O que você precisa saber sobre a Amazônia?

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Bloco de notas

Documentários sobre as riquezas, as diferentes culturas e a devastação da Amazônia

Longas, curtas e séries para adentrar a realidade da maior floresta tropical do mundo

Documentários sobre as riquezas, as diferentes culturas e a devastação da Amazônia

05 de Setembro de 2026

Longas, curtas e séries para adentrar a realidade da maior floresta tropical do mundo

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    “Amazônia, a Nova Minamata?” (2022) mostra como o garimpo do ouro impactou o povo Munduruku, que no filme conta sua história de resistência na tentativa de impedir o avanço atividade ilegal em seus territórios. A ameaça, que se estende a todos os habitantes da Amazônia, também aparece nos altos índices de contaminação por mercúrio metálico da extração do ouro: a doença de Minamata. Com referência à tragédia na cidade do Japão, apresenta as severas consequências neurológicas e de cognição, quando não mortes, dessa patologia. Também conhecido por “Iracema, uma Transa Amazônica” (1975), o cineasta Jorge Bodanzky, com participação de pesquisadores e médicos, denuncia o grave cenário em que estão imersos os povos indígenas, resultado da ação humana na natureza. Disponível no Prime Video – Doc Canal Brasil, na Apple TV e no YouTube Filmes.

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    “Nokun Txai – Nossos Txais” (2019), de Sérgio de Carvalho, apresenta as práticas ancestrais de povos tradicionais em uma sociedade moderna, a qual eles também integram. Os 13 episódios foram construídos com as próprias comunidades, falando não só da cultura indígena amazônica, mas também de questões ambientais e sociais. Ao longo da série documental, podemos encontrar histórias que envolvem os desafios da terceira idade para essa população, a luta por benefícios sociais e os impactos de postos de saúde na medicina tradicional das terras indígenas. Disponível no Prime Video.

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    Para um passeio pela música nativa da Amazônia, a escolha é “Amazônia Groove” (2018), dirigido por Bruno Murtinho. Além das paisagens, o documentário revela as ainda desconhecidas tradições musicais paraenses, além de investigar a história de músicos e cantores locais e a influência da cultura amazônica, da ancestralidade e da fé em suas produções. O filme alterna entre o Boi Bumbá e outros ritmos tradicionais da região e as inovações tecnológicas que possibilitam a criação de novos sons, como o tecnobrega. Disponível no Prime Video – Doc Canal Brasil.

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    Às margens do rio Tapajós, Pará, a floresta das mulheres-peixe representa a mitologia Munduruku. Nela, na origem do mundo, humanos se transformaram em florestas, plantas e animais. Produzido pelo Coletivo Audiovisual Munduruku Daje Kapap Yepi – formado por mulheres na luta pelo território e pela vida – “Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe” (2026) apresenta a aldeia Sawary Muybu, onde os espíritos da floresta são parte de uma família que resiste, mesmo em tempos de invasão e destruição. Sob a direção de Aldira Akay, Beka Munduruku e Rylcélia Akay, o filme detalha as vivências atuais da população que mantém as histórias, as tradições, a língua e a luta vivas. Disponível nos cinemas.

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    Edivan Guajajara colaborava com dois diretores americanos, Chelsea Greene e Rob Grobman, em um documentário sobre aqueles que se dedicam a salvar a Amazônia, até a chegada da pandemia. Assim, inicialmente encarregado somente da logística e da tradução, continuou as filmagens que deram origem ao documentário “Somos Guardiões” (2023). O longa-metragem investiga a economia e as consequências por trás do desmatamento ilegal, apresenta a luta dos movimentos sociais contra os invasores da Amazônia e acompanha o líder e ativista indígena Puyr Tembé e o guardião da floresta Marçal Guajajara, em defesa dos povos indígenas e seus territórios. Com Leonardo DiCaprio entre os produtores, tem como objetivo dar visibilidade às comunidades originárias no combate à exploração predatória. Disponível na Netflix.

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    Na Amazônia, para cada habitante, existem três cabeças de gado. O crescimento da pecuária no território derivou de um incentivo governamental na década de 1960 e 1970, fazendo dela uma bandeira econômica e cultural da Amazônia, engenhada pelos políticos. Isso até 2009, quando o Ministério Público obrigou os grandes frigoríficos a monitorarem o desmatamento das fazendas de quem compram o gado. Vencedor do Prêmio One Hour do Ministério da Cultura da França, “Sob a Pata do Boi” (2018), de Marcio Isensee e Sá, apresenta um panorama da pecuária brasileira e de sua relação com o desmatamento na Amazônia. Disponível na Apple TV e na Pluto TV.

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    Às vésperas da COP 30, “Amazônia Urbana – Belém Entre Dois Mundos” (2025) mergulha nas contradições e nas transformações da cidade amazônica. Com pano de fundo das obras de infraestrutura aceleradas para sediar o evento, mudanças como acesso à moradia e saneamento básico são parte da luta por dignidade em meio à desigualdade da capital. Com direção de Aída Neto e Aline Paes, o longa, vencedor da 15ª edição do Doc Futura, do Canal Futura, explora a realidade das periferias na voz dos próprios moradores. Disponível no Globoplay.

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    Baseado no livro homônimo do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo Bruce Albert, “A Queda do Céu” (2024), de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha foca na vida da população Yanomami e tece críticas sobre o garimpo ilegal, o denominado “povo da mercadoria” e as epidemias trazidas por estrangeiros. Em evidência no documentário está a cosmologia dos Yanomami, os espíritos xapiri e sua força geopolítica. O longa acompanha também o ritual Reahu, na comunidade de Watorikɨ, em que parentes de uma pessoa que morreu se reúnem para apagar seus rastros, a fim de manter o equilíbrio e “segurar o céu”, segundo o povo Yanomami. Desde sua estreia no Quinzaine de Cinéastes, mostra paralela do Festival de Cannes, ganhou prêmios como o de Melhor Longa-Metragem Documentário Internacional no Festival Internacional de Cinema de Guanajuato e o de Melhor Som e Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio. Disponível na Netflix.

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    A série “Amazônia, Arqueologia da Floresta” (2022), de Tatiana Toffoli, documenta as pesquisas realizadas no sítio arqueológico Monte Castelo, em Rondônia. As escavações, feitas em parceria com os moradores da aldeia Palhal, da etnia Tupari, mostram que a Amazônia sempre foi ocupada e moldada pelos povos que lá habitavam, ao contrário do mito que propõe uma região vazia até a chegada dos europeus. Conduzidos pelo arqueólogo Eduardo Góes Neves, os episódios mostram indícios de como era a Amazônia há seis mil anos com vestígios preservados de cerâmica, conchas, ossos e fauna. Disponível no Globoplay e no YouTube.

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    A Amazônia Legal tem cerca de 1.300 pistas clandestinas, que não possuem nenhum tipo de registro na Agência Nacional de Aviação — mais do que o número das regularizadas. Justamente por não terem controle de tráfego ou de carga, elas são visadas por atividades ilegais, como a exploração de madeira, o tráfico de drogas e o garimpo de ouro. “Os Pilotos da Amazônia” (2022), com direção de Luiza Drable e reportagem de Hyury Potter, entrevista pilotos e especialistas para falarem sobre a situação. O documentário faz parte da reportagem As Pistas da Destruição, produzida pelo The Intercept Brasil em parceria com o Pulitzer Center e o jornal The New York Times, que mapeia as pistas clandestinas como suporte de uma exploração criminosa. Disponível no YouTube.

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