Já falou com seus avós hoje?

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Bloco de notas

Livros para quem vai virar avó ou avô

Seleção traz dicas de leitura para refletir e ressignificar o papel dos avós na vida das crianças

Livros para quem vai virar avó ou avô

20 de Julho de 2025

Seleção traz dicas de leitura para refletir e ressignificar o papel dos avós na vida das crianças

Manuais para pais de primeira viagem existem aos montes, mas e para os avós que estão exercendo esse papel pela primeira vez? Embora em nenhum dos dois casos seja preciso seguir regras escritas em pedra (ou em papel), é interessante refletir e ressignificar esse lugar nos dias de hoje. Por isso, escolhemos dez títulos que podem despertar nos futuros vovôs e vovós ideias e desejos para construir uma relação doce e cheia de sentido com a nova geração e consigo próprio. Boa parte desses livros ainda pode ser uma boa sugestão de leitura compartilhada, ou seja, que funcionam muito bem também para serem lidos com as crianças.

  • “As Mais Belas Coisas do Mundo” (Biblioteca Azul, 2019)

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    O portugês Valter Hugo Mãe, que estará na Flip deste ano, sabe falar sobre a idade madura como poucos. A princípio, este livro parece destinado às crianças, pelo texto curto e as muitas ilustrações, assinadas por Nino Cais, mas não é exatamente voltado para elas. Aqui, o escritor narra as memórias de um sábio avô, reconstituídas pelo neto, o que ele ensinou e como despertou a curiosidade para entender os sentimentos das pessoas. Uma ótima opção de presente para quem está entrando neste novo papel, o livro nos lembra que a ternura de um avô pode mudar a vida de alguém.

  • “Cartas para Minha Avó” (Companhia das Letras, 2021)

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    Por meio de cartas endereçadas à sua avó Antônia, uma mulher carinhosa e amorosa, a filósofa Djamila Ribeiro relembra a infância e adolescência, tratando de temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. Graças à cumplicidade entre avó e neta, a autora rememora episódios difíceis, como a perda do pai e da mãe, as agressões que sofreu como mulher negra no Brasil e os desafios para integrar a vida acadêmica. Para quem vai se tornar vovó (ou vovô) em breve, este livro ressalta a importância que eles podem ter na busca das raízes e também no dia a dia dos netos.

  • “Ojiichan” (Fósforo, 2024)

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    O título do livro, que significa vovô em japonês, dá pistas sobre o seu enredo: um olhar sobre a velhice na comunidade nipo-brasileira, contemplando algumas de suas particularidades, como a austeridade e a aversão ao melodrama. Ao completar 70 anos, Satoshi é aposentado compulsoriamente do colégio onde lecionou por décadas e precisa enfrentar desafios em sua casa, como a perda de memória da mulher Kimiko. Terceiro romance do escritor paranaense e vencedor do Jabuti Oscar Nakasato, o livro mostra que a terceira idade é um caminho a ser trilhado, apontando a necessidade de beleza e serenidade em um mundo ocidental que valoriza juventude e velocidade.

  • “Coisas Presentes Demais” (Relicário, 2025)

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    Neste romance recém-publicado de Flávia Péret, o tema é o processo de apagamento vivido por quem sofre de Alzheimer. A narradora se aproxima da avó, outrora uma figura enigmática e exuberante, que agora enfrenta a doença. Fragmentos de memória, imagens, gestos e silêncios fazem parte dessa jornada. Entre visitas à casa de repouso e lembranças de infância, desenha-se um mosaico narrativo delicado que envolve passado e presente, enquanto uma se esquece, a outra se lembra.

  • “Minha Avó e seus Mistérios: Memórias inspirativas” (Rocco, 2019)

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    Com toques de realismo fantástico, entre ficção e não ficção, Frei Betto evoca as lições de vida de sua avó Maria Zina, com quem conviveu de perto na juventude. A história narra a convivência entre os dois, a admiração por ela e muitos dos valiosos conselhos e ensinamentos que recebeu dela. “O segredo da felicidade é o desapego, às pessoas, às coisas, a si mesmo. Quem menos se apega, menos sofre. Só o que está dentro traz felicidade. O que está fora traz algum prazer e muita ilusão.” A obra nos ajuda a compreender a importância do diálogo com os mais velhos e o que eles podem oferecer como bagagem para quem está começando a vida.

  • “Foi Vovó que Disse” (Edelbra, 2015)

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    Escrito por Daniel Munduruku, este livro infantil celebra a tradição indígena ouvir os mais velhos com muita atenção. Guardiões das histórias dos ancestrais, eles contam aos mais jovens o que sabem sobre as suas origens e o seu papel no mundo. Nesta história, o menino Kaxiborempô é levado por um passeio pela floresta e pela cultura de seu povo. As ilustrações de Graça Lima mostram as cores, formas e texturas da natureza, da cultura munduruku e dos seres encantados da floresta. 

  • “Toda Ruga Tem uma História” (Companhia das Letrinhas, 2024)

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    Escrito pelo israelense David Grossman e ilustrado por Maya Shleifer, o livro parte da pergunta: “Vovô, o que você tem no rosto?”. As rugas do avô Amnon despertam a curiosidade do neto Iotan, que observa cada linha, o formato e a sensação de tocá-las. O menino fica fascinado pelas histórias que cada ruga carrega, felizes, tristes, boas, ruins, especiais e inesquecíveis, inclusive uma surgiu em homenagem a ele. Esta obra é daquelas que podem fazer a cabeça de leitores de todas as idades, ideal para ler junto com os netos e inspirá-los a saber mais sobre a vida dos mais velhos.

  • “Histórias de Avô e Avó” (Companhia das Letrinhas, 1998)

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    Neste livro, o músico, escritor e ensaísta Arthur Nestrovski relembra as origens de sua família, formada por imigrantes russos de origem judaica. Parte da coleção Memória e História, que tinha como objetivo olhar para o passado brasileiro e para as diferenças e semelhanças entre os inúmeros grupos que constituem a população do país, ele conta histórias curiosas e divertidas que marcaram a sua infância. Ilustrada por Maria Eugenia, a edição traz ainda fotografias antigas e cartões-postais do começo do século.

  • “Como a Nossa Vida É Linda: Uma celebração do amor” (Sextante, 2022)

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    De origem coreana, vovô Chan e vovó Marina viviam em São Paulo quando a filha decide voltar para a terra de seus antepassados, levando os dois netos, Arthur e Allan. Com saudades das crianças, Chan começou a retratar o dia a dia em aquarelas, acompanhadas de textos escritos por Marina, que eram publicados no Instagram, apenas para a família. O projeto viralizou e se tornou este livro inspirador, especialmente para quem busca uma forma de preservar a ligação com os netos e, ao mesmo tempo, reconectar-se com a vida. 

  • “Vó, me Conta a Sua História?” (Sextante, 2018)

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    Este não é exatamente um livro para ser lido, mas para ser escrito. Por meio de perguntas sobre as tradições e costumes, como por exemplo, “Quais datas eram comemoradas na sua casa?” e “Como era a festa de Natal e a do Ano Novo?”, a ideia é que ele seja preenchido e se torne memória e recordação, relembrando histórias e registrando os costumes que vieram das gerações anteriores. Há espaço para texto, fotografias e outras lembranças. Apesar do formato um pouco engessado e do fato de ser direcionado às avós (por que o convite para falar sobre o passado não pode ser estendido aos homens?), o livro é um best-seller, com mais de 4 milhões de exemplares vendidos no mundo.

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