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Bloco de notas

Road movies e outros filmes: histórias que acontecem em movimento

De “Ladrões de Bicicleta” a “Eu Não te Ouço”, a seleção reúne longa-metragens que têm nos meios de transporte muito mais que cenários

Road movies e outros filmes: histórias que acontecem em movimento

17 de Maio de 2026

De “Ladrões de Bicicleta” a “Eu Não te Ouço”, a seleção reúne longa-metragens que têm nos meios de transporte muito mais que cenários

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    Se um carro simboliza movimento, talvez um pedágio signifique espera. E é observando passiva a passagem de tanta gente que viaja de um lugar desconhecido a outro, enquanto pega dinheiro e devolve o troco de maneira mecânica, que a cobradora Suellen (Maeve Jinkings), protagonista de “Pedágio” (2023), tem uma grande ideia: usar seu trabalho de maneira ilegal para financiar a “cura gay” do filho Tiquinho (Kauan Alvarenga). Mais uma vez, a diretora Carolina Markowicz cria situações insólitas para tratar de temas bem próximos da gente. As condições precárias do trabalho no Brasil, a homofobia que muitas vezes floresce dentro da própria família e os excessos da religiosidade contemporânea dão as caras, com interpretações impressionantes de sua dupla central. Um filme que permanece na nossa cabeça até muito além de sua conclusão. Disponível no Globoplay e Apple TV.

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    Um clássico de ação dos anos 1990, Velocidade Máxima (1994) marcou uma geração ao ser exibido dezenas de vezes na Sessão da Tarde e Tela Quente, da Globo. Um ônibus com uma bomba programada para explodir, caso o veículo reduza a velocidade para menos de 80km/h, é pilotado pela passageira Annie Porter (Sandra Bullock) — que nunca havia dirigido um ônibus — a partir das orientações do policial Jack Traven (Keanu Reeves). Enquanto a polícia acha meios de tentar desativar a bomba com o veículo em movimento, eles cruzam LA em alta velocidade enquanto lidam com passageiros em pânico. Disponível no Disney+.

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    Um clássico do neorrealismo italiano dirigido em 1948 por Vittorio De Sica, “Ladrões de Bicicleta” mostra, a partir da ausência do veículo, o desespero sobre a escassez do pós-guerra e a imensidão do amor paterno. Depois de um longo período de desemprego, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani) enfim consegue um bico para colar cartazes, que exige ter uma bicicleta. Ele penhora objetos de casa, adquire uma, mas ela é rapidamente roubada. É aí que está o coração do filme, sua busca pela bicicleta, junto ao filho Bruno (Enzo Staiola), por toda Roma. Foi um dos primeiros longas-metragens a vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro, que na época ainda não era uma categoria própria. Disponível no Belas Artes à La Carte.

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    O meme do “patriota do caminhão”, que viralizou em 2022 durante protestos de bolsonaristas contra a vitória do presidente Lula, após um homem ser filmado pendurado em um caminhão em movimento na BR-232, em Pernambuco, inspira o diretor Caco Ciocler neste retrato provocativo da polarização política e da dificuldade de diálogo no país. No falso documentário “Eu Não te Escuto” (2026), Márcio Vito – vencedor do prêmio de melhor ator no Festival do Rio 2025 – interpreta tanto o motorista quanto o manifestante, enquanto Ciocler dá voz ao entrevistador invisível. Num texto que combina drama e humor por longos quilômetros de estrada, o vidro do caminhão vira a barreira simbólica entre os personagens e suas convicções. A produção encerra a trilogia política do diretor, iniciada com “Partida” (2019) e seguida por “O Melhor Lugar do Mundo É Agora” (2021). Em cartaz nos cinemas.

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    Comédia do subgênero besteirol que foi um marco do cinema dos anos 1980, sucesso de público e crítica, “Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu” (1980) marcou uma geração a mostrar situações cômicas e absurdas de passageiros e tripulação de um avião comercial. Quem não se lembra da cena da mulher que, de tão nervosa, gerou uma fila de voluntários que a estapeariam para que o choque fosse rompido? E quem aceitou a opção peixe em um avião depois de ter assistido ao filme? Afinal, é graças a este prato que metade dos passageiros, além de piloto e copiloto desmaiam e que o vôo corre perigo. Considerado um dos dez filmes mais engraçados da história pelo American Film Institute, para ver e rever mil vezes. Disponível na Prime Video.

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    “Um homem saiu em busca da América. E não a encontrou em lugar nenhum.” É assim que começa “Sem Destino” (1969), um clássico que traz dois motociclistas, Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) viajando pelo interior dos Estados Unidos em direção a Nova Orleans. Lançado num momento em que o movimento hippie começava a se deparar com os limites de sua utopia, o filme retrata uma América conservadora, desconfiada e violenta. Ao longo da viagem, Wyatt e Billy são hostilizados e presos, e vão se dando conta dessa América real. É numa cela de delegacia interiorana que entra em cena George Hanson, um advogado bon vivant e alcoólatra interpretado por Jack Nicholson, atuação que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. George compreende a liberdade que os dois motociclistas representam, mas sabe o preço que ela cobra, como fica claro no desfecho trágico do filme. Disponível para aluguel no Youtube.

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    Engarrafamentos quilométricos que congestionam grandes cidades brasileiras não são novidade. Mas, às vezes, uma via paralisada, cheia de veículos, pode não ser o retrato de um dia comum de trânsito. Foi o que aconteceu em 12 de junho de 2000, quando o sequestro do ônibus da linha 174 (Central–Gávea), no Rio de Janeiro, parou a cidade e o país diante da transmissão ao vivo pela tevê. Dois anos depois, José Padilha transformou o caso em “Ônibus 174” (2002), documentário que entrelaça as horas de pânico vividas no coletivo à trajetória de Sandro Barbosa do Nascimento, sobrevivente da Chacina da Candelária. Do encontro entre essas duas histórias emerge um retrato da violência urbana brasileira. Disponível no Globoplay.

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    “Pequena Miss Sunshine” (2006) acompanha a família Hoover em uma viagem caótica a bordo de uma velha kombi amarela rumo a um concurso infantil de beleza na Califórnia. Nesse trajeto, conflitos, frustrações e segredos vêm à tona, aproximando os personagens, enquanto o veículo se transforma no símbolo das fragilidades e união dessa família excêntrica — como toda família observada de perto. Estreia do casal Jonathan Dayton e Valerie Faris na direção de longas-metragens, o filme venceu dois Oscars, de melhor ator coadjuvante para Alan Arkin e melhor roteiro original, além do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance. Disponível no Disney+.

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    É inevitável. Há um certo momento em “Locke” (2013) no qual o espectador começa a se questionar: que horas ele vai sair desse carro? Mas é uma sensação passageira, já que a narrativa acaba nos absorvendo por completo. A caminho do hospital onde sua amante está prestes a dar à luz, o protagonista moralmente ambíguo interpretado com charme e maestria por Tom Hardy se enrola numa série de ligações cada vez mais angustiantes, que colocam sua vida pessoal e profissional de ponta-cabeça. Desde complexas conversas de trabalho até a confissão para a esposa de que a está traindo, são um total de 36 chamadas telefônicas que Locke tenta equilibrar, quase sempre sem sucesso. Dirigido pelo britânico Steven Knight, uma mistura de suspense e drama psicológico capaz de nos entreter sem sair do lugar. Porque não, você adivinhou, Locke não vai deixar aquele carro — ao menos até o finalzinho. Disponível no Prime Video.

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