Ler, ouvir, ver

Você perdeu ou não tinha nascido? Sete filmes que você tem que ver

Clássicos do cinema com pelo menos três décadas de idade que a redação da Gama está revendo e que você deveria conhecer também

17 de Setembro de 2025
  • “Umberto D.”, lágrimas sem fim e a genialidade de Vittorio de Sica

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    O mais comum é ter em “Ladrões de Bicicleta” (1948) a primeira experiência com o diretor do neorrealismo italiano Vittorio de Sica. Talvez por isso eu tenha deixado um pouco de lado outro dos grandes filmes do cineasta: levei simplesmente 15 anos para assistir “Umberto D.” (1952). E sim, é uma experiência tão ou até mais pungente. Centrado na rotina de um idoso (Carlo Battisti) que tenta a todo custo manter a posse de seu quarto alugado na Roma pós-Segunda Guerra, o longa acompanha Umberto numa jornada praticamente sem saídas possíveis. Assim como em “Ladrões de Bicicleta”, a angústia toma conta por um lado que soa ao mesmo tempo real e assustador. O filme também foge da armadilha de fazer de Umberto um modelo de retidão, o que o torna talvez até demasiadamente humano. Mas, por mais intensa que seja sua situação, é no contato do protagonista com seu cachorrinho Flike e nas tentativas de defendê-lo da própria miséria que o filme, sem ser apelativo, faz nosso coração bater a pedradas. As cenas finais são uma obra-prima à parte.  Disponível no Prime Video. (Leonardo Neiva, repórter)

  • “Tudo Bem” = Nelson Rodrigues + David Lynch + camp + confusão

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    Em “Tudo Bem”(1978), Arnaldo Jabor mistura influências de Nelson Rodrigues com um surrealismo digno de Lynch pra construir uma tragicomédia absurda totalmente entregue ao caos e escarcéu. A história gira em torno de uma reforma em um apartamento de classe média alta e nas consequentes interações da família com os operários, que servem como pano de fundo para um retrato crítico da desigualdade social no país em plena ditadura militar. É um filme atual, barulhento e muito camp, desde os figurinos até a sonoplastia esquisita e cheia de ruídos, cenas muito teatrais e monólogos surreais. Para representar perfeitamente suas alegorias quase carnavalescas, Jabor reuniu um elenco absurdo, com destaque pra Fernanda Montenegro com um “quê” de deusa grega fazendo a dona de casa delirante, Regina Casé como a típica filha doidinha e alienada e a performance lindíssima de Zezé Motta cantando “Como Nossos Pais”. O filme é uma piração do início ao fim, com quase duas horas de pura confusão e ansiedade, muito engraçado e, principalmente, muito brasileiro. Disponível no Globoplay. (Isabela Durão, editora de arte)

  • “Feitiço do Tempo” e por que Bill Murray virou ator cult

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    Com dois filhos avançando na infância, achei que já poderia mostrar a eles clássicos de quando eu estava na mesma etapa da vida, filmes dos anos 1980 e 1990. Alguns, ficou provado, envelheceram muito mal e viraram contra-exemplo; outros, seguem incríveis. É o feliz caso de “Feitiço do Tempo” (1993), em que Bill Murray fica preso no Dia da Marmota e passa a tentar todo tipo de loucura para avançar no calendário. Se ele viraria ator cult anos mais tarde em “Encontros e Desencontros” (2003), aqui já mostra genialidade, carisma, rabugice sedutora e dá vontade de rir apenas ao olhar sério e fixamente para alguma direção. O filme traz ainda Andie McDowell com um sorriso que faz qualquer um derreter, além de falar dos bons tempos do jornalismo, ainda que a pauta (esperar a manifestação de uma marmota sobre o fim do inverno) fosse bastante caída. Apple TV e Prime Video. (Isabelle Moreira Lima, editora executiva)

  • Terror B, sci-fi barato e cabaré glam em “The Rocky Horror Picture Show”

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    “The Rocky Horror Picture Show” (1975), dirigido por Jim Sharman, é um musical completamente pirado que mistura terror B, sci-fi barato e cabaré glam. A história começa com um casal careta, Brad e Janet, que vai parar no castelo do doutor Frank-N-Furter , um cientista alienígena travestido, exagerado e irresistível, que está criando o “homem perfeito” em laboratório. Daí pra frente é só caos: números musicais grudados na cabeça, coreografias cafonas, figurinos divônicos, muito deboche e libertinagem. Tim Curry brilha como Frank-N-Furter, roubando a cena com cada olhar e cada passo de salto alto, enquanto o resto do elenco é engolido pela loucura do castelo. O filme é uma mistura de festa e manifesto libertário, um clássico cult justamente por ser tão exagerado, divertido e bagunçado. (Luana Silva, estagiária de arte)

  • “Fama”: descobertas, sacrifícios, crises e decepções pelo sucesso

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    Em tempos de busca por fama instantânea, ver ou rever “Fama”(1980) pode ser uma boa pedida. Dirigido por Alan Parker (“Pink Floyd – The Wall” e “Evita”), esse drama musical retrata um grupo de jovens durante quatro anos de estudos em uma renomada escola de artes de Nova York. Das primeiras audições à formatura, acompanhamos suas descobertas, sacrifícios, crises e decepções. Aqui, Nova York é menos glamurosa e idealizada do que costumamos ver no cinema. E conquistar o sucesso exige muito mais do que só talento e dedicação. “Fama” levou o Oscar de Canção Original pela música-tema, além da estatueta de Melhor Trilha Sonora. Também inspirou uma série de TV nos anos seguintes, montagem na Broadway e um esquecível remake em 2009. Além de apresentar retratos tocantes de jovens artistas, o filme elevou Irene Cara (1959-2022) ao posto de ícone da música nos anos 1980 – você com certeza conhece “Flashdance… What a Feeling”, trilha de outro clássico na voz da artista, lançado três anos depois. Dito isso, pegue seu balde de pipoca e prepare-se para vibrar com esse musical, mesmo se você não for fã de musicais. Apple TV e Prime Video. (Amauri Terto, coordenador de mídias sociais)

  • “Coração Selvagem”, melhor novelão que Lynch poderia fazer

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    Rever clássicos do cinema, no cinema, é sensacional. Rever David Lynch restaurado e na tela grande é um prazer absoluto. Com a morte do cineasta, em janeiro de 2025, mostras exibiram clássicos como “Coração Selvagem” (1990). No filme, Sailor (Nicolas Cage), sai da prisão, reencontra sua amada Lula (Laura Dern) e tem de fugir de um matador de aluguel contratado pela sogra (Diane Ladd) — que, na verdade, morre de desejo pelo genro. O resultado são cenas memoráveis, iluminadas por uma luz do deserto americano e cheias de personagens enlouquecidos e bem-vestidos. Destaque para a jaqueta de pele de cobra de Sailor –“representa minha individualidade” e o vestidão azul Klein da sogra. A trilha sonora excepcional já começa unindo metal (Powermad) e jazz (Glenn Miller) em uma briga causada por ciúmes. E tem Love me Tender, do Elvis Presley, como faixa do casal deliciosamente apaixonado e metaleiro. Disponível para aluguel no Prime Video. (Luara Calvi Anic, editora-chefe)

  • “A Liberdade É Azul” e a tristeza também

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    Se a liberdade é azul, a tristeza tem um tom azulado caprichado na tinta. Pelo menos, é o que senti ao assistir esses dias, pela primeira vez, ao filme que dá início à trilogia das cores, do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996). O diretor e o roteirista Krzysztof Piesiewicz misturaram a bandeira da França com o lema da Revolução Francesa para apresentar os mistérios da condição humana ao contar histórias de personagens comuns a partir de uma fotografia nada ordinária. Enfim, resolvi pagar essa dívida cinéfila e comecei do começo, com “A Liberdade É Azul” (1993), e estou até agora com a história de Julie (Juliette Binoche, perfeita, doce e feroz) martelando na cabeça. Depois que o marido e a filha morrem em um acidente de carro, ela decide afastar o passado e levar outra vida ou apenas sobreviver? , anônima, sozinha, perdida na multidão parisiense. Mas, claro, não há como se libertar totalmente do que passamos. Os fantasmas sempre voltam, em cores e sons. A ver o que me espera com os próximos, “A Igualdade É Branca” (1994) e “A Fraternidade É Vermelha” (1994). Disponível na MUBI. (Ana Elisa Faria, repórter)

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