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Bloco de notas

Biografias de ícones LGBTQIAPN+ brasileiros

De Xica Manicongo a cantora Tuca, uma seleção de livros e filmes para conhecer a vida e o legado de figuras importantes nessa luta no Brasil

Biografias de ícones LGBTQIAPN+ brasileiros

14 de Junho de 2026
“Bixa Travesty” (2019)

De Xica Manicongo a cantora Tuca, uma seleção de livros e filmes para conhecer a vida e o legado de figuras importantes nessa luta no Brasil

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    Em 1977, durante a Ditadura Militar, João W. Nery tornou-se o primeiro homem trans a realizar a cirurgia de afirmação de gênero no Brasil, realizando a operação de forma clandestina. O Projeto de Lei nº 5.002/2013, que foi arquivado automaticamente após o fim da legislatura em 2019, visa garantir o direito à identidade de gênero, permitindo a mudança de nome e gênero em documentos, e leva o nome de Nery. O também psicólogo e escritor publicou a autobiografia “Viagem Solitária: Memórias de um Transexual 30 Anos Depois” (Leya, 2011), que trata da sua jornada. O livro é uma continuação de “Erro de Pessoa: João ou Joana” (Editora Record, 1984), em que ele relata a história desse marco histórico do qual ele é representante.

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    O documentário “Majur” (2018), dirigido por Íris Alves Lacerda, acompanha o papel da líder indígena como porta-voz de sua comunidade, apresentando suas reivindicações e a cultura do seu povo. Majur é a responsável pela chefia de comunicação da Comunidade Indígena Pobore, localizada no Mato Grosso. No filme, conhecemos sua trajetória para se tornar a primeira “caçica” trans brasileira, da Aldeia Apido Paru — cargo para o qual foi eleita em 2021. Indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2019, o curta-metragem retrata as ações que a protagonista busca fazer em prol da aldeia, sua identidade, experiências e percepções. Disponível no Youtube.

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    Elke Maravilha foi modelo, atriz, apresentadora e jurada nos programas do Chacrinha e do Silvio Santos, ganhando fama nas décadas de 1970 e 80 por sua autenticidade, roupas extravagantes, maquiagens artísticas e acessórios marcantes. Nascida na Alemanha e naturalizada brasileira, tornou-se um ícone não só por seu visual único, mas também pela defesa da diversidade, do amor, da alegria e da liberdade, acolhendo minorias e servindo de inspiração para a comunidade LGBTQIAPN+ e as gerações seguintes. Sua história é contada  no livro “Elke: Mulher Maravilha” (Todavia, 2021), do jornalista Chico Felitti. A biografia trata da trajetória da artista, passando por sua infância, pelo auge de sua carreira, pelo seu carisma, humor e legado.

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    Luiz Mott, antropólogo, ativista e fundador do Grupo Gay da Bahia conta a história da primeira transexual documentada do Brasil e das Américas no recém-lançado “Xica Manicongo, Primeira Transexual do Brasil” (Cosac, 240 págs., R$ 92). Escravizada africana trazida para Salvador em 1591, sob o nome de batismo Francisco, e também denunciada à Inquisição por comportamentos homossexuais e por usar vestimentas femininas, recebeu esse nome pelo movimento LGBTQIAPN+ nos anos 2000. Símbolo de luta, foi homenageada no samba-enredo “Quem Tem Medo de Xica Manicongo?”, da Paraíso do Tuiuti, em 2025. No livro, o autor a traz para o contexto contemporâneo e utiliza em sua escrita o pajubá, a linguagem de comunicação e resistência utilizada pela comunidade LGBTQIAPN+, em especial travestis e mulheres trans, que mistura o português com termos de religiões de matriz africana.

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    “Tuca: A Cantora Lésbica Exilada da História” (O Sexo da Palavra, 128 págs., R$ 52, em pré-venda), de Renato Gonçalves, conta a biografia de Valeniza Zagni da Silva. A cantora e compositora, raramente reconhecida na historiografia musical brasileira, teve composições censuradas na Ditadura Militar, iniciou o debate sobre gordofobia e foi extremamente importante para a causa LGBTQIAPN+ com um discurso em defesa do amor homossexual. A obra integra a recém-lançada coleção Vidas sequestradas, organizada por César Braga-Pinto, que visa retratar recortes biográficos de personagens com dissidências sexuais ou de gênero. Os sete livros trazem a história de figuras como Zé Celso, Raul Pompeia e Jean-Claude Bernardet.

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    Como um dos principais nomes da cena musical brasileira desde os anos 1980, Cazuza assumiu sua bissexualidade e viveu ela de forma honesta, também aberto sobre sua experiência com o vírus HIV, lutando contra preconceitos e atuando para a conscientização da população. Sua vida está descrita no drama biográfico-musical “Cazuza – O Tempo Não Pára” (2004), baseado no livro “Cazuza: Só as Mães São Felizes” (Editora Globo, 1997), que reúne os relatos de sua mãe, Lucinha Araújo. Dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, foi premiado no Grande Prêmio Brasileiro de Cinema em 2005 como Melhor Filme, assim como no Prêmio Qualidade Brasil em 2004, na mesma categoria. Disponível no Prime Vídeo e Netflix.

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    O documentário “Bixa Travesty” (2019) tem a cantora, compositora e atriz Linn da Quebrada como figura principal, acompanhando sua vida pessoal e profissional. Sob  direção de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, o filme trata de sua luta política e social contra preconceitos e estereótipos de gênero, raça e classe. Recebeu o Teddy Award de Melhor Documentário no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2018, e foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2020, em três categorias. Disponível no Prime Vídeo e Apple TV.

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    Nos anos 1960, a primeira geração de artistas travestis marcou o Brasil, com nomes como Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios. “Divinas Divas” (2016), narra a memória dessas artistas, assim como sua arte. É o primeiro longa-metragem da atriz Leandra Leal, que é neta de Américo, diretor do Teatro Rival, um dos primeiros lugares a recebê-las. O filme celebra a vida das protagonistas, assim como seu pioneirismo, resistência e conquistas na luta LGBTQIAPN+. Disponível no Prime Vídeo.

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    A cartunista e chargista Laerte tem sua vida contada no documentário “Laerte-se” (2017). Ela se descobriu uma mulher trans aos 58 anos, assunto que é tratado no longa, que traz ainda sua percepção sobre identidade de gênero, os desafios que enfrenta, além de seus trabalhos artísticos. Suas experiências criaram espaços de visibilidade para debates sobre diversidade e identidade, fundamentais na luta LGBTQIAPN+. O filme, dirigido por Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum, explora sua jornada de autodescoberta e como a transição afetou sua recepção pelas pessoas. Disponível na Netflix.

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    Cássia Eller foi não apenas uma dos grandes nomes da música brasileira, como também um símbolo para o movimento LGBTQIAPN+. Após a morte da cantora em 2001, seu único filho, cujo pai já havia morrido, teve a tutela concedida à companheira de 14 anos de Eller – o reconhecimento homoafetivo foi um marco para a comunidade. O documentário “Cássia Eller” (2015), de Paulo Henrique Fontenelle, retrata a artista dentro e fora dos palcos, contando com fotos, vídeos inéditos e entrevistas de seus conhecidos. Está em produção também um filme ficcional sobre a cantora, dirigido por Diego Freitas e com Luisa Arraes interpretando Eller, com lançamento previsto para 2027. Já o documentário “Cássia Eller” (2015) está disponível na Apple TV.

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