Como a IA muda o seu trabalho?
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Depoimento

Como você usa a IA no seu trabalho?

Trabalhadores de diversas áreas contam a Gama como eles utilizam ferramentas de inteligência artificial no dia a dia profissional

26 de Abril de 2026

Como você usa a IA no seu trabalho?

26 de Abril de 2026

Trabalhadores de diversas áreas contam a Gama como eles utilizam ferramentas de inteligência artificial no dia a dia profissional

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    Foto de Carolina Pires

    “Uso a IA para mostrar aos alunos como pensar a escrita. A IA economiza passos, mas exige análise crítica”

    Ana Holanda, 52, escritora, professora de escrita e jornalista

    “Vejo a inteligência artificial como uma superparceira no processo de criação. Uso para me ajudar a chegar a títulos mais objetivos, para revisar textos e para organizar ideias que ainda estão confusas na minha cabeça. Na revisão, aprendi a pedir correção ortográfica e gramatical sem mexer no meu estilo de escrita. Esse detalhe faz toda a diferença: ela entrega o meu texto, só corrigido. Não uso IA para escrever minhas crônicas, porque a crônica nasce muito do olhar e da vivência de quem escreve. A alma que carrega o texto vem dessa vivência. Também não publico um texto final feito por inteligência artificial, porque ainda dá muito trabalho chegar exatamente ao que eu gostaria — seriam muitas versões modificadas. Prefiro escrever direto. Nas aulas, uso a IA para mostrar aos alunos como pensar a escrita. Às vezes, peço que simplifiquem textos muito acadêmicos ou áridos e, a partir dessa versão, trabalhem com o próprio olhar. A IA economiza passos, mas exige análise crítica. O problema é olhar o que ela entrega pronto e achar que aquilo já pode ser publicado. Ela precisa de lapidação, e essa lapidação final demanda esforço e muito o olhar de quem escreve, um olhar de autoria.”

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    Foto: Divulgação

    “Acho que todo professor hoje prepara aula com IA. Eu uso todas, o Claude, o Gemini…”

    José Guilherme Zago, 35, professor de história da rede pública de São Paulo

    “Para a gente que é professor, já mudou muito a forma de preparar aula, fazer prova, que eram coisas muito limitadoras: você tinha aquele material didático, aquele banco de questões e só. E revolucionou a correção de questões; de múltipla escolha, acelerou demais. Mas, no meu dia a dia, a parte mais relevante do trabalho com IA acontece antes e depois da aula. Na aula em si, a gente tem a proibição de uso de celulares, e as salas de informática têm acesso bem limitado. A gente sabe que os alunos usam muito IA, que não dá mais para passar lição de casa nem aqueles trabalhos tradicionais, você tem que ser muito mais cuidadoso. Mas impactou bem menos do que outras profissões. Como professor de história, a minha maior preocupação é com o ensino superior, que tem um modelo fundado no estudo em casa, em TCC, leituras, que está fadado ao fracasso. Agora, numa escola tradicional de ensino médio ou fundamental, acho que todo professor hoje prepara aula com IA. Eu uso todas, assino já o Claude, o Gemini, mas é muito pouco presente no dia a dia da sala de aula.”

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    Foto: Divulgação

    “Uso bastante para estudo, para agilizar meus trabalhos de análise de dados e rever textos”

    Yuri Busin, 36, psicólogo doutor em neurociência cognitiva

    “Eu uso bastante para estudo, então tem uma IA em que coloco diversos PDFs, e estudo por lá. Também uso bastante para agilizar meus trabalhos de análise de dados, rever textos e ter ideias do que escrever. Antigamente, os próprios sites tinham assistentes de SEO. Hoje, a gente consegue usar as IAs para isso. Tenho usado muito o NotebookLM, do Google, que é bem legal para estudo, e o Claude, de que eu gosto bastante para análise de dados, tabelas, fórmulas e coisas financeiras para a clínica. Para questões da clínica, psicoterapêuticas, eu acabo não usando. Não é uma funcionalidade que acho interessante, mas acredito que ela ainda vai ajudar bastante na psicoterapia. E tem uma outra de que eu gosto bastante, que é a OpenEvidence, muito boa para pesquisa de artigos científicos e para estudo. A IA é maravilhosa, desde que você saiba passar um crivo nela.”

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    Foto: Divulgação

    “Usamos IA para apoiar a gestão em várias frentes com foco em otimização de processos”

    Agada Han, responsável pelo marketing do restaurante tailandês Ping Yang, em São Paulo

    “Usamos IA para apoiar a gestão em várias frentes com foco em otimização de processos. Um exemplo: usamos o Claude Code por meio do Antigravity para análise das resenhas do Ping Yang no Google Reviews. Ele coleta todos os reviews, categoriza e identifica padrões entre as críticas, o que nos ajuda a entender quais pontos precisamos implementar melhorias. Além disso, utilizamos o Lovable para criar uma landing page do chef Maurício Santi, com sua biografia, suas casas e informações relevantes. É uma ferramenta ótima para quem está começando, com resultado visual profissional e em uma fração do tempo que uma produção tradicional levaria.”

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    “A IA tira muito tempo perdido do dia a dia. Se usada com inteligência, é uma ferramenta muito potente”

    Fernando Martins, chef e sócio da rede A Torteria

    “Já experimentamos trabalhar com várias IAs, inclusive o Chat GPT, mas hoje usamos o Claude porque é uma ferramenta muito mais desenvolvida em questões de planilha e recursos de análise de dados. Hoje, eu uso a inteligência artificial, basicamente, para cruzar dados e informações. Tenho relatórios de diversos lugares de dentro da minha empresa, seja de produção, seja de venda: clientes que fazem encomenda pelo WhatsApp, de iFood ou de loja. Quando preciso entender margem de contribuição, por exemplo, eu coloco todas as minhas fichas técnicas, o meu cardápio com valor de venda, e tenho uma planilha que me permite analisá-la de uma forma supercoerente.

    Em paralelo a isso, consigo, de uma forma mais dinâmica, ter os dados de venda da minha empresa. Como eu tenho diversos canais, consigo ter a curva ABC em cada um deles etrabalhar de uma maneira mais estratégica: olho para o cardápio, para o que o cliente mais pede, dando ênfase àquele produto ou determinado canal.

    A IA dá tempo para a gente trabalhar. Não perdemos mais tempo organizando planilha, métrica, porque com o comando certo, com o entendimento correto, você tem esses dados na sua mão em dez minutos. A IA tira muito tempo perdido do dia a dia. Se usado com inteligência, com conhecimento, vira uma ferramenta muito potente.

    Estamos evoluindo para criar outros sistemas dentro da IA, mas isso é muito a longo prazo ainda. Você também precisa adquirir muito conhecimento, porque a IA não permite que se chegue e jogue tudo na mão dela. Muito pelo contrário, você tem que estudar bem para fazer um uso correto e garantir tempo. No final, a gente fala sobre tempo, mas esse tempo que se gasta com a IA também é crucial.”

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    Foto: Divulgação

    “Existe o risco de padronização quando a ferramenta é usada sem critério”

    Isadora Macedo, coordenadora de mídia da Tamo Junto, produtora de experiências na Rota Ecológica dos Milagres (AL)

    “A Tamo Junto usa inteligência artificial como apoio ao longo de praticamente todo o processo de criação e produção para otimizar etapas. Na criação de conceito, a IA ajuda a expandir repertório, organizar ideias e testar narrativas, algo especialmente importante em projetos como o Réveillon dos Milagres, onde existe o desafio constante de inovar. No planejamento, contribui para estruturar cronogramas e fluxos. Em orçamento e fornecedores, apoia a organização de informações e a comparação de cenários. Na comunicação, melhora a clareza das apresentações. No pós-evento, ajuda a consolidar aprendizados e gerar insights para evoluções futuras.

    O maior ganho até agora foi o tempo, mas também reduziu o esforço operacional, diminuiu retrabalho e trouxe mais organização interna. Um exemplo concreto foi a otimização da pesquisa de satisfação do Réveillon dos Milagres e dos casamentos na Capela dos Milagres. Antes, havia muitos dados e percepções espalhadas, difíceis de estruturar. Com o apoio da IA, a equipe passou a organizar esses feedbacks em planilhas e fluxos mais inteligentes, mapeando com mais clareza as principais queixas, possíveis soluções e responsáveis por cada ajuste.

    Os principais limites estão na falta de sensibilidade cultural e territorial, especialmente em um lugar como Milagres, onde o contexto é essencial. Também existe o risco de padronização quando a ferramenta é usada sem critério.

    As melhores entregas da IA estão na organização, estruturação, ganho de velocidade e apoio ao planejamento. Já as melhores entregas humanas estão na criação com identidade, nas decisões criativas, na relação com fornecedores locais, na execução artesanal e na construção de experiências sensoriais.”

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    Foto: Divulgação

    “O meu medo é que as pessoas começem a projetar, concebam o projeto, usando IA”

    Teresa Mascaro, arquiteta

    “Ainda estou testando e tentando entender qual é o melhor uso da inteligência artificial no meu trabalho. E também se eu gosto ou não de usá-la para deixar as coisas mais perfeitas. Nas primeiras imagens que criei, fiquei hiperfascinada. Agora, já estou na dúvida se eu gosto ou não do resultado. O desenho manual é muito mais expressivo enquanto a imagem gerada por IA, apesar do tal realismo, não tem muita personalidade.

    Quando eu estou com um projeto, um croqui, um desenho à mão, ou mesmo um 3D, antes de apresentar para o cliente, eu tenho a possibilidade de fazer muitos testes: de cor, de ver que tipo de materiais, se o tampo vai ser de madeira maciça ou de concreto. A IA ajuda no meu processo de criação de forma muito rápida. Você manda os roteiros, um prompt, e em segundos ela te manda a imagem.

    Ainda assim, acho que uso a IA menos do que os meus colegas, me sinto um pouco defasada. Percebo que todo mundo está curioso e testa na minha área. Existem cursos que ensinam como usar da melhor forma. O meu medo é as pessoas começarem a projetar, conceber o projeto, usando IA. Acho completamente errado.

    Também vejo muitos clientes que pegam projetos, as nossas imagens apresentadas, jogam na IA para alterar alguma coisa ou para tentar representar o que eles tão pensando, e devolvem para a gente. Isso é um pouco complicado. O caminho deveria ser a conversa, a confiança, o diálogo, a troca, o tête-à-tête do cliente com o profissional.”

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