Cultura

Relembre papéis icônicos de Glória Menezes

Atriz que marcou a TV brasileira morreu aos 91 anos

Mariana Pontes 19 de Agosto de 2026
Reprodução/TV Globo

Um dos grandes nomes da história da teledramaturgia, do cinema e do teatro no Brasil, a atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pela família. A perda acontece menos de 24 horas após a morte da atriz Laura Cardoso, lenda dos palcos e das novelas, aos 98 anos.

Da jovem Lara, de “Irmãos Coragem” (1970), à vilã Laurinha Figueroa, em “Rainha da Sucata” (1990), a atriz ajudou a construir a história das telenovelas no Brasil, ao longo de mais de 60 anos de carreira e um total de 40 produções para a TV. Menezes estrelou novelas que marcaram época, como “Guerra dos Sexos” (1983), “Brega & Chique” (1987), “A Próxima Vítima” (1995) e “Senhora do Destino” (2004). “Totalmente Demais” (2015) foi o último folhetim em que atuou. Ao longo dos anos, Menezes também consolidou uma carreira no cinema. Seu papel de maior destaque foi como Rosa, no longa indicado ao Oscar “O Pagador de Promessas” (1962).

Nilcedes Soares de Magalhães — nome de batismo da atriz — nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e se mudou aos seis anos para São Paulo. Numa carreira iniciada nos palcos, a estreia na TV se deu em produções de teleteatro ainda na TV Tupi. O folhetim “Um Lugar ao Sol”, na TV Excelsior, marcou sua primeira participação em novelas.

Uma de suas principais contribuições foi a ruptura com os excessos do rádio, ajudando a solidificar um tipo de atuação mais contido e natural. A atriz também estrelou a primeira telenovela diária do país, “2-5499 Ocupado” (1963), na Excelsior, onde fez par romântico com o marido Tarcísio Meira (1935-2021).

Ao lado do ator, Menezes formou um dos casais mais admirados da arte nacional. Após quase 60 anos juntos, Meira morreu em 2021 por complicações causadas pela covid-19. O único filho do casal, Tarcísio Filho, também é ator. Além dele, Menezes deixa dois outros filhos, Maria Amélia e João Paulo, do casamento anterior.

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    Rosa

    “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte

    Na pele da esposa de Zé do Burro (Leonardo Vilar), Glória Menezes fez uma estreia marcante no cinema. Nessa adaptação homônima da peça escrita por Dias Gomes, Rosa acompanha fielmente seu marido, que cumpre uma promessa feita após ter seu burro atingido por um raio: levar a cruz de madeira até o altar de uma igreja. Por sua atuação, Menezes recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Curitiba e o filme, a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

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    Emily

    “2-5499 Ocupado” (1963), de Dulce Santucci

    Na primeira novela diária da televisão brasileira, produzida pela TV Excelsior, a atriz interpretou uma presidiária que, na cadeia, trabalhava como telefonista. Em uma ligação por engano do escritório do advogado Larry (Tarcísio Meira), se apaixonam um pelo outro — ou, pelo menos, por suas vozes. Já casados na época, é a primeira atuação deles como um casal protagonista. Em 1999, ganhou um remake na RecordTV, chamado “Louca Paixão”.

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    Lara

    “Irmãos Coragem” (1970), de Janete Clair

    Ao interpretar a delicada e romântica Lara, Menezes também vivia as outras personalidades da protagonista: a extravagante Diana e a equilibrada Márcia. Em uma relação marcada pela intensidade e por confusões, seu interesse amoroso era João Coragem (Tarcísio Meira), um dos três irmãos que dão nome à novela. Garimpeiros, eles sofrem uma série de injustiças com a perseguição do Coronel Pedro Barros (Gilberto Martinho) e iniciam uma luta contra o poderoso e autoritário latifundiário — pai de Lara.

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    Rosemere Fátima

    “Brega & Chique” (1987), de Cassiano Gabus Mendes

    A personagem de Glória Menezes mora na periferia de São Paulo, batalhando para sustentar seus filhos e seu pai, em meio às dificuldades financeiras. Ela recebe uma herança milionária do marido, empresário que finge a própria morte para escapar da falência. Ele mantinha um segundo casamento com a rica e sofisticada Rafaela (Marília Pêra), que mora em uma região nobre e nunca teve que se preocupar com problemas cotidianos. Agora sem nenhuma fonte de renda, ela se muda para uma casa mais simples, momento em que as duas personagens se conhecem e se tornam amigas, sem saber do ponto que as une.

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    Laurinha Figueroa

    “Rainha da Sucata” (1990), de Silvio de Abreu

    Primeira grande vilã da atriz, vive uma socialite esnobe e elegante, mas falida, vinda de uma família da tradicional elite paulista. Sem aceitar sua atual condição, faz de tudo para prejudicar Maria do Carmo (Regina Duarte), representante do universo dos novos-ricos. Enriquecida a partir de um ferro-velho, casou por conveniência com Edu (Tony Ramos), enteado de Laurinha e por quem a antagonista é, secretamente, apaixonada. É antológica a cena em que a personagem de Glória Menezes se suicida, jogando-se do alto de um prédio na avenida Paulista.

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