Cultura

O ativismo e o legado de Yayoi Kusama

Gigante da arte contemporânea morreu em 14 de agosto. Famosa por sua obsessão com bolinhas e cores, ela tem obra com uma dimensão política que nem sempre é lembrada

Fredy Alexandrakis 27 de Agosto de 2026
© Yayoi Kusama Studio

Yayoi Kusama, artista japonesa que capturou o mundo da arte contemporânea com sua obsessão por bolinhas, repetição e cor, morreu aos 97 anos em um hospital psiquiátrico em Tóquio, em 14 de agosto. A morte foi comunicada pela sua empresa Yayoi Kusama Inc. nesta quinta-feira (27). Conhecida por grandes esculturas e instalações imersivas, Kusama encontrou enorme popularidade na era da arte “instagramável”, mas precisou lutar pelo seu espaço desde o início de sua carreira.

Kusama nasceu na cidade japonesa de Mastumoto, em 1929. Desde a infância, lutou contra doenças mentais e alucinações que inspiraram a sua produção artística. Sua família era conservadora e não apoiava seu interesse em arte, parte do motivo pelo qual Kusama se mudou a Nova York em 1958, rapidamente se tornando uma figura influente na cena avant-garde local. Existe uma dimensão explicitamente política em sua produção do período que nem sempre é lembrada. A artista organizou cerca de 75 eventos entre 1967 e 1969, nos quais pintura, escultura e arte performática (com muita nudez) eram usadas em protesto à repressão sexual e à guerra do Vietnã (1955–1975), entre outros temas.

“Anti-War” de Yayoi Kusama, 1968 © Yayoi Kusama Studio

Mas Kusama não foi bem recebida pelo mundo da arte na época. Em várias oportunidades, expressou frustração em ver algumas de suas ideias servindo de inspiração para artistas mais famosos como Andy Warhol, Claes Oldenburg e Lucas Samaras. “Esses homens estavam apenas imitando minha doença”, disse à revista BOMB, em 1999. Nos anos 1970, uma crise de saúde mental a levou a se internar em um hospital psiquiátrico, de onde continuou fazendo arte até a sua morte.

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Em 1993, Kusama alcançou nova visibilidade ao representar o Japão na Bienal de Veneza. Mais tarde, mídias sociais trouxeram uma projeção ainda maior à sua obra, que se consolidou na cultura popular por meio de exposições nos principais museus do mundo e parcerias com grandes marcas, como a Louis Vuitton. Desde 2023, o instituto Inhotim, em Minas Gerais, conta com duas instalações permanentes da artista, incluindo uma de suas famosas “Infinity Mirror Rooms”, salas onde luzes e espelhos criam a ilusão de estar suspenso na imensidão do espaço.

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