Dá pra ser mãe sozinha?

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Bloco de notas

Livros que mostram os desafios da maternidade do século 21

Seleção inclui lançamentos como “Antes que Apague”, de Natália Timerman, “Vida Doçura”, de Natércia Pontes, e “Solo”, de Marcella Franco, e outros títulos que mostram o que é ser mãe hoje

Livros que mostram os desafios da maternidade do século 21

10 de Maio de 2026

Seleção inclui lançamentos como “Antes que Apague”, de Natália Timerman, “Vida Doçura”, de Natércia Pontes, e “Solo”, de Marcella Franco, e outros títulos que mostram o que é ser mãe hoje

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    Uma das coisas mais tristes que percebemos em alguém que vive com Alzheimer é como a pessoa vai, aos poucos, desaparecendo em si mesma, quase como se fosse uma fotografia que desbota. É sobre esse luto antecipado que Natalia Timerman, autora de “Copo Vazio” e “As Pequenas Chances”, trata no livro que lança neste mês e já está em pré-venda, “Antes que Apague” (Companhia das Letras, 2026). Na trama, em meio ao processo de adoecimento da mãe, surgem revelações inesperadas sobre seu passado que culminam em uma investigação sobre a força da memória e dos laços familiares.

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    “Solo” (Bazar do Tempo, 2026), de Marcella Franco, com ilustrações Schiavon Paula, fala da maternidade de mães solo sob duas perspectivas muito diferentes: a da mãe e a do filho. Gama recomenda começar pela leitura do filho primeiro e ver como, para aquela criança, tudo é amoroso e divertido. Para a mãe, no entanto, as mesmas experiências são desafiadoras, difíceis, extenuantes e tão reais. Deveria ser obrigatório para que todos se dessem conta do quanto as mães se doam. Difícil conter as lágrimas e ótimo para abordar o assunto com as crianças.

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    Em “Eu e Elas: Histórias maternas” (Record, 2026), Cecília Malan reúne histórias de mulheres e do que elas precisam fazer — de malabarismos a concessões — para executar as tarefas da maternidade. A partir de uma postagem em que contava que tinha que levar a filha ao estúdio de gravação por falta de opção, a jornalista reuniu relatos de mulheres de diferentes partes do Brasil que se veem, todos os dias, em situação semelhante, num país que ajuda tão pouco e valoriza menos ainda as mães. O livro conta histórias como a da mulher que descobriu a gravidez e o diagnóstico de câncer da mãe simultaneamente; da que não sonhava em ser mãe; e da que, abandonada pela mãe ainda criança, hoje tem quatro meninas, entre outras.

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    Maternidade, saúde mental e mitologia estão no primeiro romance de Vanessa Bárbara após um hiato de dez anos. A escritora, tradutora e jornalista aborda  “Três Camadas de Noite” (Fósforo, 2024) mescla aspectos autobiográficas e mitologia grega a passagens sobre escritores depressivos para narrar a jornada de uma profissional e mãe, desde a privação de sono até o estreitamento dos laços com o filho.

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    Das homenagens dirigidas a mulheres às odes para a maternidade, é comum que, dentre muitas mensagens inspiradoras, mães sejam representadas como principais responsáveis pelo sucesso ou fracasso das próximas gerações. E é contra essa noção já enraizada em nossa cultura, sempre craque em reduzir a mulher à figura de mãe, que se opõe a psicanalista Vera Iaconelli em seu “Manifesto Antimaternalista” (Zahar, 2023). Especialista nos temas da parentalidade, ela traça uma denúncia contundente de como funciona e o que representa a armadilha ideológica dos conceitos equivocados que teimamos em manter sobre a maternidade.

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    “A Filha Perdida” (Intrínseca, 2016), de Elena Ferrante, é um dos mais antigos da lista, já virou até filme, mas ainda vale ser indicado porque cada página, cada parágrafo, vale como uma sessão de análise dessas que nos ilumina. O terceiro romance da autora mostra os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade que tria férias na Itália enquanto as filhas, já crescidas, vivem no Canadá com o pai. Enquanto acompanhamos suas férias e sua obsessão por uma família Napolitana, conhecemos sua história pregressa, no início de sua maternidade cheia de conflitos.

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    Quais são as implicações do marcador racial na experiência materna? Em “Maternidade Tem Cor?: Narrativas de mulheres negras sobre maternidade” (Appris Editora, 2021), a pesquisadora Luara Paula Vieira Baia discute o que torna as experiências de mulheres negras singular. O livro, derivado do mestrado de Baia em Ciências Sociais, na Universidade Estadual de Maringá, parte do ponto de vista antropológico, sem deixar de lado o feminismo negro. A obra traz a visão que a sociedade tem sobre as mães negras, bem como suas vozes, numa leitura indispensável para qualquer pessoa preocupada com as interseções de genêro e raça no Brasil.

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    O tabu do arrependimento materno estava fechado a sete chaves numa sociedade que exigia que toda mulher tivesse como destino ter, um dia, um bebê no colo. Na contramão, em “Mães Arrependidas” (Civilização Brasileira, 2017), a socióloga israelense Orna Donath, cujo trabalho se concentra na discussão dos direitos reprodutivos e em estudos de gênero, reúne histórias de mulheres que lamentam ter vivido a maternidade, embora não deixem de amar seus filhos. Ele, sim, fica nítido, assim como a frustração em relação às expectativas que tinham para suas vidas.

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    Uma escritora mergulha nas memórias de família e no luto pela perda da mãe. O ponto de partida de “Vida Doçura” (Companhia das Letras, 2026), novo romance de Natércia Pontes, revela o caminho que o livro deve seguir: uma narrativa que equilibra melancolia e humor com precisão ao tratar das complexidades da solidão contemporânea. Tudo isso numa prosa que evoca cenários criativos a cada página, mesclando a poética da autora cearense com frases que descrevem de forma única a estranheza do cotidiano. Na trama, imersa no caótico processo de escrita de seu novo livro de contos, a protagonista Jocasta tateia as lacunas de sua infância — seja o suicídio da mãe ou mesmo o distanciamento materno quando ela estava viva —, em um estado mental que reflete a bagunça do apartamento ao seu redor, onde vive uma vida desregrada no centro de São Paulo. Leia o trecho publicado na Gama.

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    Uma panacéia para assegurar que as memórias de mãe e filhos perdurarão mesmo quando a cabeça não estiver tão afiada assim (e mesmo depois disso), “Mãe, Quero Ouvir sobre sua Vida: Um diário para mães compartilharem sua história com amor” (Fontanar, 2026) traz páginas para preencher, prompts e atividades para garantir registros de momentos importantes da vida em família. Funciona como um diário guiado e interativo, com perguntas e respostas que abordam temas como infância, juventude, família, amor e escolhas. Uma vez preenchido, serve também como registro histórico familiar para as próximas gerações.

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