O futuro é chinês?

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Bloco de notas

Dez artistas visuais chineses para conhecer

Uma lista que inclui pintura, escultura, performance, fotografia e outros para entender a arte que se faz a partir da vida, cultura e herança chinesas

Dez artistas visuais chineses para conhecer

Tereza Novaes 03 de Agosto de 2025
Foto Ai Weiwei Studio

Uma lista que inclui pintura, escultura, performance, fotografia e outros para entender a arte que se faz a partir da vida, cultura e herança chinesas

  • Ai Weiwei

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    © Ai Weiwei Studio

    Figura proeminente e incontornável da arte contemporânea, Ai Weiwei, de 67 anos, é o mais famoso desta lista. Crítica social e política são os alicerces de sua obra que já abordou, entre outras questões, as milhares de crianças mortas no terremoto na província de Sichuan, na China, em 2008; os 43 estudantes de Ayotzinapa, no México, desaparecidos em 2014; e os refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa – trabalho exposto em SP e no Rio, em 2019. Esse posicionamento lhe custou inclusive sua liberdade, em 2011, ele foi detido pelo governo chinês por 81 dias. Atualmente, o artista vive em Portugal.

     

     

  • Cai Guo-Qiang

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    Foto de Yvonne Zhao, Divulgação Cai Studio

    Hoje residindo em Nova York, o artista, de 67 anos, nasceu em Quanzhou, estudou cenografia no Japão e ficou mundialmente conhecido por trabalhos realizados com pólvora. Guo-Qiang foi responsável pelos fogos de artifício da abertura da Olimpíada de Pequim, mas engana-se quem pensa que ele é um mero designer de pirotecnia. A sua obra abrange pintura, algumas com o auxílio de pólvora, performance, vídeo e atualmente tecnologias emergentes, como realidade aumentada e inteligência artificial. Disponível na Netflix, o documentário “A Escada para o Céu – A arte de Cai Guo-Qiang” fala sobre sua trajetória e também é um interessante retrato sobre a China durante a Revolução Cultural.

     

  • Cao Fei

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    Still de “RMB City: A Second Life City Planning” (2007) © Cao Fei

    Formada pela Academia de Belas Artes de Guangzhou em 2001, Cao Fei, de 47 anos, aborda o cotidiano da população chinesa pós Revolução Cultural e a crescente influência da internet no seu comportamento e imaginação, aludindo às fronteiras entre sonho e realidade, por meio de instalações e vídeos. Ao longo de sua carreira, a artista expôs em diversas bienais de arte, como a de Veneza, em três ocasiões, e recentemente esteve em cartaz na Pina Contemporânea, em SP, celebrando justamente a inauguração do espaço, contíguo à Pinacoteca. As obras dela também já foram expostas no MoMa e Guggenheim, ambos em Nova York, e no Centro Pompidou, em Paris.

     

  • Zhang Huan

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    Foto Reprodução Instagram @zhanghuanstudio

    Em junho de 1994, o artista, que hoje tem 60 anos, se besuntou com óleo de peixe e mel e se sentou em um banheiro público no East Village, em Nova York. Ele permaneceu imóvel por 60 minutos, em uma postura semelhante a de um monge budista em meditação, e foi coberto de moscas e outros insetos. Registrada em fotos, performance era uma crítica às condições de vida na China e o alçou ao sucesso. Depois, ele continuou a explorar as suas raízes, em trabalhos que envolviam caligrafia, enormes partes de budas e cinzas de incenso. Participou de Bienais de Veneza e do Whitney e está presente em coleções do MoMA e Guggenheim. No Brasil, uma obra de Zhang Huan faz parte do acervo do Inhotim, em Minas Gerais.

     

  • Zhang Kechun

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    Fotografia da série “The Yellow River” (2011) © Zhang Kechun. Reprodução/Instagram @kechunz

    A paisagem pós-industrial da China é tema recorrente do fotógrafo e artista visual de 45 anos. Trabalhando com uma câmera de grande formato, ele captura imagens grandiosas de lugares transformados pelo desenvolvimento econômico chinês. As fotos têm uma beleza trágica — uma árvore sendo removida por um guindaste ou um trem de carga cruzando um vale desértico – , além de momentos cômicos da vida cotidiana. Ganhador de diversos prêmios internacionais, o mais recente em 2023, na categoria Natureza-Morta do Sony World Photography Awards, ele nasceu em Sichuan e hoje vive em Chengdu, China.

     

  • Liu Xiaodong

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    “Briga” (2018) © Liu Xiaodong. Reprodução/Instagram @liuxiaodongstudio

    Embora seja de uma geração que se voltou à arte conceitual, o artista de 61 anos se tornou uma referência na pintura. Ele nasceu na província de Liaoning, estudou na Academia Central de Belas Artes de Pequim e também em Madri. Vivendo atualmente na capital chinesa, ele viaja pelo mundo para pintar cenas do cotidiano, retratando pessoas em momentos comuns, o que ele define como “realismo contemporâneo”. Na eclosão da pandemia, Xiaodong estava em Nova York e produziu uma série de aquarelas sobre o isolamento e os protestos antirracistas, que ganharam destaque na crítica de arte local. Suas obras estão ainda em coleções nos EUA, no MoMA de San Francisco, por exemplo, e em museus de Xangai e Singapura, além de ter participado em exposições importantes na Europa, como a Bienal de Veneza.

     

  • Tianzhuo Chen

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    Still de “Ocean Cage” (2024) © Tianzhuo Chen

    Com formação em design gráfico e mestrado em belas artes, ambos em Londres, o artista de 40 anos articula uma narrativa visual híbrida, combinando subculturas urbanas e referências religiosas, como hip hop e voguing, Butoh japonês e símbolos do budismo tibetano e do xamanismo. A suas performances, instalações, vídeos, esculturas e desfiles de moda criam atmosferas que transitam entre hipersexualidade kitsch, espiritualidade pop e rituais performáticos que ele próprio chama de “happening” ou “estado de loucura”. Em 2015, fez uma individual no Palais de Tokyo, museu de arte contemporânea em Paris, e, em 2023, realizou a performance “Trance”, em Amsterdã, com 12 horas de duração, envolvia dança, música, cenografia e audiovisual, síntese de sua prática. Vive entre Pequim e Berlim.

  • Pixy Liao

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    “It’s never been easy to carry you” (2013) © Pixy Liao. Reprodução/Instagram @bloodypixy

    Desafiando as ideias convencionais sobre gênero, a artista de 46 anos faz parte de uma geração que experimenta as possibilidades do retrato e da fotografia. Desde 2007, ela desenvolve o projeto “Experimental Relationship”, no qual explora como a cultura de diferentes países influencia e dita as interações em um relacionamento romântico por meio de situações encenadas com seu namorado japonês. Nas imagens, ela costuma aparecer em um papel dominante, enquanto Moro, seu parceiro, assume uma postura de submissão. Ela também aborda facetas da identidade feminina em vídeo e escultura. As obras de Liao já foram exibidas em museus na China e em Nova York, onde mora, e ela já foi agraciada com prêmios internacionais, como Madame Figaro Women Photographers Award, dentro do Arles Photo Festival, importante festival anual de fotografia internacional no sul da França.

     

  • Feng Li

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    “Sem título” (2025) © Feng Li. Reprodução/Instagram @fenglee313

    Fotógrafo documental e de rua, a sua estética é marcada por flagrantes surreais e com cores saturadas. Com a paisagem urbana como pano de fundo, em grandes cidades como Chengdu, onde nasceu e vive, ele captura momentos enigmáticos e fugazes da vida cotidiana, destacando seus absurdos em imagens muitas vezes surreais e cheias de ironia, que revelam ainda o desenvolvimento acelerado da China moderna. Feng Li, que tem 54 anos, ganhou reconhecimento internacional e já teve seu trabalho exposto na Europa – em 2024, a sua mais recente mostra, foi uma retrospectiva em Estocolmo com 200 imagens. Nos últimos anos, Feng Li colaborou com frequência para grandes grifes internacionais, como Balenciaga e Louis Vuitton, e com revistas de moda como “Vogue” e “Nowness”.

     

  • Liang Fu

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    Foto de Thibault Jorge, Reprodução Instagram @nicodimgallery

    O mais jovem desta lista, ele tem 32 anos, Liang Fu nasceu em Sichuan, China, e hoje vive em Paris, França – ele se formou na Escola Nacional de Belas Artes de Nantes. Por meio de pintura, escultura e instalação, ele trata da interação complexa entre formas corporais, paisagens geográficas e a passagem do tempo. A sua família é ligada à curadoria de antiguidades e sua visão estética é profundamente influenciada por essa herança, com um olhar voltado aos valores históricos da arte, explorando temas como erotismo, mitologia, ancestralidade e ficção científica. Ele já foi destaque em mostras coletivas nos Estados Unidos e na Europa.

     

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