Como a IA muda o seu trabalho?

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Bloco de notas

Estes livros te ajudam a desenvolver habilidades que a IA não substitui

Se parece que a IA é capaz de tudo, conheça obras que refletem sobre habilidades profundamente humanas, como inteligência emocional, liderança e criatividade

Estes livros te ajudam a desenvolver habilidades que a IA não substitui

Leonardo Neiva 26 de Abril de 2026

Se parece que a IA é capaz de tudo, conheça obras que refletem sobre habilidades profundamente humanas, como inteligência emocional, liderança e criatividade

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    A pergunta de um milhão de dólares: como se garantir num mercado de trabalho cada vez mais tomado por tecnologias que parecem prontas para substituir tudo que fazemos — muitas vezes, de forma mais rápida e eficiente? Nesse cenário, em que o mundo do trabalho parece areia movediça, o ex-diretor do LinkedIn para a América Latina, Borja Castelar, lança um livro que promete nos ajudar a focar naquilo em que o ser humano seguirá se sobressaindo. Em “Human Skills: O segredo para construir sua carreira na era da inteligência artificial” (Planeta Estratégia, 2026), ele destaca a importância do marketing pessoal e da aprendizagem contínua, mas principalmente das habilidades que as máquinas provavelmente nunca dominarão: o poder de persuasão, a inteligência emocional e a capacidade profundamente humana de cultivar relações, colaborar e criar laços.

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    Ao menos até onde sabemos, a IA não conta com grandes habilidades de liderança de equipes, pelo menos por enquanto. O problema é que muitos profissionais também não, ainda mais numa realidade em que aquelas que consideramos as qualidades de um bom líder vêm se transformando. Por isso, a psicanalista Maria Homem — leia aqui as colunas que ela escreveu para Gama — lança “Procura-se: Uma nova liderança para um novo tempo” (Record, 2026), em que reflete sobre o nascimento de uma forma de liderança para o século 21. Em vez de um manual de boas práticas para líderes, o que a autora propõe é um novo olhar mais adequado à sociedade múltipla em que vivemos. Uma realidade em que a mera repetição de fórmulas faz menos sentido do que aprimorar pontos como a maturidade psíquica e a sensibilidade ética, muitas vezes ignorados no mundo profissional.

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    Como será o futuro do trabalho? Quais empregos existirão amanhã? A palestrante internacional Michelle Schneider reuniu algumas das principais perguntas que costuma ouvir em suas apresentações para buscar respondê-las em “O profissional do futuro: Como se preparar para o mercado de trabalho na era da IA” (Buzz, 2025). Por mais que o amanhã seja incerto e, até certo ponto, imprevisível, a obra aponta caminhos para que os profissionais consigam se planejar no ritmo veloz das mudanças. Conforme o avanço da IA redefine aquilo que é relevante no universo profissional, a autora, que liderou times de publicidade em empresas como Google e TikTok, traça projeções, destaca habilidades essenciais num futuro mutável e nos lembra daquilo que sempre vai nos diferenciar: a humanidade.

     

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    Se às vezes parece que a IA rivaliza com a capacidade humana de criar, de fato é só impressão mesmo. Alimentada com toneladas de informações, a tecnologia consegue no máximo reproduzir padrões e reorganizar aquilo que já foi feito. Especialistas indicam que ela nunca será capaz de pensar fora da lógica tradicional ou criar algo realmente inovador — ao menos não sem a participação humana. Então um livro como “Ser Criativo: O poder da improvisação na vida e na arte” (Summus Editorial, 2025), clássico moderno escrito pelo músico norte-americano Stephen Nachmanovitch, segue tão ou até mais importante hoje quanto na sua publicação original 35 anos atrás. Embora seja voltado à arte, o questionamento central do livro, traduzido por Janaína Marcoantonio, vale para todos os profissionais: como fortalecer nossa força criativa num cotidiano cada vez mais alienante e exaustivo?

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    Em oposição à inteligência artificial, a inteligência emocional pode ajudar a identificar o que significa ser humano. E nada melhor do que ler mais sobre o assunto direto da fonte. Responsável por popularizar o termo, o psicólogo norte-americano Daniel Goleman condensa muito dos seus principais textos sobre o tema na coletânea “Inteligência Emocional e Liderança: Textos essenciais” (Objetiva, 2025), com tradução de Renato Marques. Guia prático para liderar com empatia, propósito e clareza, os artigos aqui tratam de questões como gestão de equipe, autoconsciência, influência emocional e performance. Ao explorar o papel da emoção no ambiente de trabalho, a obra permite pensar não só novas formas de liderar, mas uma maneira diferente de enxergar a posição dos trabalhadores de carne e osso no futuro profissional.

     

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    Com o lançamento do ChatGPT, em 2022, o professor norte-americano Ethan Mollick, especialista em empreendedorismo e inovação, entendeu que tínhamos finalmente criado uma ferramenta capaz de ampliar ou até substituir a inteligência humana. Hoje um dos principais especialistas em IA, ele propõe formas de transformar essa tecnologia numa valiosa colega de trabalho em “Cointeligência: A vida e o trabalho com IA” (Intrínseca, 2025), traduzido por Roberta Clapp. Com dezenas de exemplos sobre o impacto profundo da IA nos negócios e na educação, ele defende a importância de trabalhar desde agora ao lado de máquinas inteligentes como forma de aprender e desenvolver novas habilidades, sem nunca nos permitirmos perder nossa identidade pelo caminho.

     

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    Pode parecer estranho, mas uma das capacidades humanas que a maioria das IAs não consegue reproduzir é a de compreender os limites do nosso conhecimento. Já ouviu falar em alucinação de IA? Significa que aquilo que o sistema não sabe, ele simplesmente inventa — o que poderia gerar uma série de problemas no campo profissional. Em “A Lógica do Cisne Negro: O impacto do altamente improvável” (Objetiva, 2021), o escritor e estatístico libanês-americano Nassim Nicholas Taleb explora o impacto de eventos imprevisíveis, do 11 de Setembro à ascensão do Google, que ele apelida de Cisnes Negros. Na obra, com tradução de Renato Marques de Oliveira, ele mostra como nos enganamos ao tentar fixar explicações para fenômenos que vão além da nossa compreensão e mostra como tomar decisões mais conscientes enquanto navegamos o universo de probabilidades e incertezas que nos cerca.

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    Já sabemos que a IA pode chegar a extremos para tentar nos agradar. É verdade que a convivência social coloca a gentileza e a busca por não ofender o outro praticamente no centro da nossa existência em sociedade. Porém, uma obra como  “A Coragem de Não Agradar” (Sextante, 2018), dos japoneses Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, nos lembra que nem tudo precisa depender da aprovação alheia. Os autores ensinam formas de se libertar do jugo da opinião do outro e superar as próprias limitações, por meio da conversa ficcional entre um jovem e um filósofo — cujo debate lembra bastante os diálogos de Platão. Traduzido por Ivo Korytowski, o livro traz à tona temas como autoestima, raiva, autoaceitação e complexo de inferioridade, mostrando que libertar-se das expectativas alheias pode ser  o caminho para uma vida mais plena.

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    A exaustão com a “escrita ChatGPT” é real, e não só por conta do uso de travessões ou de padrões de discurso tipo “e isso muda tudo”. Esse cansaço tem mais a ver com a identificação de uma escrita robótica que, embora tecnicamente correta, traz à tona um estilo pobre e se mostra incapaz de dizer algo relevante. Portanto, ainda dá para afirmar que escrever com consciência e criatividade continua sendo uma atribuição bastante humana e uma das características mais desejáveis no ambiente profissional. E é exatamente disso que trata o livro “Escrever É Humano: Como dar vida à sua escrita em tempo de robôs” (Companhia das Letras, 2025), do escritor Sérgio Rodrigues — veja aqui uma conversa com o autor sobre o tema. Mais voltado à literatura, a obra serve de guia para refletir sobre as engrenagens que movem a imaginação, além de trazer aspectos técnicos de uma boa escrita e caminhos para encontrar sua própria voz.

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    Olhando para o copo meio cheio, o cientista de dados e filósofo da tecnologia Ricardo Cappra deixa claro em “Híbridos: O futuro do trabalho entre humanos e máquinas” (Actual, 2025) que o futuro do trabalho já chegou — e não precisa ser tão ruim quanto parece. Mas como compartilhar tantas tarefas, decisões e processos criativos sem que nos tornemos dependentes da IA? Ao desafiar conceitos fundamentais como memória, controle e subjetividade, o autor defende que a IA não está destruindo o mundo que conhecemos, mas sim construindo novos paradigmas. Combinando exemplos reais e reflexões filosóficas, Cappra aponta que é possível equilibrar inovação e humanidade de forma a construir uma nova relação com a tecnologia e potencializar a inteligência humana em vez de substituí-la.

     

     

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