Ler, ouvir, ver

Em busca de um bom livro sobre sexo?

Nestas obras, você vai encontrar as muitas faces do erótico

Mariana Pontes 14 de Setembro de 2026
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    “No Baile do Juízo Final” (Todavia, 2026), de Susy Freitas

    Um grupo de quatro amigos se junta para se drogar, transar e praticar o “terrorismo arquitetônico”. Esse é o Coletivo Amargo, que toma iniciativa depois de algumas garrafas de ayahuasca e de falas de entidades proferidas por uma das integrantes. Formado por jovens irreverentes e subversivos, une a arte, a magia e o sexo, com ações que vão de interferências em igrejas a ataques contra políticos. Nessa trama, a escritora manauara leva o leitor para um passeio em uma Manaus contemporânea, fora dos pontos turísticos, mas com esquinas e vielas habilmente conhecidas pelo quarteto.

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    “A Casa dos Malditos” (Zahar, 2026), de Tito Leite

    Neste livro, o escritor, poeta e ex-monge beneditino conta sobre sua internação em uma clínica terapêutica para religiosos. Chegou até lá depois de tentar, devotamente, se entregar a Deus, mas falhar ao se render às noitadas em Olinda, que alimentavam seu alcoolismo e dificultavam seu voto de castidade. O cearense coloca suas memórias no aspecto central da trama, tanto com personagens reais quanto fictícios. A obra trata das belezas e das contradições da liturgia, da vontade de viver a vida monástica e da de abandoná-la pela mundana. As descrições do autor são sensíveis e honestas, desde as orações das manhãs no mosteiro até as disputas de poder que lá aconteciam.

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    “Noitada” (Todavia, 2026), de Reinaldo Moraes

    O livro, desdobramento do universo de “Maior que o Mundo” (Companhia das Letras, 2018), continua com a já conhecida sofisticação do autor nas cenas de sexo e drogas. A trama começa com Kabeto e sua ex-namorada a caminho do apartamento de uma rica e anarquista atriz, em Higienópolis. Eles entram no banco de trás de um táxi e lá ficam parados, presos no trânsito ocasionado pelos protestos de 2013. Toda a história que segue essa cena acontece em uma única noite, repleta de espumante francês, humor no sexo e permeada pelo caos político e pelas contradições mais introspectivas dos personagens.

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    “Rede de Pescar Ossos” (Patuá, 2026), de Martha Lopes

    Quais aspectos da vida são consequências da decisão de ceder ao desejo? A protagonista do livro revisita sua própria história a partir desse questionamento. O terreno irregular da maternidade e o socialmente imposto papel da mulher no mundo, ambos vividos pela personagem, são eixos norteadores da narrativa. O livro tece encontros amorosos, medos, culpas, relações familiares e referências teóricas para desenhar cenas cotidianas, mas que despertam a reflexão no leitor.

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    “O Polonês” (Companhia das Letras, 2025, trad. José Rubens Siqueira), de J. M. Coetzee

    Witold Walczykiewicz é um célebre pianista que, de passagem por Barcelona, organiza um concerto com ajuda de Beatriz, uma patrona das artes casada. É amor à primeira vista para ele. Após a resistência inicial vinda da mulher, a relação dos dois se desenvolve em um romance intenso, ainda que breve por desejo dela. Witold a deixa na companhia de 84 poemas escritos em sua língua natal, destinados à “Beatrice”, e a mulher toma como missão relacionar os versos com o que se lembra do tempo que tiveram juntos. Das funções da arte ao sexo na velhice, o escritor sul-africano, vencedor do Nobel de Literatura em 2003, explora a natureza dos relacionamentos e como eventos acidentais podem impactar toda uma vida.

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    “A Casa dos Budas Ditosos” (Alfaguara, 2019), de João Ubaldo Ribeiro

    Um clássico da literatura erótica, foi originalmente publicado em 1999, como o quarto da série “Plenos Pecados” (Editora Objetiva). Entre os capitais, lá está a luxúria, tema central da obra, cujo autor, de acordo com ele mesmo, assume o papel de transcritor dos relatos. Ele nos apresenta CLB, uma baiana de 68 anos que nunca se conteve ao viver a vida. Contando suas experiências em orgias, voyeurismo e sadismo ao longo das muitas décadas, se recorda, sem nenhuma culpa, de uma liberdade sexual irrestringível. Cinco anos depois do lançamento do livro, ele foi adaptado para um monólogo, que rendeu o Prêmio Shell de Teatro de Melhor Atriz para Fernando Torres. Neste ano, o espetáculo foi retomado e segue em cartaz em Recife, no início do mês de setembro.

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