De férias com os filhos?
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Depoimento

O que você aprendeu sobre a relação com seus filhos durante as férias?

Pais e mães compartilham as percepções que surgem nas férias escolares, entre improvisos, descobertas e novas formas de se relacionar com os filhos

11 de Janeiro de 2026

O que você aprendeu sobre a relação com seus filhos durante as férias?

11 de Janeiro de 2026

Pais e mães compartilham as percepções que surgem nas férias escolares, entre improvisos, descobertas e novas formas de se relacionar com os filhos

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    “Aprendo sobre a necessidade de me desconectar”

    Camila Fremder, escritora, apresentadora do podcast “É Nóia Minha?” e do programa “Close Errado”, na DiaTV, e mãe do Arthur, 8

    Acho que essas foram as primeiras férias em que eu, como mãe, consegui descansar de verdade. Muito por conta da idade do meu filho: aos oito anos, ele já toma banho sozinho, come sozinho, faz amigos, se diverte — sem aquela demanda constante de “monta o castelo comigo”, “entra na piscina comigo”. Ele já se vira mais. Mas a principal coisa que aprendi com ele nesse período foi a necessidade de exercitar o meu lado de desconectar. Foi bom por isso também. Percebi o quanto a gente é dependente — ou até viciado — no celular. Como ele não tem, brincou bastante, ficou ali se divertindo, e eu comecei a me policiar. O resultado foi ótimo: acabei lendo dois livros em uma semana, algo que antes eu levava dois meses para conseguir.”

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    “Nestas férias, me desapeguei dos horários, e foi incrível abrir espaço para o improviso”

    Elisama Santos, escritora, psicanalista e apresentadora, autora do livro “Educação Não Violenta” (Paz e Terra, 2019), mãe do Miguel, 13, e da Helena, 11

    “Aprendi que, quanto mais livres os horários, mais leves ficam nossos dias. Parece óbvio, mas a gente esquece disso no cotidiano. Tenho uma tendência a organizar a rotina, a ser rígida no cumprimento dos horários, a preencher os espaços de tempo com coisas para fazer. E cada vez que as coisas saem do planejado, um efeito dominó se instala. Nessas férias, me desapeguei um tanto dos horários, deixei dias com nenhuma programação planejada, e foi incrível abrir espaço para o improviso. Me vi mais paciente, mais fluida e recebi mais paciência e fluidez do lado de lá também. O ritmo que vivemos normalmente é cruel com as nossas relações. Volto das férias com a rebelde intenção de não confundir produtividade com felicidade.”

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    “Corram, que passa voando”

    Leo Aversa, fotógrafo e colunista do jornal O Globo, autor do livro “Crônicas de Pai” (Intrínseca, 2021), pai do Martín, 16

    “Aprendi que é bom estar junto, mas é maravilhoso viver coisas juntos. São essas experiências divididas que ficam na memória. Digo mais: não faz a menor diferença se é uma viagem a Paris ou a Caxambu, se é um hotel cinco estrelas ou uma barraca de camping, se é de executiva ou no ônibus caindo aos pedaços, a conexão não tem preço. Só um conselho: corram, que passa voando.”

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    Foto: Renato Parada

    “Nessas férias, senti que meus filhos entendem e sentem muito mais do que eu imaginava. É como se, na minha cabeça, a idade deles fosse sempre menor do que realmente é de fato””

    Martha Nowill, atriz, roteirista, dramaturga e escritora, autora de “Coisas Importantes Também Serão Esquecidas: um diário” (Companhia das Letras, 2025) e mãe dos gêmeos Maximilian e Benjamin, 4

    “A profundidade da convivência muda nesse período. Nessas férias, senti que meus filhos entendem e sentem muito mais do que eu imaginava. É como se, na minha cabeça, a idade deles fosse sempre menor do que realmente é de fato. Quando a gente sai de férias com eles, isso fica muito evidente: o repertório, o vocabulário, a compreensão e a forma como sentem são muito mais amplos. Eles estão mais vividos do que eu suponho. Acho que, muitas vezes, eu ainda os julgo como bebês, mas eles estão quase fazendo cinco anos. E isso me surpreende o tempo todo. Essa foi a grande sensação dessas férias — que ainda estão acontecendo. A gente realmente não pode subestimar as crianças. Elas são muito mais inteligentes, espertas e presentes do que a gente costuma imaginar.”

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    “Nas férias, a gente aprende em conjunto, desenvolve atividades juntos, brinca”

    Luciano Ramos, historiador, pesquisador de masculinidades e paternidades e pai da Laura, 5

    “As férias acabam sendo um momento de muito aprendizado, principalmente porque a minha filha estuda em uma escola em tempo integral. Então, nas férias, a gente aprende em conjunto, desenvolve atividades juntos, brinca. A gente se conecta ainda mais. É o momento em que ela acaba fazendo algumas coisas fora da rotina, o que também nos aproxima e a nossa relação fica ainda mais fortalecida. É um período em que ela demanda mais, mas que ficamos mais presentes no cotidiano dela.”

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    “Férias não são sobre onde a gente vai, mas sobre como a gente permanece junto, mesmo quando os filhos crescem e o mundo deles se expande”

    Carolina Delboni, educadora, psicanalista e escritora, autora do livro “Desafios da Adolescência na Contemporaneidade” (Summus Editorial, 2023), mãe do Pedro, 21, Lucas, 19 e Felipe, 17

    “Alguns anos atrás, uma amiga me perguntou como eu conseguia fazer com que meus três filhos, já adolescentes, ainda viajassem com a gente nas férias. A pergunta dela me fez refletir sobre as oportunidades de conexão que esse tempo nos proporcionava. Ali, entendi que as férias não criam vínculo do nada, elas ampliam o que já foi construído no dia a dia. Isso nunca significou fazer viagens grandiosas ou programas extraordinários. Sempre significou tempo juntos. Família. Quando eram pequenos, eu entrava no ritmo deles: topava as brincadeiras, ficava horas no mar, sentava na areia, dormia junto na soneca da tarde. Tudo isso vai criando laços, reforçando vínculos e, principalmente, criando memória. Férias, para mim, são tempo de criar memória juntos. Na adolescência, conviver nas férias exige reaprender a se conectar. Isso passa por entender o universo deles, o que gostam de fazer, o que escutam, como se expressam e por abrir espaço dentro de casa para isso. Aqui, por exemplo, a música vira território comum: eles colocam as playlists deles na caixa de som, os amigos também, e ninguém critica ou fica pedindo pra abaixar. A gente aproveita para escutar junto, descobrir o que eles curtem. É uma forma de se aproximar sem invadir.
    As férias acabam sendo esse tempo em que a convivência se intensifica e também se ajusta. Um período em que os adultos precisam flexibilizar expectativas, aceitar que a adolescência pede mais negociação do que controle, mais escuta do que direção. No fim, sigo acreditando que férias não são sobre onde a gente vai, mas sobre como a gente permanece junto — mesmo quando os filhos crescem e o mundo deles se expande.”

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    “Aprendi que é importante conseguir ter tempo para cada um poder ser cada um”

    Thiago Queiroz, psicanalista e escritor, criador do blog Paizinho, Vírgula!, autor de “O Poder do Afeto” (Fontanar, 2024) e pai de Dante, 13, Gael, 10, Maya, 7, e Cora, 4

    “Aprendi nessas férias que é importante conseguir ter tempo para cada um poder ser cada um. Quando as crianças entram em férias, a gente fica desesperado querendo fazer mil programas, e tudo com as crianças, mas, sempre que possível, é importante reservar um tempinho para o pai conseguir fazer algo, para a mãe conseguir fazer algo, para que os pais consigam ser eles mesmos, mesmo durante as férias dos filhos. Em um mundo perfeito, todos deveriam ter as suas necessidades atendidas 100% do tempo, só que isso nunca é possível, é uma utopia. Mas se a gente consegue garantir que os pais também tenham algum tempo de respiro durante as férias, elas passam a não ser tão pesadas, a relação com as crianças só melhora e a gente consegue evitar pensar que as férias são ruins e os pais têm apenas que sobreviver.”

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