Como ter esperança?

5

Bloco de notas

As boas notícias que a ciência trouxe em 2025

Da medicina à conservação ambiental, dez descobertas científicas que despertam a esperança por dias melhores

As boas notícias que a ciência trouxe em 2025

14 de Dezembro de 2025
Divulgação WMP

Da medicina à conservação ambiental, dez descobertas científicas que despertam a esperança por dias melhores

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    Um novo tratamento para pacientes com leucemia teve resultados positivos neste ano. “Achava que ia morrer e não ter chance de fazer o que qualquer criança merece”, contou à BBC Alyssa Tapley, 16, do Reino Unido. Ela foi a primeira pessoa no mundo a passar pelo procedimento, há três anos e, hoje, continua livre da doença e planeja se tornar pesquisadora na área de oncologia. O método propõe uma edição com precisão do DNA de glóbulos brancos para transformá-los em um “medicamento vivo” capaz de combater o câncer — para isso é necessário, praticamente, desmontar todo o sistema imunológico.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Divulgação WMP

    Entre os dez pesquisadores que moldaram a ciência em 2025, listados pela revista Nature, está o brasileiro Luciano Moreira. O cientista lidera uma iniciativa que reduziu significativamente e que pretende eliminar doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya. A estratégia desenvolvida por ele consiste em criar uma versão turbinada do mosquito com a bactéria Wolbachia — a mesma encontrada na mosquinha da banana. Com essa bactéria, o vírus da dengue não consegue se multiplicar dentro do mosquito, o que o torna praticamente inofensivo para nós.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Ilustração de Ana Kozuki/Superinteressante

    Em abril, a startup bilionária Colossal Biosciences anunciou o “primeiro animal desextinto com sucesso no mundo”. Trata-se do nascimento de filhotes de lobo-terrível, espécie extinta há dez mil anos. Embora levante debates éticos e científicos, a desextinção proposta pela empresa também quer trazer de volta mamutes, dodôs e tigres-da-tasmânia, a fim de reintroduzir espécies em seus antigos habitats e reequilibrar esses ecossistemas. Os avanços nas tecnologias de edição genética pode fortalecer espécies vivas, tornando-as mais resistentes, diversas e capazes de enfrentar doenças e mudanças ambientais.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: Oregon Health & Science University

    E se desse para gerar embriões apenas com a pele? Pode parecer ficção científica, mas um estudo preliminar na Universidade Oregon Health & Science (OHSU), nos Estados Unidos, comprovou que é possível. Pela primeira vez, células humanas da pele foram transformadas em óvulos. Em seguida, os cientistas conseguiram fertilizá-los com espermatozoides e alguns dos óvulos se desenvolveram em embriões. Os pesquisadores estimam que ainda deve levar pelo menos dez anos para que a técnica seja considerada segura e eficaz o bastante para chegar a testes clínicos e, depois, à aprovação das agências reguladoras. “Além de oferecer esperança a milhões de pessoas com infertilidade por falta de óvulos ou espermatozoides, esse método permitiria a possibilidade de casais do mesmo sexo terem um filho geneticamente relacionado a ambos os parceiros”, explicou Paula Amato, autora do estudo.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: Divulgação/John A. Rogers_Northwestern University

    Sofrendo grandes riscos que envolvem procedimentos cirúrgicos, os bebês nascidos com defeitos cardíacos congênitos no futuro poderão ser salvos pelo menor marcapasso do mundo. Desenvolvido por uma equipe da Northwestern University, nos Estados Unidos, o dispositivo é menor do que um grão de arroz e ainda está em fase de testes. Segundo o cardiologista Igor Efimov, envolvido no estudo, “cerca de 1% dos bebês nascem com defeitos cardíacos congênitos. Felizmente, muitos só precisam de estimulação por sete dias após a cirurgia. Vamos poder inserir esse marcapasso sem precisar de outra cirurgia para removê-lo”.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: Iuoman/Getty Images

    Pesquisadores do Instituto De Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em parceria com o Inpe, formularam um novo método de análise estatística capaz de prever com mais precisão os riscos de deslizamentos de terra no Brasil. Agora, é possível determinar objetivamente os pesos de cada fator de contribuição — a metodologia foi validada com base nos inventários de deslizamento de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Além disso, é simples de aplicar: “Uma prefeitura precisaria apenas dos dados geoespaciais básicos e de um computador comum com QGIS [software livre de análise de dados georreferenciados]”, diz o primeiro autor da pesquisa.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: Reprodução/CEA

    Cientistas na França alcançaram um marco histórico ao manter, por mais tempo do que nunca, um “sol artificial” funcionando dentro de um reator de fusão. O equipamento sustentou reações de plasma que chegaram a 50 milhões de graus, temperatura comparável ao centro de uma bomba nuclear. A meta é desenvolver uma forma de energia limpa, abundante e mais potente que a nuclear. No futuro, ela poderia até impulsionar viagens espaciais. Outro ponto positivo é que o processo não deixa resíduos radioativos duradouros.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: Anton Petrus/GettyImages

    Cerca de 350 milhões de toneladas de plástico tornam-se resíduos por ano e apenas 15% são reciclados. Em um avanço sustentável recente, pesquisadores brasileiros encontraram uma bactéria que transforma lixo plástico em bioplástico. O estudo utilizou BR4, microrganismo que decompõe o PET, gerando um biopolímero de alta qualidade que serve para fabricar embalagens mais sustentáveis e pode ser usado em aplicações biomédicas.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: Sergey Bogorodsky/The Nippon Foundation-Nekton Ocean Census via CNN Newsource

    866 espécies marinhas foram descobertas em dez expedições oceânicas realizadas por mergulhadores, submersíveis pilotados e veículos operados remotamente. Foi considerada uma grande conquista para o esforço de documentar a vida marinha do Ocean Census, aliança global para proteção da vida marinha. Um “tubarão-guitarra” e um “coral-leque” estão entre as novidades.

  • Imagem da listagem de bloco de notas
    Foto: OHSU/Christine Torres Hicks

    De difícil detecção, o câncer de pâncreas é um dos mais letais para a vida humana. Agora, a taxa de sobrevivência deve melhorar com a chegada de um novo exame de sangue capaz de detectar a doença com 85% de precisão. O método também é acessível, rápido e ajuda a monitorar a eficácia dos tratamentos.

  • Imagem da listagem de bloco de notas

    A primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo é brasileira e produzida pelo Instituto Butantan. Já aprovado pela Anvisa, o imunizante foi adquirido recentemente pelo Ministério da Saúde e será ofertado exclusivamente pelo SUS a pessoas de 12 a 59 anos. O diferencial da nova vacina é a proteção contra os quatro tipos do vírus da doença, com 74% de eficácia geral e 91,6% de eficácia na prevenção de sintomas graves. Além disso, estudos apontam que os voluntários que tomaram ficaram protegidos por cinco anos.

Um assunto a cada sete dias