha filha, Raimunda queria estudar, ela já sabia ler e escrever, mas não tinha escola. Uma tia dela recebeu ela aqui após a morte de Mundica e ela logo engravidou de Valmir e, como não tinha médico, ela teve que ir”, disse.

Baixo das Araras. Antes de aportar no destino, a bajara atravessou outras quatro comunidades às margens dos rios e lagos do território
Baixo das Araras. Antes de aportar no destino, a bajara atravessou outras quatro comunidades às margens dos rios e lagos do território
Tainá Rionegro

Ali, apesar da fartura de alimentos e o grande potencial das economias da sociobiodiversidade, não tinha escola nem posto de saúde, os médicos não chegavam em Baixo das Araras, a educação também não. Ou seja, havia economia mas não tinha o Estado. Para estudar no ensino médio, todos deveriam ir à Fonte Boa, essa era a primeira migração forçada que quem quisesse estudar. Por isso, a pequena cidade também vivenciava um inchaço populacional, como Manaus. Fonte Boa era um retrato do que é a grande Manaus: aglutinadora das comunidades ao redor por falta de acesso básico. Raimunda havia saído dali 57 anos antes, em 1969. Nunca voltou. Mesmo assim, seu nome continuava circulando entre pessoas que lembravam de sua família, das relações de parentesco e de histórias que não tinham atravessado até Manaus. Raimunda não era apenas a personagem que eu havia seguido por cerca de trinta horas de rio. Raimunda era minha avó e eu era uma das netas da mulher daquela fotografia, a única que, vivendo em Manaus, não trabalhou no chão de fábrica.

5 DE MAIO DE 2026| O caminho de volta

Voltar para Manaus depois do Baixo das Araras significava olhar para os mesmos números de outro lugar. A Zona Franca continuava sendo um modelo industrial capaz de faturar mais de R$ 200 bilhões em um único ano.

A Zona Franca é um moinho de comer memórias e modos de vida ligados aos territórios de uso comum. Mas no interior das fábricas, essa história permanece nas pessoas. 60 anos de Zona Franca, 57 anos de Raimunda em Manaus, a cidade em que ela sempre foi caboca e onde morreu de coração na fila de espera para o atendimento, revelando a ausência do Estado para a gente da periferia.

O projeto da Zona Franca permanece vivo, o que será de Manaus em 2073, quando o Estado deixar de financiar a febre fabril de sua gente?

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